Está a chegar ao fim a edição 2017-2018 da I Liga, e perante uma temporada em que tanto se falou de questões acessórias ao jogo e tanto se fez para denegrir a sua imagem e a dos seus intervenientes, podemos estar gratos por haver, nas duas jornadas que restam, muitíssimos pontos de interesse em diferentes zonas da tabela, os quais levarão a atenção do público para o mais importante, isto é, a luta pelos objectivos desportivos. Assim, e perante dois fins-de-semana que, para muitos adeptos, serão passados “de calculadora na mão”, o Visão de Mercado dá uma ajuda, esclarecendo os critérios de desempate em caso de igualdade pontual e clarificando quem ficará à frente de quem se dois ou mais conjuntos terminarem empatados.
Para fazer este exercício, temos de ir ao artigo 17.º do “Regulamento das competições organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional”, cuja epígrafe é, justamente, “desempate em caso de igualdade de pontos” e que define, segundo ordem de prioridade, os seguintes critérios:
“a) número de pontos alcançados pelos clubes empatados, no jogo ou jogos que entre si realizaram;
b) maior diferença entre o número de golos marcados e o número de golos sofridos pelos clubes empatados, nos jogos que realizaram entre si;
c) maior número de golos marcados no estádio do adversário, nos jogos que realizaram entre si;
d) maior diferença entre o número dos golos marcados e o número de golos sofridos pelos clubes nos jogos realizados em toda a competição;
e) maior número de vitórias em toda a competição;
f) maior número de golos marcados em toda a competição.”.
Se após a aplicação destes critérios subsistir a igualdade, está prevista a realização de um jogo entre as equipas empatadas (ou uma competição a uma só volta no caso de serem mais do que dois clubes), mas devido à improbabilidade/impossibilidade deste cenário, o mesmo será ignorado. Vamos, então, aos casos concretos em disputa na I Liga, abordando agora a disputa pelo 5.º lugar.
Luta pelo 5.º lugar
O 3.º e o 4.º lugares da competição darão entrada na Liga Europa, ao passo que o 5.º lugar garantirá presença na segunda prova de clubes mais importante da UEFA caso o Sporting vença a Taça de Portugal. Se for o Desportivo das Aves a vencer no Jamor, então a equipa de José Mota terá presença assegurada na fase de grupos e o 5.º lugar da I Liga não valerá “bilhete” europeu. Ora, a disputa por terminara na 5.ª posição da prova e ficar depois a torcer por uma vitória verde e branca na final da Taça está, também, ao rubro. Apenas Rio Ave, actualmente com 47 pontos, Marítimo, que conta com 44 pontos, podem terminar em 5.º, isto porque Boavista e Desportivo de Chaves (ambos com 41 pontos) têm desvantagem no confronto directo com os pupilos de Miguel Cardoso e, mesmo que alcancem os 47 pontos, ficarão sempre atrás do Rio Ave. Assim, é para o confronto entre Rio Ave e Marítimo que devemos olhar. Nenhum dos conjuntos tem propriamente um calendário fácil (o Rio Ave visita o aflito Paços de Ferreira e recebe o SC Braga, ao passo que o Marítimo desloca-se a Chaves e recebe o Sporting) e, se terminarem empatados a pontos, será a equipa de Miguel Cardoso a arrebatar o 5.º lugar, visto que perdeu, na 1.ª volta, por 1-0 nos Barreiros mas venceu em casa por claros 3-0 na 22.ª ronda. Assim, para a formação de Daniel Ramos terminar em 5.º terá de somar mais pontos que o Rio Ave.
Pedro Barata


5 Comentários
ACT7
O Rio Ave baixou muito o nível na 2ª volta, mesmo assim parece-me o favorito ao 5º lugar depois da vitória sobre o Chaves e com a derrota do Marítimo frente ao Porto.
Embora o Rio Ave apanhe Paços e Braga, o Marítimo apanha o Sporting (onde podem entrar também as contas do 2º) e o Chaves que vêm de orgulho ferido de Vila do Conde.
Chico_vck
O Rio Ave baixou bastante bastante o nível na segunda volta, os adversários perceberam rapidamente a melhor maneira de travar a turma vilacondense e sem individualidades com capacidade para fazer a diferença tornou-se mais difícil. No entanto, acredito que o 5ºlugar não irá fugir, mesmo que não dê o acesso à pré-eliminatória da Liga Europa vai ser uma temporada com bastantes motivos de regozijo. Poder alcançar a melhor classificação de sempre na primeira liga, o futebol praticado e a valorização dos ativos do clube.
Quanto ao Marítimo, teve e está a ter uma ponta final muito forte, as chegadas de Correa e Joel foram fulcrais para este bom desempenho da equipa. Deixar uma palavra a Daniel Ramos que voltou a mostrar o porquê de ser reconhecido por muitos como um dos melhores treinadores da Primeira Liga, já o ano passado o tinha mostrado.
Tiago Silva
O Rio Ave é a equipa com mais recursos e que pratica um bom futebol, mas acho que a equipa que poderia fazer melhor figura nas competições europeias seria o Maritimo. É uma equipamuito bem organizada, coesa e muito forte a sair para o ataque, penso que o Daniel Ramos foi feito para este tipo de jogos e seria um prémio para a sua carreira.
touny71
Em condições normais temos tudo para estar na pré-eliminatória europeia. Até chegamos a estas jornadas decisivas de forma mais folgada que imaginava já que antevia um empate frente ao Chaves.
No entanto tudo o que não seja uma vitória frente ao Paços deixa-nos numa situação sempre complicada já que defrontar o Braga na última jornada será terrível
Luis ES
De um lado encontra-se um Rio Ave que tem uma ideia de jogo apaixonante, que veio trazer os holofotes para uma equipa dita de pequena/média dimensão no panorama nacional. Miguel Cardoso surpreendeu-me, porém considero que jogar sempre da mesma forma, seja qual for o adversário é uma ideia demasiado fixa, orgulhosa e que faz com que ocorram erros em partidas teoricamente mais acessíveis – em certa medida, fica-me a sensação que há um certo desleixo em valorizar o estudo dos planos de jogo dos adversários, o que pode explicar as séries recentes de resultados menos conseguidos. Ainda assim, com as condições que tem no clube, conseguiu até fazer evoluir futebolistas que ninguém dava nada no início da época, como Novais, Pelé ou Ruben Ribeiro. Não obstante, é curioso verificar a quantidade de grandes penalidades que o clube dos Arcos beneficiou nos jogos em casa, sendo que na última jornada foi gritante o que se passou no duelo com um rival direto na classificação.
Do lado do Marítimo, Daniel Ramos tem que lutar com um dos maiores desinvestimentos vistos na última década nos verde-rubros, atendendo essencialmente ao pagamento do estádio remodelado. O técnico natural de Vila do Conde é dos treinadores que não possui muita boa imprensa (inexplicavelmente), contudo com o seu “low profile” tem alcançado a união do plantel (mesmo com as minas plantadas por Carlos Pereira no caso Pacheco), ultrapassando um momento crítico e delicado da época em janeiro, no qual o emblema madeirense perdeu os seus 2 primeiros jogos caseiros na Era Daniel Ramos. Além disso, fizeram a vida negra em casa aos grandes, veja-se as dificuldades que teve o Porto em vencer no domingo na Madeira. Gostei da evolução que jogadores como Pablo, Gamboa, Charles, Fabrício tiveram sob a sua batuta, embora não compreenda a insistência em colocar jogadores em má forma nesta segunda volta como Pinho ou Valente. Também não compreendo como Sen, Bessa e Ghazaryan estão sempre no banco de suplentes, pois não acredito que seja apenas problemas físicos… Por fim, se o Marítimo está ainda na luta por uma vaga europeia, muito tem que agradecer às 2 principais contratações de inverno Joel e Correa, que impulsionaram a equipa para este final de época.