A chegada de André Villas-Boas ao futebol português deve-se à Académica de Coimbra. A equipa dos estudantes apostou no antigo adjunto de José Mourinho para assumir o comando das operações e o jovem técnico aceitou o desafio com o intuito de se dar a conhecer ao futebol e aos seus amantes. Desconhecido e sem experiência, muitas foram as vozes que se ergueram quando Pinto da Costa escolheu o técnico de 32 anos para substituir Jesualdo Ferreira no comando da equipa azul e branca. Com um “par” de jogos feitos pela Académica, sem títulos e muito jovem, a escolha surpreendeu muita gente e pensou-se num erro tremendo por parte do líder dos dragões. Afinal de contas, Villas-Boas tinha apenas no seu currículo uma passagem por Coimbra.Contudo, passado alguns meses, o treinador do FC Porto deixou de ser o “adjunto de Mourinho” e começa a criar uma reputação quer interna como externamente. Os azuis e brancos são a única equipa sem derrotas a contar para a liga, juntando-lhe ainda o melhor ataque, defesa, melhor marcador. Tudo somado, dá um FC Porto destacado na liderança do campeonato e as previsões apontam para que seja o grande vencedor no final. São vários os factores que possibilitaram tremenda vantagem para a concorrência mas sobretudo a coesão e eficácia dos dragões, ao aproveitarem as escorregadelas dos seus rivais, nomeadamente o Benfica. Tirar mérito ao trabalho de Villas-Boas seria errado.
Com apenas a Supertaça no currículo, o treinador azul e branco é uma das vozes mais incendiárias relativamente às “guerras” constantes entre FC Porto e Benfica. A sua postura arrogante desde o inicio do campeonato surpreendeu tudo e todos, tendo em conta a sua inexperiência nestas andanças. A actual troca de palavras ele e Jorge Jesus tem sido motivo de destaque na imprensa e não seria para menos. Afinal de contas. trata-se de um confronto entre dois treinadores totalmente distintos mas que são responsáveis por dois rivais desde há muito. Se Jesus teve uma postura semelhante à de Villas-Boas na temporada passada, este ano é o treinador dos dragões a assumir esse papel, disparando em todas as direcções, no entanto, com um exagero tremendo e desnecessário que em nada beneficiam o nosso futebol. Do Benfica ao Sporting, passando pelo Sp. Braga às arbitragens, o clima que se vive no futebol português obriga a uma profunda reflexão. Sobretudo da parte do FC Porto e dos seus dirigentes, tendo em conta o “ódio” que a postura e declarações do seu treinador, provocam em torno do clube.
O FC Porto está a caminho de mais um título nacional. Poucos acreditam que os dragões deixem escapar a vantagem que conseguiram. E apesar da temporada se poder resumir apenas a uma conquista, Villas-Boas podia e devia rever o seu discurso. Para seu bem e do próprio clube, a imagem que o técnico transparece, origina “picardias” desnecessárias e incendeia o nosso campeonato sem razão aparente.
Quais os motivos da postura apresentada por AVB? Qual o seu objectivo nos constantes “bombardeamentos” aos clubes rivais e arbitragens? À semelhança do que aconteceu a época passada com o Benfica de Jesus (eram odiados por os adeptos de Braga, Sporting e Porto), este Porto de Villas-Boas está a criar uma onda de ódio em Portugal aos azuis e brancos com contornos ainda piores (tudo motivado pelo seu discurso)?
PS – O treinador do Porto é hoje apontado à AS Roma. Os romanos pretendem AVB no próximo Verão.
A.Mesquita

