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Arsenal: 15 anos de excelente futebol; últimos 5 sem qualquer troféu

Um seguidor casual da Premier League poderá esquecer-se e colocar de lado o resultado final que o placar de Wembley marcava, na final da Taça da Liga. Mais uma vez, registava-se uma derrota do Arsenal. Apenas mais uma quando em discussão estão jogos de elevado grau de dificuldade ou, como era o caso, troféus. O bom velho Arsenal até subiu ao relvado: futebol de posse atractivo, cruciais e determinantes perdas nos confronto físicos chave e a ingenuidade defensiva que se lhe conhece, à qual se soma um problema com demasiados anos em cima: o guarda-redes.

Jogará o Arsenal mal quando mais interessa que não o faça? Não me parece. Os Gunners terão sempre, por exemplo, mais posse de bola que conjuntos como o Chelsea e o Manchester United – mesmo jogando fora – nunca deixando o espectador defraudado quanto ao nível de jogo apresentado. Com isto quero dizer que será normal vê-los a criar mais oportunidades, controlar o jogo e encostar às cordas o seu adversário com regularidade. Eles parecem responder sempre da forma certa, e a complacência é uma palavra que não consta do seu dicionário quando se trata de aninhar a bola no fundo das redes opostas. Fica sempre a sensação que o Arsenal joga bem, agrada, mas que isso não é suficiente para alcançar um bom resultado. Realidades apenas possíveis quando a pressão está longe de existir. Então, onde é que o Arsenal, perde ou ganha o seu jogo? O tiro de partida a esta análise terá que ser dado a partir de uma curiosa conclusão que se retira do averiguar das estatísticas de remate: o Arsenal remata sempre muito, mas nem sempre o volume de remates é proporcional aos golos facturados. É aqui que a discussão em torno da baliza volta a ganhar forma: enquanto que é difícil bater guardiões como Van der Sar e Petr Cech, que são guarda-redes que permitem aos seus atacantes uma maior displicência na frente, o Arsenal conta com nomes como – e é aqui que a ironia acaba de chegar ao tapete de entrada – Almunia, Fabianski, Szczesny, pelo que será natural que os seus avançados tenham que ser mais clínicos e menos perdulários.

As conclusões, às quais se juntam o facto de a equipa não vencer um troféu há 5 temporadas, são alarmantes. Arsène Wenger que nos últimos 15 anos se dedicou a potenciar jogadores e a maravilhar os amantes do futebol com a sua filosofia de jogo, poderá ter de se juntar ao modelo cada vez mais actual dos treinadores cínicos e pragmáticos que pouco ou nada contribuem para o espectáculo do futebol, mas que vão amealhando títulos e objectivos. Não será certamente esse o desejo dos verdadeiros apreciadores de bom futebol, cada vez mais reféns de menos de uma dezena de equipas que ainda procuram maravilhar os seus adeptos com bons espectáculos, sendo que juntamente com o Barcelona o Arsenal é a equipa mais atractiva da actualidade, no entanto e infelizmente poderá ser esse o caminho a seguir pelos Gunners.

Como é que se explica estes 5 anos sem títulos do Arsenal? A ausência de um guardião competente? A política de contratações mais apostada em potenciar jovens jogadores? Ou a filosofia de jogo de Wenger? Corre o futebol o risco de perder uma das equipas que mais encanta na actualidade “para o lado dos pragmáticos” devido à ânsia de conquistar títulos?  O jogo da 2ª mão (que esperamos que o Arsenal vença) frente ao Barcelona e o que falta da Premier League podem ser decisivos?

António B.

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