A carreira de futebolista é vista, frequentemente, como uma carreira de curta duração. Na verdade, se apenas considerarmos a vertente remuneratória, de facto podemos olhar para este percurso profissional, como um percurso curto, de “apenas” 15/20 anos. No entanto, hoje, na grande maioria das academias de topo é frequente vermos atletas que a partir dos seus 10 anos são trabalhados de uma forma profissional. Estes pequenos atletas estão sujeitos à mesma pressão e à mesma exigência. Toda a sua vida pessoal está condicionada pela prática e apenas não têm o mesmo foco mediático da equipa sénior. Durante toda a vida os atletas de alta competição são expostos a inúmeros estímulos e fatores stressantes que podem muitas das vezes ditar o sucesso ou insucesso de uma carreira. No meio de todos estes estímulos, sabemos que existem dois momentos altamente desafiadores para qualquer atleta. O processo de transição para o pós-carreira e o processo de transição para atleta sénior. Foquemos agora no segundo momento.
Com a disseminação de informação, muitos de nós vai conhecendo alguns jovens dos nossos escalões de formação. Jogadores que são apontados como promessas e que mesmo sem muitas vezes vermos um único jogo do jogador em questão, esperamos que atinja um patamar de top mundial. Xadas, Rui Pedro, Geraldes ou Zé Gomes, são apenas alguns exemplos de jogadores que tardam em confirmar o potencial que lhes era diagnosticado. A transição para o futebol sénior acaba por ser um processo bastante pessoal e individual e nem sempre as expectativas que eram depositadas em tenra idade acabam mais tarde por serem confirmadas. É neste momento de transição, que muitos clubes optam pela possibilidade de um empréstimo. Procuram um emblema de menor nomeada, onde esperam que os seus atletas possam dar o salto qualitativo necessário. Contudo, grande parte dos empréstimos parecem ser decididos em cima do joelho e sem o mínimo de planeamento, sentido ou rigor. É importante antecipar de que forma um jogador que está habituado a instalações de topo, que treina com o melhor material possível que treina em relvados bem tratados, irá lidar com esta diferença abrupta de realidade. É importante perceber de que forma um atleta que se habituou desde de cedo a lutar por títulos no seu clube de formação irá lidar com o facto de estar a lutar pela permanência. Por fim, parece-me importante perceber quais os objetivos de emprestar determinado atleta a um determinado clube. Corria a época 2014/2015, quando o jovem Gonçalo Paciência foi emprestado à Académica de Coimbra. Será que o papel que desempenhava o ponta de lança no modelo de jogo dos estudantes iria permitir ao jovem português desenvolver aspetos no seu jogo que seriam úteis para ser o ponta de lança do F.C. Porto?
Os empréstimos podem ser uma excelente opção para esta fase de transição e podem ser fundamentais para a assegurar o pleno desenvolvimento de um jogador. No entanto, parece-me que em pleno século XXI, a grande maioria dos empréstimos seguem uma lógica de compadrio, onde não existe qualquer planeamento nem acompanhamento do atleta em questão, deixando-o dessa forma entregue a si próprio. Facilmente culpamos atletas que não singraram no futebol sénior, quando muitos deles apenas foram vítimas da anarquia dos empréstimos.
Visão do Leitor: Santander


29 Comentários
kanjy6
Não acho os empréstimos úteis na actualidade, muito menos nos jogadores jovens, e porquê?
Ora da parte do clube emprestador porque vai emprestar ao clube amigo e não ao clube que melhor potenciaria o jogador, ao que recebe porque como nem sempre queria o jogador não vai valorizar muito o activo, e ao jogador porque vai ser apenas um número, e no ano seguinte estará noutro clube, ora qual a solução?
Para mim seria “simples”, uma oferta do jogador a um clube com cláusulas futuras de recompra, % de lucro da transferência, e até pagamento ao fim de X jogos (pode vir a ser um jogador importante em Braga e não o ser em Alvalade).
Isso iria fazer comprometimento do clube que recebe em apostar no jogador (pois além da parte desportiva, teria o possível lucro financeiro)…
Goncalo Silva
Esse exemplo do Gonçalo Paciência foi na mouche. O Gonçalo na altura pedia uma equipa que se conseguisse instalar num meio campo adversário, e não que se neta lá atrás e saia no contra-golpe, porque claramente não é um jogador de muita arrancada. Principalmente nessa altura o Porto tinha excelentes relações com o Vitória SC, e se tivesse sido emprestado a eles todos teriam ganho porque o Gonçalo seria potenciado e podia ter integrado o plantel no ano seguinte, para depois ser vendido por uma bela quantia.
Ele acabou por dar bem a volta no outro Vitória, creio que era Couceiro o treinador na altura. Conseguiu ganhar muita visibilidade e com isso sair do Porto para o Eintracht para finalmente evoluir como deve ser. Acho sinceramente que Couceiro lhe salvou de uma carreira de sucessivos empréstimos sem resultado.
Knox_oTal
Boa reflexão, há muitos casos de má gestão desportivas de jovens valores devido à falta de planeamento (se bem que em muitos casos também há desleixo dos jogadores obviamente).
O caso do José Gomes para mim é o exemplo perfeito de TUDO o que não se deve fazer… hype desmesurado com patrocínio do clube, chamada extemporânea à equipa principal sem o jogador estar pronto, “despromoção” quando não conseguiu agarrar a oportunidade e quase desinvestimento total no jogador, acabando emprestado a um Portimonense sem rumo que nem os seus próprios jogadores potencia nesta fase! Não digo que o Zé Gomes tivesse potencial de topo mundial, mas tinha evidentemente potencial a explorar tivesse havido outra abordagem e acompanhamento. Não podemos estar sempre a reclamar da falta de qualidade dos nossos pontas-de-lança e depois desperdiçar talento e potencial desta maneira!
Nesta lógica, o Paciência é outro caso gritante… felizmente parece ter encontrado o seu espaço na Alemanha (falta se estabilizar como parte do onze inicial), mas parece-me que mesmo assim já vai tarde para alcançar plenamente o que o seu potencial lhe poderia ter permitido. E a culpa disso foi da deficiente gestão da sua carreira de quando era mais jovem…
Já se fala há muito de uma reforma do nosso futebol, e algumas mudanças deveriam passar por aqui: a promoção dos nossos jovens talentos! Pelo menos dar-lhes um contexto mais favorável para ganharem o seu espaço, tendo SEMPRE a qualidade como critério principal. Uma equipa competitiva não se faz só de formação obviamente, longe disso até, mas no contexto do nosso futebol é o caminho que melhor o rentabiliza e o torna sustentável. Na melhor das hipóteses, um clube poderia integrar de forma positiva um a dois jogadores da formação, mas basta um Trincão ou um Diogo Jota desta vida para as mais-valias para o clube, desportiva e financeiramente, serem muito significativas. E quem fala em formação, fala em scouting igualmente, onde o recente caso de Tapsoba no Vitória é outro caso de sucesso.
O resto terá ser conciliado pela visão e política dos clubes, mas igualmente pelos regulamentos da Liga. Uma limitação das inscrições de jogadores por parte dos clubes em competições profissionais deveria ser revista, complementada com cotas de jovens formados localmente mais significativas nos plantéis! Outra medida para bem dos clubes e da competitividade na minha opinião seria a limitação do número de contratos profissionais permitidos por clube, mas não sei até que ponto seria possível a implementação desta regra em termos legais, mas poderia ser útil para atenuar o “efeito eucalipto” que se vê actualmente na nossa Liga.
Saudações Desportivas e parabéns pelo texto ao autor
Kacal
Um empréstimo tem que ser bem pensado, caso contrário mais vale deixa-los na equipa B onde podem jogar com regularidade e sentir-se importantes, jogando contra os mais velhos porque na II divisão há veteranos e sempre ajuda na competitividade.
Jogar numa 1ª Liga ou mesmo fora do país numa 1ª divisão de campeonatos periféricos é muito útil para o jogador ganhar responsabilidade, jogar num nível mais competitivo e assim evoluir e maturar para voltar mais forte ao clube Mãe, sair da zona de conforto é sempre positivo e traz aprendizagem e evolução, pelo menos na maioria dos casos.
No entanto, só vale a pena pensar num empréstimo dependendo de certas condições. Tempo de jogo (se o clube a que vamos emprestar tem muitos jogadores para a posição ou não, se tem muita qualidade na posição ou não porque isso irá definir se jogam com o emprestado ou apostam e potenciam os seus, se tiver poucas opções e qualidade na posição, empresta-se), protagonismo (se terá tempo de jogo suficiente e será aposta contínua tendo pressão sobre si e possibilidade de assumir protagonismo) e capacidade/qualidade quer de rendimento/objectivos, quer de nível de jogo jogado e filosofia de jogo (objectivos que lutam na classificação e qualidade do futebol jogado porque lutarem por um top10 em Portugal na 1ª Liga ou pelas competições europeias e lutar pelo titulo em campeonatos periféricos é diferente de andar a lutar pela permanência seja onde for. Além disso há que emprestar a um clube que opte por um futebol de ataque, que tente olhar nos olhos do adversário e assuma alguma coisa em campo e onde o tal jogador seja testado e fornecido dependendo se for defesa ou médio/avançado, respectivamente. Ou seja, uma preparação idêntica à aquela que terá ao jogar no clube Mãe).
Num 2º patamar a competitividade, dureza e intensidade de um campeonato pode também ser um factor, mas sendo emprestado na 1ª Liga é a mesma onde jogam os três “grandes” portanto não se aplica, mas emprestar a um Championship de Inglaterra é o mesmo que emprestar a uma 1ª Liga, por exemplo.
Mas é isto, ao emprestar é preciso pensar bem e deixar definido com o clube que recebe o emprestado quais as condições e acertar certos pormenores, caso contrário mais vale manter na equipa B. Agora um empréstimo dentro destas condições que referi sendo favoráveis, para mim vale a pena sempre e é algo necessário após 1-2 épocas de equipa B vindo dos juniores, será o passo seguinte natural, a não ser que seja um prodígio que na equipa principal tenha uma oportunidade e agarre, mas geralmente é o passo seguinte natural e pode resultar caso seja um empréstimo bem pensado e executado.
Francisco Ramos
A maioria dos empréstimos não é utilizada como benéfica para o jogador mas sim para o clube que cede e o clube que recebe, muitas vezes com a obrigatoriedade do dedo do empresário.
O empréstimo do Gonçalo Paciência já foi mais que debatido com o Kacal, Ricardo ou Tiago, sendo que quando é emprestado à Académica é completamente sem nexo e quando corre bem no Setúbal vamos buscar no mercado de Inverno para ficar meio ano parado. E depois é vendido ao desbarato quando valia bem mais e podia ser mais útil que os 10M por Zé Luís, por exemplo. Toda a sua carreira enquanto jogador com contrato no Porto foi absolutamente mal gerida. E quem diz este caso diz muitos outros, além do Rui Pedro. Basta olhar para a carreira de Chidozie no Porto para se perceber qual o interesse na evolução do jogador e no rendimento financeiro que se lhe pode retirar.
Se mudarmos de clube, o Benfica tem exactamente os mesmos erros. Zé Gomes no Portimonense ia jogar quando? Apesar de ter um futebol atractivo (sem resultados), o jogador estava completamente tapado por Jackson Martinez, entre outros. Contudo, geriu muito melhor os seus activos que os empréstimos que o rival do Porto (Diogo Gonçalves, Pedro Pereira, Krovinovic, etc).
Judge_Dredd
Há um paralelismo entre o André Silva e o Rui Pedro.
A diferença é que o André Silva foi aposta e o Rui Pedro não.
Acho que o Rui Pedro nunca recuperou psicologicamente dessa falta de aposta quando achava que iria ser lhe dada a mesma margem de manobra que foi dada ao André Silva.
E tendo em conta acontecimentos recentes(morte subita do pai), temo que Rui Pedro nunca recupere
Francisco Ramos
André Silva e Rui Pedro coincidiram no Porto numa altura em que o clube encontrava-se num ciclo de derrotas no campeonato (é atingido o Tetra por parte do Benfica), pelo que era complicado haver apostas em tantos “miúdos” ao mesmo tempo.
Rui Pedro, ao contrário de André, sabe que teve minutos no final daquela época por uma série de circunstâncias, nem sequer fazia parte do plantel ao contrário do primeiro. O problema não está aqui, está depois.
Numa tentativa de consolidação é decidido emprestar na época seguinte. E qual o clube escolhido? Boavista! Além de terem um futebol completamente defensivo e aos repelões de contra-ataques e bolas aéreas (que não favoreciam o jogador), tinham na sua fileira vários jogadores mais maduros que fizeram com que nunca tivesse sido aposta. O que se faz a seguir a uma época sem minutos? Fica meia época a marinar novamente na B, mas sem minutos e a seguir é emprestado ao Varzim (um passo atrás) que tinha um futebol não muito diferente de nós (lutávamos pelo mesmo objectivo) e onde a nossa estrutura não conseguia controlar tanto o seu desenvolvimento. Por fim, costuma-se dizer um passo atrás para 2 em frente, e a quem é emprestado? Ao Granada B que disputa a terceira divisão espanhola (mais um passo atrás, parece-me) e a seguir voltamos a ir buscar para colocar no Leixões (novamente com objectivos semelhantes aos nossos). Onde é que isto parece uma carreira bem gerida?
Infelizmente os problemas pessoais fizeram com que a espiral negativa fosse ainda maior, mas o problema não foi a não aposta, foi o que foi feito a seguir e o acompanhamento que foi dado (e neste caso não foi).
Judge_Dredd
O trajecto é igual na medida em que o André Silva aparece na fase final de 2015/2016 foi lhe dada 4 jogos a titular antes de marcar golo e depois termina essa epoca em grande com 2 golos na final da taça.
Na epoca a seguir (2016/2017) NES aposta nele.
O Rui Pedro aparece em 2016/2017 nas mesmas circunstancias que André Silva no ano anterior ou seja a espaços embora o André Silva tivesse tido ao inicio da sua aposta mais tempo de jogo.
Rui Pedro faz 2 golos em meia duzia de minutos.
Em 2017/2018 André Silva sai para Milão e NES tb sai.Entra S.Conceição e Rui Pedro pensou que ia ser aposta tal como André Silva foi antes dele.
Não foi e a partir dai foi uma espiral negativa que sabemos
Q
Manel Ferreira
Francisco, e que tal dar um bocadinho de responsabilidade ao Rui Pedro também? Isto é um jogador de quem até o próprio Sérgio Conceição questionou o profissionalismo, um jogador que teve problemas de peso, provavelmente com uma alimentação pouco cuidada. Mas a culpa é de todos menos dele? Com esta desresponsabilização toda, não hão de eles andarem sempre mimados…
O Rui Pedro no Boavista até teve várias oportunidades e o tipo de jogo dele é semelhante ao do Mateus, que tem sido um sucesso aqui, portanto nem vou por aí. Eu até gostei mais dele do que do Ruiz – esse sim, uma nulidade – mas via-se logo que não estava com cabeça para isto. Depois, foi encostado pelo Jorge Simão, numa medida que teve obviamente a ver com questões extra-futebol (falava-se aqui de atrasos aos treinos e até de chegar com uma bebedeira).
Em relação ao pai, obviamente que lamento – também perdi o meu – mas se isso é um “tipping point” assim tão grande é porque o rapaz já não é muito forte mentalmente para começar.
Um bocadinho de responsabilização, só isso.
RicardoFaria
Subscrevo totalmente Francisco!
Acredito que Rui Pedro tenha tido culpa mas o Porto tem muita mais culpa devido a gestão péssima que fez a carreira do miúdo..
Saudações DesPortistas!
Francisco Ramos
Ricardo, pego no teu comentário e faço uma resposta geral.
Obviamente todos os jogadores têm culpa no sucesso ou insucesso da sua carreira profissional (tal como em todas as outras profissões), basta ver o caso de Cristiano Ronaldo ou Fábio Paím. Só talento não é suficiente nos dias actuais tal a evolução que o futebol teve e aqui é apenas responsabilidade de Rui Pedro (talvez um mental coach tivesse ajudado ou um empresário diferente, não sei).
Agora é inegável que a grande parte da culpa está no clube. Se me colocarem a trabalhar virado para a parede, vou desmotivar. Se gerirem mal a minha progressão de carreira, vou desmotivar. Um jogador é uma profissão como as outras e a maneira como foi gerida toda a carreira de Rui Pedro após aquela meia dúzia de minutos é completamente amadora. Entre empréstimos mal geridos, despromoções sem nexo, etc. Se um jogador é um activo do clube, devemos fazer um melhor por ele. Precisa de acompanhamento? Damos! Precisa de um tutor? Damos. Precisa de uma folga extra por algo extra-futebol? Tentamos dar. É assim que se gerem as camadas jovens, ou pelo menos, devia ser.
E quem diz o caso de Rui Pedro, diz muitos outros mal geridos nas camadas jovens, por variadas razões. Vou apenas pegar em 2 ou 3, para mostrar o amadorismo que reina.
1º Tomás Esteves. Encostado porque se recusa a renovar. Está obviamente no seu direito mas o erro não foi agora (não quer renovar, não joga). O erro foi quando lhe detectaram potencial não terem renovado logo o contrato. O custo disso num jovem é substancialmente inferior ao de um sénior e se não render o esperado é deixar ir embora com o passe na mão ou, se ainda virem potencial, deixar percentagens do passe de modo a darem retorno desportivo.
2º Galeno. Jogador que desperta interesse na B após duas épocas de grande nível, o passo seguinte é emprestar (e bem) a uma equipa de nível superior. Saí para o Rio Ave, volta a fazer uma grande época e quando volta o que acontece? Não tendo lugar no plantel, é vendido ao desbarato. Aqui foi ainda mais gritante que Paciência.
3º Reyes. Andou de empréstimo em empréstimo até sair a custo zero. Podia não ter nível de central titularíssimo no Porto, mas nunca foi dado uma devida oportunidade. E a saga de empréstimos sem olhar a equipa ou treinador apenas fez com que não desse o retorno financeiro que o seu passe custou. Chidozie está no mesmo caminho.
Esperemos que as eleições façam a parte delas.
Saudações desPortistas.
RicardoFaria
Disseste tudo, mais uma vez!
Saudações DesPortistas!
Rev7
Boavista qual o Rui Pedro é emprestado foi treinado pelo Jorge Simão. Além de ter obtido goleadas e vários jogos com mais posse de bola do que adversário, Jorge Simão tinha uma estilo de jogo que privilegiava a posse o passe curto na maioria dos jogos (e não bola para o ar como falas). Acho que vocês não devem ter visto o Boavista daquele ano e confundem com o do Lito ou apenas vêm os jogos com os grandes que leva a que as equipas mais pequenas joguem mais defensivamente. O Rui Pedro mesmo assim falhou e por culpa própria, cada vez que tinha oportunidade demonstra um enorme egoísmo e sem qualquer ligação com o resto da equipa.
Francisco Ramos
Quem começa a época é Miguel Leal, Jorge Simão apenas entra a meados de Setembro.
Além disso, não consegue ter uma série de 2 vitórias consecutivas sequer.
Pior que isso, é apenas o 13º melhor ataque, sendo que apenas conseguiu vencer marcar 3 ou mais golos – para goleada – em 3 jogos e só venceu 1 desses jogos (empatou outro e perdeu outro).
Por fim, recorreu muito mais aos jogadores dito consagrados, como Mateus, Kuca, Renato Santos ou o Njie (muito potencial na altura), do que a jovens promessas. Isso é comprovado até pela média de idades do plantel do Boavista na altura.
Obviamente Rui Pedro tem a sua culpa no cartório, e não é pouca visto ser recorrente os empréstimos não serem bem sucedidos, mas a escolha da equipa para jogar em 17/18 não potenciava sequer o seu estilo de futebol ou se enquadrava na aposta de jovens jogadores (coisa que o Boavista nunca foi, tal como o Porto).
E atenção, eu não estou a criticar o Boavista em momento algum. Cada um escolhe os jogadores, treinador e estilo de futebol que pretende. Estou a criticar quem autorizou que o jogador fosse emprestado ao Boavista.
Espero ter esclarecido. Saudações desPortistas.
Mantorras
Excelente texto. Ja muitas vezes refleti sobre isso e sinceramente nao tenho opiniao definitiva. E um cliche, mas e preciso ver caso a caso. Ha jovens que devem entrar logo na A, outros que devem afirmar-se sempre na B, e manterem-se no seu ambiente e aconchego, ganhando competitividade mais tarde na A e outros que se devem emprestar e voltam mais fortes. Nao acho que todos devam ser emprestados. Depois, ainda dentro dos que devem ser emprestados, cada situacao deve ser muito bem pensada, o clube de destinado e o treinador que o recebe tem que contar com o miudo e ele estar disposto a ir dar tudo, senao nao vale a pena.
Knox_oTal
Concordo, o empréstimo em si é apenas mais uma “ferramenta” e como tal depende da forma como é utilizada. No caso dos jovens jogadores isso ainda ganha maior relevo pois, tal como referes, deve haver uma abordagem personalizada e um planeamento prévio!
Outra coisa importante é ter a tal “segurança” que o treinador da equipa que vai beneficiar do empréstimo tenha efectivamente interesse no jogador! Infelizmente muitos jovens são utilizados como “peões” de nos jogos de bastidores e das relações institucionais dos clubes, mas pouco se pensa no que realmente importa na perspectiva do jovem emprestado… a componente desportiva e de evolução!
Saudações Desportivas
Mantorras
Verdade, e facil imaginar uma negociacao entre grande/pequeno onde se prometem um par de jovens emprestados durante uns anitos como medida de compensacao. Ainda sem se saber quem sao, etc.
OMotoqueiroGuti
Um texto interessante e pertinente. A não evolução do jogador está ligada a muitos factores. Um deles, que aparentemente não foi focado, está ligado à incontinência verbal e à expectativa desmesurada que por vezes rodeiam o jogador em questão.
E ele, por vezes convencido que já é um craque, cai numa espiral de vitimização que o leva a tomar más decisões.
Quaresma, por exemplo, admitiu que fez mal em querer sair tão cedo do Barcelona. Achava ele, iludido com o que lhe diziam no seu círculo pessoal, que já tinha mais capacidade que Overmars e Luis Enrique. “Pois”.
Falando no meu Sporting, ainda me lembro quando se dizia que não apostar no Francisco Geraldes (19 anos) era um atentado ao clube e, consequentemente, motivo para demitir Jesus. As expectativas eram, de facto, elevadas. A ideia que o treinador tinha “má-vontade” foi muito disseminada. Hoje, mais velho e experiente, pode dar criatividade ao meio campo.
No caso dele, não houve má escolha dos clubes por onde esteve. Houve alguma infelicidade: Bruno Fernandes no plantel, lesão na Alemanha e saída de Miguel Cardoso da Grécia. Acontece. Agora, com trabalho, pode vingar por cá.
Também no universo Sporting… Gauld. Muito mal gerido. Deveria ter começado por um clube como o Farense. Daniel Bragança teve essa sorte.
Judge_Dredd
Há um grande numero de factores que influencia o sucesso ou insucesso de um jogador no profissionalismo.
Vou dar a minha opinião sobre os 4 futebolistas aventados no artigo:
Xadas – apareceu muito bem na equipa B e naturalmente saltou para a equipa principal.
A sua primeira epoca deu indicações interessantes (especialmente ao inicio)até porque a concorrencia era pouca(João Carlos Teixeira emprestado pelo FCP foi sempre irregular).
Na epoca seguinte teve de assistir á chegada de Claudemir, de Palhinha (tendo este se afirmado como um esteio da equipa) e ao crescimento de Ricardo Horta(deixou as faixas e começou a jogar mais centralizado retirando espaço a Xadas).
Esta epoca antes do emprestimo ao Maritimo regressou André Horta e houve a ascensão metorica de Trincão, retiraram lhe o espaço que restava.
O problema de Xadas não foi anarquia de emprestimo(até porque a opção Maritimo não é de todo má) mas sim os outros serem neste momento melhores que ele.
Geraldes – aqui não vejo problemas nos primeiros emprestimos.As passagens por Moreirense e Rio Ave foram muito boas.
A diferença é que na epoca a seguir ao Rio Ave (2018/2019) não lhe é dada hipotese de integrar o plantel(ainda que suplente de Bruno Fernandes).
O novo emprestimo ao E.Frankfurt começa mal por causa da lesão da vertebra da coluna e nunca jogou.
A partir daí nunca mais se encontrou até hoje.
Mais um que não foi o caso de maus emprestimos mas sim de falta de aposta/lesão.
Rui Pedro – este é talvez o caso mais enigmatico.Ascensão meteorica até a chegada a primeira equipa do FCP.Quando chega inclusivé resolve jogos(golo ao Braga em casa) e sempre que é utilizado mexe com o jogo.Acaba com 2 golos essa epoca com uma utilização de meia duzia de minutos sem titularidade.
Quando na epoca a seguir chega S.Conceição e depois de uma pré epoca onde foi o 2º melhor marcador atrás de Aboubakar é dispensado ao Boavista.
Apenas lembrar que na epoca anterior ao aparecimento do Rui Pedro na equipa principal apareceu André Silva que teve direito a 4 ou 5 jogos a titular sem marcar golos até fazer o primeiro e na epoca a seguir foi aposta do NES (inclusivé dispensando Aboubakar para o Besiktas).
O Rui Pedro precisou de menos tempo que André Silva para ser decisivo mas nunca foi aposta (S. Conceição preferiu apostar no musculo).
Tem acumulado falhanços Boavista, Varzim, Granada.Tinha regressado ao Leixões esta epoca, t
Tem se falado muito sobre um suposto pouco profissionalismo(noites e pouco dado a trabalhar) e até de uma latente falta de humildade mas acho que a maior razão foi psicologica.
Talvez tenha imaginado que lhe ia ser dada a margem que foi dada ao André Silva para se afirmar e o treinador não o quis.
Aparentemente nunca recuperou desse baque.
Podemos discutir a opção das equipas a que foi emprestado(Boavista não seria decididamente a melhor opção para as suas caracteristicas).
Esta semana perdeu o pai em que aumenta o nivel do desafio psicologico e emocional que terá de ultrapassar para se afirmar definitivamente e mostrar todo o talento que tem.
Zé Gomes – mal saiu dos juniores e chegou a equipa B as dificuldades foram notórias.Não tinha os predicados (especialmente ao nivel da percepção e inteligencia de jogo) para futebol profissional.Os 3 anos que se seguiram foram de declinio.A hipotese Legia desta epoca foi uma saida de forma a tentar dar um choque ao jogador.
Não acho que também que tenha sido má opção.
Em jeito de conclusão todos os jogadores são influenciados de forma diferentes quer por situações identicas quer por situações diferentes.
Antonio Clismo
O problema do Rui Pedro e o Zé Gomes é mental. Não foi por falta de oportunidades que não renderam.
Por exemplo no caso do Zé Gomes fez mais de 100 jogos pela equipa B do Benfica numa competitiva Segunda Liga. Se não quis aproveitar isso é com ele.
Nesse tipo de casos por vezes só um empréstimo a um clube bem longe serve para fazer os jogadores acordarem para a vida e a valorizar as oportunidades que receberam.
É pena, porque só se vão arrepender quando já tiverem 27 ou 28 anos e aí já não dá para voltar atrás e repetir tudo outra vez.
Judge_Dredd
O do Zé Gomes é mais profundo que mental.
Já na equipa B o seu rendimento caiu a pique.
O Rui Pedro teve bem na equipa B e atingiu um patamar superior(chegou a fazer golos pela equipa principal do FCP com poucos minutos).
O Rui Pedro tem muito mais talento que o Zé Gomes
Antonio Clismo
O Rui Pedro esteve bem na equipa B?
Depois de ter descido dos séniores recusou-se a jogar e fez a vida negra aos dirigentes e treinadores e por isso é que o emprestaram sempre a clubes que apareciam sem pensar se seria bom para o seu estilo de jogo.
Os empréstimos ao Boavista, Varzim e ao Granada B não fizeram sentido nenhum mas temos de ver que se tratava de um jogador que estava a fazer implodir o balneário do Porto B.
Judge_Dredd
Esteve bem na B no periodo antes de chegar aos seniores.
Depois de ter chegado aos seniores bate certo com o que eu digo, pensou que ia ser aposta na epoca a seguir e S.Conceição preferiu outros
AngeloGJ
Depende, ha emprestimos que fazem sentido e outros que fazem pouco sentido, se formos olhar para os emprestimos bem sucedidos no FCP, vemos que os treinadores sempre tiveram dedo, ou seja foram os treinadores que decidiram que clube o jogador X deveria ser emprestado, Fernando “O Polvo” foi contratado ao Estrela a pedido de Jesualdo e a ordem de Jesualdo voltou a ser emprestado ao Estrela com prespectiva de na epoca seguir substituir o Paulo Assuncao, aconteceu o mesmo com Ricardo Pereira, Lopetegui decediu que deveria ser emprestado ao Nice e voltou um jogador de nivel alto europeu, portanto parece-me que os emprestimos podem fazer sentido mas é preciso reflectir bem em qual clube o jogador X podera evoluir mais, melhor e mais rapidamente, se formos falar em Portugal, sao poucos os dirigentes com essa capacidade, normalmente sao os treinadores que teem essa destreza mas infelizmente os treinadores nem sempre acertam e nem sempre se envolvem nos emprestimos de todos os jogadores, os emprestimo sao uteis e sempre serao tudo depende de qual é o plano desportivo para o jogador, nem todos sao o Joao Felix, ha outros que podem chegar a um patamar semelhante mas para tal precisam passar pela etapa do emprestimo, agora os compadrios e etc, nem sei se isso existe verdadeiramente estou mais tentado em acreditar que ha sim um desleixo e ma gestao por parte do clube que detem o passe do jogador como é o caso do FCP
Santander
Só uma questão! Quando refiro compadrio não me refiro a práticas ilícitas… Mas muitas vezes dá a ideia que determinado jogador vai para um clube porque os presidentes até se dão bem e são amigos e etc, negligenciando dessa forma a vertente do desenvolvimento desportivo, que na minha ótica terá de estar sempre em 1º lugar
RicardoFaria
Correção: o Fernando não foi contrato ao Estrela, foi contratado ao Vila Nova do Brasil e depois foi emprestado ao Estrela.
Saudações DesPortistas!
Antonio Clismo
Texto muito interessante. Considero os empréstimos uma ferramente que pode ser muito útil para alavancar a evolução de um jogador.
Por exemplo, um jogador com o talento de Domingos Quina, que parece completamente posto de lado na Premier League, o que recomendariam para a sua carreira neste momento?
E quanto ao Diogo Dalot e ao Miguel Luís? (dei estes exemplos como poderia dar outros)
Na minha opiniao, o empréstimo seria a única forma de pô-los a mexer e a começar a dar algum rendimento:
Quina poderia ir por empréstimo para Itália onde poderia evoluir nos aspectos que mais precisa.
Dalot poderia ser emprestado ao Ajax onde poderia ter tempo de jogo e assumir-se como titularíssimo com a saída do Dest.
Miguel Luís deveria ser emprestado a um clube da Primeira Liga como o Setúbal para se ver se tem qualidade para este nível ou não.
Ficarem nos seus clubes actuais, completamente tapados e apenas a fazerem treinos, com estas idades, é muito prejudicial para as suas carreiras.
DiogoC
O problema dos empréstimos agravou se com a viragem dos grandes europeus para os jovens jogadores quando tinham por hábito comprar jogadores feitos. Como raramente teem lugar muito jovens começam na roda viva dos empréstimos (veja se o caso do man city que até compra clubes para eles rodarem).
Uma coisa é um empréstimo de alguém que vem da formação na transição para senior.
Isto resolvia se fosse impedido o empréstimo de alguém que se comprou nos últimos 24 meses. Também deveriam ser impedida opções de recompra. Quando se vende perde se o direito sobre o jogador.
Quando se compra um jogador é porque ou se quer forma lo ou se precisa dele.
Com isto clubes mais de 2a linha teriam acesso a melhores jogadores e assim havia mais equilíbrio. A mesma Lógica se aplica a nível nacional com os grandes.
Antonio Pinto
Acho muito boa ideia o impedimento do empréstimo de um jogador contratado nos últimos 24 meses. Ao atleta era dado mais tempo para se adaptar ao novo clube e vir a ser opção. Mesmo para os clubes pequenos, por os clubes grandes já não contratarem ao desbarato, faria que fossem mais calculosos nas suas aquisições e teriam tempo para potenciar e aproveitar os jogadores vindos da formação.