Portadora de uma das maiores paixões entre adeptos e futebol, Liverpool é uma cidade para além da identidade dos seus cidadãos e monumentos. Os Reds são talvez o clube que mais transborda mística para além da sua arena em Anfield Road, quer seja pelos lendários jogadores ou pelo hino mais conhecido do futebol, que ecoa em uníssono por esse mundo fora. Talvez possamos dizer que o mais recente registo do Liverpool FC não está à altura da epopeia do seu passado mas, por outro lado, está sempre presente a luta e a garra que parecem ser transmitidas geneticamente a cada geração de jogadores que se vestem de vermelho na cidade dos Beatles. Recentemente, assistimos a um mudar de rumo e uma renovação dos bastidores da equipa, salientando claro a presença do alemão e cotado Jurgen Klopp. Contando já com duas finais europeias desde que se estreou em Inglaterra, é claro o efeito positivo do alemão no plantel e, obviamente, na táctica que tanto encanta a Premier League com o seu estilo ousado e agressivo.
Fora as recentes contratações e ligeiras alterações no XI titular, a equipa de Liverpool costuma apresentar-se num 4-3-3 com linhas próximas e jogadores condensados numa área mais pequena de jogo do que é normal. Este aspeto geral da táctica de Klopp tem como objetivo primário dificultar sem grandes invenções a troca de bola do adversário. O sistema de aglomeração dos jogadores em campo quando encurtam as linhas funciona conforme o lado em que a bola está no campo e deambulando em bloco conforme o flanco ou corredor em que a posse de bola está a ser feita. Esta proximidade dos jogadores à outra equipa e a redução de espaço de forma tão repentina e agressiva com pressão obriga a que o adversário circule com menos critério ou mais rapidez, propiciando também erros se a equipa em posse de bola se arriscar a continuar a progressão com combinações em zonas tão populadas por jogadores, no geral, muito rápidos. Quer seja circulação rasteira ou recepção de passes longos, o princípio é muito básico: maior número de jogadores na área onde está ou vai estar a bola é sinónimo de maior hipótese de recuperação de posse ou de ganhar ressaltos.
No que toca à reação à perde bola, a defesa começa no último terço. Sem bola e no momento defensivo, ainda é mais óbvia a compactação da equipa dos Reds, fechando ainda mais os 3 médios recuados e inclusive baixando os avançados para criar alguma pressão nas costas do ataque adversário. O encurtamento tão salientado de linhas nestas situações ajuda a compensar as frequentes saídas de um ou outro central, que expõem o espaço na defesa e na área para a entrada de um avançado adversário entre os restantes defesas. Desta forma, e sendo a proximidade de jogadores muito maior, as dobras são feitas com mais rapidez e menos esforço, quer seja pelo defesa adjacente ou pelos médios box-to-box como Henderson, por exemplo. Muito importante também no momento sem bola é Milner, talvez o jogador com mais conforto em qualquer posição no campo e que pode colmatar com mais facilidade a subida do lateral (curiosamente posição onde jogava) ou oferecer a linha de passe e ligação da defesa e do ataque. É essencial que exista um (ou mais) jogador tão versátil num jogo tão vertiginoso e perigoso para quem ataca, pois tão facilmente quanto se desequilibra o adversário também em caso de perda de bola a equipa pode descompensar a defesa e meio-campo.
No meio-campo adversário, a pressão de bola é feita apenas pelos 3 avançados com Salah e Mané subindo com pouca intensidade e deixando liberdade para Firmino pressionar de perto e deambular na direção do portador de bola. Feita a pressão no último terço, o adversário (em caso de progressão bem-sucedida) pode chegar perto do meio-campo onde, como se de uma armadilha se tratasse, os 3 médios avançam para a recuperação de bola ou intercepção de passes com os avançados (principalmente Firmino) a descerem do lado oposto e encurralando num espaço (quase que criado para o efeito) os portadores da bola que têm de ligar o jogo com os colegas da frente e ter em atenção os jogadores mais ágeis do Liverpool vindos de trás. O mesmo acontece na zona mais recuada dos Reds mas entre a linha dos 4 defesas e dos 3 médios. Esta aposta no sufoco e superioridade numérica excessiva e rápida é muito eficaz na recuperação, pois facilmente um adversário se pode encontrar rodeado de 4 jogadores de perto sem qualquer hipótese de progressão ou linha de passe. Em contraste, e em caso de sucesso dos jogadores da outra equipa, o Liverpool ironicamente está mais sujeito a contra-ataques no espaço que deixa livre para os adversários fora de marcação. Existe claramente um pesar da relação benefício-risco na qual apenas uma equipa servida de jogadores com esta disponibilidade física (resistência e velocidade) aliada à leitura de jogo se pode dar ao luxo de fazer.
Firmino é talvez o jogador mais importante no jogo atacante do Liverpool, pois no momento sem bola é o que mais recua para auxiliar colegas ou recuperar a posse (é talvez um dos avançados com melhor índice de recuperação de bola eficaz) no meio-campo adversário. Quer seja para recuperar a bola ou para dar uma linha de passe próxima dos médios, o baixar no terreno de Firmino, para além da subida da defesa adversária e arrastamento de quem o marca, oferece oportunidade a Mané e Salah de fletirem para o meio e explorarem as zonas de finalização ou seguirem para a ala enquanto os médios sobem pelo centro do terreno e os laterais oferecem apoio nas costas. Esta é talvez a assinatura do futebol “Heavy Metal” de Jurgen Klopp que resultou nos números avassaladores de golos por parte do trio atacante.
No processo de construção a partir de trás, o Liverpool dá prioridade à circulação de bola pelos defesas, optando por esperar que as linhas se juntem ou que os alas ou extremos possam esporadicamente abrir o jogo ou uma linha de passe direta para o ataque, seja por intermédio de um jogador do meio-campo ou avançado. Em todo o caso, a compactação que também é usada no momento defensivo pode facilitar a desocupação de um dos flancos e libertar o corredor oposto à circulação de bola para que jogadores como Salah, Mané ou mesmo os laterais Trent Alexander-Arnold ou Robertson explorem a lateral para cruzar junto à linha de fundo ou progredirem no terreno sem tanta oposição no 1 vs 1. Esta particularidade da equipa é especialmente perigosa nos contra-ataques. Tão baixo quanto começa a jogada, toda a equipa sobe quase simultaneamente em direção ao ataque, tentando não desfazer a relativamente pequena área de circulação que permite manter a superioridade numérica em prol das maiores hipóteses de passes bem-sucedidos ou vencer duelos aéreos.
Esta estratégia de redução da área de circulação e ocupação extrema da zona de jogo útil, em conjunto com o espaço deixado no meio-campo adversário, é ideal para contra-ataques ou circulação vertical repentina, pois alia o sufocar do jogo de passe e desequilíbrio rápido das posições do adversário às características físicas dos jogadores do Liverpool. Juntado a isto finalizadores, médios recuperadores e velocistas de classe mundial e está feita a fórmula para o golo quase certo.
Em suma, os conceitos transmitidos por Klopp à sua equipa podem ser resumidos nos seguintes pontos:
- Compactação dos jogadores no momento sem bola de modo a não permitir circulação do adversário;
- Encurtamento de linhas com e sem bola para favorecer a subida do adversário e libertar o espaço no meio-campo oposto;
- Utilização da pressão simultânea e oposta dos médios e avançados;
- Aproveitamento da velocidade e espaços originados pela reduzida área útil ocupada pelos 20 jogadores de campo para lançar contra-ataques, de preferência, em flancos opostos ou nas costas.
Analisado o furacão que é o jogo táctico do Liverpool, podemos concluir que se tem vindo a assistir a um melhoramento claro da equipa desde há uns anos. Com as contratações de Alisson e Van Dijk vieram colmatar-se talvez algumas das lacunas mais graves da turma de Anfield onde, muito por consequência deste jogo constantemente ofensivo, sempre se sujeitou a defesa a expor as suas falhas. Certo é que esta época, mais uma vez a BPL conta com um assumido candidato, cada vez mais perto de se afirmar como possível campeão numa luta cada vez mais renhida.
Francisco Torgal


28 Comentários
Wonderkid
Excelente análise e artigo, parabéns.
Pésquerdo
Grande texto. Grande análise. Haja gente a falar de Futebol assim.
Há claramente um Liverpool pré e pós Klopp. Uma equipa que tem vindo a ganhar uma mentalidade competitiva excelente e com um futebol que é um regalo de ver. A par do City (obviamente), é das equipas que mais gosto de ver jogar.
Canutinho
Excelente Texto Francisco… como adepto do LFC reconheço maioria dos conceitos que explicaste (e bem) nesta crónica.
Talvez seja pertinente mencionar a “maturidade” que equipa ganhou este ano… Parece ser + “pragmática” e não tenta jogar os 90 minutos com intensidade no máximo! Nas épocas passadas, notava-se um claro cansaço na equipa nos últimos 10 a 15 minutos de jogo.
Vamos ver se é este ano que conseguimos a 1ª PL!!! YNWA…
Kacal
Essa parte do cansaço é verdade e destaco o Salah nesse aspecto. Um dos defeitos do egípcio era abusar demais na velocidade, não saber os timings certos para quando acelerar e quando pausar, ser mais controlado nesse aspecto e mais inteligente a jogar. Isso levava a que ele muitas vezes até aparecesse em boa posição para finalizar mas definisse mal, o cansaço física leva a mexer com o psicológico e tomamos piores decisões. Foi melhorando época a época, mas com Klopp melhorou imenso nesse aspecto e os resultados ficaram à vista com a época que fez e os golos que marcou. Melhorou a definir e muito por causa dessa melhoria. Quando foi contratado pelo Liverpool, disse que iria encaixar bem e iria ser um caso sério caso melhorasse nesse aspecto, que apontei como defeito maior, melhorou e pum!! E acho que toda a equipa tem melhorado nesse aspecto, como colectivo, como disseste e bem.
Kacal
Excelente análise e post, sensacional. Parabéns e Obrigado Francisco, isto sim é falar de futebol. Tenho a dizer-te que é ao ler estes artigos, neste caso da tua parte, que percebo que tenho muito a aprender sobre futebol e é bom fazê-lo aqui no VM todos juntos. As palavras que usas confundem-me um pouco, confesso, neste post não compreendi tão bem. Talvez possas tentar analisar de forma mais simples para quem não sabe os termos tão específicos perceba melhor, é a única coisa que aponto. Mas percebi a ideia geral e realmente muito bom o teu post!
Sobre o Liverpool, a atitude competitiva, intensidade e raça já estava implementada na equipa, o Klopp foi fazendo-o ao longo do tempo e estando em Liverpool tornou-se mais fácil ter essa “alma”. As ideias do treinador também estavam lá. Mas os reforços da época passada e desta vieram trazer outra capacidade defensiva (Alisson e Van Dijk), com eles ganharam um GR top e um DC que é o “patrão” e ambos encaixam bem na equipa e isso melhorou os pontos que eram preciso ser melhorados. Além disso estão mais consistentes, esta época têm ganho jogos pela margem mínima e joguem bem ou menos bem, marquem mais ou menos, já conseguem vencer os seus jogos, enquanto antes era goleada ou perda de pontos, era quase sempre assim, não havia meio-termo. Esta época há e estão mais fortes, sem duvida. Cada vez são candidatos mais consolidados a vencer a Premier, mas só falta uma coisa: mentalidade ganhadora. O Liverpool precisa de conquistar um titulo importante, a partir daí o céu será o limite e podem “reerguer-se” de vez e voltar à ribalta. Termino a dizer que este tipo de futebol é o meu favorito e portanto adoro ver o Liverpool jogar e tem o tipo de jogadores que aprecio. E há 3 jogadores que estão a jogar com Klopp o que nunca jogaram, sendo eles Milner, Salah e Firmino. Os restantes já jogavam a um nível alto antes de rumar a Liverpool, embora tenham melhorado também, mas estes 3 destacam-se nesse aspecto.
Francisco Torgal
Obrigado Kacal! A tua crítica construtiva vem cair muito bem porque digo-te já que é um dos desafios a escrever. Toda a gente consegue, com relativa facilidade, compreender bem as tácticas e sistemas de jogo com ilustrações e vídeos. Este desafio de fazer um texto que permita formar uma imagem e não deixar nenhum pormenor de fora põe-me em situações em que opto por simplificar (e por vezes é demasiado para o propósito que quero) ou que me deixo levar por receio de deixar algumas coisas de fora originando esse extenso conteúdo de vocabulário mais variado(não gosto de repetir palavras sempre que possível). Em todo o caso é um processo de aprendizagem para mim e vou tentar encontrar o meio-termo.
Posso desde já dizer que vou tentar fazer mesmo uns GIFs tácticos de raiz para auxiliar ainda melhor os artigos e facilitar a interpretação do texto.
Obrigado mais uma vez pelo teu feedback!
Kacal
Sim, presumo que não seja fácil daí eu nunca escrever artigos porque uma coisa é perceber e ter a ideia na nossa cabeça, outra é escreve-la e passar para o papel, aí é mais difícil não é para todos. Além de que lá está, temos que o fazer de modo a ajudar que todos percebam e esse é o desafio. Mas eu acho que tens feito um excelente trabalho e irás melhorar com toda a certeza, irás conseguir alcançar o meio-termo.
Acho que os gifs ajudam muito e complementam muito bem os artigos, é uma excelente ideia e acho que fazes muito bem em avançar com isso e implementar de vez. Mas está no bom caminho e estes posts ajudam imenso a aprender mais, aí sem duvida nenhuma. Continua assim!!
Não tens de quê, o mérito é teu e tenho gostado muito de ler estes artigos teus e tenho aprendido bastante, o resto vais aperfeiçoando com o tempo, mas continua assim e nunca pares. Tudo que te apetecer escrever e postar, é bem-vindo! Vou sempre dar o feedback construtivo que achar que devo, mas estás a ir lindamente e irás encontrar o meio-termo!
Canutinho
Devias escrever algum teto/crónica Kacal… eu gosto dos teus comentários/análises.. até pq sou Portista! hehe…
Kacal
Agradeço as palavras e fico muito contente que gostes dos meus comentários e análises, é sempre uma honra. É ótimo saber disso, nunca deixa de ser por mais que o digam. E sendo tu portista, melhor ainda eheh. Quem sabe talvez mais para a frente, prefiro aprender mais um pouco mas talvez o faça mais para a frente. Mas a fazê-lo, prefiro que seja em conjunto com alguém para sair melhor, aí até aceitaria. Mas Obrigado por esse apoio! Já vi que és novo por aqui, pelo menos a comentar e sê bem-vindo, espero que comentes mais frequentemente e faças parte desta família.
Um abraço!
Canutinho
Já faço parte da familia VM há anos…. mas sim, não tenho hábito de comentar muito.
abraço e saudações Desportistas…
Kacal
Sim, claro Canutinho. Foi uma forma de falar ao dizer fazer parte da família que comenta aqui frequentemente e está mais “próxima”, mas todos fazem parte da família VM só por visitar o blog, obviamente. Espero que comentes mais vezes!
Abraço e saudações DesPortistas para ti também!
Goncalo Silva
Parabéns Francisco, andas on fire!!! Primeiro o City e agora o Liverpool!!
Continua com o bom trabalho, espero que consigas fazer a análise de todos os 6 candidatos ao título. Com estes artigos as pessoas poderão aprender muito mais sobre o melhor futebol do mundo e poderá assim haver melhor conhecimento e discussões construtivas dos próprios comentadores do VM!
Francisco Torgal
Boa sugestão! Enquanto o tempo me permitir vou tentar fazê-lo. Também tenho em mente a análise da Juventus, Atlético e outros, mas parece-me boa ideia listar os candidatos à BPL. Obrigado pelo feedback!
TheGolden
Francisco, excelente artigo e análise. Parabéns!
Para quem quiser saber o que é futebol “Heavy Metal” à Klopp, está aqui o conceito muito bem descrito.
Espero coisas boas em Anfield Road nesta época.
Tiago Silva
Fantástico! É exatamente assim que joga o Liverpool, com muita garra e os jogadores todos muito juntos e afastados ao mesmo tempo. Juntos para asfixiar o adversário e recuperar rapidamente a bola. Afastados pelos contra-ataques fortíssimos que lançam, principalmente os 3 homens da frente. É uma das equipas que mais gozo me dá ver jogar!
Parabéns Framcisco Torgal e continua com o bom trabalho!
Duplo T
Gosto bastante do estilo de jogo das equipas de Klopp. O chamado futebol heavy Metal. As compras de Van Djik e Allison foram caras mas necessárias. Acho dificil ganhar a premier league mas nunca se sabe. Arrisco que ficam num top 3
Rui Miguel Ribeiro
Excelente explanação! Também espero que este seja o ano do Liverpool!
Filipe A.
Excelente artigo, assim como o anterior sobre o City. Parabéns.
A força do Liverpool é sem dúvida o trio de ataque, principalmente a forma como os extremos Salah e Mané´exploram os espaços criados seja pelo recuo de Firmino seja pelas subida dos laterais. Nenhum lateral consegue ter um jogo fácil perante estes dois.
Dizia Guardiola no documentário do City que o Liverpool, em organização ofensiva, não era mais que isto: os três da frente jogam por dentro (Salah e Mané no espaço entre central e lateral) e quando o 9 recua, obrigando o central a sair à pressão, ou Salah ou Mané aproveitam o espaço nas costas e atacam-no com a rapidez que se lhes conhece. Outro cenário é quando o lateral do Liverpool, já subido, recebe a bola e se o lateral adversário saltar à pressão, a bola é imediatamente lançada nas suas costas onde Salah/Mané aproveitam o espaço criado e entram em situação de 1vs1 com o central, desposicionando a defesa toda.
É uma equipa pouco especulativa com bola e se tiver oportunidade para fazer um jogo mais direto, fá-lo. Quando recuperam a bola surge o verdadeiro “Heavy Metal”, partem sempre para o contra-ataque, seja em que situação for, de superioridade numérica ou não, onde o padrão é a bola ir o mais rápido possível para Firmino que servindo de apoio, lança a bola para as rupturas dos extremos. É aí que são letais e é esse momento do jogo que os torna uma equipa temível e um candidato ao título. Acredito que, agora com Allison, irão fazer uma época ainda melhor que a anterior.
Marcos Rodrigues
Ótimo texto, Francisco, embora eu coloque sempre algum travão.
Vamos ver como a equipa reage ao calendário, enfrentando Tottenham, PSG, Chelsea, Nápoles e Manchester City em seis dos próximos sete jogos. Ainda não estou completamente convencido, quatro jogos são curtos para averiguar essa consistência de que tanto falam, ainda para mais é o único grande que ainda não esteve em clássicos, sendo que no ano passado a coisa não correu tão bem como no anterior. Nem entendo como se é capaz de colocar os Reds à frente do Chelsea, que tem um plantel de valia semelhante, está na competição europeia menos competitiva, conta com um treinador que considero mais completo e está mais habituado aos títulos no passado recente.
Klopp trouxe aura, identidade e qualidade, melhorou tantos jogadores, os princípios estão lá, venceram no mercado, mas continuo a achar que esta é uma equipa incapaz de dar a continuidade de outras, sendo muito mais de momentos. Por exemplo, aqueles três lá na frente são fantásticos, mas quando o jogo pedir outra coisas, como uma presença mais assente na área, como tantas vezes aconteceu durante as últimas épocas, não existe uma alternativa de proporcional qualidade. Em termos psicológicos, também, é dos conjuntos que mais facilmente vai do êxtase à depressão. Acho que as pessoas gostam muito de ir em ondas e então o Liverpool já é um dos dois principais candidatos ao título, tal como no ano passado era para ser a desilusão da fase de grupos da Champions e acabou na final.
guardiao.da.falacia
Sarri + títulos + passado recente, são palavras que não combinam lá muito bem. Concordo que não se deve desvalorizar o Chelsea, até porque isso pode mesmo jogar a favor deles, mas acredito que o Liverpool esteja mais forte, pelo menos nesta fase, até porque a mudança de treinador, no Chelsea, ainda vai demorar a assentar as ideias na equipa, ao contrário do Liverpool que já vai com bastante mais bagagem e tempo de treino com o seu técnico. Mas veremos como os Reds se dão com o complicado calendário que se aproxima, como referes e bem.
Marcos Rodrigues
Isso não é assim tão linear; vejamos o caso do Conte. E já se vê um Chelsea diferente, à imagem de Sarri, nesta Premier League. Acredito na progressão e continuidade. Por outro lado, parece-me desleal esse descrédito ao Sarri no que toca aos títulos, já que esta é a primeira vez na carreira que treina uma equipa com legítimas aspirações para lá chegar. A Juventus está muito acima de qualquer outra equipa italiana, dar luta já foi uma grande conquista, e mesmo assim Roma e os grandes de Milão costumam ter mais meios para abanar. Equipas anteriores nem se fala. Podemos é questionar a demora em se estabilizar no topo, quase duas décadas depois do começo da carreira. Mas conta o presente.
Francisco Torgal
Curiosamente acho que da última vez que o Chelsea mudou de treinador foi imediatamente campeão com Conte! Mas é muito incerto afirmar qualquer coisa.
Turiacus
É um clássico do Chelsea, o treinador é campeão, no ano seguinte não o é e consequentemente dá despedimento. Aconteceu isso com o Conte e o Mourinho (2x até) embora as épocas após o título normalmente resultem em campanhas desastrosas, no caso do Mourinho ficou fora das competições europeias e no caso do italiano ficaram-se pelo apuramento para a Liga Europa.
d-s3pt
Francisco, muitos parabéns pela análise/artigo, está espectacular e resume bem as ideias de jogo do Klopp neste Liverpool.
A verdade que fica é que toda a gente olha para este Liverpool como uma equipa muito ofensiva (e é), mas o aspecto defensivo na minha opinião é o que faz diferença nesta equipa e toda a pressão sem bola e a limitação de espaços que oferece á equipa adversária é desconcertante (exemplo disso foi o jogo com o Manchester City na Champions).
Mérito também para as contratações feitas, todas elas cirúrgicas, onde houve um upgrade claro no plantel dando alguma profundidade que foi o calcanhar de Aquiles da época passada. A adição de Allison ou Keita preencheram lacunas da equipa como é referido (Fabinho ainda terá a sua oportunidade), o regresso de Sturridge como alternativa ao Firmino ou a contratação de Shaqiri como alternativa às motas Salah e Mané, fazem deste Liverpool a equipa mas entusiasmante de se ver (a par do City de Guardiola) e espero que o tão aclamado titulo regresse a Anfield já este ano.
YNWA
RodolfoTrindade
Post espectatular, uma excelente análise. Obrigado Francisco.
Espero que seja finalmente este o ano do Liverpool.
Para além da melhoria da equipa em termos de jogadores, com contratações cirúrgicas de grande qualidade, a equipa cresceu muito como equipa e começa a dominar melhor os vários momentos do jogo. É uma equipa mais madura actualmente.
Quanto a mim, continua a faltar uma opção de qualidade para ir rodando com o Firmino.
Turiacus
Uma vez mais, muitos parabéns pelo belo texto e fico contente por teres pegado no Liverpool para este tipo de post pois é a minha equipa favorita em Inglaterra e uma das equipas na Europa que mais gozo me dá ver a jogar.
Em relação ao texto propriamente dito acho que o conseguiste descrever muito bem o futebol “heavy-metal” do Klopp e acho que destacas-te muito bem 2 jogadores, o Milner e o Firmino. Acredito que ambos são fundamentais neste sistema embora cada um com um papel diferente, o Milner tem uma capacidade física tremenda e consegue ocupar praticamente todas as posições do terreno como se fossem a sua posição natural e o Firmino é fantástico a descer no terreno, a jogar de costas para a baliza e ainda por cima melhorou bastante os seus números e termos de finalização nesta última época.
Este ano com a chegada do Keita e do Fabinho, o treinador fica com ainda mais e melhores opções de qualidade para o seu meio-campo para implementar a tal pressão que tu mencionas no texto. Sendo que o estilo de jogo do Liverpool é muito exigente para os jogadores é importante terem chegado jogadores deste calibre para a equipa não ir acusando desgaste com o decorrer da época. Aliás, o Keita até já tem sido titular no início da época e encaixa que nem uma luva nesta equipa.
Parece-me que a equipa este ano está muito mais matura, consegue controlar melhor os ritmos de jogo e mexeu-se muito bem no mercado, mas ainda só estamos nas primeiras jornadas do campeonato e veremos se a equipa se consegue tornar num caso sério na luta pelo título.
DICAS
A minha Equipa fora de Portugal ! O Liver e a Juve !
Merecem mais ue todas as outras quipas porque sempre mostraram fidelidade para com o clube e como colosso europeu ja estao a muitos anos sem ganhar !
ACT7
Excelente artigo Francisco.
Concordo com o destaque dado ao Firmino, sem dúvida uma grande transformação que teve com Klopp, quando andava na Alemanha não o achava um grande jogador e até achei que foi uma “má” contratação por parte do Liverpool, mas com Klopp têm se assumido como um dos melhores avançados a fazer a ligação com os médios e ainda soma bastantes golos e assistências, também
a sua inteligência combina muito bem com a velocidade que é dada pelo Mané e o Salah, nas alas.
Agora com o Alisson poderá dar ainda mais ao jogo do Klopp, não só por ser muito bom no “papel de GR” como no controlo da profundidade.