Para lutar por mais grandes Voltas? Vinha de um ano para esquecer mas fez 2.º em 2020 e parece talhado para 3 semanas, ainda por cima a Bora tem qualidade para o valorizar. Já o Giro, pela falta de emoção, poucos ataques e abandono de várias figuras importantes (Yates, Lopez, Bardet ou Almeida), foi dos mais pobres dos últimos largos anos… até à subida final da penúltima etapa, onde um golpe de teatro tirou uma rosa que parecia que já não fugia a Carapaz. Culpas para o equatoriano, que em outros dias podia ter atacado e também da INEOS, que geriu muito mal a subida ao Passo Fedaia. Já Landa conseguiu um saboroso pódio, logo numa prova em que não esteve ao seu nível (ataques algo frouxos). Nibali e Pozzovivo, por sua vez, parece que encontraram a fonte da juventude, enquanto Hirt (excelente 6.º lugar) e Juan Pedro López (top 10, melhor jovem e vários dias de Rosa) foram as principais surpresas. Quanto a João Almeida, foi duplamente inglório. Ter de abandonar com Covid quanto tinha o 4.º lugar (que já era um grande resultado) no bolso é triste, mas depois do que aconteceu na penúltima etapa, principalmente com a quebra de Richard Carapaz, custou ainda mais, já que era possível lutar até pela 2.ª posição.
Jai Hindley conquistou a 105.ª edição da Volta a Itália. O ciclista australiano, da BORA – hansgrohe, assumiu a rosa na penúltima etapa, depois de deixar o super-favorito Carapaz pregado, e no CR final segurou a liderança. Hindley já tinha feito 2.º no Giro de 2020 e na Volta a Polónia de 2019, mas tinha um palmarés algo modesto até agora, sendo que em 2022 o seu melhor resultado tinha sido um 5.º lugar no Tirreno–Adriatico. Já Richard Carapaz teve de contentar-se com o 2.º lugar na geral, enquanto Mikel Landa completou o pódio. Vincenzo Nibali, Pello Bilbao, Jan Hirt, Emanuel Buchmann, Domenico Pozzovivo, Hugh Carthy e Juanpe López fecharam o top 10.
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7 Comentários
ForsenCD
Hindley realmente confirmou de vez, que corredor fantástico, ontem teve uma exibição à Pogacar.
Depois do contra-relógio de Landa fico mesmo a pensar que Joao Almeida poderia ter alcançado o pódio.
Ei mas atenção ainda vou ser acusado de Jihadista depois destas declarações que por acaso foram escritas em Português…
Mantorras
Eu se fosse a ti tinha cuidado.
Olha que Jihadista e a “ultima expressao da moda” para rotular malta e ao contrario do que possas pensar afinal e batante correcto, e recomenda-se, rotular malta de toxica sem qualquer motivo, nem meio motivo.
DNowitzki
1.º) Esta volta a Itália deixou a desejar em termos de traçado e de espetáculo. Sempre adorei o Giro, mas este ano foi aborrecido, com etapas longas e outras que prometiam muito, mas se resumiam aos últimos 15 minutos.
2.º) Carapaz fez tudo para eliminar João Almeida, pensando que Jay e Landa não estavam à sua altura. Pelo meio, teve declarações arrogantes. Levou uma lição ontem e, hoje, outra.
3.º) Por seu turno, Landa perdeu aqui a última oportunidade para vencer uma grande prova.
4.º) Nibali sai num honroso e inesperado 4.º lugar.
5.º) Sabendo, agora, «tudo» o que se passou com o João, que já estava infetado na etapa onde perdeu mais de um minuto, é muito possível que tivesse alcançado o «podium».
Jan the Man
Totalmente de acordo com o negrito do VM. O Giro é a minha GV preferida e esta edição foi de longe a mais fraca dos últimos anos, muito pouco espetáculo para o que se esperava.
Sobre os destaques, pena pelos azares de Yates, Bardet e Almeida, acredito que tivesse dado outra vida à corrida nas etapas decisivas. Penso que Carapaz esteve sempre mais preocupado em distanciar o português que os restantes e ontem acaba por pagar uma fatura bastante inglória. Hindley, que por pouco não perde a corrida no Etna, esteve as 3 semanas em crescendo e, apoiado por uma excelente equipa, termina a demonstrar uma grande capacidade no momento decisivo.
Quanto a Landa, bem pode agradecer este pódio aos desastres alheios. Sempre incapaz de alterar o rumo dos acontecimentos, perdeu talvez a melhor oportunidade da carreira de ganhar uma GV. Apoiado por ciclistas como Poels, Buitrago e Bilbao (outro grande azarado desta edição), podia e devia ter feito bem mais.
Menção ainda para o desastre de Foss na Jumbo (nem se viu durante a prova), que acaba camuflado pelas boas prestações dos jovens da equipa neerlandesa.
Boneco21
Muito sinceramente, não percebo quem diz que o João podia ter chegado ao pódio se não fosse a infeção. O João desiste após a etapa 17 em que perde 1min. Assumindo que até à etapa 16 ele não foi afetado pelo vírus, o que já de si é duvidoso, visto que podia já estar a ser afetado há mais dias, no final dessa etapa ele estava em 3º a 41s de Hindley e 44s de Carapaz, com 15s de vantagem sobre Landa. Olhando para isto, eu não consigo só dizer que o pódio era possível, para mim era mesmo o cenário mais provável. Do que se viu no resto das etapas, até concedo que o João não fosse capaz de seguir o Hindley ontem, mas ele teria tido tudo para lutar até pelo 2º lugar ou, quem sabe, o 1º. Eu ainda estava com a fezada que o João da 3ª semana do Giro passado fosse aparecer… Já se sabe que a corrida teria sido diferente se ele não tivesse abandonado, mas, sabendo o que sabemos hoje, dizer que ele “podia” ter chegado ao pódio parece-me demasiado conservador, muito honestamente. Não seria nada do outro mundo o João fazer um tempo parecido ao do Van der Poel hoje, que ganhou 44s ao Carapaz e 51s ao Hindley, pelo que, ignorando a etapa 17 onde já estaria certamente debilitado, o João estava bem dentro da luta pela vitória do Giro, ainda que isso fosse bastante difícil, ou pelo menos pelo 2º lugar.
P. Pereira
Um Giro em que faltou emoção na luta pela geral devido a alguma falta de ataques nos primeiros da geral onde se andaram a “marcar” constantemente. Ficou mais evidente, e não creio que só para o público português após o abandono do João pois por exemplo Landa ficou com o 3º lugar praticamente garantido e não atacou mais. Quanto à vitória de Hindley soube esperar pela altura certa para atacar depois de ter chegado a passar mal na etapa do Blockhaus onde foi “rebocado” pelo João e acabou a ganhar a etapa mas ontem aguentou e aquela ajuda ontem de Kamna foi a gota de água para a capacidade física de Carapaz e a partir dali o colombiano vai a baixo completamente e ele liga o “turbo psicologicamente” e as pernas acompanham.
Carapaz parecia que estava na sua zona de conforto mas sinceramente o facto de não conseguir e em certas etapas não atacar fazia-me pensar que podia não estar na melhor forma. Ainda ontem enquanto esteve com Sivakov parecia estar bem pois deu indicações ao russo para continuar a “puxar” talvez na expetativa de Hindley descolar o que não aconteceu. Termina no 2º lugar, sem qualquer vitória e por isso deve estar completamente dececionado com este resultado.
Quanto a Landa para mim acaba por ser um resultado normal mas acredito que sem o abandono do tuga seria 4º até porque quem o conhece sabe as capacidades que tem mas também é mais que sabido que o “Landismo” é mais conversa e polémica do que propriamente resultados (nas suas devidas proporções claro) e acredito que acabaria por estoirar como ontem e hoje como se viu CR não é com ele.
Quanto ao resto do top 10,
Nibali: Gostei imenso de ver o “Tubarão de Messina” a despedir-se com um 4º lugar e a mostrar a sua classe de grande vencedor
Bilbao: Mais um bom resultado deste ciclista que foi ajudando Landa e consegue fechar no top 5 (3º Top 10 em Giro’s)
Hirt: Primeiro pódio numa Grande Volta. Esteve em inúmeras fugas na 2ª semana e na 3ª e foi ganhando ou recuperando muito tempo para os homens da geral e ainda ameaçou fazer 4º ou 5º mas não deixa de ser talvez o melhor resultado na carreira
Buchmann: Bom resultado também para o alemão, o ano passado tinha abandonado e conseguiu fechar top 10 tendo também ajudado Hindley sendo que a equipa da Bora foi a par da Bahrain nesta última semana a equipa que mais trabalhou no pelotão (nem sempre com efeitos práticos positivos como se viu anteontem)
Pozzovivo: Ainda mais velho que Nibali, conseguiu aqui mais um top 10 para a sua carreira (fui ver e foi o 7º em Giro’s e o 8º em Grandes Voltas) e foi-se mostrando ao longo da competição juntamente com o seu colega de equipa ajudaram a equipa a fazer uma grande corrida (2 corredores no Top 10 e 1 vitória, se não me engano, de Girmay que podia ter feito mais ainda mas teve a infelicidade do champanhe)
Hugh Carty: Fez uma terceira semana em grande forma e tal como Hirt foi estando em fugas e recuperando tempo para a frente da corrida e acabou em 9º depois do 8º do ano passado se bem que acredito que tem capacidade para mais até porque já fez pódio na Vuelta
Juan Pedro Lopez: Penso que não era esperado que o espanhol terminasse no top 10 antes do começo do Giro e a sua prestação foi semelhante com a de João Almeida em 2020 no sentido em que chegou à camisola rosa não sendo dos favoritos e a conseguiu manter durante alguns dias estando entre os melhores. Depois acabou por quebrar no dia em que perde a liderança mas nesta 3ª semana conseguiu aguentar e termina assim no top 10 e com a camisola branca que lhe caiu nos braços depois do abandono do João pois estava salvo erro a uns 5 minutos de atraso na altura
Por fim nota para os abandonos:
João – Tinha tudo para no mínimo fazer 4º e grande probabilidade de alcançar o seu objetivo que era o pódio. Vinha a perder tempo em 2 etapas consecutivas aquando do abandono no entanto Landa estava mais que ao alcance no 3º lugar e sendo otimista acredito que até poderia de certa forma estar a preparar para tentar surpreender na etapa 20 onde a UAE até por conseguir a vitória com Covi e onde Formolo acabou entre os primeiros por isso não sei até que ponto não terá sido uma etapa que a equipa se estivesse a preparar. Depois teria sempre o CR hoje onde iria ganhar tempo a todos os rivais e iria ficar por larga margem com a camisola da juventude. Acabou por não conseguir nada disto mas mostrou mais uma vez que é um grande ciclista e que certamente vai dar muitas alegrias aos portugueses. BOTA LUME!
Bardet – Parecia estar em boa forma e podia ser um dos candidatos no mínimo ao pódio, Yates – Depois de perder tempo ainda consegui uma vitória e poderia sair do Giro com pelo menos 2 vitórias
Girmay – Parecia estar em grande forma e conseguiu uma vitória de etapa e podia ter feito mas teve a infelicidade da rolha no champanhe no pódio. Acredito que irá conseguir mais umas quantas vitórias em Grandes Voltas
Miguel Angel Lopez – 3º abandono seguido em Grandes Voltas e 5º nas ultimas 4 (queda no Giro em 2020, abandonou no Tour em 2021 para se preparar para os JO e na Vuelta foi o famoso caso em que houve problemas com a equipa e abandonou e agora este por lesão) mas era um candidato ao top 10 no minimo e foi uma pena ter abandonado. A equipa acabou ter Nibali no top 5 mas com Lopez podiam ter tido mais um no top 10 e vamos ver se o colombiano vai.
Quanto às equipas destaque positivo para a BORA e Wanty principalmente e destaque negativo principalmente para a INEOS que não conseguiu nem uma vitória em etapa, nem camisola rosa nem qualquer outra e também não conseguiram meter mais ninguém no top 10. Para além disso não estou a ver a equipa a conseguir a camisola amarela no Tour nem a vermelha na Vuelta.
Cumprimentos para todos. João volta rápido.
porra33
Fazendo um balanço geral acho que este Giro foi uma das provas de três semanas mais entediantes da última década. Se eu fosse um belga e me tivessem dito para começar a ver ciclismo porque era espectacular e tal e me mostrassem este Giro tinha desistido à terceira etapa.Na minha opinião o percurso foi mal desenhado, o início na Hungria e passagem para a Sicília não foi de todo feliz com os ciclistas a tentarem não se desgastar muito nestas etapas o que resultou em demasiada contenção. O monte Etna então foi o sinal máximo disso. O contrarrelógio no final também não foi favorável ao espetáculo, deveria ter sido logo no principio da terceira semana para depois proporcionar espetáculo na montanha que aí vinha e que não o teve.
Em termos individuais destacar Hindley que fez a diferença numa única etapa, Carapaz que não fez a diferença e um dia mau arrumou-o. Um Giro que fica marcado pelos abandonos de Yates, Bardet, Lopez e J. Almeida, o que tirou também o interesse à corrida uma vez que o top 4 e depois o top 3 ficaram definidos desde cedo.
Destacar a vitória de Girmay, a vontade de MVP e de Kamna que foram dos ciclistas mais ofensivos.
Quanto ao J. Almeida o balanço que faço é que foi azarado. Julgo que as limitações que apresentou se deveram ao covid e acho que esteve com pior desempenho neste Giro que nos dois anteriores. De qualquer forma acho que se tivesse acabado entraria para a história porque levaria a camisola da juventude, acho que para o ano já não terá essa hipótese. Acho no entanto que o João cimentou um pouco o seu lugar na hierarquia da UAE e mais ano menos ano irão apresentar um bloco com mais capacidade de apoio. Corredores como F. Gaviria estão perto de terminar contrato e neste momento a UAE já se posiciona como a equipa que quer tentar as gerais nas três grandes voltas pelo que os ciclistas que virão já serão contratados com esse intuito, sendo o João um deles.
Em termos de bloco o da Bora pareceu-me o mais forte, a INEOS mostrou que só Sivakov e Porte conseguiam estar no apoio final ao Carapaz. A Bahrain não estava mal mas os dois pesos pesados também não tinham capacidade para fazer mais.
Espero que tenha sido a grande volta mais fraca do ano e em principio sim porque nas outras estarão os eslovenos e o resto da nata do ciclismo portanto espera-se muito mais espectáculo.