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Vasilije Novičić e a maturidade que não espera pela idade

Há jogadores que chamam a atenção pelo físico, outros pelo gesto técnico. Vasilije Novičić destaca-se por algo mais raro: pela forma como entende o jogo antes de o jogo acontecer. Aos 17 anos, o médio do FK IMT Beograd já não é apenas um nome promissor — é uma presença regular, segura, quase natural, num contexto que costuma engolir jogadores da sua idade.

Não há pressa no seu jogo. Novičić recebe, levanta a cabeça, escolhe. Onde muitos jovens aceleram por instinto, ele pausa por inteligência. A sua maturidade tática é evidente na ocupação dos espaços, na forma como fecha linhas de passe e oferece sempre uma solução limpa ao portador da bola. Joga simples, mas nunca joga fácil.

Fisicamente, não impõe respeito à primeira vista. Com 1,75 m, não domina pelo corpo, mas compensa com posicionamento, leitura e tempo de entrada. Chega muitas vezes antes porque pensa mais rápido. Defensivamente, prefere antecipar do que chocar; ofensivamente, sabe aparecer em zonas úteis sem se expor em demasia.

Há também um traço que denuncia personalidade: assumir responsabilidades. Não é comum ver um jogador de 17 anos ser o batedor de grandes penalidades da equipa principal, mas em Novičić isso faz sentido. O jogo não o acelera, a pressão não o trai. Mantém a cabeça fria onde outros tremem.

Taticamente, move-se com naturalidade entre o 6 e o 8, oferecendo equilíbrio, critério e continuidade. Não é o médio que parte o jogo com um passe impossível, mas é aquele que garante que o jogo não se parte. E isso, em muitos contextos, vale mais do que o brilho ocasional.

Claro que há caminho a percorrer. O corpo ainda está em construção, os duelos exigem mais resistência, o passe longo pode ganhar outra dimensão. Por vezes, a agressividade na recuperação pede melhor gestão. Mas tudo isso faz parte do crescimento — e, neste caso, o mais difícil já está lá: a cabeça certa para a posição certa.

Vasilije Novičić não grita talento, sussurra inteligência. E no futebol, como na vida, os que sussurram cedo costumam durar mais. Se continuar a evoluir neste ritmo, não será surpresa vê-lo, dentro de poucos anos, a controlar jogos bem longe de Belgrado — com a mesma calma de quem parece estar sempre um segundo à frente.

Roberto Leal

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