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Jogos Olímpicos: Luís Lopes, Jorge Tormenta, Marco Chagas, Pedro Roque, Tiago Girão/Paulo Cunha são apenas alguns daqueles que ajudaram ainda mais a melhorar a experiência que é seguir as Olimpíadas

Terminaram mais uns Jogos Olímpicos, repleto de alegrias e tristezas, críticas e aplausos, que para alguns já deixa saudades, e para outros é um “até já, no Rio”. Foram duas semanas de overdose de desporto, em que tivemos a oportunidade de ver os melhores do mundo competirem entre si, ver em directo feitos que ficarão para a História, mas acima de tudo, pudemos assistir a às mais diversas modalidades, praticadas pelos melhores executantes que o Mundo tem.
O ciclo olímpico em Portugal, como habitualmente, durou cerca de duas semanas, e atravessou os estádios do costume: apresentação dos atletas, as naturais ambições e previsões de medalhas (ignorando a qualidade dos oponentes), a satisfação da comitiva ter feito a melhor preparação de sempre, seguida do beija-mão usual, aparecendo depois as primeiras eliminações, quase passando em claro, depois as mais mediáticas, a que se seguiram as críticas costumeiras, a denúncia dos montantes gastos, as devidas trocas de palavras, queixas de falta de condições, queixas de falta de resultados perante as condições dadas, demissões, e aí por diante, até que apareceu a medalha salvadora, e no fim todos ficam amigos. Um ponto recentemente trazido a discussão, consequência do desempenho da comitiva lusa e das críticas a este, foi o da cultura desportiva. A cultura, neste caso desportiva, mas não só, depende muito da vontade de cada explorar um determinado tema, mas também da qualidade da informação disponibilizada ao cidadão. Na nossa sociedade, a Comunicação Social tem um papel fundamental nessa área, pois é ao Quarto Poder que cabe a função de divulgar factos, dados, informação, com qualidade e critério, de modo a que as pessoas possam formar uma opinião. O que vimos, mais uma vez, foi a produção de opiniões em forma de factos, criando de início nas pessoas uma ilusão de grandeza e capacidade que evidentemente não possuímos, e após os maus (na opinião de alguns) resultados, liderando a onda de contestação. Ressalvo aqui, reportagem é diferente de crónica, facto é diferente de opinião, um é objectivo, outro subjectivo. Nada contra exprimir opiniões, mas tudo contra exprimir opiniões em forma de factos. Seria importante, tanto como discutir e debater o desporto escolar, os apoios, a organização, e tudo o mais, falar também sobre qual é o papel da Comunicação Social no desporto em geral, na divulgação de modalidades, na mediatização de atletas, na exposição dos problemas (há alguns anos atrás o andebol português parou e na CS passou praticamente em claro), na denúncia de questões menos claras e na exaltação das vitórias.
No pólo oposto, e agora que terminaram os Jogos, há que mencionar o excelente trabalho feito pelos comentadores de serviço às diversas modalidades (com excepção do inenarrável José Nicolau de Melo, confesso que é um ódio de estimação, ele e mais os seus superlativos absolutos sintéticos). É verdade que alguns demonstraram alguma dificuldade de comunicação (pudera, só devem ser “chamados” a falar de 4 em 4 anos), transmitiram uma excitação maior que o desejável, porventura por terem a oportunidade de falarem para uma plateia nacional, ou simplesmente por terem a rara chance de partilharem os seus conhecimentos sobre o desporto que seguem, mas no geral foi realizada uma cobertura isenta, na qual as transmissões foram acompanhadas com detalhes relevantes (informações de índole técnica, informações sobre os diversos atletas, historial, etc), e em que, acima de tudo, foi partilhado pelo comentador a sua paixão pelo desporto em causa, o que acaba por contagiar o espectador, mesmo quando se tratavam de modalidades um pouco mais “exóticas”. Neste particular, destaco o Professor Luís Lopes, que comentou o atletismo na RTP. O senhor é uma autêntica enciclopédia da matéria; rankings, marcas, factos engraçados sobre os atletas em competição, capacidade de comunicar, isenção e objectividade, isto sim é o verdadeiro serviço público, sem clubismos nem preferências, sem entrar em polémicas ou discussões laterais, sem mencionar a programação da noite (sic, sic…). Jorge Tormenta (andebol), Marco Chagas (ciclismo), Pedro Roque (ginástica), Tiago Girão/Paulo Cunha (natação) são apenas alguns daqueles que ajudaram ainda mais a melhorar a experiência que é seguir as Olimpíadas.
Por último, referir alguns nomes relevantes nestes Jogos, e até no desporto nacional. Em primeiro lugar, e porque para vencer é preciso também bom equipamento, a Nelo, empresa portuguesa produtora de caiaques e canoas, e que foi presença assídua em muitas, ou mesmo, em todas as finais de canoagem. Depois, Rui Carvalho, que apitou a final de volei de praia masculino (não recebeu medalha, nem diploma, e duvido que o Cavaco lhe dê uma comenda); e por último, Carlos Ramos, o árbitro da final de ténis masculina, que conta no currículo com presenças em finais de todos os torneios do Grand Slam, mas que mesmo assim não tem tanto tempo de antena como outros mestres do apito. Estes senhores também elevaram, com a sua dedicação, e qualidade do seu trabalho, o nome de Portugal.
Até aqui a quatro anos.
Nuno Ranito

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