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Analise a análise

Como treinador, aceito que cada vez mais existem métodos que facilitam e complementam o nosso trabalho, e que cada um deles tem o seu valor, desde que, quem gere (treinador) o utilize como uma adição a um todo e não um sustento.

A análise estatística das ações dos jogadores, para mim pode ser tão útil como prejudicial, dependendo da maneira que se olha para ela e se usa. Pode ser ótima para completar uma análise individual ou coletiva, mas, também nos pode induzir em erro sobre determinada avaliação. Vou sustentar isto com um exemplo:

Imaginem uma equipa que joga com o fora de jogo, e por consequência, utiliza uma defesa em linha. Existe um lance onde um dos defesas não respeita a linha e a bola entra em profundidade num adversário, logo de seguida, esse mesmo interveniente, faz um corte do outro mundo e evita o golo. Será que o jogador foi competente? Ou apenas corrigiu um erro que ele próprio tinha causado? Estatisticamente os seus colegas não terão nada a assinalar, mas por sua vez, ele terá um desarme importante efetuado. Mas quem estava correto? Quem fez o pedido no processo? 

Por esta complexidade ao ver e julgar situações e ações, acredito que qualquer ferramenta pode ser benéfica para o treinador, desde que a saibamos filtrar e priorizar no tempo disponível o que realmente é importante em prol do processo.

Visão do Leitor: Hélder P. Gonçalves

12 Comentários

  • Filipe Ferreira
    Posted Abril 6, 2020 at 10:19 am

    Nem mais.
    Aproveito isto, e chamo a atenção para o inicio de época atribulado do Coates, que toda a gente tanto criticou pelos penaltis e auto golos, mas se tiverem agora um tempinho com a quarentena, sugiro que vão rever os lances e tentem achar o Mathieu. Mathieu é fantástico, claramente o melhor central que EU me lembro de ver no Sporting, mas tem momentos em que parece que se desinteressa completamente do jogo. Não quero com isto desculpar o Coates, mas o uruguaio não é/foi de todo o culpado, e como se diz, quando perdemos perdemos todos, não há um culpado.

  • Af2711
    Posted Abril 5, 2020 at 11:16 pm

    Uma situação que aplica-se bem neste pormenor do corte decisivo é num momento de transição defensiva após a marcação de um canto. O jogador adversário parte em velocidade sem ninguém acompanhá-lo e fica a critério do jogador mais próximo em ter que fazer o sprint tentando recuperar ou fazer uma falta. Valverde na final da Supercopa de Espanha fez isto e deu o título ao Real, mas em muitos casos um mau trabalho de bolas paradas custa pontos importantes ou títulos.

    Outro exemplo (gostei do post, hahaha):

    Situação de ataque, o extremo tem à cola três adversários cercando-o, mas ainda assim é possível o jogador efetuar um passe para companheiros mais bem posicionados.
    O extremo resolve fintar os três adversários, dá certo e faz um grande golo.

    Por que referi este segundo?

    O futebol tem algumas nuances, que são pouco analisadas ou palatáveis por adeptos mais passionais ou simplesmente não se atentam nestes detalhes. É natural, a percepção do jogo é homogênea e cada um desfruta do futebol como pode/quer.
    Ou seja, uma péssima tomada de decisão pode tornar-se numa jogada de sonho com um rasgo de imprevisibilidade. Uma jogada bem elaborada e com tudo para ser perfeita pode parar numa grande defesa do guarda-redes ou gerar um contra-ataque mortal. Por estas nuances o futebol é tão apaixonante; porque prováveis patinhos feios podem tornar-se heróis e vice-versa.

  • ruigoncalves
    Posted Abril 5, 2020 at 2:44 pm

    Excelente artigo.

    Isto fez-me logo lembrar de uma posicão, a de Guarda-Redes e de um jogador em especial que acredito que poucos tenham notado… falo do Odysseas do Benfica.

    Ele é um exemplo claro desta situação- Falha imensas vezes na saida / controlo da profunidade e falha ainda mais vezes nos cruzamentos.

    Se reparem, acontece mutas vezes ele fazer uma excelente defesa quando o avançado vai isolado, isto quando antes falhou porque já devia ter cortado a bola

  • Tiago Silva
    Posted Abril 5, 2020 at 11:51 am

    É algo muito bem visto. É um problema do desporto hoje em dia, muitas vezes o futebol e não só é visto com base em estatísticas. Muitos dos comportamentos individuais que se vêem em campo, como o corte que o Hélder falou, podem ter sucedido através de um erro individual de marcação ou uma falha de posicionamento desse jogador. Sei que me vão bater, mas vou dar o exemplo do Ronaldo. Marca golos como mais ninguém faz, em termos estatísticos é um monstro completo, mas será que oferece assim tanto ao jogo para ser considerado um dos melhores do Mundo?

    As estatísticas podem ser muito boas para se avaliar alguém num global e num contexto generalizado, mas por vezes são muito enganadoras. Um exemplo de estatísticas que poderiam ser muito boas é o número de boas ações de um jogador em campo, se fez a decisão correta, se ofereceu aquilo que a equipa e o jogo pediam. Mas mesmo isso é algo muito subjetivo porque as pessoas têm formas diferentes de ver o jogo e por isso é que as estatísticas não devem ser tão valorizadas, porque o futebol é algo subjetivo.

    • B.Jardim
      Posted Abril 5, 2020 at 1:57 pm

      Por acaso acho que o Ronaldo até é bastante subvalorizado no que dá ao jogo para além dos golos, por causa das suas movimentações e arrastamento da defesa. Coisas que também não surgem nas tais estatístisticas.
      Além de que no que toca a estatísticas, o Ronaldo não tem só golos mas também um número absurdo de assistências.

      • Tiago Silva
        Posted Abril 5, 2020 at 6:39 pm

        Ele oferece imenso ao jogo obviamente, é um dos melhores, senão o melhor a movimentar-se dentro da área e mesmo em movimentos de rutura é muito inteligente. Mas não tem a capacidade de criação do Messi ou do de Bruyne por exemplo, não oferece muito ao jogo em termos defensivos e não se pode dizer que se possa contar com ele para servir em apoios para o ataque. Mas claro está o Ronaldo é um jogador fantástico e oferece imenso ao jogo, só falei dele porque as estatisticas costumam estar do lado dele, só isso.

        • Miguel Lopes
          Posted Abril 5, 2020 at 10:25 pm

          Concordo que ele não constroi como o Messi e o De Bruyne, nem nada que se pareça, mas permite algo aos construtores de jogo da equipa que é o abrir de autoestradas para eles poderem construir ao deslocar praticamente sempre 2 jogadores para o lado dele e ainda ter um 3º com a mesma preocupação. São estilos totalmente diferentes, mas que se ou Messi ou de Bruyne estivessem na mesma equipa que o Ronaldo iria ser um espectáculo.

    • Valderrama
      Posted Abril 5, 2020 at 12:58 pm

      Totalmente de acordo

    • pdomingues
      Posted Abril 5, 2020 at 12:54 pm

      Podemos então discutir o exemplo Ronaldo?

      Entendo o ponto que falas, o CR de hoje oferece menos que há 10 anos atrás, acho normal que aconteça, já não é um jovem, por isso reduziu o raio de acção e principalmente o raio onde explode.

      Mas acho por exemplo, aquilo que ele oferece a um balneario deve ser fundamental. Leva para o balneario aquela exigencia de estar sempre lá e por isso continua a ser importante. O Real baixou o nivel sem ele, o Utd baixou o nivel sem ele. Daí continuar a achar que continua a ser dos melhores do mundo.

      Por outro lado analizando as Stats do Ozil? Serão elas culpa do jogador? Ou será da forma como o Arsenal aborda os jogos com equipas de topo. Contra equipas menores em que o Arsenal por norma tem Bola, em que o Ozil joga mais proximo das áreas de definição o seu jogo é potencial, contra equipas de topo onde o Arsenal estica mais o jogo, é normal que o Ozil tenha mais dificuldades. Joga 15 20m mais longe da zona onde o seu jogo melhor se encaixa.

      • Tiago Silva
        Posted Abril 5, 2020 at 6:44 pm

        Acho que ser fundamental no balneário já é outro fator, estas análises têm que ser feitas no que acontece dentro do campo. Claro que é fundamental ter-se jogadores com o perfil do Ronaldo no balneário, mas não entra aqui. O mais incrível no Ronaldo é a forma como consegue adaptar o seu jogo às suas características físicas e à sua fase da carreira.

        Quanto ao Ozil, não sou o melhor para falar dele, porque não gosto nada dele, acho-o um jogador muito preguiçoso. É um jogador incrível no último terço, mas fora dele não oferece nada. Mas concordo com o que dizes o rendimento do jogador e as suas estatísticas dependem das ideias da equipa e ninguém tem conseguido tirar o melhor rendimento dele nesta fase da carreira.

    • Joao S
      Posted Abril 5, 2020 at 12:50 pm

      Não vou bater, mas vou só deixar um reparo em relação ao Ronaldo. E antes de o fazer deixo já claro que acho o Messi o melhor jogador que vi jogar.
      Nos 18 anos que já vi de futebol nunca vi um jogador que marcasse ou fizesse tantas jogadas decisivas em big games. Eu sei que vão desvalorizar e dizer a época é feita também de jogos pequenos ou contra equipas mais fracas. Mas perdi a conta a momentos em que a equipa do Ronaldo fosse clube ou seleção estivesse perante resultados desfavoráveis e com a moral em baixo e ele resolvia com um par de golos absolutamente decisivo. Por isso o que eu acho que ele oferece ao jogo e às equipas onde ele joga são vitórias e troféus. E sim vão me dizer que os outros jogadores também ganham, mas com performances individuais tão épicas e tão consistentes contra equipas como o Bayern, Atlético, Juventus e outras equipas de gabarito semelhante, eu nunca vi igual.
      Volto a dizer o Messi foi o melhor que vi jogar e os meus preferidos são/foram o Deco e o Ronaldinho.

  • André Dias
    Posted Abril 5, 2020 at 11:35 am

    Bom post.

    Nesse caso em concreto o jogador esteve mal ao cometer um erro mas esteve bem ao saber compensar. O erro acabou por não ser grave mas não deixa de ser um erro. No entanto, no final o que fica é um dado estatístico positivo (corte). As estatísticas são indicadores importantes mas obviamente não nos dizem tudo sobre o jogo e concordo que se deve fazer uma análise da análise.

    Outro exemplo, do ponto de vista de um adepto, é acharmos que a equipa que teve mais posse de bola e fez mais remates num jogo automaticamente é o vencedor mais justo, quando às vezes isso não se reflecte necessariamente em qualidade na organização ofensiva e criação de oportunidades flagrantes de golo.

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