Para se fazer uma análise certeira ao atual momento do Benfica é sensato considerar qual projeto Rui Costa propôs construir e que Benfica idealizou quando contratou Roger Schmidt. Do que é percetível, e podemos aferir, os objetivos do atual presidente são claros: Maximizar o talento oriundo do Seixal, criar uma equipa com identidade e filosofia de jogo única; ter um Benfica a jogar um futebol positivo e moderno, dominar a Liga internamente, e a curto prazo construir uma equipa capaz de alcançar um título europeu. Objetivos alcançáveis, perante a boa saúde no clube, mas que, como toda obra, carece dos intervenientes certos, havendo hoje dúvidas se Schmidt tem as condições para continuar a ser o empreiteiro desta ideia.
Desde a chegada do técnico alemão, os benfiquistas viveram das melhores às piores sensações dos últimos anos. Sendo o sentimento que restou, de uma relação curta, intensa e desgastante.
Schmidt teve como maior mérito conseguir, num curto espaço de tempo, construir uma equipa capaz de competir e vencer. Mostrando na Champions um estilo de jogo empolgante, que alimentou esperanças de sucesso contínuo. O problema é que hoje é também o maior culpado da insatisfação contra si. A utopia com que encara as péssimas exibições e má gestão do plantel, são os principais defeitos a apontar-lhe. Resultando em humilhações históricas e eliminações importantes, não excluindo também ter a maior parte do plantel desmotivado e desenquadrado da equipa principal. Fatos difíceis de compreender, quando um treinador de elite se fala, e que tornam difícil não considerar, até, uma possível autossabotagem.
A acrescentar, há ainda, o fato dos principais ativos não terem evoluído como se esperava, além de muitos reforços nem terem contado.
Com isto, não oe pode também excluir a direção do desastre que tem sido esta época. Os encarnados falharam as últimas abordagens ao mercado, resultando num défice financeiro e existindo poucos jogadores valorizados neste período de Schmidt, que permitam uma grande rentabilização. Situação que prevê riscos e diminui a margem de erro face às futuras decisões.
O futuro treinador do Benfica precisa, portanto, de enquadrar-se nas bases existentes. Neste sentido, Thiago Motta perfila-se como um candidato capaz de concretizar as ambições do presidente e benfiquistas. O cobiçado técnico reúne características que fazem de si um dos melhores projetos ao nível de treinadores, pela filosofia e ideia de jogo, capacidade de treino, liderança e gestão, forma de pensar futebol, e resultados. O líder do Bologna carateriza-se, também, por ser um treinador comprometido com os projetos e que vem demonstrado, excelente cooperação com as estruturas diretivas na formação de plantéis e identificação de alvos para o seu modelo de jogo e futuro financeiro do clube.
Rui Costa tem nas mãos a decisão, e o risco parece ser a palavra de ordem. O risco de manter um treinador que se esgotou, esperando que mude, ou reconhecer as evidências e despedi-lo. O risco de comprometer o projeto, e contratar um treinador de estatuto. Ou o risco, em comparação com o rival da 2.ª circular, de entregar o projeto a um jovem treinador capaz de o engrenar.
Visão do Leitor: Angelo GJ


17 Comentários
Fireball
Ainda não entendi muito bem esta obcessão do Benfica, tanto dos dirigentes como dos adeptos, com títulos europeus. em que mundo é que o Benfica alguma vez vai ter equipa para competir pela Champions? E não me venham dizer que é a Liga Europa, porque ninguém considera ir para a Liga Europa como algo positivo e maioria prefere passar os grupos da Champions e perder nos oitavos do que potencialmente vencer a Liga Europa. Eu sei que isso dá votos, a minha questão é porquê? Porquê que os sócios do Benfica acreditam que alguém, seja quem for, consegue dar uma Liga dos Campeões ao Benfica? Acham mesmo possível? Tenham juízo, já não estamos em 1990.
beterrabapragmatica
Que mentalidade genial… por acaso alguém acreditava que Mourinho quando assumiu o Porto fosse ganhar uma? Ainda para mais quando na época passada a final não digo que era acessível mas era extremamente possível, e o Benfica do início da época teria eliminado o Inter. E numa final… pois tudo pode acontecer. Então acho que sim, devemos sonhar, e pelo menos querer ser competitivos. Tu podes ficar aí a festejar taças da liga todo contente e conformado, nada contra.
henry14
Eu quero muito um título europeu e deixar de ouvir a conversa do “Só ganhas a preto e banco. Experimenta ganhar a cores”. E acredito que o Fireball também.
Simplesmente acho que devíamos trabalhar e desejar isso na sombra e não apregoar aos 7 ventos.
Andre Filipe
Sonhar claro que podes sonhar, mas exigir ou avaliar negativamente por nao conseguir, é diferente
beterrabapragmatica
Eu acho que nenhum adepto é lunático para exigir tal coisa… pelo menos nunca vi! Mesmo sendo adepto do Real Madrid não podes exigir, são competições dificílimas de ganhar para qualquer clube. Agora pedir que sejamos competitivos, que não se abdique dessas competições acho mais que justo. E estás a mudar o teu discurso pois o que disseste acima é que é impossível alguem ganhar com o Benfica. Sendo assim para quê sonhar? Para mim impossível é o Benfica ganhar a Libertadores por exemplo, porque não a joga.
Foge Quim
Faltam ainda 38 anos de maldição Bela Guttmann se não estou em erro
Tiago Silva
Tudo certo neste post mas acho o Thiago Motta um alvo incomportável para o Benfica, já tem clubes maiores e com projetos mais interessantes a quererem-no. Poderia vir alguém como Will Still que já aqui foi falado e acho mais possível de acontecer. O Thiago Motta só se for pelo passado do Rui Costa em Itália, mas não sei se ambos têm um bom relacionamento ou não para acontecer. Talvez nomes como o Italiano ou mesmo o Pioli também possam estar em cima da mesa, mas acho mais difícil de acontecer e não acho que sejam também o homem certo para o lugar.
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Mas continuo a achar que neste momento o melhor alvo para um projeto a longo prazo seja o Paulo Fonseca que está em final de contrato com o Lille e aposta bem em jovens jogadores dando-lhes confiança e valoriza muito bem ativos. Espero que seja ele o escolhido por Rui Costa.
guardiaodafalacia
Epa, Will Still? Bora trazer um gajo de 31 anos para treinar um clube sem paciência para treinadores e com pouquíssima experiência. Eu sei que isso vale o que vale, mas não me parece, de todo, uma hipótese que fosse dar certo. Pelo menos, não nesta fase, diria eu. E eu até costumo ser a favor de se arriscar (um pouco como fez o Sporting com o Rúben Amorim, mas até isso demorou algum tempo a correr bem, tirando aquele campeonato em tempos de pandemia, e os adeptos só tiveram paciência com ele porque o Sporting não tem um terço da pressão que o Benfica tem e era o Rúben Amorim, português, antigo jogador e já campeão nacional enquanto jogador), mas não acho que haja nenhum nome forte para assumir o comando técnico. Trocar por trocar não me parece correto. Continuo a achar que o Roger Schmidt devia continuar no clube e, a sair, devia ser pelo seu próprio pé.
DNowitzki
1. A apregoada saúde financeira do Benfica é um mito. A situação é bem mais preocupante do que se quer fazer crer.
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2. Eu não sei qual é o projeto de Rui Costa e sou sócio do clube. Sei que prometeu uma auditoria e mudança de estatutos e até agora zero.
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3. Schmidt teve cinco meses bons. Depois foi um descalabro. Em 10 ou 11 troféus possíveis, ganhou dois! Dois, isto é, um quinto do que havia em disputa. O futebol foi ótimo durante quatro meses e sofrível nos restantes.
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4. Rui Costa não tem projeto nenhum, tanto é assim que renovou estupidamente com o treinador, comprometendo o futuro até 2026, deu-lhe poder acima do “Scout” e aumentou consideravelmente os gastos com a equipa técnica.
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5. O Benfica precisa de se reestruturar, ou seja,limpar a tralha vaidosa, acomodada e incompetente (tenho aqui outro adjetivo, mas não me apetece ir a tribunal), cortar despesa (salários, comissões, tachos, etc.) e reduzir custos rapidamente. É quando se tem dinheiro que se corta, não é quando se está à míngua.
The Mo
O Thiago Motta vai ser o proximo treinador do Barcelona.
Bpanta
Artigo que, para mim, perde muita credibilidade a partir do momento em que se fala em défice financeiro, poucos jogadores valorizados e se acaba a sugerir como novo treinador um Thiago Motta que é um dos treinadores da moda e deve estar mais que fora de alcance dos clubes portugueses.
Gostava de uma explicação quanto à parte do défice financeiro, olhando ao saldo de transferências do período Roger Schmidt parece-me estar no verde, só a venda de Enzo (que jogou exclusivamente com Schmidt) e do Gonçalo Ramos (que subiu muito o nível na época passada em relação à anterior) quase cobrem todas as compras. Se não quisermos olhar apenas a saldos de transferências, no início do ano foram apresentados (olhando a uma notícia do DN de fevereiro) lucros de 18 milhões, subida do ativo, descida ligeira do passivo e um aumento também dos capitais próprios. Onde anda esse défice financeiro então e em que sentido esse suposto défice será culpa de RS?
Em relação a poucos jogadores valorizados, até posso concordar que poderiam ser mais mas Enzo e Gonçalo Ramos que já foram mencionados, António Silva, Morato, Florentino (comparando o Florentino que vinha de empréstimos não muito bem sucedidos com o atual que foi peça importantíssima o ano passado apesar de este ano ter jogado menos) e João Neves (poderia até falar num Aursnes por exemplo, que apesar da idade terá ganho uma maior visibilidade o que consequentemente aumenta a sua cotação) pelo menos tornaram-se com certeza ativos mais valiosos desde que chegaram às mãos de RS. Além disso, tem dado uma oportunidade ou outra a outros jovens da formação como Tiago Gouveia ou Tomás Araújo, ou alguns minutos dados a outros jovens oriundos da equipa B ou sub-23 como Samuel Soares, Gustavo Marques, Henrique Araújo ou Paulo Bernardo (estes 2 últimos no ano passado). Insuficiente? Imagino que sim. Horrível como este artigo e outras opiniões querem fazer parecer? Não me parece.
Sou benfiquista desde que me lembro, apesar de com o tempo ter aprendido a gostar mais do futebol em si do que de um clube em específico ou de toda a fantochada fora das 4 linhas e me ter tornado mais racional. Também não estou satisfeito com a época atual nem estou aqui a defender que Schmidt tem feito um trabalho incrível mas se é para criticar ao menos que se usem argumentos em condições… infelizmente é o país que temos, o país em que a crítica fácil sem nem apresentar argumentos decentes e o populismo estão na moda.
henry14
1)Thiago Motta, Petit, Mourinho, Guardiola, Schmidt, Amorim… Acho que muita gente ainda não entendeu que, independentemente do treinador que se sentar no banco, para o adepto benfiquista é uma vergonha se não somos campeões. Porquê? Porque gastamos mais que os outros. Se investimos 100 e os outros investirem 40 é vergonhoso não sermos campeões, basicamente é esta a mentalidade. Que por vezes está acertada e outra vezes não. O dinheiro obviamente ajuda sim e pode meter-nos TEORICAMENTE num degrau acima no início do campeonato mas é precisa que seja bem utilizado. O dinheiro tem sido bem utilizado? Não. Weigl, RDT, Waldschmidt, Pedrinho, Cebolinha, Meité, Castillo, Ferreyra, Jurasek, Kokcu (?), Cabral (?), João Victor, entre outros, foram exemplos de dinheiro mal gasto. Certamente que me esqueci de mais alguns pois a lista é longa. Conseguimos recuperar muito deste dinheiro, felizmente, mas desportivamente o que é que esta malta acrescentou? As exceções foram: Enzo, Darwin e Aursnes e mais um ou outro, mas não muitos mais.
2)”e a curto prazo construir uma equipa capaz de alcançar um título europeu”. Sei que este texto foi escrito por um portista mas podia ter sido perfeitamente escrito por um benfiquista. Mas que utopia é esta? Esta é uma das razões para eu achar que os benfiquistas têm o rei na barriga, esta facilidade de falar em títulos europeus. Como é que depois não querem que os benfiquistas achem escandaloso perderem um título contra o SCP de Amorim quando alguns devem pensar que devíamos ombrear com o Real e com o City? Esta conversa só se ouve da parte do Benfica, do SCP nunca e mesmo do Porto eles trabalham bem mais caladinhos que nós. Se é bom ter ambição é? Claro que sim. Ser lunático? Não.
“Ahh mas espera, um título europeu não é necessariamente a Champions, pode ser a LE”. Deixa de poder a partir da próxima época a menos que o Benfica deixe de estar nos dois primeiros, o que tem sido raro. Concordo com o comentário do Fireball.
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Sinceramente, se for preciso investir menos dinheiro para os adeptos deixarem este ou o próximo treinador respirar melhor, prefiro que assim seja. Ter saúde financeira e poder dar 20M por um jogador à partida seria uma coisa boa. Neste momento aparenta ser um presente envenenado, uma pressão adicional (os grandes clubes têm muita pressão e exigência, atenção. Mas quando a exigência vira demÊncia, insultos, agressões e circo prefiro que não sejamos exigentes, muito obrigado) e mais lenha para a fogueira.
O Benfica neste momento é uma fogueira. Vamos ver se o fogo é apagado ou se é alastrado. No mínimo, que seja controlado.
Meu nome é Toni Sylva
É isto tudo.
Mas arrisco-me a dizer que o Benfica tenha uma época inteira em modo compressor, há de haver quem diga que está à beira do abismo. E se daí a uns anos as coisas quebrarem, como sempre quebram, hão de vir dizer que bem ‘avisaram’. Isto é uma coisa muito portuguesa, acredito que também haja noutros lados. O problema é que não costuma ser uma crítica ponderada, mas sim o mais tóxico que se consegue.
Andre Filipe
Isto é tudo muito bonito, mas pode vir o Thiago Motta ou o Guardiola, e depois de ganharem no primeiro ano, falham no segundo, e vai andar tudo aqui a pedir a cabeça dele
Carocho1
Sim claro. Em termos de preparação de jogo, adaptação em função do adversário, leitura de jogo, substituições, liderança, carisma e discurso, Guardiola e Schmidt estão ela por ela.
ShutterIsland
Benfica 2024/2025
Treinador: Hansi Flick
Plantel:
Trubin
André Gomes ( fazer os jogos da taça)
Samuel Soares
Bah
Diogo Spencer (caso seja cedo Elias Jelert)
Tomás Araújo
Morato
Otamendi
Gustavo Marques/ Miúdo com potencial
Juan Miranda
Álvaro Carreras
Florentino
Leandro Barreiro (preferia Ezequiel Fernández)
João Neves
Martim Neto
(Kokçu)
David Neres
Prestianni
Schjelderup
Rollheiser
(Kokçu)
Aursnes
Tiago Gouveia
Marcos Leonardo
Henrique Araújo
Tengstedt
Meu nome é Toni Sylva
O problema é o Schmidt. Antes, o problema era o Jesus. Antes disso o problema foi o Vitória, e antes de ser o Vitória também já era o Jesus. Talvez a primeira passagem do Jesus tenha sido o que mais parecido tivemos com o efeito Amorim, e o motivo até é o mesmo, o clube tinha quebrado um longo jejum. Ah, e jogava à bola. Pois jogava, aos 3 e 4 meses de cada vez, com 6 ou 7 pelo meio em que se ouvia dizer de tudo do treinador. Só que os adversários não andavam a amealhar regularmente 80 pontos por época.
Se vier outro treinador, talvez consiga entrar a ganhar. Logo que as coisas corram menos bem, passa a ser o problema também. E não interessa se tem as mãos nos bolsos, ou se masca chicla, ou vê o canal Panda, ou anda nos trampolins. Vai dar ao mesmo. E em ciência, o que conta são resultados.
Como o futebol não é ciência, se calhar o que precisamos é de pôr lá alguém que possa ficar a dezenas de pontos do 1° lugar mas mesmo assim seja um ‘trunfo eleitoral’. Ou alguém que possa ficar em 4° a insistir que só precisa de 1 jogador por posição. Alguém que mesmo em face de momentos menos positivos elogie a equipa e insista até ao fim que ainda pode ganhar. Alguém que não fique calado quando nos pisam. Concerteza aí iremos ter garra e ambição.