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Algumas notas sobre o Manchester City de Guardiola

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Imagem: Sky Sports

Este texto reúne alguns pensamentos acerca do Manchester City treinado por Guardiola. O jogo contra o Chelsea, no passado sábado, foi um dos melhores (e mais difíceis) testes pelos quais esta equipa teve de passar. Com plantéis recheados de qualidade, o objectivo de ambos os grupos é vencer a Premier League. Por isso vou considerar principalmente este jogo como a base para as reflexões que pretendo elaborar sobre o Manchester City, sem, contudo, esquecer o percurso que efectuou até à chegada desta jornada.

Quer a nível ofensivo, quer a nível defensivo, o City tem, se não na totalidade, pelo menos em parte, as ideias de Guardiola. Jogo de posse, com extremos bem abertos, procurando diagonais e desequilíbrios, com constantes movimentações e trocas de posição entre os jogadores, reagindo rápido à perda da bola e colocando muita pressão no início da construção do jogo adversário. Pode não estar totalmente refinado (e não está, de todo), mas já se vê o modelo de Guardiola em funcionamento.

O sistema táctico tem variado entre o 4x3x3 e o 3x5x2. Contudo, não sendo pelos sistemas tácticos em si mas pelos jogadores que os interpretam, os resultados não têm sido os esperados, principalmente quando se joga em 3x5x2. A maior falha deste sistema parece ocorrer na defesa. Guardiola não confia nos seus defesas, à excepção de Otamendi, Stones e Kolarov. O treinador apenas parece contar com estes três para o centro da defesa, sendo que Kolarov varia entre o centro e a esquerda (em 4x3x3). Prefere-se a adaptação de extremos às alas do meio campo (Sterling, Navas, Sané) do que a de laterais (Sagna, Zabaleta, Clichy). Em condições normais, havendo mais opções para o centro da defesa, Kolarov seria o dono da ala esquerda. No entanto, tanto Sterling como Navas e Sané, jogaram toda a vida como extremos, e não possuem rotinas defensivas. Isso viu-se principalmente na exibição de Sané. No momento ofensivo conseguia desequilibrar, mas em transição defensiva nunca conseguia recuperar a tempo, deixando imenso espaço nas suas costas. Por outro lado, nem Sagna, nem Zabaleta ou Clichy são conhecidos pelas correrias ao longo do corredor. São laterais que fecham melhor junto ao central. Não existe no plantel nenhum Marcos Alonso, jogador que compreende e interpreta de uma forma soberba o que esta posição chave pede.

Aliado a este factor, Stones, Bravo e Otamendi não têm dado a segurança necessária à linha defensiva. Stones é excelente na saída de bola, mas em termos de posicionamento e recuperação ainda é muito imaturo. Bravo não está a revelar os dotes que possuía em Barcelona – tem inventado imenso quando joga com os pés, colocando a equipa em situações perigosas – e Otamendi tem cometido alguns erros para o central de top (10? 15?) mundial que ele é.

O meio campo tipo de Guardiola tem sido Fernandinho, Gundogan e David Silva. É um conjunto de jogadores óptimo com bola e em termos posicionais. Fernandinho é o jogador mais recuado e o que oferece mais em termos de equilíbrio defensivo, bem secundado por Gundogan. David Silva, com a sua visão de jogo e qualidade de passe, tem assentado que nem uma luva no modelo de Guardiola. Contudo, o jogo com o Chelsea pôs a nu as fragilidades quer deste meio campo, quer do estilo de Guardiola. Conte apostou numa estratégia de contra-ataque que se revelou frutífera. Se a primeira fase de pressão do City é muito forte, a verdade é que, se a bola consegue passar através dela, os médios não têm a intensidade necessária para exercer uma pressão efectiva sobre a bola. Os médios limitam-se a olhá-la e, contra jogadores como Fabregas, com inteligência, visão de jogo e qualidade de passe, acabam por sofrer muito. Por vezes nota-se a falta de um jogador que destrua jogo e equilibre a equipa. Juntando a lentidão da defesa na recuperação das posições iniciais, a transição defensiva do Manchester City está a custar alguns pontos na classificação.

O ataque está bem servido por Aguero, De Bruyne (este adaptado), e Iheanacho. São avançados móveis e, principalmente os dois primeiros, combinam muito bem um com o outro. Chegará agora Gabriel Jesus, aumentando as opções para o centro do ataque, sendo exactamente isso que o City necessita. Não é o mesmo ter três opções para uma vaga no 4x3x3 e ter três opções para duas vagas no 3x5x2. Se faltasse algum avançado no segundo sistema, as respostas poderiam ficar um pouco curtas. O brasileiro colmatará essa falha.

Este Manchester City de Guardiola ainda é um embrião e vai levar o seu tempo (e dinheiro) a desenvolver-se. Com alguns reforços cirúrgicos e com a maturação de alguns jogadores, esta equipa tem potencial para se tornar um forte candidato a vencer a Premier League durante os próximos anos. Não que neste momento não seja uma das melhores equipas deste campeonato, mas os clubes ingleses têm tendência a não ser muito regulares nas campanhas internas (veja-se o Manchester United e o Chelsea, por exemplo). O City está a construir uma base que lhe permita ser regular e, quem sabe, aspirar até a vencer a Liga dos Campeões nos próximos anos.

Visão do Leitor: Rui M. Teixeira

VM
Author: VM

22 Comentários

  • sequeira
    Posted Dezembro 6, 2016 at 2:16 pm

    A este city faltam 3 elementos… Um central(alderweireld), um médio(weigl) e o já confirmado Gabriel Jesus…

  • Kacal
    Posted Dezembro 6, 2016 at 2:19 pm

    Excelente post, Rui M. Teixeira.

    Concordo com tudo, o Man City vai melhorar imenso ainda com uns reforços cirúrgicos e a maturação de alguns jogadores, assim como acredito que acontecerá o mesmo com o Man Utd, situações diferentes mas também acho que vão melhorar com a mesmas circunstâncias. Acho que o Man City precisa de reforçar a defesa (Pelo menos 1 central, saindo Kompany, e 2 laterais, um para cada lado, é preciso., contratar um médio como Weigl e talvez até um extremo mais maturado e com outro nível, tem jovens talentosos e com potencial mas falta ali outro jogador. Uma das diferenças entre Man City e Chelsea foi que uma tinha Kanté e a outra não, talvez o Man City com Kanté(lele) não tivesse perdido o jogo, não me admirava que o pequeno (gigante) francês rumasse a Madrid em breve dando o “salto” de Caen para Leicester (campeão), seguindo para o Chelsea (campeão) e chegando ao maior clube do mundo. Quem sabe.

    • Nelson Mohr
      Posted Dezembro 6, 2016 at 3:44 pm

      Porque não o William para o meio campo? Parece me ser uma excelente opção para o que Guardiola quer.

      • Kacal
        Posted Dezembro 6, 2016 at 5:11 pm

        Também seria uma boa opção.

        Disse o Weigl porque acho que seria o reforço ideal para o Guardiola, tem apenas 21 anos mas já muita maturidade e tem as características que ele pretende na equipa e é um jogador que aprecia.

        Quanto ao William, realmente ir para uma equipa treinada pelo Guardiola até seria o ideal.

      • David
        Posted Dezembro 6, 2016 at 6:17 pm

        Exceptuando os pequenos detalhes do Guardiola gostar de jogadores intensos , que pressionam e são agressivos, tudo caraterísticas comuns ao William como sabemos. Por alguma razão o Guardiola não é o maior fã do Yaya Touré

        • Kacal
          Posted Dezembro 6, 2016 at 8:57 pm

          O William Carvalho é MDF, o Yaya é box-to-box e têm características diferentes e idades diferentes. Além disso o problema com o Yaya não é só futebolístico. William com bola é um médio defensivo que pode funcionar com o Guardiola e isso seria um desafio aliciante para ele e poderia fazê-lo evoluir nesses aspectos que falaste.

  • António Hess
    Posted Dezembro 6, 2016 at 2:21 pm

    Será sempre uma questão impossível de responder com absoluta unanimidade, mas deixo-a aqui na mesma: é preferível um treinador personalizado, que se adapta à equipa que encontra (uma espécie de “camaleão”), como Mourinho, Ancelotti… ou um técnico que, à imagem de Pep, quer imprimir um estilo próprio, elevado ao limite?

    Olhando para os factos, é inegável que Guardiola ainda não falhou. Depois dos sucessos retumbantes no Barça fez um bom trabalho no Bayern (ainda que tenha falhado a conquista da Champions), sempre com um estilo muito próprio – demasiado próprio e, quando assim é, os riscos são enormes. Neste City há matéria prima de qualidade, mas os jogadores não estão “moldados” para jogar assim… Sané, por exemplo, dificilmente dará um grande ala e Kolarov a central nunca convencerá. O problema é que já foi gasto tanto dinheiro e parece ser necessário muito mais para colocar os “citizens” no caminho do sucesso, e isso será difícil de contornar.

    • The Sporting Fan
      Posted Dezembro 6, 2016 at 3:04 pm

      Prefiro alguém como Pep.

    • João Duarte
      Posted Dezembro 6, 2016 at 5:43 pm

      Se tiveres um plantel para colocares em prática o teu estilo deves implementá-lo, se não tens não o deves fazer. O City não tem claramente plantel para o estilo de jogo do Guardiola e este não deve forçar implementar o seu estilo de jogo de forma rígida. Deve adaptar-se ao contexto onde está e ir fazendo alterações progressivas no sentido de fazer evoluir o estilo de jogo da equipa. É óbvio que os princípios serão sempre parecidos, mas forçar uma coisa que não está a resultar e que se sabe que não vai resultar com eficácia não acho que seja o caminho correcto.

  • VettelF1
    Posted Dezembro 6, 2016 at 2:37 pm

    Eu só não percebo o porquê de tanto alarido à volta do City e do Chelsea. O que faltou ao City foi eficácia, apenas e só. E elogiam tanto o Conte, mas esquecem-se que o City perdeu porque falhou muito, não foi o Chelsea que defendeu bem

    • kurt
      Posted Dezembro 6, 2016 at 3:02 pm

      Concordo plenamente…A verdade é que o Chelsea tem tido uma eficácia tremenda (mérito claro), mas também não têm defendido particularmente bem concedendo ocasiões em demasia…

      O city criou e não conseguiu, e para mim o United nos últimos jogos tem merecido a vitória mas se a bola não entra ..

    • The Sporting Fan
      Posted Dezembro 6, 2016 at 3:04 pm

      Concordo!

  • Leandro
    Posted Dezembro 6, 2016 at 2:38 pm

    Vejo muita gente com grandes esperanças depositadas no Gabriel Jesus, como se ele chegasse agora em janeiro e começava logo a faturar e a render a um grande nivel. Quando na minha opinião vai começar bem devagar com um minutinhos no final de alguns jogos, provavelmente partindo atraz de Iheanacho, que esse sim, já esta adaptado à equipa por lá estar já à algumas épocas e já mostrou valor marcando “quase sempre”. Raramente um miúdo chega do Brasileirão e começa a render logo, ainda para mais num clube de topo, provavelmente só o Neymar nos últimos tempos, mas esse é de outro nível, já era um dos melhores do mundo.

  • The Sporting Fan
    Posted Dezembro 6, 2016 at 3:03 pm

    A minha aposta e o City para vencer já a Premier League.

  • GuardiGODla
    Posted Dezembro 6, 2016 at 3:12 pm

    Engraçado que quando o City começou a época com uma série de vitórias seguidas, era devido ao génio Guardiola, mas quando começa a somar resultados menos conseguidos a culpa já é dos jogadores que não se encaixam na sua tática.

  • George Orwell
    Posted Dezembro 6, 2016 at 3:22 pm

    Sim, existe trabalho pela frente. Não obstante que culpa tem Guardiola de, por exemplo, De Bruyne falhar aquele golo? O resultado do jogo com o Chelsea engana bastante. Nota-se e muito o trabalho de Pep, embora ainda haja algo a melhorar (há sempre, diga-se).

  • RodolfoTrindade
    Posted Dezembro 6, 2016 at 5:28 pm

    A verdade é que antes deste jogo com o Chelsea, o City não andava a jogar um caracol e vinha acumulando algumas vitórias com muita fortuna.

  • Dca
    Posted Dezembro 6, 2016 at 5:40 pm

    Parece me que o Guardiola ainda não encontrou o seu rumo para este City. Começou com a estratégia dos laterais por dentro (que eu concordo plenamente), sendo que agora tem jogado num sistema de 3 defesas. Tem muito para evoluir (este City) e vai evoluir).

  • MikeM
    Posted Dezembro 6, 2016 at 7:21 pm

    Pode parecer uma opinião estúpida mas acho que falta qualidade no plantel do Manchester City. Têm jogadores muito bons como Aguero, mas entre os jogos que está castigado e lesionado, fica um jogador pouco fiável e que está a perder algumas qualidades, Silva, Gundogan, Otamendi e De Bruyne. Sané e Sterling têm um enorme potencial (sobretudo o alemão), mas ainda estão a crescer, Gabriel Jesus, que ainda há-de vir, igual e depois é um misto de jogadores em decadência, como Kompany, Touré, Sagna, Clichy ou Zabaleta com outros que não têm qualidade para fazer parte do plantel como o Navas, Fernando ou Delph. Safam-se Fernandinho e Kolarov e pouco mais. Faltam opções a este City, falta a qualidade que Guardiola se habituou quer no Barcelona quer no Bayern. As contratações também não foram, na sua maioria, as indicadas, já que me parece (e sempre pareceu) que Bravo foi um tiro no pé e Nolito não tem também qualidade para fazer a diferença a este nível.
    Quanto a mim precisariam de um pequena revolução no plantel, mas que só poderá ser feita no Verão. Dois laterais, um para cada lado, um central, um médio defensivo, um médio centro e um extremo.
    Ainda assim irão certamente lutar pelo título inglês. Na Champions é que não lhes vejo grandes hipóteses…

  • cards
    Posted Dezembro 6, 2016 at 10:05 pm

    continuo a achar que o city será campeão

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