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Obrigado, Rui Borges!

Dia 1 de Novembro de 2026: o Sporting CP anuncia a saída de Rui Borges. Não foi propriamente um choque inesperado, visto que a pressão vinha a crescer há semanas, nos jornais, nos canais de televisão, nas redes sociais, nos fóruns de desporto e nas bancadas. Mas, pelo menos da minha parte, foi uma enorme tristeza. E, confesso, alguma revolta.

Fica, desde já, este disclaimer: não escrevo este texto para comparar treinadores, nem para atacar quem decidiu. Escrevo-o porque sinto que alguém tem de dizer em voz alta aquilo que tão pouca gente disse enquanto ele cá esteve: obrigado, mister!

Obrigado pelos 99 jogos, pelo (bi)campeonato, pela Taça de Portugal e pelos QF da Champions League. Obrigado pela calma trazida para um clube que raramente a tem. E obrigado por nunca ter escondido um mau resultado atrás de um árbitro, lesões, erros individuais ou de qualquer outra desculpa esfarrapada. Obrigado por tudo isto, pois infelizmente, serão muitos os adeptos que apenas guardarão de si estas últimas memórias mais negativas e farão de todo o seu percurso também ele negativo, constantemente adicionando um “mas” sempre que alguém referir o que conseguiu de positivo.

Convém, por isso, lembrar de como estava o Sporting a 26 de dezembro de 2024. João Pereira tinha perdido quatro jogos seguidos — Arsenal, Santa Clara, Moreirense e Club Brugge — algo que nunca tinha acontecido a um treinador do Sporting nos primeiros cinco jogos. No campeonato, deixou fugir 8 dos 12 pontos que disputou. A equipa que Rúben Amorim deixara a ganhar tudo estava de rastos, taticamente, tecnicamente, fisicamente e, acima de tudo, mentalmente.

Rui Borges chegou, estreou-se três dias depois a ganhar ao Benfica (1-0) e, duas semanas mais tarde, já estava a disputar uma final da Taça da Liga, perdida nos penalties. Teve que perceber que as suas ideias não serviam aquele grupo naquele momento e, ao fim de sete jogos, voltou ao sistema que os jogadores conheciam. Não é sinal de fraqueza, bem pelo contrário. É inteligência, capacidade de ajustar e, sim, a tal humildade que, agora, quase parece um defeito do treinador da maneira que muitos falam do mesmo.

O resto é história: 19 jogos de campeonato, 13 vitórias, 6 empates, zero derrotas. Época terminada invicto nas competições nacionais. O primeiro bicampeonato do Sporting em 71 anos. E, no Jamor, uma reviravolta épica frente ao Benfica (3-1, após prolongamento) que deu ao clube a primeira dobradinha em 23 anos. No fim, os treinadores e capitães da Liga elegeram-no o melhor treinador da época. Nada mau para quem “não tinha estatuto” para o Sporting.

No verão de 2025, o Sporting vendeu Gyökeres ao Arsenal por 65,8 milhões de euros fixos, a maior venda da história do clube. O homem que “carregava” a equipa de Amorim, segundo muitos adeptos, tinha partido. Muitos davam o Sporting de Rui Borges como acabado antes de começar.

O que aconteceu foi o contrário. Com Luis Suárez no lugar do sueco (33 golos na época), a equipa chegou ao fim de 2025 a marcar 2,54 golos por jogo, contra 1,97 na época anterior sob o seu comando. Bateu o recorde de jogos seguidos sem perder fora no campeonato, que pertencia a Scopelli desde 1956. E tudo isto com um boletim clínico surreal: em Janeiro, só quatro jogadores do plantel ainda não tinham falhado um único jogo por lesão. Já na primeira época, Borges tinha montado 9 vezes um meio-campo com Debast adaptado, às vezes ao lado de um miúdo de 18 anos, Eduardo Felicíssimo. Nunca o ouvi queixar-se.

Na Europa, fez história:

  • Pela primeira vez, o Sporting venceu três jogos em casa na mesma fase da Champions, e acabou a fase de liga em 7.º, direto para os oitavos.
  • Nos oitavos, perdeu 3-0 na Noruega com o Bodø/Glimt e respondeu com um 5-0 em Alvalade, após prolongamento. Uma remontada que nunca ninguém irá esquecer.
  • Nos quartos, os primeiros desde 1983, caiu com o Arsenal por 0-1 no agregado: um golo de Havertz aos 90+1′ em Alvalade e um nulo no Emirates. Raya foi eleito MoM nos dois jogos por vários meios.
  • Esta campanha valeu mais de 80 milhões de euros aos cofres do clube.

No campeonato, fez 82 pontos, exatamente os mesmos da época do título. Desta vez não chegou, porque o FC Porto fez 88. Na Taça, eliminou o próprio FC Porto pelo caminho e chegou ao Jamor, onde perdeu com o Torreense (1-2, após prolongamento), apesar de 72% de posse de bola. Doeu, claro. Ainda dói. Mas convenhamos: também o Sporting do idolatrado e adorado Amorim caiu na Taça com o Varzim, do terceiro escalão, e nem sequer passou da primeira eliminatória. A diferença é que a Amorim perdoou-se, renovou-se e continuou-se a dar-lhe oportunidades mês após mês, época após época. A Borges, bastou um início inconsistente e já não há quem aguente.

Em Maio de 2026, o Sporting renovou com Borges até 2028. Em Julho, o próprio presidente admitia que se tinha fechado um ciclo. Saíram Hjulmand, Trincão, Morita, Pote, Quenda e Diomande, num verão de vendas acima dos 132 milhões de euros. Na prática, Borges começou do zero, com um plantel novo e um mercado que, sejamos honestos, não acertou em tudo.

Não escondo o que correu mal. No campeonato, perdeu 9 pontos em 9 jornadas, com empates frente a Estrela, Famalicão e Arouca e uma derrota em casa com o Académico de Viseu. E há um número que inquieta qualquer adepto: foram 18 os jogos da Era Borges em que o Sporting esteve a ganhar e não venceu. Esse foi o seu maior defeito e é justo referi-lo.

Mas olhemos para onde a equipa se encontra no dia em que ele sai:

  • Campeonato: terceiro lugar e, à 9.ª jornada, a 9 pontos do FC Porto, com mais de 20 jornadas por jogar. Difícil? Muito. Perdido? Longe disso.
  • Liga dos Campeões: 6 pontos em 9, com vitórias sobre o Galatasaray e em Lens, onde poucos acreditavam que se ganhava. Esse triunfo fez dele, a par de Amorim, o treinador do Sporting com mais vitórias na Champions.
  • Taça de Portugal e Taça da Liga: em prova nas duas. Na Taça de Portugal, nem sequer se tinha estreado.

E sai dois dias depois de duas vitórias seguidas e a dois dias de uma viagem a Londres para a Champions. Não acredito que a época estivesse perdida em Outubro. Não acredito que um treinador novo, por melhor que seja, transforme por magia os mesmos jogadores no espaço de poucos dias ou semanas. E não acredito que trocar um treinador campeão por um nome cujos títulos mais relevantes foram ganhos na Ucrânia, mais uma Taça de Portugal com o Braga, seja garantia de alguma coisa (Deus queira que sim!).

Dito isto, o objetivo deste artigo é de agradecimento e não de comparação ou prognósticos para o futuro. Se há coisa de que vou sentir falta, é da calma. Num futebol português que vive de comunicados, de queixas e de dedos apontados, não me lembro de ver Rui Borges esconder uma derrota atrás de um árbitro. Com o meio-campo desfeito por lesões, a resposta dele era sempre a mesma: não vale a pena queixar-se, compete-lhe arranjar soluções. E arranjava.

Gostei sempre da forma como se apresentou. Quando ganhou o prémio de melhor treinador da Liga, disse que aquele prémio “não é do Rui Borges, mas da equipa técnica, dos jogadores”. Quando agradeceu ao presidente, falou de quem teve a coragem de apostar “no Rui de Mirandela”. Um treinador que subiu a pulso, de Mirandela ao Jamor, sem nunca se armar em mais do que era.

É verdade que, no fim, a humildade começou a soar mais a defesa. Depois de Lens, puxou dos galões e respondeu aos críticos. “Sou muito calmo, às vezes calmo demais”, disse. Mas eu percebo-o. Foram quase dois anos a ouvir que não tinha estatuto, que era um treinador “a prazo”, que tudo o que ganhava era herança de outro. Qualquer um perde a paciência. Ele perdeu-a pouco e tarde.

E durante muito tempo teve o balneário na mão. Viu-se na remontada ao Bodø/Glimt, viu-se no Jamor contra o Benfica, viu-se nas noites em que meio plantel estava no departamento médico e quem entrava jogava como se fosse titular há anos.

Rui Borges sai do Sporting com 99 jogos, 64 vitórias, 22 empates e 13 derrotas: 64,6% de vitórias. Neste século, de todos os treinadores despedidos, só Fernando Santos, em 40 jogos, saiu com uma percentagem ligeiramente superior (65%). Termina com 13% de derrotas: a mais baixa de qualquer treinador do Sporting deste século com mais de 50 jogos.

Não foi um treinador perfeito. Nenhum é. Mas pegou num clube em queda livre, deu-lhe uma dobradinha histórica, levou-o à melhor campanha europeia em mais de 40 anos e fez tudo isto a perder, ano após ano, os seus melhores jogadores. Sem drama, sem desculpas.

Foi um dos treinadores mais subvalorizados da história recente do clube. Desconfio que o tempo lhe vai dar a razão que o presente lhe negou.

Obrigado, mister. Pela dobradinha, pela Champions, pela postura. Foi um privilégio ver o Sporting do Rui de Mirandela. Tudo de bom!

Visão do Leitor: Manuel Pereira

20 Comentários

  • O Comendador
    Posted Novembro 2, 2026 at 5:18 pm

    Obrigado Rui Borges.

    Na vida, só os números não contam. É a forma como se ganha e se perde. Foi giro e “toda a gente” queria que corresse melhor. Não correu.
    Já se debateu demasiado os porquês da sua saída. Fica o agradecimento. Quem sabe no futuro até as saudades.

    SL

  • Gui Loureiro
    Posted Novembro 2, 2026 at 1:56 pm

    Poderia eu escrever este texto porque reflecte em todos os aspectos, aquilo que penso de Rui Borges e dos seus quase 2 anos no Sporting.

    Parabéns ao autor pelas palavras.

    Apesar de tudo, o treinador será sempre o elo mais fraco. É a realidade. E como tal, contam zero os números anteriores. O que conta será sempre o momento.

    Fez um excelente trabalho no Sporting quando tudo e todos indicavam uma decadência. E principalmente, ver os discursos dos outros treinadores, que a culpa é disto e daquilo e dos outros. Nossa nunca é. Rui Borges sempre arranjou soluções, a maioria resultou. Nunca se escudou atrás, maioritariamente, de decisões de outros e de “coisas estranhas” esta postura, para mim, vale muito!
    Noites e momentos épicos que não serão esquecidos tão depressa.

    Obrigado Rui!

  • Fireball
    Posted Novembro 2, 2026 at 1:03 pm

    Não sendo sportinguista e visto de fora, confesso que fiquei bastante supreendido por verificar quão impopular era Rui Borges entre os adeptos do Sporting. O que está neste texto é precisamente a ideia que tinha. Nunca me passou a ideia de que Rui Borges estivesse a fazer um mau trabalho, antes pelo contrário. Concordo com o texto, acho que o Varandas cometeu um erro grave que é o de ceder à pressão das bancadas que nunca é racional. O Rui Costa faz sempre isto, anda ao sabor do vento e quer é acalmar adeptos, seja com treinadores, seja com jogadores caros. Não achava que o Varandas fosse na cantiga. Como adversário, estou feliz. Não acho que Paulo Fonseca seja um upgrade claro, e instabilidade no rival é sempre bem vinda.

  • Jeco Baleiro
    Posted Novembro 2, 2026 at 12:01 pm

    Parece que é preciso estar sempre a dizer isto mas ninguém está a por em causa a dignidade do Rui Borges, é um homem decente, sério, íntegro, com valores e que deu o seu melhor pelo Sporting. Ganhou um campeonato e uma Taça, chegou aos Quartos de Final da Liga dos Campeões, deixa marca no Sporting.

    Agora não podemos é escamotear os seus erros. Desperdiçou 18(!) vantagens enquanto treinador, não é algo que acontece, foi um padrão repetido várias vezes, tinha de ser responsabilizado.

    9 pontos de diferença (nunca um clube recuperou de uma desvantagem destas, o máximo foram 7), à 10ª jornada em Portugal? O campeonato está, obviamente, perdido.

    6 pontos em 9 com vitórias sobre Gala e Lenz. Deviam ser 9 em 9 con vitória também sobre o LASK (e em casa).

    Por fim a derrota na final da Taça. Não foi uma derrota qualquer. Foi uma derrota numa final, contra uma equipa da II Liga (!), com uma exibição e atitude miseráveis. Ele deveria ter saído logo após esse jogo e nunca devia ter renovado antes disso.

    Agradecer ao Rui Borges pelo trabalho efetuado à frente do Sporting, pelos títulos e pela postura que sempre teve. Mas já não tinha condições para continuar e não é de agora.

    • Fireball
      Posted Novembro 2, 2026 at 1:08 pm

      O problema com essas contas é que para estar em primeiro o sporting tinha que ter ganho os jogos todos (e marcado mais golos). Juntando a isso os 9 pontos na Champions, estás a insinuar que para estar a fazer um bom trabalho, Rui Borges tinha que ter 100% vitórias em Novembro. Ninguém faz isso. Se calhar tens essa expectativa, chama-lhe exigência, como quiseres. As 10V seguidas do Porto são uma anormalidade, com ou sem ‘ajudas’ não importa, é um outlier. Tanto que são compensadas com 100% derrotas na Europa. Podias ter o Guardiola, não ganhas todos os jogos. A tua expectativa é ganhar sempre, mas ninguém ganha sempre. E por isso nunca ninguém vai corresponder.

      • Jeco Baleiro
        Posted Novembro 2, 2026 at 3:38 pm

        Não escrevi nem insinuei nada disso, nem sei onde foste buscar essa ideia. É factual que está a 9 pontos da liderança e com o campeonato perdido. O Porto ter 100% de vitórias é irrelevante para o caso porque o Borges não podia controlar isso, até porque não jogou contra eles. Estar a 9 pontos do primeiro lugar em Outubro é trágico (não tendo ainda defrontado os rivais) Podia estar igual, a 2, no limite a 4, a 9 nunca. Nem percebo bem qual é a dúvida.

        Na Champions arranca bem com vitórias sobre Galatasary e Lens (vitória num reduto difícil) mas depois estraga tudo ao perder em casa com o LASK. A partir do momento em que ganha os dois primeiros jogos, tem de fazer 9/9 frente ao LASK em casa. Aliás, tendo em conta o calendário do Sporting era obrigatório fazer 10/12 pontos nos primeiros 4 jogos, já que a segunda metade da fase de liga é muito mais exigente (Man United, Roma, Barça e Man City).

  • Paulo Roberto Falcao
    Posted Novembro 2, 2026 at 11:33 am

    Compreendendo as razões do texto, nunca achei Rui Borges um treinador com a dimensão futebolística para treinar o Sporting. Acagaçou-se quase sempre nos momentos chave, e creio que também é recordista negativo, o treinador que mais remontadas sofreu. Não gostava do futebol por vezes árido do Sporting, não foi capaz de impor um modelo alternativo ao grande futebol do Sporting do Amorim.

    Dito isto tudo, que eu e muitos sócios dissemos quando se resolveu renovar o seu contrato, sempre me pareceu um treinador sério, honesto e trabalhador. Uma pessoa que fez muito para merecer ser respeitado, e que pensava eu que era. Este final é absolutamente indigno da parte do Sporting, acho lamentável que estivessem a enganar o homem Rui Borges, e a iludir os sócios, e sim nessa parte estou totalmente de acordo com o artigo, ele merecia ter tido outro respeito.

    Não foi o Rui Borges, e sim a direção do Sporting presidida pelo Dr. Frederico Varandas, que decidiu vender meia equipa na sequência do desastre no Jamor do ano passado. Estou seguro que ele preferia o plantel do ano passado, ao deste ano, ele e todos os sportinguistas, mas pensava eu que tínhamos firmado um pacto de confiança no treinador. Assumi, pelos vistos erradamente, que este iria ser o nosso ano zero, aproveitando a terceira vaga na Champions do ano que vem, para mudar a equipa com alguma margem de segurança.

    Pelos vistos enganei-me, e bastaram uns empates, e duas derrotas contra o Lask e o Viseu em Alvalade para mudar tudo. Pior: uma vez tomada a decisão, decidiram diferi-la para o momento que fosse mais adequado. A insondável razão pela qual acharam que a véspera de um jogo decisivo para a nossa continuidade na Champions era o momento certo é para mim misteriosa, mas enfim devo ser muito burro e eles muito inteligentes. Sinceramente estou radicalmente contra todo este desvario e desnorte.

    • O Comendador
      Posted Novembro 2, 2026 at 5:46 pm

      Se nunca teve dimensão para o Sporting teria de sair. Depois picou-se com a comunicação social rasca e não teve estômago para se aguentar à bronca, desgastando-se ainda mais.

      SL

    • Pao com Presunto
      Posted Novembro 2, 2026 at 12:20 pm

      Comentário lúcido e com o qual me identifico, muito bem.

  • batalha34
    Posted Novembro 2, 2026 at 11:17 am

    Este é daqueles textos em que lendo uma vez parece tudo verdade e bonito, mas depois lendo com calma começa-se a ver falacias e falacias que sao oportunamente nao mencionadas no texto para tentar passar o ponto que o autor quer passar.

    Quanto a secçāo dos dias de hoje:

    Liga dos Campeoes – É bonito dizer que é o treinador com mais pontos a par do Amorim. Faltou só mencionar que sao os unicos dois treinadores que competiram no novo formato da champions. Este ano falta-nos todos os jogos dificeis por fazer. Deviamos ter 9 pontos, nao 6. Com 6 pontos passar a proxima fase com os jogos que restam vai ser tarefa bastante complicada.

    Taça da liga e Portugal – Sim estamos em prova, porque ainda nao houve fases a eliminar. Seria um feito inedito ser eliminado antes de se poder ser eliminado.

    Depois ha varios pontos no texto, que para mim tornam o texto completamente faccioso e dificil de levar a serio

    “Perdeu com o Torreense na final da taça mas teve 72% posse de bola” – Isto é a gozar?

    “Com lesoes nao se queixava e arranjava solucoes e nao se queixava” – Nao, nao arranjava. Por isso é que ganhamos 0. Se arranjasse solucoes tinhamos ganho trofeus. Ele nao se queixar nao é uma virtude. É mau mesmo e é uma das razoes de ele nao ter capacidade de estar onde estava. Ele devia ter-se queixado e devia ter ido buscar os reforços que quer e precisa mesmo que isso chateie o clube. Nao é só estar feliz por estarmos ca e cantar o Kumbaya. Para isso mete-se la o Paulinho.

    “Deixar sair um treinador campeao” – Como o texto refere e bem, foi campeao com a equipa de Amorim, com as ideias de Amorim. Quando tentou mudar deu sempre errado. O proprio texto diz isso explicitamente. Para além do Fresneda nao houve um unico jogador potenciado por ele. E esta epoca em que é tudo ideias dele, temos um futebol que nosso senhor nos ajude. É demasiado pouco em 2 anos. É campeao porque tem o merito de subir a morale depois do Joao Pereira, aí sim tem merito claro, mas as ideias e o plantel nao eram dele.

    “Muitos davam o Sporting depois de acabado depois do Gyokeres” – Outro ponto falacioso. Quem sao os muitos? O Sporting manteve todo o plantel e trocou o Gyokeres pelo Suarez, quem dava o Sporting acabado nao pode ser levado a serio. A epoca foi “boa” mas devia e podia ter sido bastante melhor. Chegar ao fim com 0 trofeus e com N jogos completamente dominados em que entramos na segunda parte a dormir ou com mexidas completamente aberrantes do Rui Borges é incontornavel.

    Depois discordo com esta ideia que foi um dos treinadores mais sub-valorizados e nao compreendidos da historia do Sporting. Para além do Amorim tenho dificuldade em pensar num unico treinador que sobrevivia à epoca do ano passado depois da final da taça e ainda com apoio de uma boa parte da massa adepta, como se vê aqui no blogue por exemplo. Teve muitas oportunidades e teve muito apoio da direçāo e faltou sempre qualquer coisa. Ter ganho um campeonato com uma equipa que nao é dele é argumento fraco passado 2 anos.

    Dito isto eu concordo que o Rui Borges nao deveria ter saido nesta fase, mas se vamos fazer um texto a tentar passar uma retrospectiva do Rui Borges, convinha que esse texto representasse melhor o que Rui Borges fez, o mau e o bom, e nao apenas enaltecer o bom e tentar omitir o mau ao dizer frases como “perdemos contra o torreense mas com 72% de posse de bola”

    E sim, obrigado ao Rui Borges pelo seu trabalho, e parece ser um gajo porreiro, mas o que é preciso neste nivel é um gajo que saiba quando tem que chatear o patrao porque é preciso mais, nao é so um gajo que diz que sim e que esta feliz por ca estar porque é do Sporting.

    • Adepto Imparcial
      Posted Novembro 2, 2026 at 12:56 pm

      Vou tentar pegar ponto a ponto, batalha34, mais sobre as falácias e sobre não se poder levar o texto a sério, o que me desaponta sinceramente. É a minha opinião, não tentei esconder absolutamente nada (o texto é curto sequer?) e, naturalmente, sendo um texto de agradecimento (referido pelo disclaimer inicial), mencionei os pontos positivos da sua passagem pelo Sporting CP. Isto é um artigo de opinião com a premissa de agradecer a um treinador, não uma análise objetiva, factual e técnica sobre o treinador, apesar de falar dos seus defeitos e recordes negativos. Aceito a tua opinião e não olho para a mesma com essa lente de “ah isto são só falácias e tentativas propositadas de esconder o outro lado da moeda”. Até porque eu também mostro o outro lado; apenas estou a querer dar valor ao positivo. Mas não seja por isso, posso esclarecer a maioria.
      —
      Liga dos Campeões: todos sabem que o novo formato permite mais jogos, logo a probabilidade de angariar mais vitórias (assim como mais empates e derrotas) é maior. Não deixa de contar para as estatísticas. Tal como já tivemos campeonatos com mais e menos equipas. Tal como já houve tempos em que a Taça da Liga tinha mais jogos ou eliminatórias da Taça de Portugal em que os grandes entravam mais cedo. A mudança estrutural das competições não nega o mérito das conquistas e recordes dos treinadores, sejam de que clube forem. Além disso, esta é a 3a época com este novo formato europeu. É suposto continuar a ter de falar no mesmo como se fosse algo novo?
      —
      Taça da Liga e Portugal: eu menciono que não houve eliminatória da Taça de Portugal ainda. Mas já houve para a Taça da Liga contra o Marítimo onde jogamos com um 11 totalmente de segundas e terceiras linhas, passando à Final Four. Como podes ver, não só não tento esconder nada, como tal como qualquer outra pessoa, todos nos podemos enganar, como te enganaste ao referir que ainda não tinha havido hipótese de sermos eliminados.
      —
      Final com o Torreense: apenas mencionei um dado estatístico do jogo. Não escondo a dor. Não escondo a desilusão, nem a humilhação que foi. Facilmente podia ter retirado esse dado, não foi por querer escusar a derrota, de todo, pois é inadmissível.
      —
      Lesões: o parágrafo que menos percebo. Não arranjava soluções? Não ganhou nada? Então, mas as lesões afetaram-no tanto na época da dobradinha como na época seguinte. Ele teve de andar a jogar com suplentes dos suplentes mesmo em 24/25. E, mesmo não tendo conquistado títulos, fez os mesmos pontos em 25/26 que em 24/25, chegou aos QF da Champions e à final da Taça, apesar das tais lesões. Se há defeito que é raríssimo ver alguém lhe apontar, é esta história de ter de, por vezes, se arranjar com remendos. Esta não entendo.
      —
      Gyokeres: o “muitos” é o termo menos importante no meio do meu ponto simples de “perdeu a principal estrela e conseguiu meter a equipa a ter um sucesso ofensivo ainda melhor”. Disse “muitos”, podia ter dito “parte”, “vários”, “alguns”… não quis insinuar que fiz um estudo global altamente detalhado onde fui a casa de todos os Sportinguistas do mundo e concluí que eram “muitos”. É a perceção que tenho dessa altura com base nos comentários deste blog e nos chats de desporto a que pertenço, tanto gerais como Sportinguistas. Vale o que vale, mas repito: não é o importante nesse meu ponto.
      —
      De resto, nada a dizer. Volto apenas a demonstrar alguma desilusão com a interpretação de um texto no qual me dei ao trabalho de tornar o mais sincero possível para ver um user com quem até tenho interagido bastante dizer “não dá para levar a sério” e tentar insinuar que andei a esconder coisas de propósito.

      • batalha34
        Posted Novembro 2, 2026 at 2:30 pm

        Para clarificar, o que eu queria dizer com “dificil de levar é serio” não é no sentido de que o texto nao tem valor, é no sentido de eu ter achado que isto não é uma analise objectiva do historial do Rui Borges no Sporting que foi a ideia com que fiquei que isto estava a tentar ser ao ler pela primeira vez.

        Se concordas que isto é suposto ser uma analise subjectiva tua com facciosismo ok tudo certo é a tua opinião, não posso dizer que está errada ou certa, é subjectivo, apenas que nem tudo o que está escrito é puramente factual e nesse sentido não se pode levar à letra. Percebo que o texto deu trabalho a escrever e peço desculpa se essa parte foi demasiado agressiva, nem sempre é facil expressar-se por texto.

        • Adepto Imparcial
          Posted Novembro 2, 2026 at 3:04 pm

          Mas em que ponto é que eu sequer indico que o artigo vai ser uma análise objetiva do que quer que seja? Essa é a parte que me confunde tremendamente. Da forma como te expressas (e digo já que entendo perfeitamente que, por vezes, é difícil passar a intenção por texto e mal-entendidos acontecem; não é problemático, uma pessoa esclarece a seguir, estamos aqui para isso, nem nunca te vi a faltar-me ao respeito nem nada desse estilo, atencão), parece que eu dou a entender logo no início que o que se segue é um artigo factual, com uma análise em nada subjetiva e que, em momento algum, a opinião pessoal se misturará com dados estatísticos… o que eu acho que deixo bem claro que não é o caso. Não sou nenhum Goalpoint.
          —
          O título é claro. O disclaimer é claro. A mensagem é clara: apenas e só de agradecimento. Por que razão me focaria no que Rui Borges fez e tem de negativo (que tem e, volto a repetir, menciono os seus falhanços, os seus recordes negativos, os seus defeitos, penso que nem sequer deixei nenhum dos pontos negativos mais abordados sobre ele por falar… bolas, até toco no tópico da humildade dele ter passado de atributo para mecanismo de defesa!) quando o meu objetivo é agradecer e valorizar o que fez de bom? Entendes que estás a interpretar e a julgar o meu texto a partir de uma premissa errada, certo? Era o mesmo que tu fazeres um artigo de opinião sobre como concordas com a saída de Rui Borges e focares-te mais nos aspetos negativos, como os teus argumentos para tal, mencionando os positivos mais de passagem, e eu chegar e comentar “ah isto é tudo faccioso, então há aqui dados factuais e opinião subjetiva misturada”. Consegues perceber como isso facilmente passa como “este texto é inválido, pois quebra regras de como escrever um artigo objetivo ao colocar opinião pessoal”… quando o artigo nunca é nem foi pensado como tal.
          —
          Eu entendo todos os teus pontos, batalha34. Todos, sem exceção. Bolas, até concordo com alguns e corrijo-me noutros. Não penso que isto seja postura de alguém que sequer está a tentar enfiar a sua opinião pessoal na mente das pessoas ou a tentar ludibriar com “facciosismos”. Estou meramente a partilhar sem agendas secundárias, tal como o batalha34 também o pode fazer num artigo onde se foca mais no negativo e está tudo bem.
          —
          Espero que este comentário esclareça o porquê do artigo dar mais foco aos pontos positivos do que aos negativos, sem nunca menosprezar, negar ou esconder os últimos. Em relação ao tema das lesões, compreendo a tua perspetiva e concordo que nenhuma das soluções veio para melhorar a equipa… mas era suposto? Soluções são para resolver problemas, não para melhorar o que já está bom. Problema: há lesionados e lesionados dos lesionados. Solução: tentar arranjar algo nas outras camadas e integrar da melhor maneira possível. Tendo em conta que isso deu, de facto, em títulos e numa segunda época, com todas as suas falhas que bem sabemos, em vários momentos positivos e objetivos mínimos cumpridos (que, agora em retrospetiva e sabendo do mercado de verão, naturalmente não foram suficientes para a continuidade), diria que sim, o Rui Borges foi um treinador que conseguiu arranjar soluções temporárias para um problema (que tomou proporcões admitidamente exageradas e incomuns) que não dava para resolver a meio da época. Mas concordo contigo: nenhuma dessas soluções serviu para longo-prazo! Apenas não acho que foram soluções com esse objetivo :b

      • batalha34
        Posted Novembro 2, 2026 at 2:15 pm

        Bem eu nao disse que o texto nao dava para levar a serio. Muitos dos pontos são factuais. Mas há uma mistura muito grande, muitas vezes no mesmo paragrafo, do que é factual e opinião pessoal. Não acho que o texto está mau, tem obviamente pontos relevantes, mas achei o texto demasiado faccioso e acho que os pontos negativos da passagem do Rui Borges não estão devidamente esmiuçados comparados com os pontos positivos em claramente há um esforço muito grande em fazer passar isso ao leitor.

        Quanto à parte das lesões, sim ele não arranjou soluções nenhumas. Não houve nenhuma dessas “soluções” que tenha dado em algo ou tenha aumentado a qualidade da equipa. Ir à equipa B buscar o jogador que é substituto direto no sistema e depois nunca mais o pôr a jogar quando o titular volta não é arranjar uma solução, é não ter mais soluções. Isso são coisas MUITO diferentes. Digo mesmo que duvido que haja um unico jogador que consigas apontar que tenha sido uma “solução” arranjada pelo Rui Borges ao longo da sua passagem nos dois anos que ca esteve.

    • Saganas
      Posted Novembro 2, 2026 at 12:38 pm

      Também não percebi essa do 72%, nem a comparação da derrota do Varzim com uma final, não tem comparação de todo.
      E tudo o que são comparações na champions não faz sentido algum também.

      • Adepto Imparcial
        Posted Novembro 2, 2026 at 1:45 pm

        A comparação do Varzim parece-me bastante óbvia: duas derrotas contra equipas de escalões inferiores. Se não se esconde uma humilhação, também não se deve esconder a outra. Os 72% já respondi abaixo, mencionei por mencionar, podia (e devia) ter retirado, não quis passar a ideia de estar a desculpar uma derrota inaceitável. My bad. Em relação à Champions, também esclareço abaixo.

  • Christian Benítez
    Posted Novembro 2, 2026 at 11:10 am

    Excelente texto, Manuel. O melhor já publicado no Visão de Mercado.

  • ricassan
    Posted Novembro 2, 2026 at 10:32 am

    Obrigado Rui, mas acho que chegou a altura de seguirmos caminhos diferentes.

  • onetimeuser
    Posted Novembro 2, 2026 at 10:21 am

    Concordo com praticamente tudo, de facto há mais coisas positivas a apontar do que negativas. No entanto acho que é unânime que desde a eliminação da Champions na época passada, tem sido sempre a descer e esta mudança tinha de acontecer.
    Podemos não concordar com o método e com o timing do despedimento, mas tinha de acontecer.

    Precisamos de alguém com maior postura no banco, que não se esconda atrás de um tablet quando as coisas estão a correr mal. E de alguém com maior ambição nos jogos, não chega estar a ganhar por 1 e fechar-se cá atrás contra a maioria das equipas da Liga. Isso apenas se aceita contra duas ou três equipas.
    Acho que é um bom treinador a preparar jogos, mas menos bom a adaptar-se às circunstâncias durante o jogo e isso reflete-se nas 19 vantagens perdidas.

    Não sei o que esperar do Paulo Fonseca, não tenho acompanhado a sua carreira mas que era preciso mudança, disso não tenho dúvidas.

  • O chinelo de Matias Fernandes.
    Posted Novembro 2, 2026 at 10:13 am

    Fiz login passado anos para subscrever o texto. Lúcido e bem escrito!

    Tenho pena que saia. O futebol foi excelente (nalguns momentos). Sofre sobretudo pela quantidade de pontos perdidos em derradeiros minutos, e péssima imagem ao estar no banco a olhar para um tablet em vários momentos de fraqueza da equipa. Se tivesse outro pulso nessas alturas, nada disto aconteceria.

    Esteve sempre sobre brasas, infelizmente. Ainda vamos ter saudades dele!

    Obrigado, Rui! Merecias mais que isto (e a um jogo dos 100…)

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