
Finda nova dupla jornada de qualificação para o Mundial de 2018, as seleções fazem as contas ao que alcançaram nos derradeiros jogos. Vitórias e boas exibições para umas, derrotas dececionantes para outras, certo é que pouco mudou nesta semana. Os favoritos triunfaram sobre os adversários, geralmente incrivelmente inferiores (basta analisar o caso de Portugal), tendo havido espaço para os jogadores melhorarem os registos ao serviço da sua nação – novamente a um nível nacional, André Silva e João Cancelo destacaram-se neste capítulo. Porém, há contas menos agradáveis de fazer: a dos clubes.
Como o período entre 3 e 11 de Outubro foi marcado como “data FIFA”, todos os jogadores convocados pelas seleções nacionais tiveram de se apresentar ao serviço do respetivo selecionador, retirando qualquer poder de decisão aos clubes que sustentam os atletas. Não sendo uma medida injusta (convém evitar situações como a dos Jogos Olímpicos), certo é que a FIFA tinha obrigação de proteger os emblemas, algo que claramente não faz. Nesta fase da temporada, sensivelmente um mês e meio após o início do ano desportivo, paragens desta natureza prejudicam o trabalho dos treinadores, que se vêem, em casos extremos, com apenas 20% do plantel disponível, condenando ao fracasso uma preparação cuidada da próxima partida (um futebolista que alinhe pelo seu país na terça feira e que se junte ao clube dois dias depois nunca estará totalmente preparado para voltar a jogar no sábado). Simultaneamente, a fadiga inerente a estas partidas também tem que ser levada em conta: aos jogos disputados acrescem as viagens, por vezes até territórios distantes – exemplo dos sul americanos a alinhar na Europa – que diminuem a condição física dos atletas. A questão primordial, contudo, relaciona-se com as problemáticas lesões. Apesar de ser algo impossível de evitar (as mais graves, por vezes, até resultam de erros próprios), é revoltante ver um jogador “perder” toda uma época devido a um particular ou a uma partida secundária, fragilizando, no processo, também o conjunto que lhe paga o salário. Ainda esta semana, por exemplo, o Real perdeu Sérgio Ramos por 6 semanas, Barcelona viu três jogadores seus, importantes, lesionarem-se, enquanto o Manchester City perderá Sagna por três semanas. E são apenas algumas situações numa “teia” imensa.
O que pode, então, ser feito? Não são necessárias alterações profundas para se melhorar a situação do futebol de seleções: basta o ajuste de pequenos pormenores. Alterar as datas dos jogos para momentos mais oportunos e menos preenchidos (após o final da temporada futebolística de clubes ou em meses como Dezembro e Janeiro), seria algo a pensar, bem como diminuir o número de amigáveis que, além do benefício financeiro, de valoroso pouco mais trazem.
No entanto, acreditar que a situação se irá inverter não passa de uma mera utopia. Uma instituição que aumenta a quantidade de nações em fases finais, prejudicando a competitividade das mesmas, e que permite a constituição de seleções a partir de países não reconhecidos pelos seus pares, em busca do lucro imediato, dificilmente cederá, a menos que beneficie com essa mudança. Assim sendo, cabe aos emblemas pressionar a UEFA e principalmente a FIFA (algo que não tem sido feito, talvez com receio de represálias) para que as suas reclamações surtam efeito. É que, enquanto se “assobia para o lado”, o “vírus FIFA” continua a atacar e cá estaremos, entre 7 e 15 de Novembro, para contar as próximas vítimas.
António Hess


23 Comentários
Abdeeint
Acho muita graça aqueles que dizem que preferem que os jogadores dos seus clubes não vão à seleção, que o meu clube é a minha seleção e blablabla.
Para um jogador, representar uma seleção é ou deveria ser um dos momentos mais altos da sua carreira. Acho que na maioria dos casos, todos sonham com este momento e não deve ser encarado como uma obrigação, mas sim um orgulho.
Kafka
Mas o que é que o 2º parágrafo invalida o 1º??
O Jonas pode adorar ír à Selecção, mas eu como adepto e sócio do BEnfica posso desejar para bem do meu clube, que que ele não vá para assim estar a 100% no Benfica….uma coisa não invalida a outra
Ele não vai deixar de ir à Selecção por eu desejar que ele não vá, mas se entramos por esse prisma, então é também ridículo desejarmos um golo para o nosso clube, porque a bola não vai entrar por nós desejarmos que entre, e no entanto todos nós desejamos na mesma um golo que é algo que não depende directamente de nós adeptos….
Abdeeint
Compreendo, mas também devia ser motivo de orgulho, de certeza que se vires um jogo do Brasil com o Jonas a titutar também ficas contente, independetemente do risco de lesão.
Se não, que sentido faz a existência das seleções? Acho que é um bom momento para o país se unir e fugir um bocado à monotonia que são as guerras entre os três grandes.
Pedro Fonseca
Ficas contente com um jogo do Brasil com Jonas a titular? Nunca mais voltarás a ver, Dunga já se foi embora!
Marik
Era muito simples, bastava concentrar todos os jogos de selecções em 2 momentos (Dezembro/Janeiro e Maio/Junho) e ficava resolvido o problema, sendo que até para as próprias selecções seria bom, pois os jogadores iriam ter mais tempo de treino juntos e consequentemente estas ficariam mais competitivas.
Diogo Faria
É preciso lembrar que em Dezembro/Janeiro é quase impossivel haver futebol nos países nordicos. Eu também achava boa ideia, mas e Noruega, Suécia, Russia etc, jogavam todos os jogos fora nessa data? Não seria muito justo.
Kafka
Diogo
Com estádio coberto essa questão não se põe, e já todos esses Países têm pelo menos um estádio coberto,
Tiago Silva
Concordo com o Kafka! Isso até daria melhores rotinas aos jogadores de forma a jogarem melhor juntos. Teriam mais tempo juntos e a státicas seriam melhor dinamizadas prefominando o espetáculo para além das competições de clubes também terem os melhores a jogar!
Kafka
Como já frisei noutros posts a solução para mim era passar a haver apenas 2 datas FIFA por Ano que seria em Janeiro (fariam 5 jogos que equivale a 2 semanas e meia) e não colidia com os interesses dos clubes pois até há campeonatos parados nessa altura e depois em Junho a seguir à final da Champions mais 5 jogos (2 semanas e meia) e estavam encontradas as 10 datas da qualificação e os clubes não seriam incomodados minimizando ao máximo o risco de lesões
Boss
Então e as férias dos jogadores? Tal como qualquer um de nós que trabalha diariamente, tem direito a um mês de férias. Pondo a questão num exemplo prático do ano de 2017, os jogadores que disputariam a final da Champions jogariam a 3 de Junho, ou seja, a fase de qualificação seria disputada, mais ou menos, de 8 até 25. Tendo em que conta que a pré do clubes nacionais começa normalmente dia 1 de Julho, os jogadores ou não tinham férias ou faziam uma má pré época, o que não raras vezes, prejudica os clubes no inícios das temporadas por falta de ritmo.
Kafka
??
As férias continuavam exactamente as mesmas que actualmente, muito simples
Com o calendário de Agosto a Maio apenas dedicado aos clubes (com uma única paragem na 2 primeiras semanas de Janeiro para as Selecções), era possivel a final da Liga dos Campeões voltar a realizar-se como SEMPRE foi entre 15 a 20 de Maio, por volta dessa data
Ora nesse ambito, vamos analisar o calendário de 2017
A Champions nesse cenário poderia perfeitamente ser a dia 21 Maio 2017 (Sábado) e portanto as Selecções reuniam-se nessa semana e jogariam dia 27 Maio (Sábado), 31 Maio (Quarta), 2 Junho (Sabado), 7 Junho (Quarta), 10 Junho (Sabado) e já estão as 5 datas a terminaram a 10 Junho
Vamos analisar agora como o calendário esta ACTUALMENTE
– Dia 9 Junho Portugal tem jogo contra a Letónia
Como vez as férias seriam EXACTAMENTE as mesmas e a época terminaria EXACTAMENTE na mesma altura do que agora
Boss
Esse modelo obrigaria os jogadores a jogarem ininterruptamente Domingo/Quarta todas as semanas da época. Um jogador que disputasse todas as competições, por exemplo da Premier League, faria 38 jogos de Campeonato, 10 de Apuramento, 4/5 Taça, 3/4 Taça da LIga, 10 Champions (não estou contar como se ganhassem todas as competições, é uma média do que pode acontecer). Ou seja, podia haver jogadores a fazer quase 70 jogos de meio Agosto a meio Junho. Estar a fazer uma qualificação nesses termos é, a meu ver, completamente impossível. Já para não falar de outro pormenor, imaginemos uma Seleção como a nossa, ou até como a Argentina em que se está a passar exactamente o que vou explicar, fazendo as qualificações num curto espaço de tempo pode/vai condenar as selecções dependentes de jogadores chave, imagina que Ronaldo e Pepe se lesionam no natal, 1 mês de paragem, e já passaram 5 jogos de Apuramento, que podem já não ser remediados. Imagina a Argentina a fazer mais 3 jogos agora sem o Messi…
Kafka
Isso não é verdade, no fim daria exactamente o mesmo número de jogos que dá actualmente, para além de que quase deixaria de haver jornadas do campeonato a meio da semana, porque actualmente as Selecções ocupam quase 2 meses de competição desde Setembro a Maio, ora esses 2 meses que actualmente se gastam nas Selecções, permitiriam aliviar o calendário
Aliás até permitia que por exemplo pudesse haver jogos da Champions ao fim de semana (como a Uefa deseja para ir buscar publico à China)
No cenário actual é ainda mais desgastante, porque os jogadores têm de fazer esses jogos todos que falas, mas com bastantes mais viagens pelo meio, pois de mês a mês têm de andar a deixar o clube e ir para a Selecção, interromper e mudar de chip etc etc….
O cenário actual é muito mais desgastante para os jogadores, do que o meu cenário
Kafka
Actualmente há 2 datas em Setembro, mais 2 datas em Outubro, mais 2 datas em Novembro, mais 2 datas em Março mais 2 datas em Junho
Como vez estão aqui 10 jogos de Selecções numa época no cenário actual, com a diferença que é muito mais cansativo para os jogadores, do que essas 10 datas apenas representassem 1 ida à Selecção em Janeiro, do que as actuais 5 idas à Selecção durante a época
Como vez é muito pior o cenário actual
Miguel
E em ano de europeu ou mundial? Fazia-se a qualificação semanas antes do torneio? Não me parece viável… E os países nórdicos onde faziam os jogos em casa no inverno? A solução não é tão fácil como apresentas… Mas tem de haver outra solução!
Tpcouto97
”E em ano de europeu ou mundial” ? em ano de Europeu ou Mundial já estava tudo apurado…
Em 2017(5 jogos em Janeiro\5 em Junho)apurava-se todas as selecções para o Mundial 2018
em 2019 apurava-se todas as equipas para o Euorpeu 2020 e por ai em diante…não haveria Sobreposição de jogos
Em relação aos jogos em casa dos paises nórdicos esta por acaso foi a primeira condicionante que me veio à cabeça quando vi esta solução mas a verdade é que talvez seja um mal necessário,para além de que equipas destes paises disputam competições europeias de qualquer forma em Fevereiro…
Kafka
Ano de Europeu ou Mundial?? como assim???
Vamos a um exemplo para a qualificação para o Mundial 2018
– 5 Jogos em Janeiro de 2017 + 5 Jogos em Junho de 2017 estava feita a qualificação,
Sim já sei vais dizer “então e os 2 jogos restantes do plyoff”…muito simples, faziam-se esses 2 jogos em Janeiro de 2018…o que não diverge muito do formato actual onde os 2 jogos do playoff serão feitos em Novembro de 2017, logo seria apenas 2 meses de distância, não é por ai
Qualificação para o Euro 2020
– 5 Jogos em Janeiro 2019 + 5 Jogos em Junho 2019
Sim já sei que vão dizer, então e a América do Sul??
Muito simples, a América do Sul actualmente já começa 1 Ano antes da Europeia, (a titulo de exemplo para este Mundial a qualificação na América do Sul começou em Outubro de 2015 e a Qualificação Europeia só começou em Setembro de 2016), logo vamos ver como seria a qualificação para o Mundial 2022 com a nuance de haver Copa América em Junho 2019, logo não haveriam jogos de qualificação em Junho 2019:
– 5 Jogos em Janeiro de 2020 + 5 Jogos em Junho 2020 + 5 Jogos em Janeiro 2021 + 3 Jogos em Junho 2021 para fazer os 18 jogos da qualificação
Como vez dava também
Quanto aos Países Nórdicos, Alemanha e Rússia, ao que sei já todos estes Países têm pelo menos um Estádio coberto, logo a questão não se punha de jogarem em Janeiro, pois os campeonatos nesses Países param porque não é viavel ter centenas de clubes a jogar em Janeiro em campo aberto com neve porque levaria a adiamento de dezenas de jogos, no entanto neste caso seria apenas a Selecção, logo jogariam num Estádio coberto e essa questão não se verificaria
Boss
O Kafka defendeu bem o ponto de vista dele, anulou inclusive alguns argumentos que lhe foram apresentados, no entanto, não consegue remediar o facto de um jogador lesionado perder metade de um apuramento. Simplesmente não é possível dividir uma competição por jornadas fazendo com que ela seja um mini torneio jogado duas vezes por ano. O modelo atual não é perfeito, nenhum é, mas é sem dúvida o menos penoso.
Kafka
Boss
Admito, não tenho argumentos para essa questão que levantas, de um jogador poder perder metade do apuramento com uma só lesão
Pedro Silva
Bem Kafka que teimosia… Entendo o teu ponto de vista mas o simples facto dos países nordicos terem que alinhar metade dos jogos com -20 graus e a situação de jogadores que se lesionem perderem logo metade da qualificação deitam por baixo o teu modelo
Max Alves BR
E como seria com o brasileirao kafka que nao segue o calendario europeu?
Kafka
Max Alves
Em Janeiro não intereferia com as competições no Brasil…em Junho paravem 2 semanas, ou então faziam como fazem agora, que não ligam às datas FIFA e não param o campeonato mesmo quando a Selecção joga
Max Alves BR
Isso é bem verdade,nao ligam e nem ligarao de qualquer forma…uma pena o brasileirao deveria ser nos moldes do europeu para evitarem as janelas e perderem seus melhores jogadores para a disputa de libertadores,ou pelo menos segurarem os medios para bons que tem,mas é assunto para outro post obrigado pelo esclarecimento.