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Obrigado, Rui Borges!

Dia 1 de Novembro de 2026: o Sporting CP anuncia a saída de Rui Borges. Não foi propriamente um choque inesperado, visto que a pressão vinha a crescer há semanas, nos jornais, nos canais de televisão, nas redes sociais, nos fóruns de desporto e nas bancadas. Mas, pelo menos da minha parte, foi uma enorme tristeza. E, confesso, alguma revolta.

Fica, desde já, este disclaimer: não escrevo este texto para comparar treinadores, nem para atacar quem decidiu. Escrevo-o porque sinto que alguém tem de dizer em voz alta aquilo que tão pouca gente disse enquanto ele cá esteve: obrigado, mister!

Obrigado pelos 99 jogos, pelo (bi)campeonato, pela Taça de Portugal e pelos QF da Champions League. Obrigado pela calma trazida para um clube que raramente a tem. E obrigado por nunca ter escondido um mau resultado atrás de um árbitro, lesões, erros individuais ou de qualquer outra desculpa esfarrapada. Obrigado por tudo isto, pois infelizmente, serão muitos os adeptos que apenas guardarão de si estas últimas memórias mais negativas e farão de todo o seu percurso também ele negativo, constantemente adicionando um “mas” sempre que alguém referir o que conseguiu de positivo.

Convém, por isso, lembrar de como estava o Sporting a 26 de dezembro de 2024. João Pereira tinha perdido quatro jogos seguidos — Arsenal, Santa Clara, Moreirense e Club Brugge — algo que nunca tinha acontecido a um treinador do Sporting nos primeiros cinco jogos. No campeonato, deixou fugir 8 dos 12 pontos que disputou. A equipa que Rúben Amorim deixara a ganhar tudo estava de rastos, taticamente, tecnicamente, fisicamente e, acima de tudo, mentalmente.

Rui Borges chegou, estreou-se três dias depois a ganhar ao Benfica (1-0) e, duas semanas mais tarde, já estava a disputar uma final da Taça da Liga, perdida nos penalties. Teve que perceber que as suas ideias não serviam aquele grupo naquele momento e, ao fim de sete jogos, voltou ao sistema que os jogadores conheciam. Não é sinal de fraqueza, bem pelo contrário. É inteligência, capacidade de ajustar e, sim, a tal humildade que, agora, quase parece um defeito do treinador da maneira que muitos falam do mesmo.

O resto é história: 19 jogos de campeonato, 13 vitórias, 6 empates, zero derrotas. Época terminada invicto nas competições nacionais. O primeiro bicampeonato do Sporting em 71 anos. E, no Jamor, uma reviravolta épica frente ao Benfica (3-1, após prolongamento) que deu ao clube a primeira dobradinha em 23 anos. No fim, os treinadores e capitães da Liga elegeram-no o melhor treinador da época. Nada mau para quem “não tinha estatuto” para o Sporting.

No verão de 2025, o Sporting vendeu Gyökeres ao Arsenal por 65,8 milhões de euros fixos, a maior venda da história do clube. O homem que “carregava” a equipa de Amorim, segundo muitos adeptos, tinha partido. Muitos davam o Sporting de Rui Borges como acabado antes de começar.

O que aconteceu foi o contrário. Com Luis Suárez no lugar do sueco (33 golos na época), a equipa chegou ao fim de 2025 a marcar 2,54 golos por jogo, contra 1,97 na época anterior sob o seu comando. Bateu o recorde de jogos seguidos sem perder fora no campeonato, que pertencia a Scopelli desde 1956. E tudo isto com um boletim clínico surreal: em Janeiro, só quatro jogadores do plantel ainda não tinham falhado um único jogo por lesão. Já na primeira época, Borges tinha montado 9 vezes um meio-campo com Debast adaptado, às vezes ao lado de um miúdo de 18 anos, Eduardo Felicíssimo. Nunca o ouvi queixar-se.

Na Europa, fez história:

  • Pela primeira vez, o Sporting venceu três jogos em casa na mesma fase da Champions, e acabou a fase de liga em 7.º, direto para os oitavos.
  • Nos oitavos, perdeu 3-0 na Noruega com o Bodø/Glimt e respondeu com um 5-0 em Alvalade, após prolongamento. Uma remontada que nunca ninguém irá esquecer.
  • Nos quartos, os primeiros desde 1983, caiu com o Arsenal por 0-1 no agregado: um golo de Havertz aos 90+1′ em Alvalade e um nulo no Emirates. Raya foi eleito MoM nos dois jogos por vários meios.
  • Esta campanha valeu mais de 80 milhões de euros aos cofres do clube.

No campeonato, fez 82 pontos, exatamente os mesmos da época do título. Desta vez não chegou, porque o FC Porto fez 88. Na Taça, eliminou o próprio FC Porto pelo caminho e chegou ao Jamor, onde perdeu com o Torreense (1-2, após prolongamento), apesar de 72% de posse de bola. Doeu, claro. Ainda dói. Mas convenhamos: também o Sporting do idolatrado e adorado Amorim caiu na Taça com o Varzim, do terceiro escalão, e nem sequer passou da primeira eliminatória. A diferença é que a Amorim perdoou-se, renovou-se e continuou-se a dar-lhe oportunidades mês após mês, época após época. A Borges, bastou um início inconsistente e já não há quem aguente.

Em Maio de 2026, o Sporting renovou com Borges até 2028. Em Julho, o próprio presidente admitia que se tinha fechado um ciclo. Saíram Hjulmand, Trincão, Morita, Pote, Quenda e Diomande, num verão de vendas acima dos 132 milhões de euros. Na prática, Borges começou do zero, com um plantel novo e um mercado que, sejamos honestos, não acertou em tudo.

Não escondo o que correu mal. No campeonato, perdeu 9 pontos em 9 jornadas, com empates frente a Estrela, Famalicão e Arouca e uma derrota em casa com o Académico de Viseu. E há um número que inquieta qualquer adepto: foram 18 os jogos da Era Borges em que o Sporting esteve a ganhar e não venceu. Esse foi o seu maior defeito e é justo referi-lo.

Mas olhemos para onde a equipa se encontra no dia em que ele sai:

  • Campeonato: terceiro lugar e, à 9.ª jornada, a 9 pontos do FC Porto, com mais de 20 jornadas por jogar. Difícil? Muito. Perdido? Longe disso.
  • Liga dos Campeões: 6 pontos em 9, com vitórias sobre o Galatasaray e em Lens, onde poucos acreditavam que se ganhava. Esse triunfo fez dele, a par de Amorim, o treinador do Sporting com mais vitórias na Champions.
  • Taça de Portugal e Taça da Liga: em prova nas duas. Na Taça de Portugal, nem sequer se tinha estreado.

E sai dois dias depois de duas vitórias seguidas e a dois dias de uma viagem a Londres para a Champions. Não acredito que a época estivesse perdida em Outubro. Não acredito que um treinador novo, por melhor que seja, transforme por magia os mesmos jogadores no espaço de poucos dias ou semanas. E não acredito que trocar um treinador campeão por um nome cujos títulos mais relevantes foram ganhos na Ucrânia, mais uma Taça de Portugal com o Braga, seja garantia de alguma coisa (Deus queira que sim!).

Dito isto, o objetivo deste artigo é de agradecimento e não de comparação ou prognósticos para o futuro. Se há coisa de que vou sentir falta, é da calma. Num futebol português que vive de comunicados, de queixas e de dedos apontados, não me lembro de ver Rui Borges esconder uma derrota atrás de um árbitro. Com o meio-campo desfeito por lesões, a resposta dele era sempre a mesma: não vale a pena queixar-se, compete-lhe arranjar soluções. E arranjava.

Gostei sempre da forma como se apresentou. Quando ganhou o prémio de melhor treinador da Liga, disse que aquele prémio “não é do Rui Borges, mas da equipa técnica, dos jogadores”. Quando agradeceu ao presidente, falou de quem teve a coragem de apostar “no Rui de Mirandela”. Um treinador que subiu a pulso, de Mirandela ao Jamor, sem nunca se armar em mais do que era.

É verdade que, no fim, a humildade começou a soar mais a defesa. Depois de Lens, puxou dos galões e respondeu aos críticos. “Sou muito calmo, às vezes calmo demais”, disse. Mas eu percebo-o. Foram quase dois anos a ouvir que não tinha estatuto, que era um treinador “a prazo”, que tudo o que ganhava era herança de outro. Qualquer um perde a paciência. Ele perdeu-a pouco e tarde.

E durante muito tempo teve o balneário na mão. Viu-se na remontada ao Bodø/Glimt, viu-se no Jamor contra o Benfica, viu-se nas noites em que meio plantel estava no departamento médico e quem entrava jogava como se fosse titular há anos.

Rui Borges sai do Sporting com 99 jogos, 64 vitórias, 22 empates e 13 derrotas: 64,6% de vitórias. Neste século, de todos os treinadores despedidos, só Fernando Santos, em 40 jogos, saiu com uma percentagem ligeiramente superior (65%). Termina com 13% de derrotas: a mais baixa de qualquer treinador do Sporting deste século com mais de 50 jogos.

Não foi um treinador perfeito. Nenhum é. Mas pegou num clube em queda livre, deu-lhe uma dobradinha histórica, levou-o à melhor campanha europeia em mais de 40 anos e fez tudo isto a perder, ano após ano, os seus melhores jogadores. Sem drama, sem desculpas.

Foi um dos treinadores mais subvalorizados da história recente do clube. Desconfio que o tempo lhe vai dar a razão que o presente lhe negou.

Obrigado, mister. Pela dobradinha, pela Champions, pela postura. Foi um privilégio ver o Sporting do Rui de Mirandela. Tudo de bom!

Visão do Leitor: Manuel Abecasis

12 Comentários

  • O chinelo de Matias Fernandes.
    Posted Novembro 2, 2026 at 10:13 am

    Fiz login passado anos para subscrever o texto. Lúcido e bem escrito!

    Tenho pena que saia. O futebol foi excelente (nalguns momentos). Sofre sobretudo pela quantidade de pontos perdidos em derradeiros minutos, e péssima imagem ao estar no banco a olhar para um tablet em vários momentos de fraqueza da equipa. Se tivesse outro pulso nessas alturas, nada disto aconteceria.

    Esteve sempre sobre brasas, infelizmente. Ainda vamos ter saudades dele!

    Obrigado, Rui! Merecias mais que isto (e a um jogo dos 100…)

  • onetimeuser
    Posted Novembro 2, 2026 at 10:21 am

    Concordo com praticamente tudo, de facto há mais coisas positivas a apontar do que negativas. No entanto acho que é unânime que desde a eliminação da Champions na época passada, tem sido sempre a descer e esta mudança tinha de acontecer.
    Podemos não concordar com o método e com o timing do despedimento, mas tinha de acontecer.

    Precisamos de alguém com maior postura no banco, que não se esconda atrás de um tablet quando as coisas estão a correr mal. E de alguém com maior ambição nos jogos, não chega estar a ganhar por 1 e fechar-se cá atrás contra a maioria das equipas da Liga. Isso apenas se aceita contra duas ou três equipas.
    Acho que é um bom treinador a preparar jogos, mas menos bom a adaptar-se às circunstâncias durante o jogo e isso reflete-se nas 19 vantagens perdidas.

    Não sei o que esperar do Paulo Fonseca, não tenho acompanhado a sua carreira mas que era preciso mudança, disso não tenho dúvidas.

  • ricassan
    Posted Novembro 2, 2026 at 10:32 am

    Obrigado Rui, mas acho que chegou a altura de seguirmos caminhos diferentes.

  • Christian Benítez
    Posted Novembro 2, 2026 at 11:10 am

    Excelente texto, Manuel. O melhor já publicado no Visão de Mercado.

  • batalha34
    Posted Novembro 2, 2026 at 11:17 am

    Este é daqueles textos em que lendo uma vez parece tudo verdade e bonito, mas depois lendo com calma começa-se a ver falacias e falacias que sao oportunamente nao mencionadas no texto para tentar passar o ponto que o autor quer passar.

    Quanto a secçāo dos dias de hoje:

    Liga dos Campeoes – É bonito dizer que é o treinador com mais pontos a par do Amorim. Faltou só mencionar que sao os unicos dois treinadores que competiram no novo formato da champions. Este ano falta-nos todos os jogos dificeis por fazer. Deviamos ter 9 pontos, nao 6. Com 6 pontos passar a proxima fase com os jogos que restam vai ser tarefa bastante complicada.

    Taça da liga e Portugal – Sim estamos em prova, porque ainda nao houve fases a eliminar. Seria um feito inedito ser eliminado antes de se poder ser eliminado.

    Depois ha varios pontos no texto, que para mim tornam o texto completamente faccioso e dificil de levar a serio

    “Perdeu com o Torreense na final da taça mas teve 72% posse de bola” – Isto é a gozar?

    “Com lesoes nao se queixava e arranjava solucoes e nao se queixava” – Nao, nao arranjava. Por isso é que ganhamos 0. Se arranjasse solucoes tinhamos ganho trofeus. Ele nao se queixar nao é uma virtude. É mau mesmo e é uma das razoes de ele nao ter capacidade de estar onde estava. Ele devia ter-se queixado e devia ter ido buscar os reforços que quer e precisa mesmo que isso chateie o clube. Nao é só estar feliz por estarmos ca e cantar o Kumbaya. Para isso mete-se la o Paulinho.

    “Deixar sair um treinador campeao” – Como o texto refere e bem, foi campeao com a equipa de Amorim, com as ideias de Amorim. Quando tentou mudar deu sempre errado. O proprio texto diz isso explicitamente. Para além do Fresneda nao houve um unico jogador potenciado por ele. E esta epoca em que é tudo ideias dele, temos um futebol que nosso senhor nos ajude. É demasiado pouco em 2 anos. É campeao porque tem o merito de subir a morale depois do Joao Pereira, aí sim tem merito claro, mas as ideias e o plantel nao eram dele.

    “Muitos davam o Sporting depois de acabado depois do Gyokeres” – Outro ponto falacioso. Quem sao os muitos? O Sporting manteve todo o plantel e trocou o Gyokeres pelo Suarez, quem dava o Sporting acabado nao pode ser levado a serio. A epoca foi “boa” mas devia e podia ter sido bastante melhor. Chegar ao fim com 0 trofeus e com N jogos completamente dominados em que entramos na segunda parte a dormir ou com mexidas completamente aberrantes do Rui Borges é incontornavel.

    Depois discordo com esta ideia que foi um dos treinadores mais sub-valorizados e nao compreendidos da historia do Sporting. Para além do Amorim tenho dificuldade em pensar num unico treinador que sobrevivia à epoca do ano passado depois da final da taça e ainda com apoio de uma boa parte da massa adepta, como se vê aqui no blogue por exemplo. Teve muitas oportunidades e teve muito apoio da direçāo e faltou sempre qualquer coisa. Ter ganho um campeonato com uma equipa que nao é dele é argumento fraco passado 2 anos.

    Dito isto eu concordo que o Rui Borges nao deveria ter saido nesta fase, mas se vamos fazer um texto a tentar passar uma retrospectiva do Rui Borges, convinha que esse texto representasse melhor o que Rui Borges fez, o mau e o bom, e nao apenas enaltecer o bom e tentar omitir o mau ao dizer frases como “perdemos contra o torreense mas com 72% de posse de bola”

    E sim, obrigado ao Rui Borges pelo seu trabalho, e parece ser um gajo porreiro, mas o que é preciso neste nivel é um gajo que saiba quando tem que chatear o patrao porque é preciso mais, nao é so um gajo que diz que sim e que esta feliz por ca estar porque é do Sporting.

    • Saganas
      Posted Novembro 2, 2026 at 12:38 pm

      Também não percebi essa do 72%, nem a comparação da derrota do Varzim com uma final, não tem comparação de todo.
      E tudo o que são comparações na champions não faz sentido algum também.

    • Adepto Imparcial
      Posted Novembro 2, 2026 at 12:56 pm

      Vou tentar pegar ponto a ponto, batalha34, mais sobre as falácias e sobre não se poder levar o texto a sério, o que me desaponta sinceramente. É a minha opinião, não tentei esconder absolutamente nada (o texto é curto sequer?) e, naturalmente, sendo um texto de agradecimento (referido pelo disclaimer inicial), mencionei os pontos positivos da sua passagem pelo Sporting CP. Isto é um artigo de opinião com a premissa de agradecer a um treinador, não uma análise objetiva, factual e técnica sobre o treinador, apesar de falar dos seus defeitos e recordes negativos. Aceito a tua opinião e não olho para a mesma com essa lente de “ah isto são só falácias e tentativas propositadas de esconder o outro lado da moeda”. Até porque eu também mostro o outro lado; apenas estou a querer dar valor ao positivo. Mas não seja por isso, posso esclarecer a maioria.
      —
      Liga dos Campeões: todos sabem que o novo formato permite mais jogos, logo a probabilidade de angariar mais vitórias (assim como mais empates e derrotas) é maior. Não deixa de contar para as estatísticas. Tal como já tivemos campeonatos com mais e menos equipas. Tal como já houve tempos em que a Taça da Liga tinha mais jogos ou eliminatórias da Taça de Portugal em que os grandes entravam mais cedo. A mudança estrutural das competições não nega o mérito das conquistas e recordes dos treinadores, sejam de que clube forem. Além disso, esta é a 3a época com este novo formato europeu. É suposto continuar a ter de falar no mesmo como se fosse algo novo?
      —
      Taça da Liga e Portugal: eu menciono que não houve eliminatória da Taça de Portugal ainda. Mas já houve para a Taça da Liga contra o Marítimo onde jogamos com um 11 totalmente de segundas e terceiras linhas, passando à Final Four. Como podes ver, não só não tento esconder nada, como tal como qualquer outra pessoa, todos nos podemos enganar, como te enganaste ao referir que ainda não tinha havido hipótese de sermos eliminados.
      —
      Final com o Torreense: apenas mencionei um dado estatístico do jogo. Não escondo a dor. Não escondo a desilusão, nem a humilhação que foi. Facilmente podia ter retirado esse dado, não foi por querer escusar a derrota, de todo, pois é inadmissível.
      —
      Lesões: o parágrafo que menos percebo. Não arranjava soluções? Não ganhou nada? Então, mas as lesões afetaram-no tanto na época da dobradinha como na época seguinte. Ele teve de andar a jogar com suplentes dos suplentes mesmo em 24/25. E, mesmo não tendo conquistado títulos, fez os mesmos pontos em 25/26 que em 24/25, chegou aos QF da Champions e à final da Taça, apesar das tais lesões. Se há defeito que é raríssimo ver alguém lhe apontar, é esta história de ter de, por vezes, se arranjar com remendos. Esta não entendo.
      —
      Gyokeres: o “muitos” é o termo menos importante no meio do meu ponto simples de “perdeu a principal estrela e conseguiu meter a equipa a ter um sucesso ofensivo ainda melhor”. Disse “muitos”, podia ter dito “parte”, “vários”, “alguns”… não quis insinuar que fiz um estudo global altamente detalhado onde fui a casa de todos os Sportinguistas do mundo e concluí que eram “muitos”. É a perceção que tenho dessa altura com base nos comentários deste blog e nos chats de desporto a que pertenço, tanto gerais como Sportinguistas. Vale o que vale, mas repito: não é o importante nesse meu ponto.
      —
      De resto, nada a dizer. Volto apenas a demonstrar alguma desilusão com a interpretação de um texto no qual me dei ao trabalho de tornar o mais sincero possível para ver um user com quem até tenho interagido bastante dizer “não dá para levar a sério” e tentar insinuar que andei a esconder coisas de propósito.

  • Paulo Roberto Falcao
    Posted Novembro 2, 2026 at 11:33 am

    Compreendendo as razões do texto, nunca achei Rui Borges um treinador com a dimensão futebolística para treinar o Sporting. Acagaçou-se quase sempre nos momentos chave, e creio que também é recordista negativo, o treinador que mais remontadas sofreu. Não gostava do futebol por vezes árido do Sporting, não foi capaz de impor um modelo alternativo ao grande futebol do Sporting do Amorim.

    Dito isto tudo, que eu e muitos sócios dissemos quando se resolveu renovar o seu contrato, sempre me pareceu um treinador sério, honesto e trabalhador. Uma pessoa que fez muito para merecer ser respeitado, e que pensava eu que era. Este final é absolutamente indigno da parte do Sporting, acho lamentável que estivessem a enganar o homem Rui Borges, e a iludir os sócios, e sim nessa parte estou totalmente de acordo com o artigo, ele merecia ter tido outro respeito.

    Não foi o Rui Borges, e sim a direção do Sporting presidida pelo Dr. Frederico Varandas, que decidiu vender meia equipa na sequência do desastre no Jamor do ano passado. Estou seguro que ele preferia o plantel do ano passado, ao deste ano, ele e todos os sportinguistas, mas pensava eu que tínhamos firmado um pacto de confiança no treinador. Assumi, pelos vistos erradamente, que este iria ser o nosso ano zero, aproveitando a terceira vaga na Champions do ano que vem, para mudar a equipa com alguma margem de segurança.

    Pelos vistos enganei-me, e bastaram uns empates, e duas derrotas contra o Lask e o Viseu em Alvalade para mudar tudo. Pior: uma vez tomada a decisão, decidiram diferi-la para o momento que fosse mais adequado. A insondável razão pela qual acharam que a véspera de um jogo decisivo para a nossa continuidade na Champions era o momento certo é para mim misteriosa, mas enfim devo ser muito burro e eles muito inteligentes. Sinceramente estou radicalmente contra todo este desvario e desnorte.

  • Jeco Baleiro
    Posted Novembro 2, 2026 at 12:01 pm

    Parece que é preciso estar sempre a dizer isto mas ninguém está a por em causa a dignidade do Rui Borges, é um homem decente, sério, íntegro, com valores e que deu o seu melhor pelo Sporting. Ganhou um campeonato e uma Taça, chegou aos Quartos de Final da Liga dos Campeões, deixa marca no Sporting.

    Agora não podemos é escamotear os seus erros. Desperdiçou 18(!) vantagens enquanto treinador, não é algo que acontece, foi um padrão repetido várias vezes, tinha de ser responsabilizado.

    9 pontos de diferença (nunca um clube recuperou de uma desvantagem destas, o máximo foram 7), à 10ª jornada em Portugal? O campeonato está, obviamente, perdido.

    6 pontos em 9 com vitórias sobre Gala e Lenz. Deviam ser 9 em 9 con vitória também sobre o LASK (e em casa).

    Por fim a derrota na final da Taça. Não foi uma derrota qualquer. Foi uma derrota numa final, contra uma equipa da II Liga (!), com uma exibição e atitude miseráveis. Ele deveria ter saído logo após esse jogo e nunca devia ter renovado antes disso.

    Agradecer ao Rui Borges pelo trabalho efetuado à frente do Sporting, pelos títulos e pela postura que sempre teve. Mas já não tinha condições para continuar e não é de agora.

    • Fireball
      Posted Novembro 2, 2026 at 1:08 pm

      O problema com essas contas é que para estar em primeiro o sporting tinha que ter ganho os jogos todos (e marcado mais golos). Juntando a isso os 9 pontos na Champions, estás a insinuar que para estar a fazer um bom trabalho, Rui Borges tinha que ter 100% vitórias em Novembro. Ninguém faz isso. Se calhar tens essa expectativa, chama-lhe exigência, como quiseres. As 10V seguidas do Porto são uma anormalidade, com ou sem ‘ajudas’ não importa, é um outlier. Tanto que são compensadas com 100% derrotas na Europa. Podias ter o Guardiola, não ganhas todos os jogos. A tua expectativa é ganhar sempre, mas ninguém ganha sempre. E por isso nunca ninguém vai corresponder.

  • Fireball
    Posted Novembro 2, 2026 at 1:03 pm

    Não sendo sportinguista e visto de fora, confesso que fiquei bastante supreendido por verificar quão impopular era Rui Borges entre os adeptos do Sporting. O que está neste texto é precisamente a ideia que tinha. Nunca me passou a ideia de que Rui Borges estivesse a fazer um mau trabalho, antes pelo contrário. Concordo com o texto, acho que o Varandas cometeu um erro grave que é o de ceder à pressão das bancadas que nunca é racional. O Rui Costa faz sempre isto, anda ao sabor do vento e quer é acalmar adeptos, seja com treinadores, seja com jogadores caros. Não achava que o Varandas fosse na cantiga. Como adversário, estou feliz. Não acho que Paulo Fonseca seja um upgrade claro, e instabilidade no rival é sempre bem vinda.

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