Depois de mais um desaire a meio da semana diante do Friburgo, o Schalke igualou o pior arranque da sua história na Bundesliga. Em 7 encontros oficiais para todas as competições, a equipa de Domenico Tedesco somou apenas uma vitória, e para a Taça da Alemanha, sobre o modesto Schweinfurt 05, da Regionalliga. No campeonato, as contas estão verdadeiramente complicadas, com 5 derrotas ao cabo de outras tantas jornadas, tantas quanto a equipa tinha sofrido, durante o mesmo período, em 2016/17, quando o conjunto mineiro era orientado por Markus Weinzierl.
Depois do vice-campeonato alcançado na última temporada, este arranque em falso tem constituído uma verdadeira surpresa, algo que, no entanto, até tem sido bastante comum num campeonato bastante nivelado e onde reina a imprevisibilidade, excepção feita ao primeiro lugar. Em 56 edições da Bundesliga, foram até hoje 12 as equipas que chegaram ao final da 5.ª jornada sem somar qualquer ponto, 5 delas, apenas nos últimos 4 anos. No entanto, isto pouco quer dizer no que respeita à classificação final obtida por essas mesmas equipas. Na verdade, em apenas 5 destes 11 casos, as equipas em questão caíram para a 2. Bundesliga. De seguida, recordamos alguns destes casos mais recentes, em que estes emblemas enfrentaram sortes diferentes:
2017/18: Colónia. Comandados por Peter Stöger, os ‘bodes’ abordaram a última temporada cheios de optimismo, depois do 5.º posto em 16/17, que lhes valeu o regresso às provas europeias 25 anos depois. No entanto, a 1.ª volta revelou-se um verdadeiro desastre, com a primeira vitória a ter lugar apenas na 17.ª jornada, a última antes do natal, numa altura em que o técnico austríaco até já se tinha despedido do clube. Apesar de uma ligeira reacção no mês de Janeiro, foi tarde demais para o Colónia escapar à despromoção.
2015/16: Estugarda. Numa mesma temporada, tivemos duas equipas a entrar na 6.ª jornada sem somar qualquer ponto. Depois de um 14.º lugar, os ‘suábios’ apostaram em Alexander Zorniger, que tinha sido responsável pelas promoções consecutivas do RB Leipzig à 3. Liga e à 2. Bundesliga, mas a experiência revelou-se breve e pouco conseguida. 15 jogos depois, o técnico alemão seria substituído por um homem da casa, Jurgen Krammy, que aos poucos foi emendando a situação. No início da Abril, o Estugarda estava a salvo na 11.ª posição, mas 6 derrotas nas 6 derradeiras jornadas atiraram o clube para a segunda divisão, onde não estava desde 1976/77.
2005/06: Mainz. Premiado com uma vaga-extra na então denominada Taça UEFA em virtude do prémio fair-play, o “clube do Carnaval” sentiu maiores dificuldades para se manter no principal escalão do futebol germânico, depois de um ano de estreia superado com distinção (11.º lugar). A equipa de um jovem Jürgen Klopp (38 anos), saiu derrotada dos 5 primeiros compromissos para a Bundesliga, mas corrigiu a sua situação uma vez afastada da Taça UEFA pelo Sevilha, em finais de Setembro. Nunca estando verdadeiramente tranquila com a sua classificação, a verdade é que o Mainz conseguiu repetir o 11.º lugar pelo 2.º ano consecutivo.
2016/17: Schalke. Recém-chegado a Gelsenkirchen, depois de uma obra com mais de 14 anos no clube da sua terra natal, o Mainz, onde foi responsável pela aposta em Jürgen Klopp ou Thomas Tuchel como técnicos da equipa principal, Christian Heidel, o novo director desportivo dos mineiros, apostou em Markus Weinzierl, ex-Augsburgo, que vinha realizando um trabalho bastante sólido na Baviera (15.º, 8.º, 5.º e 12.º). 5 derrotas em 5 jornadas fizeram pairar sobre si um intenso manto de dúvidas, que as 10 vitórias e os 2 empates nos 12 compromissos seguintes permitiram dissipar. Ainda assim, a eliminação na Liga Europa perante o Ajax, e a irregularidade a nível doméstico – desde aquela série, o melhor conseguiu amealhar foram 2 vitórias consecutivas – não permitiram ao Schalke ir além de um desapontante 10.º lugar, motivos mais do que suficientes para que clube e treinador seguissem rumos diferentes no final daquela temporada.
2015/16: Borussia M’gladbach. Numa época marcada pela ruinosa campanha do Borussia Dortmund, camuflada com um simpático 7º lugar, os ‘poldros’ aproveitaram para conquistar um lugar no pódio, a apenas 3 pontos de distância do vice-campeão Wolfsburgo. Por isso, o regresso à Liga dos Campeões foi festejado efusivamente. Contudo, a nova temporada arrancou da pior forma. Às 5 derrotas no campeonato, juntou-se uma sexta na Champions e Lucien Favre colocou o seu lugar à disposição. André Schubert, técnico interino, não demorou a agarrar o lugar em definitivo, depois de 8 vitórias e 2 empates para a Bundesliga, que catapultaram a equipa do último lugar para o pódio. O 4.º lugar final, e consequente apuramento para a Liga dos Campeões, fez, por isso, de 15/16 uma época muito bem-sucedida, e até na prova milionária a equipa se bateu bastante bem num grupo que reunia a Juventus, o Manchester City e o Sevilha (5 pontos).
João Lains


3 Comentários
Kostadinov
Isto não quer dizer nada naturalmente, ainda falta muito futebol para ser jogado, mas ao mesmo tempo também podemos dizer que o Shalke nunca alcançou lugares de Champions depois de perder os primeiros 3 jogos para o campeonato e já vai em 5. Vale o que vale.
Mas do que tenho visto o problema maior do Schalke parece-me ser essencialmente um de finalização. A equipa não tem jogado propriamente mal mas não consegue concretizar o que cria. O Burgstaller não dá mais do que isto e já no ano passado esteve em sobre-rendimento, o Embolo tarda em aparecer e o Uth ainda não ‘chegou’. Acho que sairão dos lugares de baixo com naturalidade mas a verdade é que o Tedesco também tem de provar que consegue lidar com o síndrome de segunda época.
Flavio Trindade
Tedesco foi uma lufada de ar fresco no Schalke na época passada, mas o futebol apresentado esta época mais do que justifica o último lugar.
A saída de Goretzka e Meyer não explicam tudo.
O mercado foi mau (o que já é um hábito) mas o futebol é que é deveras preocupante.
Joga mesmo muito mal este Schalke
Tiago Silva
O Tedesco é um grande treinador mas ainda é muito inexperiente e nunca esteve numa situação como esta. Vai ser difícil dar a volta.