Patamar nº 3 da NBA, no que diz respeito às possibilidades de chegar ao anel (referência cinematográfica: esta divisão faz lembrar ofilem de Bruce Lee, Game of Death, no qual este encontra pela frente um conhecido jogador da NBA), com equipas que não são candidatas de topo ao título, mas que pelo talento que possuem, alternativas variadas, e especialmente, pela experiência acumulada e história, chegarão facilmente a um dos primeiros quatro lugares cimeiros dos playoffs. Aí, especialmente devido ao terceiro factor referido, podem levar de vencida qualquer uma das equipas citadas nos patamares anteriores (ver aqui).
Boston Celtics
O Big 3 desfez-se, e não porque Danny Ainge trocasse uma das suas estrelas, mas sim porque Ray Allen decidiu rumar para o sol de Miami. Kevin Garnnet já deu a entender que os encontros entre Heat e Celtics terão interesse acrescido… Adiante: os Celtics, rejuvenescidos pela excelente temporada passada, voltam à Liga com estatuto de candidatos. Para o posto de Allen foram buscar Jason Terry, atirador exímio que não se importará de fazer o papel de 6º jogador (e nesse papel será certamente mais eficaz que Ray Allen, que nunca o aceitou), e que consegue criar lançamentos de fora em jogadas individuais (enquanto que Allen era mais de rodar até se isolar). Garnett (expoente máximo do “old school”, com a sua atitude e trash talking, que leva adversários ao desespero e colegas a terem ataques de choro) renovou, Pierce continua, mas a equipa é cada vez mais de Rondo. Aliás, o sucesso dos Celtics será proporcional à sua produção. Reforço de peso é também o extremo Jeff Green, que o ano passado não pôde jogar. Brandon Bass diz-se que terá um papel mais importante, consequência de Garnett poder vir a ter muitos minutos como poste (os Celtics podem tentar colocar ao mesmo tempo Rondo-Pierce-Green-Bass-Garnett contra equipas maiores). Avery Bradley e Courtney Lee são os defensores eleitos para atirar contra os bases adversários, podendo também ser opções credíveis no ataque. O problema é mesmo a dependência de Rondo, porque parece não haver alguém com capacidade de fazer a posição de base que não ele. Outra interrogação é a rotação a poste: tudo indica que Garnett será o dono do lugar, mas a partir daí é um pouco nebuloso: Wilcox é um lutador, mas pouco mais (e vai perder parte da época, Jason Collins vale poucos minutos e muitas faltas, e a carreira do último reforço, Darko “human victory cigar” Milicic não dá especial confiança aos adeptos, e os rookies são uma incógnita. Este será o calcanhar de Aquiles de Boston (o ano passado foi das mais fracas em termos de ressaltos ofensivos), mas esta deficiência na posição de pode pode ser minimizada pelo ponto mais forte do colectivo, a defesa. Claro que os verdes terão sempre de lidar com o espectro das lesões, pois Garnett e Pierce já têm um longo historial, Green tem o problema que se conhece, e Rondo é insubstituível. Conclusão: muita qualidade, muitas opções, espírito competitivo fazem dos Celtics um perigo. Eles não devem “acelerar” muito na época regular (duvidamos que andem sequer perto do 1º lugar, também porque a sua divisão é fortíssima, ao contrário da Sudeste), mas quando chegarem os playoffs, na máxima força, podem bater os favoritos Heat.
San Antonio Spurs
A época passada os Spurs eram completamente desconsiderados na luta pelo Oeste, não só pelo desempenho nos playoffs do ano anterior, mas principalmente porque a época comprimida seria demasiado exigente para os seus principais jogadores. O facto é que os Spurs venceram a Conferência, limparam os Jazz e os Clipers, e apenas foram batidos na final por Durant e os seus Thunder, sendo que para tal foi preciso um daqueles jogos por parte de Ibaka que só acontecem uma vez em cada milénio. Assim sendo, a equipa de San Antonio tinha duas hipóteses: ou dizia “falta-nos um bocadinho assim…” e fazia uma série de trocas que mexessem com a equipa, ou… ficavam quietos e apostavam no mesmo cavalo. A estratégia seguida foi a segunda, e por isso vamos (re)ver os velhinhos Duncan, Ginobili e Parker (este um jovem, quando comparado) liderarem a equipa para mais uma temporada de sucesso. Claro que muito deste sucesso vem do banco, onde Gregg Poppovich continua a mostrar o porquê de ser considerado um dos melhores da Liga. A nova filosofia da equipa passa por um jogo muito mais exterior (Duncan já não é aquela âncora) baseado em trocas de bola até encontrar o homem livre e uma boa percentagem de lançamento exterior. Mas o que mais saltou à vista o ano passado, e será uma das armas deste ano, foi a capacidade da segunda linha em pegar no jogo quando os “big 3” descansavam. Gary Neal, Daniel Green e Patty Mills rodarão como bases, Kawhi Leonard deverá ainda evoluir mais e dar o atleticismo necessário, Stephen Jackson marcará muitos pontos, provavelmente do banco, contribuindo também no item “doideiras dentro e fora de campo”, Bonner fará uns triplos, enquanto que Diaw e Splitter terão a função de ajudar Duncan a defender o interior e ganhar ressaltos. As dúvidas para já prendem-se com os papeis reservados ao rookie DeColo, que não deixou grande impressão nos JO (e que aumenta o contingente francês para três) e a Dejuan Blair, que parecia agarrar a titularidade como poste, mas foi exilado nos playoffs do ano passado. Conclusão: a capacidade de liderança, fidelidade a um modelo de gestão, e inteligência destes Spurs, que vai dos jogadores ao GM, passando pelo treinador, deve chegar para chegar à parte superior dos playoffs, onde devem ser levados bem a sério pelos candidatos supremos.
Conseguirá Tim Duncan o seu 5º anel? Os Spurs optarão por poupar os seus “big 3” para os playoffs ou vão fazer uma época na máxima força? Os Celtics vão sentir falta de Ray Allen, ou ficarão melhor servidos com Jet, o Melhor 6º Homem dos últimos anos? Vai ser a época de afirmação de Rondo como um dos melhores da Liga? E os encontros entre Heat e Celtics (no ano passado os Boston podiam ter fechado a final de Este no 6º jogo) vão ser especialmente “quentes” ou as trocas de palavras pós-saída de Ray Allen não se vão materializar no campo?
Nuno Ranito


