Os clubes que são reconhecidos por terem academias de formação de qualidade (os holandeses estão extremamente indignados com esta situação) ficam assim impedidos de dar seguimento à formação do atleta, por dois motivos: porque não têm capacidade financeira e porque o próprio jogador não quer prosseguir no clube, visto que tem a oportunidade de se transferir para um emblema de topo mundial. Recentemente, o Sporting também não conseguiu manter duas das suas principais promessas: Agostinho Cá (tinha contrato profissional que terminava no próximo ano) e Edgar Ié (contrato de formação que também chegava ao fim em 2013), que não quiseram renovar com o clube de Alvalade e irão para o Barcelona (aparentemente por 2,5 milhões), depois de terem estado com um pé no Inter de Milão. Este é um caso do que o mau aconselhamento (da parte dos empresários, à espera de comissões chorudas) pode provocar (isto sem saber se os jogadores terão ou não sucesso, mas irem para uma equipa sénior com muitas opções nesta altura à partida não parece a melhor opção).
Dando um exemplo concreto que dá conta da dimensão e influência dos empresários na transferência das estrelas do futuro, vejamos a mudança de Lucas Piazón para o Chelsea. O craque brasileiro iniciou a formação no São Paulo, deu nas vistas e chamou a atenção do clube londrino, que o contratou quando tinha apenas 17 anos (deixando-o ficar no seu país até atingir a maioridade). A transferência no total custou aos Blues cerca de 7,5 milhões de euros, com 1,5 milhões a irem directamente para Giuliano Bertolucci, o empresário.
A questão aqui não é saber se os jogadores se vão ou não afirmar no clube (na grande maioria dos casos até têm qualidade para isso), pois isso depende de vários factores. Mas a probabilidade não seria maior no emblema de origem? Por exemplo, Agostinho Cá e Édgar Ié não teriam mais oportunidades no Sporting do que no Barça B (que tem bons jogadores, Bartra para central, Sergi Roberto e Riverola no meio campo, entre outros)? Mas de quem é a culpa nestes negócios das estrelas do futuro, dos clubes endinheirados, dos empresários ou dos próprios jogadores?


