Vivemos tempos em que a aposta nos jovens jogadores é uma prática comum, tanto em Portugal como no estrangeiro. Cada vez mais vemos os treinadores sem medo de apostarem em jogadores com idade de juniores nas equipas principais, sem medo de colocarem estes em posições outrora representadas por jogadores mais experientes. Esta aposta leva a um maior investimento nas academias de formação dos clubes, que na maioria das vezes acaba por receber um retorno financeiro através da venda destes ativos formados no clube. Numa liga maioritariamente vendedora como a nossa, esta aposta na formação tem vindo a revelar bastantes lucros. Não se pode afirmar que só agora é que se começou a vender jovens para fora por altos valores financeiros, mas a questão é que com os valores que se praticam atualmente estas vendas têm sido cada vez mais notadas. Também nas campanhas para as direções dos clubes este é um baluarte importante, sendo que é um assunto ao qual não se pode fugir e olhado com extrema atenção.
Contudo, não é só na liga portuguesa que se pratica esta aposta nos jovens e, para se ver isso, basta olhar para a lista dos 20 jogadores nomeados para o “Golden Boy”, onde se encontram jogadores que já renderam milhões aos clubes através das suas transferência e que são, em maioria, jogadores titulares nas suas equipas, presentes em ligas de topo. Se podemos olhar para esta aposta como algo positivo, também devemos ter em atenção que esta aposta não pode ser feita sem cuidado. Cada vez mais são criadas as condições para que os jovens jogadores antes de entrarem na equipa principal possam jogar com um maior nível de competitividade, nomeadamente nas equipas B e em competições como a Youth League da UEFA.
Como tudo, esta é uma aposta que não agrada a todo o mundo, pois, se de um lado se defende que estes jovens trazem mais energia e coisas novas ao jogo, outros atacam com a inexperiência e a prematuridade com que estes miúdos aparecem em campo. Esta aposta na juventude é de se saudar, pois é um sinal de confiança e bravura, mas não pode ser vista como a única solução, pois é nos jogadores com mais experiência que se encontram atributos como liderança e conhecimento. Se de um lado é bom apostar em jovens que trazem imprevisibilidade e energia, por outro é também bom contrabalançar com jogadores experientes que têm mais calo e conhecimento do jogo profissional.
Visão do Leitor: João Maravilha


14 Comentários
Nazgul
Obviamente que ter uma equipa jovem vencedora é uma utopia que só acontece no FIFA FM etc
O que acontece é que poucos clubes conseguem fazer o “misto” de experiência + juventude num plantel tirando por exemplo o Ajax e o Leipzig o resto são clubes ricos que compram tudo já formado ou jovens daqueles que aos 19/20 não enganam e são estrelas tipo Mbappe!
O Benfica por exemplo perdeu-se, quis apostar no Seixal, mas esqueceu-se que todos os anos se conseguir 2/3 jogadores já é muito bom e o resto tem de se comprar fora e apostar no scouting e foi isto que o meu Benfica não fez!
Outro ponto que por exemplo as equipas não fazem é que se precisam reforçar 4/5 posições e nenhuma dessas tem um jovem com potencial e não tem € suficiente para comprar “bons jogadores” para estas posições em vez de comprarem 2/3 bons e esquecerem os outros 2 posições acabam por comprar 4/5 jogadores medianos!
Vejo o caso por exemplo do United que é capaz de gastar 200M em 4 jogadores “medianos” em vez de comprar 2 jogadores de topo e no próximo mercado compraria os outros 2 que faltavam!
É muito mau ver um United a jogar com Lindelof, Shaw, Alex Teles, Mctominay, Mata e Martial a ponta de lança só compram entulho jogadores medianos em vez de terem gasto por exemplo 180M em Sancho + Halland que não enganam e depois compravam na próxima época um central de topo e um lateral esquerdo por exemplo!
Lopes19
Também falta a parte do outro clube querer aceitar…
Nazgul
Se estás a falar do Haaland e do Sancho os números que referi são os que saíram na empresa, no entanto e como disse vale mais 2 estrelas por ano que 4/5 entulhos, jogadores duvidosos ou para o banco para isso apostem nuns miúdos!
Tiago Silva
Concordo com a análise, as equipas estão também a entusiasmar-se demasiado com o aparecimento dos miúdos, muitas vezes eles ainda nem são homens feitos e já estão na calha para decidir o destino de milhões de euros. Há os especiais e depois também há os medianos ou que precisam de mais tempo. E é por isso que a experiência é tão importante, o futebol é uma indústria que cria uma pressão gigante nos jogadores e muitos miúdos não estão prontos para isso, devem crescer ao seu próprio ritmo e ter minutos nas pernas em jogos menos competitivos antes de darem o salto.
Sou um grande defensor da formação e deve ser por aí que os clubes devem crescer, mas os miúdos só evoluem com jogos nas pernas e com jogadores experientes ao lado. É pena que os grandes clubes levem os miúdos todos, ficando os pequenos sem nada.
Antonio Clismo
O desenvolvimento e aposta em talento nacional é tão mal feito que a única forma de um jogador jovem singrar em Portugal é:
1. Lesões de todos os titulares estrangeiros que fazem a sua posição.
2. Necessidade do clube fazer algum dinheiro para pagar a época
3. Geração espontânea.
Para todos aqueles que preferiam manter Acuña e ter o Nuno Mendes como seu suplente, os que preferiam manter o João Félix na equipa B e apostar forte no Cervi, Zivkovic ou Ferreyra… e também para aqueles que preferiam o Mikel ao Rúben Neves para fazer a pré-época em 2014 do FC Porto…
São esses os mesmos que estão aqui no blog todos os dias a passarem atestados de incompetência aos jovens portugueses e a endeurarem tudo o que vem de fora, quando muitas vezes apenas vêm cá para fazer frete como é o caso do Weigl.
Tiago Silva
Subscrevo.
Estigarribia
Excelente texto. Para a realidade portuguesa, a aposta nos jovens da formação tem de ser feita de forma contínua e se der para mesclar um plantel com jogadores jovens e jogadores mais experientes é ótimo para a própria competição. Mas não se deve lançar os jovens a torto e a direito e em qualquer competição; é necessário encontrar o contexto certo para os lançar e depois ajudá-los na sua evolução ao longo do tempo.
Ainda assim, a aposta em jogadores jovens tem de ser feita com calma e é necessário que se dê tempo aos jovens para evoluírem e não pedirem os impossíveis a miúdos de 17, 18 e 19 anos de idade. Tem que se ter paciência e em Portugal, muito em especial, não há muita paciência para trabalhar os jogadores mais jovens. Além de se ser treinador é necessário que um técnico seja também um pai para os jogadores mais novos.
Outro aspecto que ajudaria na formação dos miúdos tem de ser a liberdade que lhes é dada em campo, desde novos, e não os tentar robotizar com palavrões técnicos e tácticos e não lhes limitar toda a qualidade técnica individual. Os miúdos precisam de ver o futebol como um desporto onde se têm de divertir e não onde têm de ganhar dinheiro. E se possível penso que todas as academias deveriam ter, pelo menos, um campo pelado nas suas imediações para ajudar a tentar recriar algum futebol de antigamente e que permita aos miúdos jogar o seu futebol.
Saudações Leoninas
Antonio Clismo
Viu-se no mais recente jogo dos sub21 em Gibraltar que demoraram cerca de 60 minutos para se habituarem ao relvado sintético e começarem a jogar bem.
Os jogadores pura e simplesmente já não são acostumados a jogar noutras condições senão as condições óptimas para a prática do jogo.
Os iniciados hoje em dia treinam em campos com melhores condições que a final da Liga dos Campeões tinha nos anos 70
Antonio Clismo
Compreende-se que clubes como o Real Madrid, Barcelona ou Bayern de Munique possam contratar os melhores sem se preocuparem com a formação mas não deixa de ser cómico o facto dos clubes portugueses também preferirem optar por essa filosofia, colocando a sustentabilidade dos clubes em causa. Os adeptos também são parte culpada pois em último caso são eles que ”cobram” as direcções por mais contratações dependendo da forma actual da equipa. Não existe plano nenhum a 5 e 10 anos, apenas idas às compras quando as coisas correm mal para calar os adeptos por uns tempos.
Os clubes portugueses fazem-me lembrar as pessoas que mesmo com 1 hectare de quintal em casa, preferem gastar uma grande parte do seu orçamento mensal a comprar tudo feito, quando poderiam produzir tudo em casa, alocando o dinheiro para outras coisas, ou poupando, por exemplo.
Os clubes portugueses são aquelas pessoas que dizem: ”Eu? Ser agricultor? Ter a minha horta em casa? Que horror!! Isso é coisa de pobre… Prefiro ir comprar os meus legumes, ervas aromáticas, fruta, etc por 20x mais caro no supermercado..”
A Liga NOS é a liga europeia com maior percentagem de estrangeiros (cerca de 65% dos atletas são estrangeiros) só a poderosa liga do Chipre consegue ter maior percentagem do que Portugal.
Por exemplo se compararmos com a Liga Espanhola constatamos que têm apenas 38% de estrangeiros e isso é um valor saudável para uma liga de futebol.
Mesmo a Segunda Liga portuguesa tem uma percentagem de estrangeiros absurda para aquilo que podem pagar, ou seja, vivem bem acima das suas possibilidades e isso reflecte-se no facto dos clubes estarem constantemente na banca-rota e com problemas a pagar salários…
Dizem que os portugueses não têm qualidade, ora bem, então será por isso que recorrem aos estrangeiros em quantidades industriais, certo? Então como explicam o nível de jogo deplorável que se pratica no nosso país?? Não era este o país que tinha os melhores treinadores? Então a se tem os melhores treinadores entao a culpa é dos jogadores que não têm qualidade… Então para quê gastar rios de dinheiro a comprar estrangeiros se o resultado é o mesmo?
Vivemos os tempos do ”treinador prima-dona” o treinador que acha que é bom demais para ”desenvolver talentos” e que EXIGE trabalhar apenas com produto acabado? Então para que serve um treinador afinal?
Temos vários exemplos de treinadores em Portugal que se recusam a trabalhar e desenvolver jovens jogadores, mesmo que tenham potencial de outro mundo, como o JJ, Conceição ou o Lito Vidigal e se o fazem é por pressões externas como o clube ou empresários (Carvalhal nunca na vida apostaria no David Carmo, só o manteve na equipa por pressão do clube que o quer valorizar a todo o custo.. Se fosse pelo Carvalhal já teria sido emprestado ao Gondomar e teriam ido buscar 1 ou 2 brasileiros trintões para o lugar…)
Mesmo o caso João Félix, nunca teria existido se o Jorge Jesus tivesse continuado no Benfica.. Ainda hoje estaria na equipa B ou emprestado ao Nottingham Forest.
A falta de visão dos clubes portugueses é angustiante… Se não fosse o Jorge Mendes que tem sido o sugar daddy da maioria dos clubes portugueses bater o pé e dizer ” Se quiserem continuar a ter a minha ajuda e a ter liquidez no futuro vocês vão ter de triplicar o investimento na formação e vão ter de apostar efectivamente no jogador X, Y e Z” E é isso que vai valendo aos clubes portugueses, se não fosse o Jorge Mendes não tenho dúvidas que os grandes clubes portugueses já teriam todos deixado de existir nos últimos 10 anos ou estariam para fechar portas..
Antonio Clismo
Este ano de Covid19 é uma oportunidade ÚNICA para o país dar 5 passos à frente no que toca ao desenvolvimento e potenciação dos seus jovens jogadores. Jogos sem público, com enorme frequência e nível de exigência mais baixa do que num ano ”normal”. É imperativo manter plantéis extensos porque nenhum plantel de 25 jogadores aguenta um ritmo de jogos de 3 em 3 dias por muito tempo.
Ainda por cima com a possibilidade de poderem fazer 5 substituições por jogo.
Todos os clubes deveriam ter pelo menos 5 jogadores abaixo dos 20 anos a treinarem com a equipa principal todos os dias e a aprenderem e evoluírem a partir daí. Daqui a 2 ou 3 anos quando o clube precisar deles, concerteza eles vão lá estar para assumir o lugar e criar valor ao clube.
Vejam clubes como o Liverpool, Manchester City, PSG ou Bayern de Munique, se for preciso colocarem miúdos de 18, 19 anos a jogarem para dar descanso a algum titular fazem-no sem problema nenhum e não existe diferença de rendimento na equipa, o que pressupõe que é algo trabalhado e que não foram simplesmente às reservas e aos sub19 buscar alguém para tapar buracos.
Veja-se o exemplo do Rafael Camacho, com 17, 18 anos já treinava todos os dias na equipa principal do Liverpool sob a supervisão do Klopp e sempre que foi chamado cumpriu. No Sporting foi lançado às 3 pancadas e sem plano de gestão de carreira e notou-se que além da falta de motivação estava sempre perdido em campo… Isto só mostra o amadorismo de um clube no que toca à potenciação de talento, e neste caso, talento que custou caro.
Engraçado que no espaço de 1 ano as coisas mudaram, sob a estratégia de Rúben Amorim todos os jogadores que entram em campo jogam razoávelmente bem porque já estão integrados no grupo há imenso tempo. Se lançar Inácio, Joelson, Quaresma, etc todos eles vão render porque já estão acostumados a jogar com os titulares.
Alexis
É claro que numa liga como a Portuguesa a formação ser o caminho, mas pegando nos clubes que lutam para o título isso é um assunto um pouco mais complicado, já que falhar o objectivo é sempre catastrófico, quer na relação com os adeptos, quer na estabilidade da posição do treinador, quer a nível financeiro, já que a ida à Liga dos Campeões tem um peso enorme no orçamento anual.
Para mim, e num clube como o meu, o Benfica, o ideal era ter um balanço que permita ter uma equipa capaz de ganhar o título e ao mesmo tempo dar minutos e competição ao talento da casa.
Pegando neste plantel e com as ideias de JJ, o ideal seria ter 2 GR capazes de ser titulares +1 titular na B (Kokubo) – Svilar teria de ser emprestado
3 centrais titulares + 1 titular na B (Morato)
Lateral Esquerdo e Direito titulares + 1 bom suplente (Nuno Tavares) + 1 miúdo da B;
Weigl, Gabriel, Taraabt, Gerson + Ronaldo Camará + Paulo Bernardo
3 extremos titulares + 2 jovens da B;
3 avançados titulares + Gonçalo Ramos + 1 miúdo da B
Portanto algo como 19/20 jogadores bons e capazes de ser titulares (incluindo os miúdos da formação que já fazem parte do plantel) a qualquer altura + 6/7 miúdos da B.
Assim o XI mais forte não ficava comprometido e haveria por certo muitos minutos para os miúdos talentosos da formação
Joao Silvino
Terá sempre que se ter em conta o trade-off entre experiência e juventude, mas, pelo menos até sermos um país grande, o caminho para as nossas equipas tem que ser formar, apostar, exportar. A única coisa que me preocupa é a aposta em não-portugueses, que dá aquele ângulo meio nojento de “futebol negócio”.
FVRicardo
Aproveito para deixar a minha lista de jovens extra-grandes a seguir nesta Liga:
Gr
Varela
DC
Chidozie
Riccielli
Ferraresi
Pedro Álvaro
Alejandro Gomez
DD
Cannon
LE
Nilton Varela
MC
Bruno Jordão
Joaquim Pereyra
Eustáquio
Danilovic
Thill
AV
Angel Gomes
Lameiras
Samuel Lino
Varela e Lameiras não são jovens mas acho que se vão afirmar este ano (especialmente o Lameiras).
gigbola
Os jovens actualmente têm cada vez pior técnica a cabecear, o que evidencia falta de garra.