Atlanta e Boston têm este ano um ponto em comum: Al Horford. Os Hawks têm sido presença assídua no topo da Conferência Este, muito por culpa do rendimento do All-Star, enquanto que Boston viu em Horford a peça que faltava para completar o seu percurso ascendente. Os Celtics parecem encontrar-se no estado final de uma reconstrução, já Atlanta efectuou uma completa remodelação. Mas ambos os conjuntos parecem candidatos a figurar entre os mais fortes da sua conferência.
Boston Celtics
Boston iniciou um processo de remodelação, no qual foi acumulando jovens talentos vindos do draft ou de trocas. Esse processo deu frutos o ano passado, quiçá mais cedo do que previsto, quando a equipa venceu 48 jogos, algo que não conseguira desde os tempos do seu Trio Campeão. O modelo de jogo assentou numa defesa muito agressiva e solidária, e num ataque onde o coletivo se sobrepõe ao individual. Tendo jogadores que fazem mais que uma posição, Brad Stevens pôde nos últimos tempos jogar com várias rotações e implementar diferentes soluções conforme o adversário, o que torna Boston uma equipa imprevisível e difícil de parar.
Para a ascensão de Boston contribuíram Isaiah Thomas, que explodiu ofensivamente, e a confirmação de Jae Crowder como um clone de Kawhi Leonard, depois de adormecido em Dallas. Avery Bradley e Marcus Smart são dois cães de fila na defesa, Kelly Olynyk deu e dará importantes contributos, tal como Amir Johnson e Tyler Zeller. Mas uma equipa, por mais talento e coletivo que tenha, dificilmente chega ao topo sem uma estrela, um líder. E por isso mesmo os Verdes foram buscar Al Horford ao mercado. O poste é um jogador versátil, tal como muitos dos seus novos colegas, capaz de render no ataque e na defesa, mas que ao longo da carreira sempre colocou os interesses do colectivo acima dos individuais, o que mais uma vez se enquadra perfeitamente no espírito de jogo implementado em Boston. Caso ele se mantenha livre de lesões, o que nem sempre tem acontecido, será certamente uma peça que permite aos Celtics elevar ainda mais a sua qualidade de jogo e trepar na hierarquia.
Os Celtics viram sair Sullinger e Turner, dois elementos relevantes na rotação, pois não quiseram pagar demasiado para os manter, mas o rendimento de Horford deve ser mais que suficiente para cobrir as perdas. O rookie Jaylen Brown traz algum atleticismo a uma equipa que sofreu algo nas tabelas, dada pouca capacidade física de alguns dos seus interiores, mas também nesse ponto Horford será um upgrade. A capacidade de muitos jogadores fazerem mais que uma posição é uma arma que permite ao treinador adaptar-se aos adversários, ora lançando o trio de bases, ora colocando um cinco mais alto, conforme as necessidades. E Boston continuará a ser daqueles casos em que o total obtido é superior à soma das partes, com a diferença de que agora possui nos seus quadros alguém com veterania e perfil de liderança, o que pode fazer toda a diferença.
Objectivo: destronar Cleveland
Força: muitos jogadores que fazem várias posições
Fraqueza: demasiada juventude, pouca gente habituada às grandes decisões
Atlanta Hawks
Os Hawks têm marcado presença contínua do playoff, mas o máximo que alcançaram foi uma final de conferência, em que caíram com estrondo às mãos dos Cavaliers. A Direcção percebeu que aquele conjunto chegara ao seu pico, pelo que procederam a uma pequena revolução, ao abdicarem de dois elementos importantes no recente período vitorioso, Jeff Teague e Al Horford. Para as suas posições entram o suplente promovido a titular Dennis Schröder, e Dwight Howard. Por outro lado, Atlanta aposta no aumento de responsabilidade ofensiva de Kent Bazemore, uma das surpresas do ano passado, no regresso de Tiago Splitter e na evolução de Tim Hardaway Jr. E claro, na qualidade do lançamento longo de Kyle Korver e na consistência de Paul Millsap.
A grande força dos Hawks tem sido o seu jogo colectivo e o modo como fazem rodar a bola entre todos os jogadores, e nesse aspecto Horford era uma peça importante. Pelo contrário, Howard não é um grande passador e à primeira vista o seu estilo não se enquadra no processo ofensivo implementado. É verdade que terá mais posses que nos últimos tempos, já que Lakers e Rockets não eram muito de partilhar bola, mas terá de adicionar algumas assistências ao seu repertório de afundanços e lançamentos perto do cesto, se quiser sentir-se confortável. Claro que na defesa, e embora a sua condição física esteja longe da mostrada no passado, mantém-se uma presença imponente, e que complementa Millsap, um excelente defensor mas que muitas vezes tem dificuldades devido à baixa estatura.
Atlanta continua a ser um claro candidato a ficar entre os primeiros oito classificados, mantém um treinador que implementou uma filosofia de jogo baseada no coletivo, a defesa é coesa e existem suficientes e variadas opções ofensivas. A equipa possui dois all-stars confirmados, Millsap e Howard, e um misto de experiência e juventude, argumentos suficientes para mais um ano positivo. Mas as consequências da saída de dois líderes são sempre imprevisíveis, e nada garante que o jovem Schröder está preparado para assumir o comando, por outro lado, Dwight Howard tanto pode ser uma solução como um problema. O modo como saiu de Orlando e se comportou em Los Angeles e Houston são amostras de que a sua presença no campo e no balneário pode ser nociva a um conjunto onde a química tem sido perfeita.
Objectivo: quatro primeiros do Este
Força: jogo colectivo
Fraqueza: enquadramento de Howard no ataque
Nuno R.


19 Comentários
Manuel Teixeira
Boston tem uma equipa muito interessante. Não chegará para destronar Cleveland, mas nesta conferência têm condições para discutir o 2º lugar com Toronto.
Os Hawks contrataram um dos piores profissionais da NBA. Que se amanhem..
Gullit
O roster de Boston é muito interessante. Mas para bater os Cavaliers não chega. E se por ventura até pudessem terminar a regular season à frente devido às poupanças e gestão física de LeBron e companhia, quando chegasse aos play-offs… No chance!
A falta de um líder e de jogo exterior regular e de gabarito é notória em Boston. Têm o “clone de Kawhi Leonard”, mas para enfrentar os Cavaliers talvez fizesse mesmo falta era o clone de Larry Bird!
Gullit
Eu gostava de Dwight Howard quando surgiu na NBA, mas se fosse GM não gastava uma fatia importante do salary cap nele. Como dizem noutros “shows”, Dwight is S-A-W-F-T… sawwwwftttt!
Kafka
Tenho muita expectativa com esta equipa de Boston, gosto bastante do BRad Stevens, tem tudo para fazer uma enorme carreira na NBA
jose
dizer que o crowder é um clone do leonard…nem um clone dos baratos é..só se for nas tranças. crowder é um jogador banal leonard é top 10 da liga.
The White Mamba
Não é top 10 da liga mas tb não é propriamente banal. Mas concordo que dizer que é um clone do Leonard é bastante exagerado.
José Ribeiro
Os Celtics estão a dar todos os passos certos e acredito que irão acabar no top3 na Conferência Este. Continuo a achar que no draft este ano deveriam ter escolhido um shooter (como Buddy Hield) em vez de um projeto de jogador como fizeram.
Quanto aos Hawks, tinham de fazer alguma coisa para tentar mudar a equipa. O plantel já tinha atingido o seu máximo e nunca iriam sair do registo dos últimos 2/3 anos. A contratação do Howard é muito arriscada, pois já tem mais de 30 anos, tem mostrado debilidade fisíca e desde 2009 que não mostra vontade de ganhar nada. Tenho algumas dúvidas que irão aos Playoffs.
José
Atalanta aos playoffs vão sempre, mas ficaram piores.
Boston buddy hield era mais um para o backourt, já têm dois titulares portanto…
César Vigário
Os Boston Celtics são a prova de que um bom treinador é essencial num processo de reconstrução. As jogadas nos momentos em que a bola está parada são deliciosas, fruto da mente genial de Brad Stevens nos time-outs.
Fabio Mendes
E em relação aos Bulls?
Quais são os prognósticos para a época da equipa de Chicago e o seu “Big-3: Rondo, Wade e Butler”?
Manuel Teixeira
Uma estratégia que não se percebe!
Por um lado livram-se do Rose (que nunca mais será o Rose MVP), do Gasol (a idade pesa), e do Noah (que na época passada teve muito mal), e quando têm tudo para construir uma equipa à volta do Butler, vão buscar o Wade e o Rondo!! O Butler precisa de bola e não é com estes dois que a vai ter!
Outra questão é que o D-Wade efetivamente é um upgrade no jogo dos Bulls, já o Rondo… Desde que chegou à NBA evoluiu zero!
The White Mamba
O Rondo desde que chegou á nba evoluiu zero? Que barbaridade! O Rondo foi aquele puto que supostamente seria o elo mais fraco no 5 inicial dos celtics quando o Garnett e o Ray Allen foram para lá. O que se passou asseguir toda a gente (que segue a nba) sabe. Que os ultimos 2 ou 3 anos não tenham sido tão positivos não valida a tua afirmação.
Prosporix
Mt exagerado esse ultimo comentario sobre o Rondo… Mt mesmo
Guilherme Silva
Se forem ao playoff será mais por demérito alheio do que por mérito próprio. O maior exemplo de tudo o que não se deve fazer na NBA actualmente.
Prosporix
Eu pessoalmente acho que vão aos playoffs, não digo que vai ser facil. Cavs, Boston, Toronto, Pacers acho que é garantido, ainda sobram 4 vagas, estarão algures nessa luta. Com Wizards, Hawks Pistons, Hornets
Tb acho que o Portis e o Valentine podem fazer uma gracinha esta epoca.
JP Braga
Decorem o nome do Rosier! Vai ser peça fundamental para o desenvolvimento dos verdes de Boston! É a minha aposta pessoal para mip!
Cenourão
Howard em Atlanta??? O início do fim para esta franchise… A reconstrução começa em breve
vfcquiterio
Eu penso clarametne que Boston irá subir de nível, ams não terá ainda argumentos para rivalizar com os Cavs. Quanto aos Atlanta, penso que irão no sentido oposto. Cá estaremos para ver.
Guilherme Silva
Os Celtics vão acabar em 2º no Este e serão os maiores rivais dos Cavs. O que diz muito… quer do crescimento da equipa, quer do resto da conferência. Têm uma defesa excepcional, todos fortíssimos fisicamente, capaz de trocar nos bloqueios e pressionar quer o portador da bola quer todas as linhas de passe, dependendo da estratégia e do adversário – são mesmo das poucas equipas a quem os Cavs não se superiorizam fisicamente – e agora conseguiram uma ameaça interior muito credível e alguém que encaixa perfeitamente no pedigree da equipa. E atenção, as mudanças podem (e não devem) ficar por aqui: há imensas peças, jogadores e picks que são excelentes moedas de troca e podem trazer alguém realmente relevante. Foi preciso imensa coragem para deixar passar Khris Dunn no Draft, mas percebo pela aposta no Thomas. Mas preparem-se para o furacão Jaylen Brown, que vai surpreender muita gente.
Em nota de interesse, dizer que este artigo mencionou as equipas que para mim têm os dois melhores treinadores do Este: Brad Stevens e Mike Budenholzer. Apesar de também apreciar o Hornacek, o Brett Brown e o Frank Vogel, estes são para mim os dois melhores. É sempre um factor x no que toca a previsões.