Os defesas centrais canhotos/esquerdinos são uma raridade no futebol moderno, embora algumas equipas de topo continuem a preferir ter no plantel um central (pelo menos) que jogue preferencialmente com o pé esquerdo, do que terem 4 que jogam preferencialmente com o direito. Numa dupla de centrais, é importante a existência de um central canhoto, já que esse elemento irá beneficiar a equipa na primeira fase de construção (inclusivamente, poderá integrar-se na acção ofensiva criando desequilíbrios na defesa adversária) e na ajuda ao defesa lateral do seu lado, uma vez que, sendo esquerdino, poderá recuperar a bola e sair a jogar como se fosse ele o lateral, ficando o respectivo lateral a fechar ao meio. O esquema táctico é igualmente importante para definir se é ou não prioritária a existência de um central esquerdino no plantel. Nos sistemas tácticos que exijam a presença de 3 centrais, torna-se evidente e necessária a presença de, pelo menos, um central canhoto que alinhe no posto mais à esquerda dessa defesa. O Nápoles é um exemplo disso, uma vez que Federico Fernández, Aronica ou Britos são preponderantes no esquema táctico de 3-5-2, de Walter Mazzarri. Como referi anteriormente, são cada vez menos os defesas centrais canhotos no futebol moderno, mas ainda assim, serão diversos os clubes de topo do futebol europeu a possuírem (pelo menos) um central canhoto no seu plantel:
– Daniel Agger: O central do Liverpool é um dos melhores do futebol europeu e serve-se do seu pé esquerdo para avançar no terreno inúmeras vezes, acabando essas acções do dinamarquês muitas vezes em remates do próprio;
– Joleon Lescott: O central do Manchester City não é propriamente um prodígio de técnica, mas é titular e, além disso, é outro exemplo de um central esquerdino de um clube de topo, o actual campeão de Inglaterra;
– Thomas Vermaelen: O belga é um dos centrais mais goleadores da Europa e marca muitas vezes com a camisola do Arsenal (alguns desses golos são de meia distância), sendo, por isso, muito bom a avançar no terreno com a bola controlada;
– Jan Vertonghen: O novo reforço do Tottenham é um dos centrais com mais técnica dos últimos anos, podendo, inclusivamente, ser utilizado a médio. Foi considerado o melhor jogador da última Eredivisie, marca muitos golos de meia distância e de livre e, por último, coloca muito bem a bola à distância;
– Francesco Acerbi: O central italiano acaba de chegar ao AC Milan, vindo do Chievo, e promete lutar por um lugar no 11 com Mexès, Bonera e Zapata;
– Walter Samuel: O experiente argentino de 34 anos continuará a ser titular no eixo central da defesa do Inter de Milão. É mais conhecido pela sua agressividade do que pelo talento dos seus pés, mas ainda assim é um central fiável e que marca golos;
– Giorgio Chiellini: O patrão da defesa e vice-capitão da Juventus é um indiscutível no 11, quer seja a central, quer seja a lateral esquerdo. É o melhor defesa italiano da actualidade e um dos melhores do futebol europeu, sendo ainda importante no jogo aéreo ofensivo e defensivo da sua equipa;
– Leandro Castán: O novo reforço da Roma fez excelentes temporadas ao serviço do Corinthians e promete destacar-se na defesa romana;
– Mamadou Sakho: O jovem central de 22 anos terá dificuldades em impor-se na defesa do PSG, frente a companheiros de equipa como Lugano, Alex e Thiago Silva. No entanto, é um excelente central e tem qualidade técnica no seu pé esquerdo;
– Víctor Ruiz: O central espanhol de 23 anos é titular no Valência e tem dado boas indicações nos últimos dois anos, podendo vir a ser um dos melhores centrais do futebol europeu nos próximos anos;
– Dante: O novo reforço do Bayern de Munique tem grande qualidade e, sendo brasileiro, apresenta uma qualidade técnica assinalável para um defesa central, saindo muito bem a jogar;
– Holger Badstuber: O central alemão formado nas escolas do Bayern é um indiscutível no seu clube e na Mannschaft (poderá ter problemas com a chegada de Dante ao colosso alemão) e tem qualidade técnica no pé esquerdo para fazer um passe de média/longa distância ou sair a jogar;
– Marcos Rojo: O Sporting adquiriu neste defeso um central canhoto, que pode ainda desempenhar as funções de lateral esquerdo, que irá ser um indiscutível no 11 leonino. Tal como outros que referi anteriormente, é forte no jogo passe longo e no transporte de bola.
Era importante todas as equipas terem um central canhoto no plantel? Ou é um factor irrelevante? Quais as vantagens de um central esquerdino? Além destes, que outros centrais que usem preferencialmente o pé esquerdo tinham qualidade para representar as melhores equipas do futebol europeu? Qual o melhor central esquerdino da actualidade?
Rodrigo Ferreira
Rodrigo Ferreira

