No ano passado foi mais um jogador do fundo do banco, mas este ano está a dar nas vistas.
Nem Anthony Davis (que defende mais longe do cesto), nem Ibaka, nem Hibbert, nem DeAndre Jordan… Rudy Gobert é nos dias de hoje o melhor rim protector da NBA. O francês, apesar de ter até ao dia de hoje uma média de utilização de “apenas” 21,9 minutos, tem já uma marca impressionante de 2,2 blocos por jogo e é o 4.º jogador com mais blocos totais na Liga, atrás apenas de jogadores com mais de 32 minutos por jogo. Para além disto, o poste dos Utah Jazz é o big man com menor percentagem de lançamento dos adversários. Quer isto dizer que, num filtro de jogadores com mais de 10 jogos e 10 minutos por jogo (o exigível para se comparar), o jovem de 22 anos é o que mais dificulta aos adversários a conversão dos pontos. Os opositores diretos de Gobert tentam em média 7 lançamentos por jogo, e desses 7 convertem apenas 2,6, o que dá uma taxa de acerto de apenas 37,8% (com Ibaka já se ultrapassa os 40%). Ora, tendo em conta que perto do cesto é o lugar mais fácil para marcar os pontos, só por aqui já se pode ver o tremendo impacto defensivo que Rudy tem na sua equipa.
E se antes havia a dúvida se o Center devia ser titular face a Kanter, esta ficou agora dissipada com a troca do turco. Sendo titular, o francês pode dar mais espaço a Favors para crescer ofensivamente, já que não é um jogador como Kanter que lance bastante ao cesto e ao mesmo tempo, cortesia do seu físico impressionante, pode ser uma arma bastante importante ao nível dos ressaltos ofensivos. No entanto como nem tudo na vida são rosas, o jogo ofensivo pode não evoluir o desejado (ou pelo menos evoluir rapidamente), dado que quando era suplente, podia ser uma das principais armas ofensivas da segunda unidade e assim podia ter a oportunidade de explanar mais depressa essa vertente no seu arsenal.
No entanto, com Gobert no 5 inicial ganha a equipa que fica com um frontcourt mais fortalecido defensivamente e que pode ser uma ameaça nas tabelas, tanto defensiva como ofensiva. Se fizermos um paralelismo entre o seu rendimento e o tempo de jogo convertido em 36 minutos (uma ferramenta bastante usada na modalidade), o sophomore (que este ano já deu um ar da sua graça contra a jovem Team USA) tem números de 11,3 pontos (com 63,5% de FG), 12 ressaltos, 1,8 assistências, 1,1 roubos de bola e 3,6 blocos. Isto num ano em que baixou os números de perdas de bola de 2,7 para 1,8 e o número de faltas de 4,7 para 3,5. São 2,18 metros cheios de talento e potencial, que a continuar a evoluir a este ritmo, o vão transformar num jogador de elite e num implacável game-changer.
Fábio Teixeira



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Luís Borges
Excelente artigo Fábio, muito bem trabalhado.
O Gobert, de facto, é um dos jogadores a quem devemos prestar mais atenção na atualidade da NBA. É um prodígio defensivo que tem um feeling extraordinário na arte de desarmar lançamentos. O potencial está todo lá, em bruto, para ser mais do que um simples shot blocker e stopper defensivo. Acredito que pode aumentar ligeiramente o seu arsenal na ofensive side. Basta ter aquilo que para os americanos é um jogador com "good hands", ter capacidade para ser fiável a finalizar nas zonas debaixo do cesto e marcar uns pontinhos, ser agressivo no ressalto e conseguir ser efetivo no pick and roll.
A verdade é que quando o Gobert chegou aos Utah, os responsáveis do franchise desde logo concluíram que aquele ali era quem podia ser melhor (comparando com o Enes Kanter, que a certa altura estagnou naquilo que eram perspetivas de uma evolução que o colocasse na elite da sua posição), e era nele que a grande aposta seria feita. Nos últimos tempos os relatos são de que o Kanter já se tinha apercebido que, apesar de continuar a ser o titular, estava de certa forma descontextualizado no projeto da equipa. A trade acabou por ser boa para ambas as partes. Gobert é incomparavelmente superior defensivamente (o Kanter é muito modesto nesse aspeto), apesar de não reunir as skills ofensivas do turco (que sabe olhar de frente para o cesto, tem mid-range, tem footwork, tem o chamado "touch" debaixo da tabela, etc). Apesar de tudo, ambos têm a mesma idade, aqui foi mais uma questão de uma decisão em manter um jogador que desse outro tipo de jogo, e que nos últimos tempo deu mais garantias de possibilidade de evolução, sendo que ao mesmo tempo há que reconhecer que no frontcourt há um rapaz chamado Derrick Favors, que é power forward, e que na vertente ofensiva é muito evoluído. Portanto, por aí percebe-se o "encaixe" exato que os responsáveis dos Jazz perspetivam.
Seja como for, espero que o Gobert tenha estofo para esta nova etapa onde assumirá a titularidade. É diferente de começar no banco e estar mais à vontade para dar os seus contributos, e daí há que ter calma nas expetativas. Outros jogadores como JaVale McGee (o jeito que uma cabecinha lhe tava…) tinham potenciais semelhantes e neste momento estão com sérios problemas em encontrar um rumo.
Luís Borges
É complicado de prever quem será o titular. Vai ser uma escolha com o cunho pessoal do Scott Brooks. Penso que se aceitará qualquer uma das apostas, depende do rumo e do tipo de jogo que o treinador quer dar à equipa nesta fase final da regular season, de forma a preparar da melhor maneira os playoffs. Ambos são bons, jovens, com potencial, com perspetivas de evolução, mas são jogadores diferentes e que oferecem coisas diferentes. Eu, como sempre fui apologista de que os OKC necessitavam no seu jogo de um poste baixo que conseguisse adicionar uns pontos nas sobras (porque o jogo da equipa consiste muito na filosofia do "dá bola ao Durant" e "dá bola ao Westbrook"), penso que esse elemento pode ser o Kanter. Tem qualidade ofensiva, consegue marcar uns pontinhos que especialmente nos playoffs vão ser essenciais (lembram-se de quando se debatia muito o facto da incapacidade ofensiva do Perkins prejudicar muito a equipa quando era necessário que mais gente contribuísse, especialmente nos jogos a doer?). Mas isto é uma conceção muito a priori, sem saber como é óbvio a forma como o turco se vai integrar na equipa e também aquilo que o Scott Brooks perspetiva.
O Steven Adams será sempre um jogador fulcral para o sucesso da equipa esta temporada, quer saia do banco ou seja starter. Tem um espírito competitivo muito interessante, é muito forte e já vai dando um ar de sua graça também lá frente, apesar de aí não achar que tenha o calibre e a qualidade do Kanter.
Fábio Teixeira
Em princípio o Adams vai ser titular, mas o Durant e o Westbrook nunca tiveram um big com a capacidade ofensiva do Kanter. E não duvido que vá passar muito tempo na primeira equipa, arrastando o Ibaka para fora, já que tem bom lançamento e permite que não se entupa o garrafão.
Slim Shady
Desde a chegada do kanter tenho tido algumas dúvidas ,quem deverá ser o C titular?
Ponto prévio-adoro o adams e acho que tem potencial para ser uma estrela na posição.
O neozelandês é um jogador algo rude,pouco polido mas que tem uma força impressionante e tem uma boa capacidade defensiva.Ou seja tem um potencial tremendo.
O turco é diferente,não tão forte fisicamente mas muito melhor tecnicamente,mais refinado e lança bem.
Quando o Adams regressar para mim continuaria ele a titular o que achas?
Pedro Mendes
Apesar de concordar com o facto de ele ser um grande defensor e estar a jogar a um nivel perto dos melhores não podemos ainda coloca-lo no patamar do Davis, Jordan, Gasol, etc. Ele só joga 21 minutos por jogo, acho que se jogasse 35 por jogo provavelmente já naõ conseguiria ser tão eficaz e regular a defender devido ao cansaço e ao desgaste. Podemos ver isso ao analisar o dado de que os oponentes que ele defende so lançam em média 7 vezes ao cesto , enquanto no caso dos outros esse número deve disparar.
Apesar de tudo estou muito curioso para ver o que ele vai dar agora que tem mais espaço com a saída do Kanter.
Fábio Teixeira
O Cousins é porque evoluiu do ano passado para este, mas às vezes ainda tem várias distrações… O Brook é mais pelo tamanho.
De resto, dizer que concordo com a avaliação ao DeAndre Jordan. Acho-o fraco nas ajudas e compensações, por vezes não troca nas movimentações, e posiciona-se mal nas rotações.
Luís Borges
Peter Griffin, o DeAndre Jordan não é dos melhores defensores interiores da liga, mas também não é assim tão mau. É um rim protector razoável, e se fores ver a sua efetividade defensiva por lançamentos concretizados pelo opositor, nem está assim tão mal. Digamos que os problemas defensivos dos Clippers derivam de outras razões. No garrafão o Griffin é um fraco defensor, esse sim muito pouco concentrado nas rotações e incapaz de parar os PFs mais evoluídos ofensivamente, e no perímetro há alguns problemas… Se é verdade que o CP3 e o Barnes são excelentes defensores, também é um facto que o Jamal e o Reddick deixam algo a desejar nesse aspeto.
Concordo com esses nomes que aí deixaste, menos o Brook Lopez, que não é um defensor ao nível dos restantes, apesar de ter um belo arsenal ofensivo!
Anónimo
Jordan?
Tens que começar a ver NBA e deixar de acompanhar a mesma pela box score, o Jordan é um jogador de stats, é péssimo nas rotações defensivas é limita-se a jogar para os Ana dos e ressaltos, os LAC estão entre as 5 equipas que mais pontos concede dentro do garrafão o que só prova que o Griffin é miserável defensivamente e o Jordan não é assim tão bom como pintar. E já nem vou falar do seu jogo ofensivo que é aanedótico, a única coisa que sabe fazer é afundar.
Gasol, AD, Cousins, Duncan, Brook Lopez, Noah, Bogut, Chandler, etc… estão a anos luz do Andre Jordan.
Peter Griffin
Slim Shady
Excelente texto Fábio,é um prazer ver que no VM há quase diariamente um post sobre a Nba.
Já tinha visto alguns jogos do Gobert e sabia que tinha potencial mas depois de ver o Rising Stars fiquei ainda mais
impressionado.
Deixo aqui um link dum texto com os dez melhores rim protectors da nba em que o Rudy,claro está, aparece em primeiro.
https://www.nba.com/2015/news/hca/01/19/the-list-top-10-rim-protectors/
Anónimo
Aquela jogada no Rising Star em que faz uma abafo tremendo e depois faz um grande afundaço define a besta que é Gobert.
Ass: João Ribeiro
Guilherme Silva
O Kanter foi uma desilusão enorme. Lembro-me dele ser escolhido e vir dizer que era uma mistura de Nowitzki com Stoudemire se não me engano, e nunca deu nada. Recordo que foi escolhido à frente de, por exemplo, o Valanciunas. DoKlay Thompson (11º) e do Kawhi (15º por Indiana e trocado imediatamente por George Hill.. Mais um steal brilhante de San Antonio) já não falo porque não se previa que iam ser o que são hoje. Nos Jazz já teve muito caminho tapado, primeiro com Millsap e Al Jefferson e ainda Favors a vir do banco na frente dele, mas nunca evoluiu o esperado nem perto disso. Pode ser que esta troca lhe faça bem, e em Oklahoma expluda finalmente.
Em relação ao Gobert, é daqueles monstros para aparecer várias vezes no top10 com desarmes espectaculares. O ataque não é nada de especial mas também com Favors como companheiro de garrafão, não é aí que tem que se focar. Na defesa dá muitos abafos, ganha ressaltos, e defende bem individualmente. Contudo, ainda falha algumas rotações defensivas, muitas vezes na ânsia de dar o abafo que aparece nos highlights. Tem tudo para crescer e ser um poste dominante essencialmente na defesa, e numa equipa sem muita pressão como Utah (e deve continuar assim, já que só conseguem recrutar pelo draft.. Os FA's não querem ir para a terra dos mormons), vai certamente crescer se for bem acompanhado.
Guilherme Silva
Nem eu disse o contrario, mas na altura o George Hill até era bastante valorizado em San Antonio e eles trocaram-no sem pensar pelo Kawhi. Ou seja, mais um steal dos Spurs, a juntar a tantos outros.
JSC
Indiana sabe escolher relativamente bem. O PG foi escolhido em 10º, O Solomon está a jogar bem e a melhorar a olhos vistos, o Shayne até jogou razoavelmente, com esta vaga de lesões (agora está fora dos convocados outra vez), o Sloan joga bem, mas é um pouco pequeno. Também acho que trabalha bem os jogadores, isto mérito da organização e do treinador.
Anónimo
O anthony davis carrega uma equipa sozinho aos ombros lesionando-se com frequência, jogadora daquela estatura e fazer o que faz é extraordinário, honestamente na minha opinião compará-lo com o gobert é injusto assim como a ibaka cujo o papel no campo é muito mais que defender apenas o cesto, ao contrário de hibbert e gobert.
Faria mais sentido compará-lo sim a hibbert ou até a dwight que para jogador que estava recuperado nas está nas melhores condições.
Rookies que são utilizados por 20 minutos não são comparáveis a um jogador que faz o jogo todo, é diferente dizer a um jogador para entrar e realizar uma set play em que acaba por conseguir marcar um ou outro ponto mas cujo objectivo prioritário que lhe é dado é defender do que dizer a um jogador para entrar de inicio e fazer um triplo duplo de pontos assistências e abafos como acontece com postes de topo.
Mais, acho que gobert simplesmente está numa fase boa, e mesmo sem o kanter, não se irá afirmar ao ponto de ser estrela.
T.S.
JSC
Está bem.
Tomé Brito
JSC o Hassan Whitside dos Heat fez um Triplo-Duplo frente aos Bulls com 14 pontos, 13 ressaltos e 12 blocks
joao
acho que não estou enganado se disser que o whiteside tem triplo duplo com blocos
JSC
Ninguém tem triplo duplo com blocos esta época.
Nuno R
E rim protector nem é sinónimo de bom defensor
Fábio Teixeira
Melhor rim protector. Foi o que falei.
Nuno R
John Salley II
Os Jazz fizeram uma forte aposta no Kanter, foi uma escolha de topo, e as saídas de Jefferson e Millsap indicavam que o futuro seria Favors + Kanter. O turco ao início pareceu sofrer daqueles males dos jovens imigrantes, demasiado tímido, depois colocou-se em causa a sua vontade, mas neste Verão ele terá aparecido com menos gordura e mais possante, também fruto de alterações alimentares.
O turco é o típico poste que a NBA gosta, é possante, consegue abrir caminho com o cabedal, e tem uma técnica mais apurada que os normais "corpos".
Porém não terá evoluído como se esperava, e perante a ascensão de Gobert…
No entanto, esta troca deixa algo a desejar. Os Jazz ficam com picks que dificilmente serão algo de jeito, um contrato a expirar, e pouco mais. Isto de pensar no futuro é bom, mas convém haver evolução, e um plano de vitórias a médio prazo, e todos os movimentos feitos vão no sentido oposto.
Exum tem sido meio barrete (é muito jovem, 1º ano, mas mesmo assim); nenhum FA de jeito para SLC (de que vale todo o espaço salarial, se ninguém lá aterra?), e os processos de reorganização têm sido contínuos.
Tomé Brito
O Gobert e o Whitside são duas bestas que "explodiram" este ano! Gobert pareçe que é para durar, vamos ver é se Whitside não é só hype e "fogo de vista"
Anónimo
Não é a única "besta" defensiva que se anda a revelar, por exemplo Hassan Whiteside que é o possivelmente a next big thing. Isto na minha opinião.
pvalente
Fábio Teixeira
O Whiteside é mais jogador, mas não tem o mesmo impacto na defesa do que o Gobert.
Unknown
Só um ultimo apontamento: Gobert é o jogador com a maior envergadura de braços da história da NBA.
Daniel Afonso
Anónimo
Vi agora, o Giannis tem 6'10"/6'11" de altura e o wingspan dele é 7'3"/7'4". O Gobert do artigo tem por exemplo 7'8"/7'9" e essa sim é uma das maiores da NBA. O que vocês podem é de % em relação ao corpo mas mesmo assim não será o que tem a maior percentagem por exemplo por causa do Rondo.
Nuno Coelho
Anónimo
Em relação ao corpo o Giannis é provavelmente o que terá o maior wingspan, mas estão a comparar um SG/SF com 6'7" a um C com 7'2".. Se não estou em erro a envergadura do Greek freak é 6'11", maior que a altura, mas são vários os jogadores de NBA maiores que 7', ou seja 2,13m, e esses jogadores têm todos uma envergadura superior à altura.
Nuno Coelho
Anónimo
Também penso que é o Giannis, mas não tenho a certeza.
Ass: João Ribeiro
Carlos
Giannis Antetokounmpo