Vai mudar o futebol? Barça e Real querem muito, mas também vamos ver a coerência dos clubes ingleses, que se afastaram desta nova competição quando os adeptos se manifestaram.
O Tribunal de Justiça da União Europeia deu razão à Superliga Europeia no diferendo que se mantinha com a UEFA e a FIFA. “As normas da FIFA e da UEFA que sujeitam qualquer projeto de nova competição de futebol de clubes a autorização prévia, como a Superliga, e que proíbem os clubes e os jugadores de participar nessas mesmas competições, sob pena de sanções, são ilegais. Isso deve-se ao facto das faculdades da FIFA e da UEFA não estarem sujeitas a nenhum critério que garanta o seu carácter transparente, objetivo, não discriminatório e proporcionado. As normas que atribuem à FIFA e à UEFA um controlo exclusivo sobre a exploração comercial dos direitos derivados destas competições podem restringir a competência, tendo em conta a importância que estes últimos têm para os meios de comunicação social, os consumidores e os telespectadores”, pode ler-se no documento.


60 Comentários
TugadaBola
A novela está de volta.
Com legitimidade para escolher o futuro veremos. Para mim, competições fora do âmbito da FIFA ou da UEFA, mas sem prejudicar os campeonatos nacionais seria a decisão perfeita.
Um campeonato europeu dividido em ligas. Top 10 na primeira, 11-20 na segunda, 21-30 na 3 e por aí fora.
Com descidas e subidas e qualificações pelos campeonatos nacionais. Os jogos passavam a ser mais emocionantes, porque eram mais disputados (filtrava o nível) e n havia vírus a fazer 8 jogos de Champions em que 6 são contra estrela vermelha, Young Boys e Copenhaga
Joao Duarte
Se tens descidas e subidas como é que as classificações são feitas pelos campeonatos nacionais? Só na primeira edição? É exatamente isso que os grandes clubes querem abolir, querem estar sempre lá e não se querem sujeitar a qualificações através de campeonatos nacionais.
Valentes Transmontanos
O Copenhaga que passou num grupo com o Man. United? Que tristeza de comentário.
Joao Duarte
Infelizmente vai ser o futuro. Em Espanha dizem que Benfica e Porto aderiram.
jimmyvicente
Um sistema de convites nunca poderá considerar o campeão europeu
Só se todos os clubes da Europa tiverem possibilidade de acesso por mérito e nenhuma por convite se pode considerar uma competição justa
Tal como é a Champions
Tudo o que não for isso não passará de uma liga privada, e a Champions continuará a definir o campeão da Europa
Joao Duarte
Exatamente. É exatamente por isso que esta competição seria ridícula na forma como foi proposta. Não sei se vão mudar alguma coisa, mas não faz qualquer sentido que não seja perpetuar os grandes clubes no poder.
Neville Longbottom
Isso deixar-me-ia contente.
Francisco Goncalves
Ŵ
Francisco Goncalves
Porquê?
Pablo
assim a equipa dele poderá chegar aos 38 campeonatos a bater em Tondelas e Vizelas da vida, olha a ambição de um sportinguista
Neville Longbottom
Isso.
Neville Longbottom
Isso, mas não percebi a parte do 38. Se não formos burros podem ser 100.
Nickles
Se o Benfica participar e conseguir assim aumentar ainda mais o fosso para as outras equipas portuguesas com os possíveis muitos milhões que pode ganhar, não vejo porque não.
Caso não entre, não concordo com esta competição completamente elitista
Olheiro da 2ª
Boa ironia e que exemplifica bem a situação.
A FIFA e UEFA estão erradas na maneira como se comportam sim?
Devem ser algo de uma profunda remodelação? Sim, sem dúvida.
Nos meus clientes, 2 treinadores que conheço com uma capacidade técnico- tática que faz inveja a muitos treinadores que andam em equipas profissionais, não podem ser o treinador principal dessas equipas por questões do licenciamento/ cursos (como se fosse um curso que define se uma pessoa tem qualidade ou aptidão para exercer uma determinada profissão. Pode ajudar, mas não é um fator determinante. E nisso estas 2 instituições tem muita culpa no cartório (é um exemplo).
Agora criar uma superliga a longo-prazo vai ser o quê? Matar 90% do futebol (cavar um fosso maior sem possibilidade das pequenas equipas de conseguirem almejar o quer que seja)?? A politica eucalipto do futebol portugês exemplifica bem isso. A longo-prazo não será tambem criada uma instituição para gerir esta superliga? E no fim não será mais uma FIFA ou UEFA?
Enfim, em vez de se corrigir o que está mal é criar anarquia. Está certo.
Antonio Clismo
Gostei da ironia
Joao Duarte
Só concordo se beneficiar diretamente o meu clube. Se prejudicar já é uma palhaçada. Por isso é que estamos como estamos e andamos ao sabor do vento.
Valentes Transmontanos
Essa última frase é perfeita. Realmente é muito triste não se perceber uma ironia, recurso expressivo que se aprende no 5º ano.
Borsalino
Deves ser novo no blogue. Estamos a falar do Nickles, um pouco de humor não faz mal a ninguém.
Paulo Roberto Falcao
Começa hoje uma nova era do futebol europeu, é uma vitória em toda a linha do Real Madrid e do Barcelona, que contra ventos e marés lutaram por este desfecho. Aqueles que agora estão de fora, como Bayern e PSG, não tenho dúvida nenhuma que vão acabar por aderir, pelas receitas incríveis que vão surgir da nova competição. A UEFA não tem qualquer alternativa, ou se rende ou desaparece como organismo relevante, ficando a tomar conta da segunda divisão europeia.
Muito mau para o futebol português, Porto e Benfica ainda podem sonhar integrar a competição, mas vão ser sempre segundos tenores, para compor o ramalhete. O essencial das receitas do futebol europeu vai ficar ainda mais centralizado nas grandes Ligas, nós somos totalmente periféricos, e seremos cada vez mais irrelevantes, ao nível dos clubes.
Neville Longbottom
Como é que é mau para Porto e Benfica? Praticamente afastam Braga e Sporting e decidem entre eles quem manda no futebol português.
chuta dai
Quem joga a liga europeia não joga campeonato nacional. Qual é a dúvida? O campeonato nacional serviria como acesso á última divisão da super liga.
Neville Longbottom
E quem é que falou em campeonato nacional?
Gndias
Nova era? só leste as letras gordas aposto
Paulo Roberto Falcao
Sinceramente a chico espertice dos adetos não me surpreende. É mais do mesmo, os tontinhos pensam: bom estamos lá, os outros que se lixem…
Obviamente que os comunicados de Benfica e Porto refletem outra realidade. Eles sabem que estão fora mal entrem os franceses e alemães, e sabem que nunca mais vão entrar. Vão ser reduzidos a clubes da segunda divisão. Ah e sabem que mesmo que começem na primeira divisão vão inevitavelmente descer, é a natureza das coisas, quem lá vai estar são apenas equipas do Big 5.
Vá lá espalhem a vossa chico espertice mais uma vez. Cambada de tontinhos!
Ricardo10_
Excelente e óbvia decisão! Nem a Uefa nem a Fifa são os donos do futebol, há anos que usam e abusam dos clubes, e há anos que enchem os bolsos de dinheiro com e sem corrupção descarada. Querem é meter a mão em tudo, era o que mais faltava…
Borsalino
64 equipas, divididas por 3 divisões (Estrela, Ouro e Azul) com subidas e despromoções, com as equipas a jogarem 14 jogos por época.
chuta dai
Eu sou a favor de uma super liga desde que haja subidas e descidas com várias divisões. É a melhor hipotese que os 3 clubes portugueses têm de receber aproximadamente as mesmas receitas que os clubes Ingleses.
chuta dai
Se um clube como o Benfica, Sporting ou Porto conseguir manter se na 1ª divisão da superliga vai conseguir pagar ordenados maiores, mais perto como pagam os clubes ingleses e jogando a mesma competição que eles. Aí já se torna mais apetecível para os grande jogadores jogarem pelas nossas equipas e viver no nosso país. Se os 3 grandes forem competentes só tem a ganhar com a superliga.
umatiaz
Não deixas de ter razão, mas e qual será o estimulo para esses clubes competirem cá? Que competividade nacional teremos com um fosso ainda maior? isso já não importa.. desde que os “grandes” encham a barriga tudo bem.
Quando há um grupo restrito de equipas a ganhar muitas outras vão sair a perder.. sempre será assim.
chuta dai
A ideia é quem participa na liga europeia sendo uma competição de campeonato com várias jornadas, as equipas que lá participam deixam de jogar o campeonato local. Benfica, Porto e Sporting deixam de participar no campeonato português.
Rosso
Isso não faz sentido nenhum. Seria a morte do campeonato português. Ou a morte lenta dos 3 grandes. Prefiro apoiar um clube nacional mais modesto que essa superliga. E pagar salários como os ingleses, num país de 10 milhões com o salário médio que temos? Isso é para lá de imoral, é aberrante.
Tiago Silva
Penso que isto pode ser visto como algo positivo. Mas terá que ser sempre uma liga aberta para outros clubes entrarem e não uma liga fechada como os principais clubes querem fazer. Acho que seria interessante haverem 3 ou 4 divisões e os clubes ficam de fora das suas competições locais. As restantes ligas nacionais seriam como uma “divisão regional” e jogariam por qualificações dentro das suas competições, tal como se faz por cá nos campeonatos distritais.
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Claro que isto iria envolver muito dinheiro e penso que uma forma de ajudar o futebol local seria uma percentagem das receitas que os clubes que competirem na Superliga Europeia sejam usados para desenvolver o futebol local. Um pouco como a ideia que o presidente de um clube escocês que não me recordo qual era propôs quando disse que gostaria de ver o Rangers e o Celtic na Premier League com uma percentagem das receitas a ajudarem o futebol escocês. Acho que seria bastante interessante e poderia permitir o desenvolvimento do futebol de paises com pouca margem de lucro.
Neville Longbottom
Como é que é possivel alguém fazer essa proposta?
Isso é a revolucao completa daquilo que é o futebol. Como assim? O Barcelona deixava de jogar o campeonato espanhol? O que queres dizer com “restantes ligas nacionais”?
Tiago Silva
Sim o Barcelona deixaria de jogar o campeonato espanhol até descer de todas as divisões da superliga. Basicamente o que estou a propor é o que já acontece nos campeonatos nacionais só que numa escala continental em vez de nacional. Os campeonatos nacionais é como se fossem “campeonatos distritais” porque os vários paises é como se fossem distritos do país Europa. E teriamos 3 ou 4 divisões principais, o correspondente aos nossos campeonatos profissionais.
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Sinceramente a mim parece-me muito interessante e poderia também ajudar as raizes do futebol. Criava-se uma centralização do melhor futebol para arranjar fundos para os campeonatos nacionais e ajudar assim os clubes também mais pequenos a terem mais condições.
Marcus Tulius Cicero
Olá a todos,
Depois de ler alguns comentários gostaria de trazer alguma informação que irá ajudar a contextualizar o que aconteceu.
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Esta decisão judicial não aprova nem nunca foi sobre a existência ou não de uma Superliga. Esta questão judicial foi sobre um pormenor muito específico de interpretação e aplicação das regras da concorrência de acordo com a lei europeia. Neste ponto a decisão do Tribunal nao surpreende contudo devo indicar que é muito raro os juizes decidirem de forma oposta aos argumentos do Advocate-General. Contudo, acontece e hoje aconteceu.
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O próprio Tribunal afirma, de forma muito clara, que a sua decisão não é uma decisão de mérito sobre a criação, ou não, da Superliga. Foi só uma decisão sobre a competência, ou melhor, a falta de competência e de estatuto jurídico de órgãos – como a UEFA e FIFA – que não tinham – à altura da decisão de bloquearem a criação da Superliga – poderes para bloquear a criação de uma nova competição. Leiam o comunicado da UEFA – antes desta decisão a UEFA alterou as disposição normativas em causa nesta questão judicial.
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Por isso isto é só uma decisão meramente judicial e técnica sobre normas muito específicas de direito da concorrência. Não há mais nada a ver aqui.
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Claro que a A22, o Real e o Barcelona irão dizer que isto é uma vitória. É e não é. Apenas diz que a FIFA e a UEFA não podem bloquear; nunca diz que a Superliga pode existir. Isto é muito importante de realçar. Que o Real e o Barcelona queiram isto não admira (tendo em conta as finanças de ambos). A Juventus já saiu até.
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Vejo comentários a falar sobre a Superliga mas não haverá Superliga sem os clubes da Premier League. And why? Porque o Governo britânico (quer seja o actual ou o futuro pois o Labour concorda com a proposta actual do governo Tory) irá aprovar em pouco tempo o novo Regulatory Body do futebol com poderes e estatutos onde é claro que qualquer clube inglês está proibido de juntar-se a uma Superliga. Mais: qualquer clube inglês para ter licença para competir está obrigado a vincular-se a esta regra. Para além da questão legal, há a questão financeira: os clubes da Premier irão ver, no próximo ciclo, as suas receitas aumentarem de forma significativa.
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Quanto ao resto…. Isto é só um projecto que não irá acontecer. Não nos devemos esquecer que a partir da próxima época entra em vigor os novos formatos das competições europeias com prémios financeiros muito mais importantes. Por isso… isto pode ser uma discussão engraçada mas na prática não é esta decisão judicial que irá permitir a sua existência.
Ricardo10_
Rindo até 2030.
henry14
Boas, tenho duas questões:
1) Se a Uefa e a FIFA não podem bloquear, o que impede a Superliga Europeia de existir?
2)os clubes ingleses vão ter ainda mais receitas do que aquelas que já têm? Mas eles hoje em dia, são os mais ricos, isto é a sério?
Joao Duarte
E os clubes ingleses se entrassem na superliga não teriam na mesma mais receita que todos os outros? Seria só mais uma receita a juntar à a tantas que já têm.
Jeco Baleiro
Sim vão. O novo acordo de distribuição dos direitos televisivos a entrar em vigor na próxima época tem um valor total de 2 mim milhões € por época.
Jeco Baleiro
* 2 mil milhões
Neville Longbottom
Mas a questão é mesmo essa. O que impede de existir? Se eu convidar 20 clubes para jogarem uma competição não posso é? Mas não há liberdade agora?
lipe
Em 2021 escrevi que o anúncio da Super Liga era uma espécie de 11 de Setembro do futebol; depois disso, nada será o mesmo.
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É pena, o futebol ainda era minimamente bonito. Para adeptos de clubes como o meu perde toda a piada.
Jeco Baleiro
Perde para todos diria, sejam de que clube forem.
Isto parece mais planeado para adeptos de ocasião (espalhados pelo mundo, asiáticos e americanos sobretudo) e para a malta mais nova que é adepta de jogadores (“sou do clube do Neymar ou do Mbappe”).
*
Aguardemos o que isto vai dar. Mantenho a minha: sem os ingleses isto não vai a lado nenhum. O próprio Bayern (com o peso que tem) já disse que não.
Kafka
Todos dizem que não até determinado valor, a partir de determinado montante em EUR, passam a dizer que sim
—
Lembra-te sempre desta frase eterna dita pelo “Padrinho”
“I’ll make him an offer he can’t refuse”
Jeco Baleiro
Conheço bem, é o meu filme preferido.
*
A questão inglesa tem muito peso, a partir da próxima época vão receber ainda mais dinheiro dos direitos televisivos do que recebem actualmente, ainda para mais com as questões legais associadas. Sem os ingleses é impossível, actualmente sem o Bayern, só Real e Barcelona (por muito que sejam os clubes mais mediáticos) e os italianos não vão lá.
O alargamento a 64 clubes é para ver se a ideia reúne mais apoio, nomeadamente dos grandes portugueses, holandeses, escoceses, belgas, turcos, etc, mas esses eles só querem lá para fazer número, na divisão principal (Star) querem os tubarões todos uns contra os outros.
Neville Longbottom
Nao sei se isto é materia de direito desportivo ou nao.
Mas o que a FIFA e a UFEA fizeram de errado? A FIFA, se nao estou em erro, ameacou proibir atletas de competirem em provas FIFA (ex: mundial) se jogassem esta competicao. O que tem isto de mal? A prova é organizada pela FIFA, a FIFA é que sabe quem entra e quem deixa de entrar.
O que a UEFA e a FIFA têm de fazer é excuir os clubes que aderirem a esta prova de todas as competicoes que ambas organizem. E assim teríamos, por exemplo, o Real Madrid a jogar a Liga Espanhola, a Copa do Rey e a Superliga, mas nao a Liga dos Campeoes. E os jogadores do Real Madrid estavam excluidos de todas as provas FIFA e da UFEA (nao jogam pela selecao).
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Isto funcionaria na prática se os clubes ingleses e alemaes (que foram os mais fervorosos clubes contra esta medida) mantiverem a posicao. Nesse caso, o Real Madrid e o Barca entenderiam que nao tinham nada a ganhar em fundar a Superliga, porque nao geraria as receitas que a Champions gera.
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O cenário alternativo seria os clubes alemaes e ingleses voltarem atrás e decidirem aceitar este novo formato. Nesse caso, a UEFA e a FIFA perderiam toda a capacidade negocial. Se tal acontecer duvido até que nao fosse a própria UEFA a organizar a Superliga.
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Eu como tenho uma costela muito mais chegada ao mercado livre, diria que os clubes devem entender entrar e organizar a competicao que quiserem, mesmo que eu ache que essa competicao nao faz sentido nenhum (que é o caso). Assim, desejo que Porto e Benfica se juntem a esta elite e que o Sporting (que, pelos muitos maus anos na Europa nos últimos 20 anos duvido que chegue sequer a ser considerado) se mantenha de parte. Mesmo que isso implique que Porto e Benfica tenham acesso ao Euromilhoes e o Sporting nao.
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SL
lipe
E que piada ia ter o Sporting jogar o campeonato português “sozinho”?
Daervar
Isto ultrapassa o direito desportivo.
Introdução ao artigo 82º da UE:
O artigo 82. o do Tratado que institui a Comunidade Euro-
peia («artigo 82. o ») proíbe o abuso de posição dominante.
De acordo com a jurisprudência, a posição dominante não
é, por si só, ilegal e uma empresa nessa situação tem o
direito de concorrer no mercado com base nos seus
méritos. No entanto, a empresa em causa tem uma especial
responsabilidade de não permitir que a sua conduta obste a
uma concorrência efectiva e não falseada no mercado
interno. (…)
Neville Longbottom
Mas então a UEFA e a FIFA não podem escolher os clubes que entram ou deixam de entrar nas competições que elas próprias organizam?
Romulo
Se tens uma costela mais chegada ao mercado livre e não percebes esta decisão… “mercado livre” implica concorrência saudável, inexistência de abuso de posição dominante, etc. E não está em causa direito desportivo, mas sim direito da concorrência. Direito esse que tem como principal fonte o direito comunitário, que aliás se sobrepõe aos direitos nacionais dos estados membros. E por isso é que isto chegou ao TJUE, ao qual cumpre assegurar o respeito pelo direito comunitário.
Neville Longbottom
Não percebo esta decisão? Acho que não interpretaste bem.
Eu apoio a liberdade dos agentes económicos. Façam a Superliga à vontade. Agora a UEFA e a FIFA proíbem os clubes e os jogadores de jogarem as suas competições. Isto é liberdade numa economia de mercado amigo.
Passar bem.
Neville Longbottom
Já agora, o mercado livre não implica absolutamente nada disso. Se implicasse, ninguém sabia hoje quem eram Engels ou Marx. O que enunciaste foi o mercado de concorrência perfeita, programa básico de Microeconomia I.
Kafka
Não acho que vá acontecer, mas servirá como forma de chantagem junto da UEFA e da FIFA para aumentarem os prémios do tipo “ou sobem os prémios ou nós criamos uma Superliga”… Portanto nesse âmbito a Champions e o novo campeonato do Mundo, poderão vir a ter um significativo aumento de distribuição de prémios , ainda maior do que as que estão projectadas
—
Em última instância no máximo poderá criar-se algo similar ao Basket onde a Liga Europeia acabou por ser uma continuação da Champions
troza
A superliga só serviu para aumentarem os prémios e garantir mais tubarões na liga dos campeões. Sempre que aparece este fantásma, o formato muda e fica mais amigável para as equipas das grandes ligas.
Kafka
E cada vez será mais assim, sempre que o Real Madrid quiser mais dinheiro, basta dizer á UEFA “bro, ou pagas mais ou eu agarro nos meus putos (Barça, clubes italianos e ingleses e afins) e faço uma SuperLiga”
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Se querem uma competição de ricos e outros outsiders só para compor o ramalhete e servir para serem roubados pelos mais ricos, por aí a liga dos campeões já serve todos os interesses.
Por outro lado, que interesse fica assim para os campeonatos nacionais? Se isto se traduz em 14 jogos para as equipas, não aumenta ainda mais o número de jogos? Ou os campeonatos passam a ser feitos com menos equipas, de modo a arranjar agenda para esta prova? Na liga dos campeões não fazem tantos jogos…
Eu espero que o benfica não entre nisto, porque como escrevi, se é para juntar ricos contra ricos ou mesmo contra os que são sempre roubados na europa fora, já nos basta a liga dos campeões.
E também concordo que se os clubes ingleses não entrarem nisto, como aliás já se prevê que o governo deles faça alguma coisa, não há superliga que resista sem eles porque são vários clubes de enorme calibre lá.
Em todo o caso, isto até pode beneficiar clubes médios na europa, como o benfica ou fcp, a tornarem-se mais fortes na liga dos campeões, se todos esses colossos quiserem mesmo ir tudo para essa superliga…
Eu acho que não vai dar em nada, mas veremos…se entretanto destruírem o futebol ainda mais do que já têm destruído, será apenas menos uma coisa interessante de seguir na vida, começa-se a ver outro desporto, por mais mágoa que isso crie há que seguir em frente…
Kafka
O Barça estando falido, esta pode ser a única via de se salvar sem perder competitividade na próxima década, onde actualmente já tem as receitas todas hipotecadas….nunca o Barça torceu tanto pelo Real Madrid como agora
Fantantonio
Claro que dá, o tribunal europeu nunca seria a favor de algo como salvaguardar os campeonatos dos países que compõem o continente, se os outros grandes grupos económicos tantas vezes conseguem contornar a lei ou sobrepor-se ao interesse pública, por que razão seria diferente com clubes de futebol cujas receitas estão em esteroides, se quiserem fazer uma liga privada? É o mercado a funcionar amigos, onde o capital se concentrar, a vontade também acaba por aparecer. Ninguém quer saber do clube da vossa terra, habituem-se.
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Eu acho que não é controverso dizer que a FIFA e a UEFA não são instituições que não estejam corrompidas de cima a baixo e acabam por favorecer quem mais tem a ganhar com o futebol pela mesma lógica do primeiro parágrafo, a nível de clubes. Contudo, esta superliga, mesmo com a reformulação é uma tentativa péssima de modelo de Euroliga. Em última instância, os clubes continuam a ser escolhidos a dedo, mesmo os das divisões inferiores da Superliga; se não houver suspensão das competições da UEFA e da FIFA, não olha pelo interesse dos jogadores, pelo contrário, só vai exacerbar a questão de acumulação de jogos; se por outro lado, conseguir substituir os campeonatos locais e concentrar apenas nos clubes constituintes os dividendos, vai acentuar, não só na Europa, mas também em todo o mundo, a concentração de recursos orientados para a modalidade, ou seja, seria cada vez mais difícil haver um vencedor não-europeu de um clube pertencente a um punhado de países europeus numa competição intercontinental, se isso já não o é no presente, no futuro não será mesmo espetáculo nenhum; não haverá Atalantas, Sevillas, Leicesters, Leipzigs, Montpelliers, Gironas, Unions Berlins, Boavistas, etc. a competir entre os grandes, evita-se a vergonha da possibilidade de um Real Madrid apanhar uns 3 ou 4 de um Alcorcón e acaba-se definitivamente com a possibilidade de ver um Estrela Vermelha a ganhar uma Champions novamente, e isto é parte do que torna o futebol apelativo, pelo menos, para mim; desconectam-se da realidade local os clubes grandes e prova-se que a fachada do futebol ser o desporto do povo só o será para quem sobrar para ver o que estiver fora desta aberração porque clubes como o Barça, o Roma ou o Liverpool, que sempre representaram mais do que simples futebol, hoje são só empresas, como os outros todos.
*
E podem vir lá com as bancarrotas, margens de lucro maiores, a competitividade, as audiências, o que quiserem. O futebol está desnivelado porque ao contrário de outros aspetos da economia e outros desportos noutros países, nunca foi regulado, os clubes que pedem agora para fazer isto como desculpa para salvar o futebol – e por extensão, a si próprios – colocaram-se nesta mesma situação, o Florentino Pérez deveria ter vergonha de sequer mencionar isso como um argumento a favor da criação desta liga porque é provavelmente o principal responsável da absurda inflação do futebol, o agravamento de fossos e a sua consequência degradação. Além disso, como comentei aquando das declarações do CEO do Dortmund sobre a economia de atenção e o real adversário do futebol serem as novas plataformas de entretenimento e a janela de atenção curta que criam e fomentam numa escala que o futebol nunca conseguirá, isto não vai resolver esse que é o maior problema de fundo. Esta Superliga serve os clubes que a compuserem, mais ninguém, não ajuda nem resolve rigorosamente nada.
Niall joaQuinn
Esta Superliga já morreu. Esqueçam.
Nunca existirá superliga e as razões são de uma simplicidade desarmante.
Em primeiro lugar, se é verdade que esta decisão representou um grito de liberdade, a verdade é que, por muito contraditório que isso possa parecer, esta superliga representa tudo menos um projeto de liberdade. Uma competição fechada, à qual se acede por decreto e não por mérito, representa uma fraude aos valores do desporto. É óbvio que o Real, o Barça e os outros se estão nas tintas para isto, mas o mesmo não acontece com os adeptos.
Em segundo lugar, uma competição fechada à participação de novos clubes, onde ficar em último ou em segundo é indiferente, porque no ano a seguir estão lá as mesmas equipas, tem muito pouco interesse competitivo.
Em terceiro lugar, o que explica a atração dos grandes jogos é, em grande medida, o facto de serem raros. Se, em vez de dois jogos por ano, o Real e o Barcelona jogarem entre si 8 vezes, o interesse cai a pique, até para os próprios adeptos.
Em quarto lugar, o critérios das equipas escolhidas é absurdo. Não se percebe a escolha do Totenham, por exemplo.
Rosso
Julgava que a UEFa e a FIFa tinham legitimidade para decidir nesse sentido (vejo-as como uma espécie de “ordem corporativa” da modalidade). Não sei se a superliga terá pernas para andar, e espero que não, porque é filtrar o futebol para clubes cada vez mais ricos. Mas a verdade é que os tribunais também podem fazer as suas modificações. É só recordar o Acórdão Bosman.