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Ano 21 d.M.

O ano 2000 fica marcado pela transferência de um jovem promissor que iria mudar o mundo do futebol. A viragem de século data a chegada de Leonel Messi ao futebol europeu, somente com treze anos. Nessa época era inimaginável pensar que o argentino ia atingir as proporções que atingiu, sendo considerado por uma boa maioria, o melhor jogador de todos os tempos. O FC Barcelona, ainda que fosse um clube importante no panorama europeu, tendo tido nas suas fileiras craques como Figo, Ronaldo ou Romário, estava alguns passos atrás do rival Real Madrid. A estreia de Messi pelo Barcelona ocorre em 2004, contra o rival regional Espanyol, onde substituiu Deco, uma das figuras do plantel na época. Depois dessa estreia, o Barça venceu dez La Ligas, quatro Ligas dos Campeões, sete Copas del Rey e seis Supertaças Espanholas. A título individual venceu seis vezes a Bola de Ouro, o recordista da história, fora muitos outros títulos que marcam a sua carreira a nível pessoal. Durante a sua passagem por Barcelona, conseguiu ter colegas de equipa de uma qualidade extraordinária, alguns vindos da La Masia, como Xavi, Iniesta, Alba, Puyol, Busquets entre tantos outros. Para acompanhar o astro foram contratados jogadores de topo, exemplos disso são Neymar, David Villa ou Luís Suárez, havendo uma constante comparação entre a tripla de ataque de Barcelona e Real Madrid (quem não se recorda dos duelos BBC VS MSN?). Com Messi, o FC Barcelona cresceu a olhos vistos, gerando não só títulos, mas também receitas. Passou a ser um dos clubes mais acarinhados do mundo, com uma filosofia própria, tornando-se mais do que um clube, frase que defendem com tanto apanágio. Apesar de todos estes pontos positivos e tantos momentos de glória, os catalães entraram numa crise de resultados nos últimos anos, consequência de más políticas de contratações e de péssimas escolhas de treinadores. Os anos de Bartomeu na liderança culé foram degradantes, sendo a saída de Messi a maior consequência destes atos. 

O mundo do futebol acordou no dia Cinco de Agosto de 2021, com um conjunto de noticias a reforçar a ideia de que o argentino não iria renovar o contrato, algo que não estava nos planos da maioria dos adeptos. Rapidamente foi confirmado que a ligação contratual não iria continuar, decisão justificada pelas más condições financeiras que o FC Barcelona sofre atualmente. Inevitavelmente é uma data que irá marcar para sempre o futebol mundial, ultrapassando barreiras e fronteiras.

Existem algumas abordagens que podemos fazer em relação a este tópico. Começando pelo ponto económico e financeiro, que serviu de justificação para a saída de um dos melhores jogadores da história. É um facto que Messi auferia um salário de dimensões gigantescas, sendo o maior do plantel e do Mundo. É natural, visto que é o jogador chave, que carregou a equipa nos últimos anos durante a maioria dos jogos, causando ao público memórias inolvidáveis. A culpa de Messi ganhar tanto também se justifica pelo crescimento dos salários no mundo do futebol. Se antes era raríssimo vermos jogadores a ganharem seis ou sete milhões de euros por temporada, hoje em dia é algo natural, se analisarmos as folhas salariais de um tubarão europeu. Mesmo baixando para metade o valor que ganhava, era inviável ficar em Barcelona, já que existem jogadores que ocupam demasiada percentagem das receitas, que não oferecem grande contributo como Umtiti, Lenglet ou Dembelé. Estas peças além de absorverem uma grande quantidade dos salários disponíveis, não geram receitas, pelo menos ao nível de Messi, que compensa o que ganha, não só dentro de campo. Somente o nome, faz com que as pessoas vejam jogos na televisão, mesmo que seja de madrugada, comprem camisolas, viagem para assistir às partidas em Camp Nou, algo que nenhum elemento do  FC Barcelona atual consegue fazer. 

A nível desportivo, não existe nenhum jogador capaz de substituir Messi. Há factualmente jogadores muito promissores como Pedri ou Ansu Fati (veremos como regressa da lesão), porém não estão totalmente maturados e não têm condições de carregar uma equipa às costas. E isso poderia servir de justificação ao próprio argentino para sair. Cada ano que passa o FC Barcelona é menos candidato a vencer a Champions, algo que todos os jogadores ambicionam. Se os gastos realizados em outros anos tivessem sido bem aplicados, provavelmente Messi teria companheiros de equipa suficientemente bons para levantar pelo menos mais uma Orelhuda. Para o poder fazer, terá de rumar a outras paragens, podendo até sonhar em ganhar mais uma Bola de Ouro, sem a pressão de ver outros nove elementos (retiremos o guarda redes da equação) a depender dos seus movimentos e ideias.

O futuro não é de todo risonho para a equipa da Catalunha, pelo menos no papel. Tem imensos jogadores dispensáveis, está obrigado a vender mais, de maneira chegar ao valor chave: 70% do valor das receitas, serem gastos em salários. Nunca esquecer que a receita vai baixar, mas isso vai ser um problema para o próximo verão. Pessoalmente acredito que somente acontecerá uma ou duas contratações e nunca por valores estratosféricos, podendo-se considerar Renato Sanches um reforço de qualidade, dentro do possível (se se confirmar). A aposta na cantera terá de ser cada vez maior, sendo urgente a renovação com Ilaix Moriba, que em 2022 pode causar alguma transferência bombástica. Ao contrário do que aconteceu no caso da saída de Ronaldo do Real Madrid para a Juventus, o FC Barcelona não tem fichas para apostar na contratação de um novo “galáctico”, como aconteceu com a vinda de Eden Hazard, (que flopou), ainda que não imediatamente a seguir, para ser o novo 7 dos blancos. Além de que com a saída de CR7, o Real encaixou capital. Laporta vai ter uma tarefa muito complexa, tendo um plantel que não é capaz de lutar por títulos a curto prazo, um treinador longe da qualidade de muitos dos anteriores e uma perda de “adeptos” que vai ser gigante (muitos dos “adeptos” do Real Madrid passaram a ser da Juve, após 2017/2018). Além disso pode ter a desconfiança dos sócios, visto que a manutenção do astro argentino após a sua eleição, era dada por muitos como garantida.

Quem também fica a perder é a La Liga. Perde o seu maior ativo e figura de marca, levando a que muitos dos seus visualizadores passem a acompanhar outros campeonatos, havendo a possibilidade de ser ultrapassada por Bundesliga e Liga Francesa e de ver a Serie A, que considero de qualidade semelhante, a disparar. No fundo, ninguém ganha completamente com esta saída. Não vão ser jogadores como Vinícius Júnior ou Sergio Aguero que vão atrair pessoas a ver o campeonato espanhol, pelo menos na mesma quantidade que os que Messi conseguia trazer. A organização sabe que proximamente não terá u Messi vs Roanldo, que gerava receitas incríveis e que por alguns momentos conseguiu fazer com que as pessoas se esquecem da Premier League, atingindo a La Liga o estatuto de melhor campeonato do mundo, o que se prova facilmente pela quantidade de Champions League vencidas por equipas deste campeonato na década passada.

Ainda que, a titulo pessoal, vá continuar a assistir aos jogos dos blaugrana, irá existir um abandono em massa por parte dos aficionados, sendo que o próprio jogo não terá a mesma magia, porque à partida sabemos que não haverá um passe, uma finta ou um golo do génio, nem se afigura que alguém o consiga fazer, pelo menos com tanta regularidade e naturalidade. Os adeptos do FC Barcelona não podem sobrecarregar nenhum jogador em expectativas. O mais simples seria colocar a pressão em Pedri, um dos melhores jogadores da sua geração, futuramente um dos melhores do mundo. Porém acaba de realizar setenta e dois jogos em menos de um ano, algo que futuramente poderá acarretar consequências.

O FC Barcelona não morreu, porque um clube só morre depois de o seu último adepto falecer, mas pode sofrer um tombo monumental, que só esperava sofrer dentro de alguns anos, porque ninguém é eterno. Nesta semana assistimos ao grande terramoto, falta verificar as verdadeiras consequências do sucedido.

Ricardo Lopes

2 Comentários

  • Oldasity
    Posted Agosto 10, 2021 at 9:01 am

    Excelente título (acho difícil um melhor para este texto) e excelente texto, concordo com quase tudo. Muitos parabéns Ricardo.

    No entanto, como já disse em outro post, o Barcelona irá sofrer com a saída de Messi. Em termos financeiros penso que será pior não ter Messi, desde as idas ao museu até às idas a Camp Nou. Eu pessoalmente continuarei a apoiar e ser adepto do Barça, mas será muito estranho sem Messi e percebo que para muitos que mesmo sendo fãs dos catalães, poderão sentir um desconforto quando estiverem a ver um jogo (algo que pessoalmente senti no jogo de apresentação). E até me deu uma dor ao ver Busquets e não Messi a fazer o discurso.

    Mas temos uma boa equipa e bons jogadores. Depay é reforço e iria ser um boost incrível a Messi (tem umas “vibes” de Neymar, e tem características que serão muito úteis). Mas não tendo Messi é esperar que Griezmann diga presente e que possa se complementar bem com o holandês. Ainda temos Fati e Dembelé no ataque, sendo que o francês não tendo muita qualidade, tem características que podem desbloquear jogos.

    Coutinho também pode ganhar protagonismo (não sei bem onde encaixá-lo), com a saída do argentino. Aliás, se jogadores como Pedri, de Jong, Griezmann, Fati e Depay assumirem mais um pouco acredito que possamos ter um bom ataque.

    Os problemas na defesa continuam. Garcia não trás qualidade nem é um upgrade a ninguém. Emerson parece-me ser ligeiramente superior a Dest e gosto de ambos.

    A única coisa que não concordo com o texto é com a renovação de Moriba. Ele não é, nem de perto nem de longe, um talento nunca antes visto a sair da La Masia. Tem algum talento e caracteríscas únicas, mas este já recebeu um contrato de Bartomeu em que ganhava 2M com apenas 17 anos e por ano e está a pedir 6/7 neste momento e não merece isso. Prefiro deixá-lo sair a ter um miúdo com estas exigências.

    Posto isto o XI que me parece mais forte e que está disponível de momento é:
    Neto
    Emerson, Araujo, Pique/Garcia, Alba
    Busquets
    de Jong, Pedri
    Demir, Griezmann, Depay

    Em condições normais a titularidade será de Ter Stegen e depois para rotação e lutar pela titularidade:
    Dest, Balde, Puig, Coutinho, Fati.
    Apesar de tudo ainda há muito talento e apesar da defesa ser bastante fraca, acredito que possamos ser campeões.

    Ps: ao que tudo indica, o Barça está a tentar impedir com que Messi vá para o PSG (falando em fairplay financeiro) e está a tentar arranjar uma solução para que seja possível assinar com o argentino.

  • Ricardo Lopes
    Posted Agosto 10, 2021 at 4:23 pm

    @Oldasity

    Se Moriba pede essa enormidade não se deve renovar com ele. Só deveria pedir isso quando fosse um indiscutível. Ainda que lhe reconheça qualidade e potencial, as finanças do clube estão primeiro. Mais uma péssima renovação vinda da era Bartomeu. Ainda assim imagino algum clube a oferecer-lhe isso em Janeiro, como o City ou até mesmo o Real Madrid, caso queira “roubar uma pérola” a um dos rivais.
    Concordo com o teu onze e acho que Demir vai ser a surpresa desta época. Também estou de acordo quando referes a defesa como o elo mais fraco, mas duvido que haja alguma mudança, infelizmente não há dinheiro e os defesas de qualidade estão caríssimos.

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