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À procura de um novo Boavistão

Fundado em 1903, o Boavista F.C. é um dos mais históricos clubes do futebol português, possuindo no seu currículo de luxo um campeonato nacional, cinco Taças de Portugal e três Supertaças. Os axadrezados foram um dos primeiros clubes a tornar-se profissional em Portugal, chegando mesmo a ser considerado como a grande potência da cidade do Porto. Muito marcado pela família Loureiro, o Boavista começou a destacar-se com Pedroto ao leme, mas foi no título conquistado em 2000/2001, com Jaime Pacheco, que teve o maior momento da sua história. Durante algum tempo considerado como o quarto grande, a pantera esteve presente em grandes noites europeias, quer na Champions quer na antiga Taça UEFA, sendo a meia-final perdida frente ao Celtic em 2002/2003 o maior desses exemplos. As vendas de jogadores como Ricardo, Nuno Gomes, Petit ou João Pinto para os grandes foram outro dos catalisadores para o crescimento do emblema boavisteiro, que tinha tudo para ter sucesso. 

Contudo, os avultados investimentos a fim de fazer frente aos três grandes, aliados ao caso Apito Dourado, levou o Boavista do céu ao inferno num “abrir e fechar de olhos”. Nesse famoso caso judicial, o Conselho de Justiça da Federação deu como provada a corrupção ativa, sendo o clube castigado com uma multa de 180 mil euros, a perda de seis pontos e a descida à Segunda Liga. Os problemas financeiros eram já muitos, levando mesmo o emblema da cidade do Porto a ser relegado para a II Divisão por não ter cumprido os requisitos financeiros para entrar nas competições profissionais. O risco de insolvência era uma realidade e o Boavista só não foi extinto devido às reestruturações financeiras alcançadas.

A recuperação do emblema começou sob o comando de Álvaro Braga Júnior, presidente do clube entre 2008 e 2012, que contou com passagens por vários clubes portugueses. A massa adepta teve também um papel importante no reerguer do Boavista, uns adeptos que proporcionavam grandes noites no Estádio do Bessa, hoje com capacidade para mais de 28 mil pessoas. As lutas nos tribunais foram imensas, desde maio de 2008 até fevereiro de 2012, quando o Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa anulou a descida dos axadrezados por não reconhecer a existência da reunião do Conselho de Justiça.

Atualmente, o clube é liderado por Vítor Murta, presidente eleito em 2018. Já a SAD foi recentemente adquirida maioritariamente por Gérard López, dono do Lille, que pretende catapultar o clube para outro patamar. O investimento será feito de uma forma gradual, mas permitindo à equipa praticar um bom futebol e procurar sempre a vitória. A pantera sempre foi reconhecida por ser uma equipa muito aguerrida, nem sempre jogando um bom futebol, logo a escolha do técnico era fundamental para o sucesso do projeto. O nome escolhido foi o de Vasco Seabra, um treinador jovem de apenas 37 anos, que contava somente com uma experiência na I Liga no Paços de Ferreira. Ricardo Costa passou de jogador a diretor desportivo, estando perfeitamente conectado com Luís Campos e Admar Lopes, nomes que têm também uma grande importância nas decisões da SAD. Se juntarmos a tudo isto o investimento feito no plantel que viu chegar à Invicta nomes como Rami, Javi García ou Sebastián Perez, as expectativas dos adeptos eram bem altas à entrada para a nova época.

A verdade é que em 11 jogos nesta época, o Boavista soma duas vitórias, cinco empates e quatro derrotas, soma apenas uma vitória no campeonato e ocupa agora o 15º lugar na classificação, tendo sido já eliminado da Taça. Vasco Seabra privilegiava um sistema de 4-2-3-1, mas o grande momento da temporada, a vitória frente ao Benfica no Bessa, foi conseguido com um 3-4-3 que anulou as maiores virtudes dos encarnados, aplicando aí a primeira derrota à equipa de Jorge Jesus. Em termos individuais, os nomes que mais se têm destacado no emblema boavisteiro são os do guarda-redes Léo Jardim, do lateral Reggie Cannon e do criativo Angel Gomes. É certo que houve algumas contrariedades, com casos de Covid no plantel, golos sofridos nos últimos minutos, mas a prestação da equipa tem ficado muito aquém do esperado, refletindo-se agora na saída de Vasco Seabra. Depois de Miguel Cardoso e Pepa serem apontados ao comando técnico do Boavista, a escolha acabou por recair em Jesualdo Ferreira. O experiente técnico de 74 anos, que conta diversas passagens pelo futebol português e internacional, será o responsável por tentar fazer regressar a pantera aos bons velhos tempos do Boavistão de Pedroto e Jaime Pacheco. Tem a palavra o professor.

Nuno Mendes

2 Comentários

  • Tiago Silva
    Posted Dezembro 15, 2020 at 11:13 am

    O Boavista tem aqui um projeto muito interessante, tem nomes muito bons e miúdos com um potencial incrível para valorizar. O maior erro na preparação desta temporada foi a saída de quase todos os elementos que estavam no ano passado, é importante ter algum núcleo duro sobre a qual construir o plantel. É verdade que o plantel do ano passado era muito limitado para o que o projeto pede, mas nem que servissem apenas de alternativas, era importante manter alguns nomes importantes para o balneário. Para além disso, tem que haver nomes experientes na equipa, mas que consigam acrescentar, não é o caso de Javi Garcia e de Rami que estão terríveis em termos físicos. Em Janeiro procuraria sobretudo um central para jogar ao lado de Chidozie e um médio de ligação para jogar ao lado de Show, um médio daqueles que faça fluir o jogo da equipa. A solução poderia passar por 2 portugueses: Fábio Cardoso para a defesa e Tiago Rodrigues do CSKA Sofia para o meio-campo. 2 nomes com experiência do nosso campeonato e que colmatavam as maiores lacunas da equipa. Também um ponta de lança poderia ser bem-vindo, um empréstimo de Timothy Weah por parte do Lille poderia ser benéfico para ambos os clubes. Sendo assim um XI com Leo Jardim, Cannon, Fábio Cardoso, Chidozie, Hamache, Show, Tiago Rodrigues, Angel Gomes, Elis, Nuno Santos e Weah seria muito bom e poderia elevar a equipa do Boavista para outro nível.

  • Antonio Clismo
    Posted Dezembro 15, 2020 at 11:57 am

    Por isso é que sou contra às contratações desses grandes jogadores que já o foram no passado. Estava-se mesmo a ver que Rami e Javi Garcia não iriam corresponder o imenso dinheiro investido neles.

    Também não parecem ter o interesse em viver o clube e nota-se que vieram unicamente por causa do dinheiro. Não é o regresso de uma velha glória que vem para ajudar o clube de todas as formas que puder dentro e fora do campo como o Ricardo Costa no ano passado por exemplo.

    Vieram porque conseguiram enganar o clube com os vídeos de Youtube dos seus melhores momentos de há 5 ou 10 anos atrás.

    O Boavista está a tentar construir a casa pelo telhado. Antes de contratar jogadores de nível elevado (construi o telhado) tem que se assegurar que existe uma base sólida e sustentada para servir de fundações para os sucessos. O clube ainda tem que crescer muito em termos orgânicos. Isso só será possível investindo nas camadas jovens, nas instalações, na comunidade de apoio ao clube e na profissionalização dos quadros técnicos e directivos do clube.

    De que vale trazer jogadores como o Angel Gomes se depois parece que o miúdo até tem vergonha de dizer que joga no Boavista?

    Faz-me lembrar quando o Aves contratou o filho do Zidane pagando-lhe o maior salário do plantel para praticamente nem jogar. Nem se misturava com o restante plantel e nunca aparecia nos eventos do clube. Depois dos jogos apanhava sempre o avião privado para Madrid e voltava quando lhe apetecia 1 ou 2 dias depois.

    O exemplo do Aves é um bom exemplo de um grupo de investimento que se apoderou de um clube, injectou lá imenso dinheiro, alavancando o clube para outros patamares mas com um projecto que não era sustentável e depois claro que mais cedo ou mais tarde as coisas colapsaram à primeira adversidade…

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