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O Factor G (3.ª parte)

Talvez nenhum campeonato até hoje tenha sido tão influenciado por um jogador como o do 20.° título do Sporting.

G de Gyökeres e de Golo é o factor que determinou a diferença, quer em relação à valia global da equipa, ajudando vários jogadores banais a ganharem volume em quantidade e em qualidade, fazendo subir vários níveis o plano colectivo, quer sobretudo em relação à concorrência, reduzindo à vulgaridade os diversos e bem dispendiosos homens-sem-golo contratados pelos principais adversários.

Entre finalizações e assistências, Gyökeres é responsável por um terço da eficácia do Sporting e, contando todas as frentes de competição, tem mais do dobro da faturação do terrível trio Tengstedt-Arthur-Leonardo. É ele o factor diferenciador para o desnível de 92-71 em golos, mais 21 em 32 jornadas, que o Sporting cavou em relação ao principal adversário.

Mas, mais do que as concretizações, o que desde cedo o distinguiu foi a capacidade de se haver sozinho na frente de ataque, com um vigor e um discernimento com bola que só estamos acostumados a ver em jogadores de nível superior. O treinador inventou para ele uma táctica revolucionária do passe e repasse “a partir de trás” que se tornou no alfa e omega dos treinadores da moda, a qual consiste simplesmente num pontapé comprido desde a extrema defesa e no controlo, arranque e remate, tudo a solo, pelo predador sueco.

O ovo de Colombo de Rúben Amorim.

Difícil de marcar, quase impossível de parar, um pesadelo para treinadores e defensores adversários, dada a profundidade e vasta latitude das suas ações.

O mérito do Sporting e dos seus responsáveis assenta na procura, aquisição e acomodação deste jogador, como pináculo de um processo, a peça que faltava num puzzle em montagem há alguns anos. E este é um mérito raro nas direções futebolísticas nacionais, sempre à mercê dos interesses dos agentes intermediários e da pressão mediática, que os levam a elevada percentagem de erros de “casting” e a estipêndios absurdos e sem correspondência à qualidade dos artistas.

Mais determinante ainda no panorama nacional se afigura este Factor Gyökeres quando sabemos que era um jogador na montra de um campeonato de alta visibilidade como o Championship inglês, considerado o “sexto” membro das “Big Five” Ligas europeias, e que terá sido visto e revisto pelos olheiros do Benfica em mais de 30 jogos do Coventry, qual “kungsörn”, a águia real da Suécia que acabou preterida e trocada pelo leque de inofensivas “avis vulgaris” colocadas ao dispor de Roger Schmidt por módicos 45 milhões nas últimas duas épocas de “reforços”.

Quando um dia se escrever a pagela desta temporada, alguém vai dizer, resumida e expressivamente, que foi no ano em que Gyökeres transformou Nuno Santos num novo Di Maria.

João Querido Manha (http://joaoqueridomanha.blogs.sapo.pt)

13 Comentários

  • Antonio Clismo
    Posted Maio 6, 2024 at 12:27 pm

    Fácil ganhar o campeonato quando se tem um ponta de lança como Gyokeres.
    .
    Difícil quando se tenta ganhar o campeonato quando se tem apenas Purovic ou Rodrigo Tiuí.

  • MisterVaz
    Posted Maio 6, 2024 at 12:31 pm

    Fiquei sem perceber se era a peça que faltava ao ‘puzzle’ ou se foi montada uma tática à sua volta…

    • Mantorras
      Posted Maio 6, 2024 at 3:04 pm

      Na minha opiniao, claramente a segunda. O Gyokeres permitiu ao Sporting fazer muita coisa diferente, mas o Sporting soube tirar partido e usar isso.

  • onetimeuser
    Posted Maio 6, 2024 at 1:33 pm

    Estava tudo bem até ao paráfrago em que tinha de chamar para aqui o Benfica.

    O mundo não gira à vossa volta.

    Podia simplesmente elogiar o Sporting pela contratação, pelo risco do investimento avultado mas preferiu logo a seguir tirar-lhes o mérito ao referir que os olheiros do rival da 2a circular é que falharam.

  • Nelson Santos
    Posted Maio 6, 2024 at 1:34 pm

    O Benfica do ano passado teria sido campeão sem Enzo, mesmo saindo em Janeiro? Isto acontece com uma frequência tremenda, mas dá jeito ao artista reduzir o Sporting ao avançado sueco, para sobrarem os jogadores vulgares, uma equipa vulgar, um treinador vulgar, um clube vulgar.

    • Mantorras
      Posted Maio 6, 2024 at 3:06 pm

      Nao sabemos, mas eu diria que nao, mesmo tendo ele saido em Janeiro e o Benfica tendo sido campeao na mesma. O Gyokeres e muito mais decisivo, e isso acaba por ter outro impacto na ficha de jogo. Acho que o ponto e mesmo que “isto acontece com uma frequencia tremenda”.

  • Rated R
    Posted Maio 6, 2024 at 1:47 pm

    Era a peça que faltava ao puzzle e aos poucos e ao conhecer melhor as suas caracteristicas e funcionalidades foi criada uma tatica a sua volta. Não se podia criar fosse o que fosse sem conhecer o atleta e sem o integrar e ver como se integrava na equipa e com os colegas.
    No fim foi como o Porto com Jardel ou mesmo o SCP com Jardel. Tornaram se referencias de garantia de golo. Até o Jonas no SLB era algo semelhante com as devidas diferenças. Ou o ronaldo na seleção nos tempos aureos.

  • João
    Posted Maio 6, 2024 at 2:21 pm

    Podem-me vir com o que quiserem para mim 80& do título é deste moço

  • Obelix
    Posted Maio 6, 2024 at 3:23 pm

    O entendimento futebolístico do autor do artigo resume-se em duas frases: “a qual consiste num pontapé comprido desde a extrema defesa” e “ajudando vários jogadores banais a ganharem volume em quantidade e qualidade”.
    .
    Que não haja dúvidas – Gyokeres foi a figura do campeonato. Será eternizado em Alvalade por esta época.
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    Que não haja dúvidas de algo importante também – o Gyokeres foi o que foi porque teve um “supporting cast” à altura e que mais vezes que poucas assumiu o protagonismo – Pote e Trincão que o digam. Chamar de banais a jogadores como Pote, Paulinho, Trincão, Edwards, Hjulmand, Morita ou os 3 centrais mais utilizados pelo Sporting é perceber poucoxinho disto. Relembro que 11 dos jogadores deste plantel do Sporting são bi-campeões. E o primeiro campeonato, por muito menos meritório que tenha sido em relação a este, não tinha Gyokeres.
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    Chamar ao pontapé comprido como o Ovo de Colombo de Amorim, quando o Sporting é uma das equipas com melhor saída de bola da Europa também foi bonito. Óbvio que ter Gyokeres permite ter um plano B extremamente “fácil”, mas isso não retira o facto de que 90% de saídas de bola da equipa sejam feitas sem usar o sueco.
    .
    PS – Nuno Santos não é nenhum Di Maria, até porque defende.

  • AdeptoImparcial
    Posted Maio 6, 2024 at 3:47 pm

    O impacto e influência de Gyokeres na maneira de jogar da equipa e o seu respetivo sucesso são inegáveis. Mas há aqui pontos no artigo que me deixaram genuinamente estupefacto, pois parece que andamos a acompanhar equipas completamente diferentes.

    “O treinador inventou para ele uma táctica revolucionária do passe e repasse “a partir de trás” que se tornou no alfa e omega dos treinadores da moda, a qual consiste simplesmente num pontapé comprido desde a extrema defesa e no controlo, arranque e remate, tudo a solo, pelo predador sueco.” … Achar que a tática do Sporting esta época foi “pontapé comprido” na frente e o Gyokeres que resolva… Vou arriscar e perguntar se o autor do artigo alguma vez jogou futebol num cenário competitivo a sério? Pergunto isto sem condescendência alguma. Mas ignorar as movimentações complexas dos jogadores que permitem precisamente a que Gyokeres consiga receber a bola sem ter logo dois jogadores em cima – estando muitas vezes num 1×1 com o central – é de adepto que só olha para a bola e esquece-se que existe “futebol sem bola”.

    Mas a mais preocupante é mesmo achar que esta é a saída de bola default do Sporting de Amorim quando somos conhecidos precisamente por arriscar sair a jogar de trás – ninguém joga tanto com o GR em Portugal como o Sporting. É verdade que se moldou uma tática à volta de Gyokeres, mas insinuar que a primeira ideia de jogo do Sporting passa por mandar chuto comprido para a frente… é caso para dizer “que jogos do Sporting andou a ver?” Desde pontapés de baliza ao reiniciar de jogadas a partir de trás, é raro ver o Sporting 23/24 a mandar um bilhete na frente se tiver opção de sair a jogar. Aliás, quando o fez, até foram em jogos onde a coisa não correu bem. Gostava que contassem os golos de Gyokeres que foram realmente de chuto na frente a partir de trás e ele resolveu tudo sozinho… aposto que é uma pequenissima fração das dezenas de golos que marcou – mesmo de memória tenho dificuldade em me lembrar de mais do que uns 4 ou 5.

    Dito isto, é sempre bom ver um artigo de opinião pessoal, é para isso que servem. Para debater futebol e diferentes perspetivas. Parabéns pelo mesmo :)

    SL

  • OTioVermelhudo
    Posted Maio 6, 2024 at 3:53 pm

    Pois os heróis de legenda nórdicos, Beowulf e Hrothgar, foram muito importantes para o título em Alvalaahd. Foi curioso perceber a política da malta. Depois de um ano fraco, fizeram talvez o menos expectável e deram mais armas ao Amon.
    Foi giro a valer.
    Aliás, na altura até disse ser irónico que um cara vindo a peso de ouro de um clube chamado “Leche” tivesse chegado para alimentar de biberão um grupo que tinha a conversa meio chalupa de apostar em jovens à doida todos os anos.
    Foi uma comédia boa, porque de facto o jogador é bem bom.
    ———–
    O avançado é também muito bom, tem características muito diferenciadas para um futebol mais dócil e de toque bonito como o nosso. Claramente faz mossa e o Amon recebeu uma bela prenda.
    É um grupo de jogadores muito interessante, acho que não é banal e acho que o Amon soube potenciar bem o que tinha.
    Destacar o crescimento do Franco Bárésma, tá ali um central direito com muita coisa boa à espreita. Claramente me parece mais solto numa posição onde tenha as costas guardadas por um patrão como o Coates.
    ——-
    Não há muito a dizer, é um título que assenta muito bem ao Sporting. Agora essa malta vai ter de trabalhar bem nas possíveis alterações ao plantel. Não os vejo ainda como favoritos ao próximo título nacional. Acho que haverá muito crocodilo para as bandas de Alvalaahd… …

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