“Se puder, prefiro ir tomar umas cervejas depois do jogo. Quero relaxar, acho que as pessoas levam o desporto muito a sério”. Esta frase pertence ao polémico tenista Nick Kyrgios. Apesar de ser um atleta de outro desporto, esta podia perfeitamente ser uma declaração de um jogador de futebol. Naquele que é considerado o desporto rei, vemos inúmeros exemplos de atuais e ex-jogadores, em que frequentemente dizemos “que pena se tivesse tido cabeça” ou “se fosse mais profissional podia ter tido uma carreira ainda mais grandiosa”. Hoje, quando um jogador não rende, dizemos que está mais focado em outros aspetos. Na playstation, nas redes sociais ou em saídas boémias. Parecemos caminhar para um extremo, em que os atletas se vêm privados da sua humanidade, transformando-se num ser de uma outra espécie. Obviamente que qualquer atleta de topo terá um impacto social muito acima da média (quanto mais não fosse para os atletas dos escalões jovens dos clubes), terá de ter uma responsabilidade superior com o “tratamento” que dá ao seu corpo e terá de ser responsabilizado por isso. Contudo, convém lembrar que para lá do atleta existe sempre uma pessoa em primeiro lugar.
Como todos nós, os atletas são pessoas e dessa forma serão todos diferentes uns dos outros. A forma como cada um lida com as frustrações, com a pressão ou com as dificuldades, irá ser sempre diferente e não necessariamente errada. O rendimento de um atleta está necessariamente ligado a um sem número de particularidades e variáveis. A grande questão é que muitas vezes olhamos para o rendimento pela expectativa do adepto e não do jogador. Peguemos no exemplo de Ronaldinho Gaúcho, em que existem diversos relatos de má conduta no PSG e posteriormente apontou-se a sua vida boémia como fator determinante para a “curta” passagem pelo pico do futebol mundial. No entanto, a grande questão que se coloca seria a seguinte: “Será que se não tivesse levado a vida boémia que levou e se tivesse optado por um profissionalismo desmedido, teria atingido sequer o pico que atingiu?”, talvez sim, mas muito provavelmente não! O prazer não seria o mesmo, a diversão não seria a mesma, a felicidade não seria a mesma e por consequente a motivação não seria a mesma. Resumindo, talvez a vida boémia de Ronaldinho não nos tenha permitido ver mais anos do craque no topo, mas talvez tenha sido exatamente essa vida, que nos permitiu vê-lo nesse mesmo pico.
Pegando no ponto oposto. Olhamos para o Cristiano Ronaldo, como um exemplo pelo trabalho que realiza e por todo o seu profissionalismo, mas excluímos muitas vezes a sua personalidade e não percebemos que a sua felicidade depende diretamente disso. Talvez o mesmo trabalho feito pelo Cristiano levaria outros atletas a níveis de frustração e infelicidade, que em vez de se refletir num aumento de rendimento, poderia gerar um decréscimo do nível apresentado.
Em qualquer atividade, o António é o António que por acaso é médico. O João é o João que por acaso é advogado. A Carla é a Carla que por acaso é engenheira. No entanto criticamos jogadores por serem pessoas que por acaso são atletas. Assumimos que um jogador que jogue muita playstation, que faça jantares com amigos ou que tenha outros hobbies, não está focado no futebol e que vai fracassar por isso. Obviamente que a cobertura mediática e a necessidade fundamental da condição física obrigarão a comportamentos ajustados e superiores ao da média da população, no entanto o viver e ser pessoa pode ser igualmente fundamental para o bem-estar e para o rendimento de qualquer atleta. Por isso e por favor, travemos esta desumanização do atleta.
Visão do Leitor: Santander


26 Comentários
Kafka
Discordo deste texto
Como em tudo na vida quem mais treina e mais se aplica está sempre mais perto de ser melhor, claro que haverá sempre excepções como Ronaldinho que era um génios com a bola, mas até essas excepções nada poderam fazer perante a lei da vida, pois um atleta que leve uma vida boémia, com consumo de álcool, poucas horas de sono etc, vai sempre cair de rendimento mais cedo, porque o sono, e uma alimentação equilibrada são FUNDAMENTAIS para o treino e rendimento, principalmente quando mais perto dos 30 anos estamos porque é quando do ponto de vista biológico o nosso corpo começa a perder capacidade de regeneração e portanto quanto mais perto dos 30 maior têm de ser os cuidados com o corpo e com as horas de sono
Aliás isto é pura ciência, se eu dormir 9 horas estarei sempre mais bem preparado para render do que se dormir apenas 3 horas…. Se eu tiver bêbado ou com alto teor de álcool no corpo não terei todas as minhas faculdades motoras a 100% ao invés de se tiver apenas bebido água, daí por algum motivo não se poder beber quando se conduz, precisamente porque está provado cientificamente que um indivíduo sobre efeito de álcool perde capacidade de atenção, perde as suas capacidades de reflexos etc
Portanto não percebo o teor deste post, pois é evidente que quem mais treina, mais se dedica (seja no futebol ou em qualquer outra actividade) terá sempre mais possibilidades de sucesso
Santander
Realmente só podes não ter percebido! Sou o primeiro a dizer que no texto que qualquer atleta de alta competição terá de ter cuidados e trabalhos redobrados com a sua condição fisica.. Mas não podemos ignorar todas as outras vertentes da vida de um atleta, que também são fundamentais para o seu bem estar e que concerteza terão impacto no rendimento do jogador… Claro que os exemplos do texto, quer de Ronaldinho quer do Cristiano são o 8 e 80 e que terão de ser encarados como tal… Agora o Pirlo que jogou playstation toda a tarde do dia da final do mundial 2006 é pouco profissional? Não estaria focado no jogo? Na altura não tinhamos tanto acesso a esse tipo de informação, mas o que se diria se nos dias de hoje um atleta fizesse um storie a jogar PS4 no dia da final do Mundial? Será que o Pirlo teria jogado muito mais se estivesse estado a descansar ou a estudar a França?
Falamos de seres humanos por isso a ciência nem sempre é exata como tanto gostas!
Kafka
Em nenhum teste não é no próprio dia que deves estudar para o mesmo…. Aliás às vezes estudar no próprio dia até baralha é as coisas….portanto o trabalho prévio e bem feito é feito com antecedência e método e no próprio dia seja para jogar futebol ou fazer um teste da escola é apenas estar o mais relaxado possível para não se entrar em stress…. Agora que eu saiba o Pirlo não se teve a embebedar antes da final contra a França, ou tens dúvidas que se o Pirlo fosse bêbado para o jogo (como o Ronaldinho chegou a ir para muitos treinos) as probabilidades do Pirlo ter jogado mal teriam sido bastante maiores? Ou tens dúvidas que se o Pirlo fosse com uma directa para o jogo com a França (como o Ronaldinho chegou a ir para alguns jogos) as probabilidades do Pirlo jogar mal teriam sido maiores?
Tiago Silva
Também não estou totalmente de acordo com o texto, mas percebe-se a ideia que o Santander quis transmitir. Cada pessoa é uma pessoa, nem todos temos que ser aquelas máquinas que se focam em 100% no futebol e que não possam cometer excessos, é uma escolha dos próprios jogadores. Se queres render no topo tens que ter mentalidade para isso, tens que estar focado no que fazes e não cometer excessos (ou o menos possível), tens que treinar o número máximo de horas por dia, tens que ser um animal em termos de competitividade e tens que analisar e melhorar todos os pormenores do teu jogo. No entanto, há pessoas que não estão para isso, não critico mas não podem esperar estar no topo assim, é uma escolha de vida deles e nessa parte concordo contigo Kafka.
Kafka
Ora bem mais Tiago Silva…. Subscrevo em absoluto….
Nesse sentido o Ronaldinho não tinha essa mentalidade e por isso caiu tão cedo, nada apontar ele é que sabe da vida dele, agora não deixa de ser uma realidade e foi isso que sempre se apontou ao Ronaldinho foi que se ele tivesse o foco e dedicação pelo futebol teria tido uma carreira mais longa…. Ele não quis é um direito que lhe assiste
J Silver
O texto apela à emoção e não à razão, baseado na premissa não verbalizada de que o futebol é emoção. Não é para todos.
Kafka
J Silver
Mas com emoção ou não, o futebol não deixa de ser uma profissão (certo que não é essencial para a sociedade mas não deixa de ser uma profissão por isso) e que por sinal devido ao elevadíssimo número de praticantes obriga a um enorme esforço e dedicação para se chegar ao topo
Como em qualquer profissão, se mais treinas e mais te focas na profissão em si mais perto estarás do sucesso… E isto é válido para o futebol, como é válido para um médico ou qualquer outra profissão…. Diz-me uma profissão que seja onde é possível tu seres continuadamente um dos melhores do Mundo sem total esforço, dedicação, e foco na profissão?
É que quando falamos de Ronaldinho falamos em nível “MELHOR DO MUNDO”, é isto que acho que este texto não percebe, principalmente quando vai buscar a profissão de médico, advogado etc, pois bem se o objectivo fôr apenas ser mais um médico/advogado entre muitos outros então talvez até dê para ter noitadas, ir bêbado para as consultas/audições etc…Agora achas mesmo que o melhor advogado/médico do Mundo da actualidade fazem noitadas antes de audições e passam a vida bêbados?
Não conheço NENHUMA profissão no Mundo onde tu para seres o MELHOR DO MUNDO ou estares entre os 10 melhores, não tenhas de abdicar de parte do divertimento que qualquer comum faça…
Se tu ou o autor do texto conhecerem uma profissão que seja que seja possível andar bêbado, sem dormir e mesmo assim ser o melhor agradecia (sem qualquer tipo de ironia) que me dissessem qual
RomeuPaulo
Percebo o que queres dizer e é óbvio que quem mais treina/trabalha (ou quem melhor treina/trabalha), estará sempre mais perto do topo independentemente da área.
No entanto, e penso que seja a este ponto que o Santander quer chegar (ele que me corrija se eu estiver enganado), é fundamental a qualquer atleta sentir prazer e motivação naquilo que faz para conseguir estar entre os melhores, no fundo ele toca num ponto que muitas vezes é esquecido, a saúde mental.
Se não estiveres mentalmente saudável, podes treinar o que quiseres que muito dificilmente conseguirás evoluir, por sua vez, quando te sentes feliz, normalmente és muito mais produtivo.
Depois cada atleta é único, temos o caso do Cristiano Ronaldo que é uma máquina competitiva e obcecado pelo treino, mas nem todos são Cristianos Ronaldos e há atletas que necessitam do seu momento de lazer para conseguir extrair o máximo de si.
Talvez o Ronaldinho não seja o melhor exemplo, pois a sua vida teve demasiados excessos.
Como disse no meu comentário, para mim o mais importante encontrar o equilíbrio, uma forma de conjugar os nossos guilty pleasures com as nossas obrigações enquanto profissionais.
Santander
No ponto Paulo! Obrigado pela explicação!
Kafka
Certo Romeu concordo… Mas por isso mesmo o Cristiano terá uma carreira superior ao Ronaldinho, porque se dedicou mais
Há um ditado que diz que o sucesso é 10% talento e 90% dedicação e trabalho, claro que nem todos se estão para esforçar e dedicar nada contra isso, mas depois por isso por norma os que se dedicam e esforçam mais costumam ser melhores que os outros, isto é válido para todas as profissões
RomeuPaulo
Sim, claro, o que o Cristiano e o Messi fizeram ao longo das suas carreiras é completamente anormal, não há um outro jogador que tenha estado mais de 10 anos a um nível tão alto como estes dois, muito provavelmente os dois melhores jogadores de sempre.
Já os Fort Minor diziam:
10% sorte
20% talento
15% força de vontade
05% prazer
50% dor/sacrifício
oMeuUserName
Não percebeste o ponto…
Relembro-te histórias que certamente conheces:
– Romário, Cruyff e o Carnaval: quando Romário pede 2 dias de folga extra para ir aproveitar o Carnaval ao Brasil, e o Cruyff lhe diz que dá se ele marcar 2 golos. Ele marca 3 na primeira parte e pede para sair ao intervalo porque o avião saía dentro de 1h. E o Cruyff acedeu, porque ele teve um rendimento espetacular, e vai voltar de lá mais feliz e motivado para manter o rendimento elevado.
– Dennis Rodman e as suas “pancadas”: os seus desaparecimentos repentinos e faltas aos treinos, sem que ninguém soubesse do seu paradeiro. Grandes festas, certamente com muito álcool e drogas à mistura, durante dias. Mas o Phil Jackson sabia que ele precisava desses “escapes” de vez em quando para voltar comprometido com a equipa e pronto a dar tudo em campo.
– Michael Jordan e Atlantic City, o golfe e os charutos: O melhor de sempre no basquete que ia para casinos em noites anteriores a jogos de play-off, que jogava golfe nos tempos livres e fumava charutos com regularidade. Atlantic City foi mal visto na altura, mas o resto era aceite com naturalidade. Hoje, vemos as críticas ao Bale pela dedicação ao golfe, e o escândalo que é quando se apanha um jogador a fumar… Imagina o que seria o Ronaldo ou o Messi serem apanhados a fumar. Se o fumo faz bem a um atleta? Claro que não, mas se serve de escape mental para estarem mais focados, é um mal menor. Ninguém treinava/jogava mais que o Jordan, mas fora do pavilhão ele precisava dos seus escapes. Porque todo o génio tem os seus vícios…
É aquele clichê do “mind over body”, mas muitas vezes é preciso que os atletas comprometam ligeiramente o “body” para limparem a “mind”, que é tão ou mais importante nalguns momentos.
Kafka
Omeuusername
Das o exemplo do Jordan, mas ao mesmo tempo que o Jordan tinha essas “saídas fora da caixa” era também um workaholic, um doente pelo treino, treinava dia e noite se fosse preciso para atingir um objectivo, e essas escapadinhas eram isso mesmo, eram a excepção… E foi essa dedicação ao treino e foco que lhe permitiu ter a carreira que todos sabemos Agora o Ronaldinho era o extremo oposto, nunca foi um workaholic, nunca treinou quem nem um doido, sempre foi vivendo do imenso talento que tinha e nada mais, e depois passou a fazer da boémia a sua forma de vida (ele próprio o reconhece, que o último ano e meio do Barça quase já não treinava)… Ora claro que assim aos 27/28 anos começou a decair… O estilo de vida dele nada se assemelha ao que o Jordan tinha…. O Jordan treinava que nem um doido e nos intervalos tinha umas escarpadas…. O Ronaldinho vivia que nem um boémio e nos intervalos vinha treinar e dar uns toques na bola
Joaopcalves
Por este comentário, acho que falhaste completamente a mensagem deste post Kafka.
RomeuPaulo
Muito bom texto, parabéns!
Como em tudo na vida, o importante é encontrar o equilíbrio, devemos ter os nossos guilty pleasures, mas também devemos ter cuidado com os excessos que por vezes são cometidos.
Um outro fator que penso que também contribui para a desumanização do atleta é o número excessivo de jogos que existem por época, os atletas tem de ser umas autênticas máquinas para aguentar toda a época sem baixar o rendimento ou sem ter alguma lesão, daí achar que deve procurar-se reduzir o número de jogos para proteger os jogadores e para aumentar a qualidade do espetáculo.
AndrePires
É como tudo na vida. Qualquer um de nós na nossa vida profissional poderia estar mais acima se tivesse estudado mais, passado menos tempo com os amigos, menos tempo a beber copos, menos tempo a jogar computador… não se aplica só aos jogadores de futebol. Mas cada indivíduo é diferente, tem necessidades e ambições diferentes.
Kafka
Ora nem mais André Pires…. Eu não abdiquei de nada disso e por isso mesmo não sou um dos melhores bancários do Mundo, sou apenas mais um na multidão… São opções que se tomam claro está, agora quem em qualquer profissão para se ser o melhor do Mundo ou um dos melhores, tem de se abdicar de uma parte de boémia e divertimento
Bruno Cunha
Parece-me exatamente isso que o autor pretende exprimir. Fazes tu muito bem em não abdicar de tudo, a vida é para se viver.
Santander
Exatamente Kafka.. Secalhar se criassem uma rotina controlada ao milimetro para que fosses o melhor do mundo, talvez andasses mais infeliz e quase que arrisco a dizer que o teu rendimento enquanto bancário seria menor do que aquele que é hoje… Por isso essa receita fenomenal que te mostrava como atingir o pico máximo não só não o faria como ainda faria com que perdesses rendimento… Afinal acho que chegaste lá!
Kafka
Sim Santander, admito que possa ter interpretado mal o teu objectivo do texto, pois até acho que estamos de acordo
For Dummies
Também depende, se o Kafka ganhasse uns 200mil por semana não sei se invertia o gráfico da infelicidade :D
Meu nome é Toni Sylva
E a enorme pressão que havia nos anos 2000 para que quem quisesse ‘ser alguma coisa’ tivesse de ir para o Estrangeiro? Eu viajo bastante e gosto, mas não queria viver em outro país, mesmo que só por 1 ano, e sempre tive muita dificuldade em explicar isso.
JPMendes
Bom artigo. Gostaria de acrescentar a debate um outro tópico que conduz também a esta desumanização do atleta, que tem a ver com a comunicação para o exterior. Com o escrutínio selvagem de hoje e a ditadura do politicamente correto a condicionar a imagem pública como nunca, é raro vermos atletas a reproduzir pela sua própria cabeça posições sociais ou políticas. São no geral autênticas marionetas da política de comunicação do clube, mesmo estando em casa a escrever para a sua rede social. Infelizmente estas situações estão previstas nos contratos dos jogadores, que são completos escravos dos clubes mesmo na sua vida privada. E quando acontece um jogador tomar uma posição política, como recentemente o Ricardo Quaresma, tentam logo silenciá-lo porque “um futebolista não tem que comentar política”. Os grandes futebolistas mundiais têm de abdicar da sua cidadania em prol da profissão, o que não acontece na maioria das profissões.
Joga_Bonito
É claro que depende muito do que queremos. O Magico Gonzalez foi feliz jogando futebol num clube com menos pressão, onde tivesse menos regras e fosse rei. Foi feliz e deu um show de alegria a jogar, mesmo tendo passado ao lado de uma carreira bem melhor. É errado?Não, vai de cada um.
Só acho é que por vezes se exagera neste tema e parece que só podemos estar num extremo. Ou bem que os jogadores têm quase que viver como espartanos e abdicar de qualquer vida social ou bem que se acha que o jogo acaba no campo e se descura os cuidados a ter com o corpo, que é o instrumento de trabalho do atleta de alta competição.
Eu sou a favor de um certo equilíbrio, acho que se poderiam amenizar algumas regras demasiado duras no futebol, até poderia ter o condão de evitar mais indisciplina. Se se reprime em excesso os jogadores eles acabam a arrebentar na pressão e metem-se por maus caminhos. Mais vale deixarem-se divertir, de forma controlada e condicionar a titularidade a quem estiver melhor. Assim, um jogador percebe que se exagerar na diversão a carreira irá para o prego e terá de fazer as suas opções.
Reprimir em excesso pode levar a que alguns optem por se controlar até aos 22-23 anos, altura em que assinam um brutal contrato e depois acomodam-se, vivendo a juventude que não puderam viver antes. Deixar que se divirtam durante a carreira, de forma moderada, pode ser a melhor solução, levava os jogadores a gerirem melhor a vida privada com a sua vida profissional e duravam mais.
Antonio Clismo
Não há fórmulas estanques e cada um é diferente. Mas tudo isso são constructos sociais que vão sendo construídos durante o crescimento do atleta.
É normal que os atletas europeus sejam mais recatados do que os sul-americanos, devido à própria sociedade em si. Hoje em dia é mais normal encontrar jogadores que passam o tempo em casa a ver séries e a brincar com os cães do que na década de 80 e 90 onde isso seria impensável de acontecer.
Quem não se lembra daquelas selecções sub21 de Portugal em que partiam sempre tudo nos balneários e era normal haverem agressões e expulsões durante os jogos? Sempre que havia viagens ao estrangeiro era raro não haverem problemas… Hoje em dia, os jogadores devido a uma sociedade diferente em que cresceram, são muito mais xoninhas, digamos assim.
Quantos e quantos jogadores que são craques aos 18 anos de repente vão abaixo devido a problemas amorosos e nunca mais ninguém houve falar deles??
Vejam o exemplo do Trincão que desde que acabou com a namorada o rendimento dele subiu exponencialmente. Lá está, por vezes os triggers são complicados de definir mas são essas mudanças bruscas na vida que fazem um jogador crescer ou desaparecer.
Os departamentos de psicologia e acompanhamento dos jogadores na formação são muito importantes para ir preparando os jogadores e encarreirá-los na direcção que lhes garanta a mais alta performance. Se um jogador render mais com estímulos de vida social activa, é preciso potenciar essa parte sem que hajam repercussões na carreira profissional do jogador.
Se render mais devido a um estilo de vida mais sólido, com mulher e filhos desde cedo, óptimo! É trabalhar para isso.
Mas uma coisa é certa, todos somos diferentes e reagimos a estimulos de forma diferente.
Muska
Grande texto! Fiquei muito agradado de ler. Não sei que opinião tenho, mas é uma perspectiva muito interessante e que dá uma boa discussão.