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Bentayeb e o instinto que não se ensina

Há avançados que vivem do impacto físico, outros da técnica exuberante. Tawfik Bentayeb vive sobretudo de algo mais difícil de treinar: o sentido de oportunidade. Na sua passagem pelo ESTAC Troyes, na Ligue 2, o avançado marroquino tem vindo a afirmar-se como um daqueles jogadores que parecem chegar sempre um passo antes — não por velocidade pura, mas por leitura.

Formado na exigente Academia Mohammed VI, Bentayeb traz consigo uma base sólida de entendimento do jogo ofensivo. Move-se bem entre centrais, ataca a profundidade com critério e sabe ajustar o corpo e o tempo de remate em espaços curtos. Não precisa de muitas ações para ser perigoso; precisa apenas da bola certa, no momento certo.

O seu jogo é marcado pela mobilidade constante. Não é um avançado fixo, preso à zona central, mas também não se perde em movimentos estéreis. Circula, arrasta marcações, aparece entre linhas e, sobretudo, surge em zonas de finalização com naturalidade. A capacidade de finalizar rápido, com ambos os pés — apesar da preferência pelo esquerdo — torna-o particularmente incómodo para defesas que vivem de ajustes tardios.

Fisicamente, apresenta um perfil equilibrado, mas ainda em construção para os duelos mais exigentes do futebol europeu. Não domina pelo choque, nem pelo drible, mas compensa com inteligência nos movimentos e boa leitura das segundas bolas. É um avançado que prefere antecipar ao confronto direto, escolher o espaço em vez do duelo.

Há, naturalmente, margens claras de evolução. A participação no jogo associativo pode crescer, assim como a ligação com médios e extremos em contextos de ataque posicional. O drible não é arma central do seu repertório, o que o obriga a ser ainda mais preciso nas decisões. Mas são ajustes — não falhas estruturais.

Bentayeb está numa fase importante do seu percurso. Não é um jogador de highlights constantes, mas é eficaz, funcional e cada vez mais confiável dentro da área. Num futebol onde muitos avançados vivem da promessa, ele vive da execução.

Se continuar a evoluir neste registo, com paciência e contexto certo, Tawfik Bentayeb tem condições para dar um passo em frente e ganhar espaço tanto no panorama africano como no europeu. Porque o golo pode ensinar-se — mas o instinto, esse, ou se tem… ou não se tem.

Roberto Leal 

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