Skip to content Skip to sidebar Skip to footer

Silva & Silva, Ilimitada

Na minha família os Silva terminaram na geração do meu pai e eu acho que todos os portugueses têm Silva no sangue. Portugueses e não só, na semana em que atribuímos o Prémio Camões a um brasileiro chamado Silviano.

Esta familiaridade pode ser uma explicação para a empatia fácil e espontânea que tem gerado o jovem central, desconhecido há dois meses, com nome de herói de um qualquer pátio de cantigas benfiquistas e que hoje ocupa o topo das listas de “wannabes” do futebol europeu e tão bom, tão bom, que é o único jogador mundial com coluna para os “erros” na sua ficha estatística atualizada.

Além de familiar, Silva é um sobrenome de tal maneira vulgar que se subentende. Temos o Raphael Guerreiro, o Rafael Leão e o simplesmente Rafa – o futebolista que corre com a bola colada ao pé, mais veloz do que a própria sombra, mais rápido do que nenhum outro neste desporto.

António Silva e Rafael Silva, o Rafa do Benfica, não se cruzam na mesma árvore genealógica, mas nasceram ambos dessa inesgotável e ilimitada silveira de talentos portugueses para o futebol.

São herdeiros do Rei Eusébio, são primos do Bernardo. Que linhagem extraordinária, de Mafalala a Viseu, que orgulho sentiria hoje Alberto Silveira, um dos maiores benfiquistas que conheci!

Ontem, para decretarem a Juventus como a “pior Juventus dos últimos dez anos (pelo menos)”, a Companhia Silva & Silva foi a firma de uma das mais extraordinárias performances futebolísticas de uma equipa portuguesa na Liga dos Campeões moderna. Um jogo inesquecível, óptimo em todos os sentidos e ângulos, barómetro de poderes e de ambições e, até, revelador de uma fraqueza do treinador Roger Schmidt – podemos considerar que os Schmidt são os Silva da Germânia -, que muitos já consideravam infalível.

Deslumbrado com o esplendor dos Silva vermelhos, o alemão não reparou na via verde que sempre se abre no lado direito da defesa a meio do segundo tempo e que foi habilmente explorada pelo treinador Allegri para afogar parte das tristezas juventinas com dois golos que apagaram, injustamente, o efeito de uma goleada que seria histórica.

Ora, se Schmidt é, afinal de contas, apenas humano, também não sei a que dotes de prestidigitação terá de recorrer para acomodar na mesma formação a harmonia e disciplina do bando dos quatro (Florentino, Enzo Fernandez, João Mário e Aursnes) com os improvisos de um aventureiro como David Neres. Dumas resolveu o quebra-cabeças cedendo à evidência de assumir que os Três Mosqueteiros, afinal, eram quatro.

É este agora o desafio do romancista do Benfica para os próximos capítulos do seu folhetim. No balanço das primeiras conquistas, uma equipa que parecia só ter onze elementos credenciados dispõe agora de “sobras” de reforço que podem fazer ainda mais diferença, por exemplo, com o restabelecimento dos outros três guardas reais que estava de baixa – uma fartura que acaba com o apertar dos cintos das primeiras semanas.

E, porque isto anda tudo ligado, como diria o meu amigo Bandarra, um deles chama-se Lucas Veríssimo da Silva, outro é o João Vítor da Silva Marcelino e o terceiro o Filipe Rodrigues da Silva “Morato”.

João Querido Manha

16 Comentários

  • CavacoVezesTres
    Posted Outubro 26, 2022 at 11:48 am

    Belíssimo texto. Somos todos Silvas, mesmo que não o tenhamos no nome. E haverá nome mais tipicamente português que António Silva? Talvez apenas o José Silva.

    • lipe
      Posted Outubro 26, 2022 at 11:59 am

      Penso que seria João Silva a combinação dos nomes mais comuns em Portugal.

    • Fireball
      Posted Outubro 26, 2022 at 12:50 pm

      Manuel Silva também está lá no topo.

      • Manel Ferreira
        Posted Outubro 26, 2022 at 2:51 pm

        Manuel é mais esterótipo dos brasileiros do que outra coisa qualquer. Neste momento, somos poucos. Além do mais, é um nome que existe noutras línguas e diria que, tal como José, até está mais associado aos hispânicos (Fawlty Towers e tal). Na Alemanha também há muitos Manuéis e Mannis.
        O Lipe tem razão, João Silva deve ser mesmo o nome mais comum em Portugal. Mas agora com a invasão dos Martins e Salvadores, mesmo as hordas de Joões e Pedros com que eu cresci já devem ser menos comuns.

  • Antonio Clismo
    Posted Outubro 26, 2022 at 11:55 am

    Com um pouco de sorte o Morato arranja um avô ou bisavô português e consegue o passaporte português mais rapidamente.

    Vejo-o a ser muito importante no Euro2024 e Mundial 2026.

    Fica resolvido o problema português no centro da defesa para os próximos 12 anos.

    • Antonio Clismo
      Posted Outubro 26, 2022 at 12:00 pm

      E ainda poderia participar nos jogos Olímpicos 2024 em Paris (só para atletas nascidos em 2001) com a selecção portuguesa e vencer na final a selecção do Brasil.

      Seria engraçado.

    • El Pipito
      Posted Outubro 26, 2022 at 12:26 pm

      Quando o miúdo veio era um desperdício de dinheiro. Se houver a oportunidade de o tornar português, já é muito bom.
      Enfim, a comédia do Blog.

      • Antonio Clismo
        Posted Outubro 26, 2022 at 1:17 pm

        Acho que é unânime que evoluiu muito no último ano.

        A partir do momento que fica com passaporte português, fica a ser tão português como qualquer outro.

        Não aproveitar os activos disponíveis é não ser muito inteligente.

        • Mantorras
          Posted Outubro 26, 2022 at 2:15 pm

          Tambem e unanime que tu ves potencial inexistente em tudo que e tuga e nao ves potencial obvio em miudos brasileiros. Isso tambem e unanime.

        • Aurinegro
          Posted Outubro 26, 2022 at 2:18 pm

          Mas nada te coíbe de andares a dizer o mesmo do Coser, sem sequer pensar que, tal como no caso do Morato estavas errado, agora poderás estar de novo?

          O teu problema é este. Não aprendes com as baboseiras que dizes e com as lições que levas.

          O que dizias aqui de Morato e agora até pode ser importante para a seleção.

          Podes dar o mesmo tempo ao Coser que o Morato teve (esta é a quarta época) para ver se realmente é dinheiro deitado fora ou não ? Ainda por cima o Coser foi 1/5 do custo do Morato.

      • Mantorras
        Posted Outubro 26, 2022 at 2:14 pm

        Ele conseguiu dizer que o Vinicius e o Rodrygo singraram porque tiveram tantas oportunidades que qualquer um singrava.

        Desiste.
        “Perdoai-lhes senhor que nao sabem o que dizem”.

    • Neville Longbottom
      Posted Outubro 26, 2022 at 2:17 pm

      Eu acho que devíamos nacionalizar o Van Dijk e usar a nossa influência para que a FIFA mude as regras e ele possa jogar por nós.

      E também acho que devíamos fazer o mesmo ao Maldini e ao Nesta, coagindo a comunidade científica a inventar uma máquina do tempo para que tenham os dois 20 anos de idade.

      Aí sim teríamos uma boa defesa.

  • lipe
    Posted Outubro 26, 2022 at 11:58 am

    Penso que o alemão Schmidt seja equivalente ao inglês Smith, o português Ferreira e o italiano Ferrari. Nomes provenientes da profissão de ferreiro.

    Bom texto, embora a minha clubite não me permita apreciar a 100% as suas crónicas, o JQM foi uma bela adição ao blog.

  • marcio_14
    Posted Outubro 26, 2022 at 12:01 pm

    Ainda há o “João Victor da SILVA Marcelino”. :)

Deixa um comentário