A La Masia já produziu alguns dos maiores talentos a nível mundial. Contudo, uma nova abordagem do Barcelona resultou na saída de várias promessas, que podiam ter tido mais impacto no clube. A saber:
Adama Traoré deu os primeiros passos no Barcelona em 2004, era tido como um jovem de grande potencial. Viria a fazer a primeira aparição na equipa principal na época 2013/2014, tendo participado em dois jogos onde somou 15 min de jogo. Seria novamente chamado à equipa principal na época alinhando novamente em apenas dois jogos. Tapado por Leo Messi, Suarez, Neymar e Pedro e tendo ainda Rafinha à sua frente na hierarquia, Adama Traoré teve pouquíssimas possibilidades junto do plantel principal. Segundo os diretores do clube, Traoré não encaixava no perfil do Barça, parecia um tanque. Traoré alinhava maioritariamente na equipa “B” que acabaria por descer à Segunda Divisão “B” (equivalente à terceira divisão), pelo que quando o Aston Villa apareceu acenando com €10m, nem Barça nem o jogador pensaram duas vezes. A estadia no Villa Park não correu de feição somando apenas 12 jogos. Na época seguinte mudou-se para o Middlesbrough onde as coisas melhoraram significativamente o que lhe valeu uma transferência para o Wolves no qual soma até ao momento 79 jogos. Curiosamente, as suas melhores exibições com a turma de Nuno Espirito Santo foram ambas frente ao Manchester City de Guardiola, onde apontou três golos e fez duas assistências, tendo o Wolves saído vitorioso em ambos os jogos por 2-0 e por 3-2.
Dani Olmo começou a dar os primeiros toques na bola nas escolinhas do Espanyol, porém, com apenas 9 anos mudar-se-ia para La Masia. De ano para ano evoluía passando pelos diferentes escalões, mas o facto de La Masia concentrar tanto talento, impossibilitava que alguns jovens pudessem saltar para escalões superiores. Olmo era tido como um jovem talentoso, mas nada de outro mundo. Com 16 anos, Olmo tomou uma decisão que mudaria a sua vida. Aceitou uma proposta do Dinamo de Zagreb e seguiu para a Croácia. Uma mudança tida como absurda por muitos, afinal de contas, Olmo estava a virar as costas a uma das melhores escolas do mundo. Segundo o jovem espanhol, o projeto do Dinamo era bastante aliciante. “Eu tinha 16 anos, disseram-me que o primeiro ano seria de adaptação na equipa secundária e que no segundo ano passaria para a equipa principal” afirma Olmo. Mas para surpresa de todos, o jovem franzino passou a integrar os treinos da equipa principal numa base regular logo no primeiro ano, estreando-se nessa mesma época. Nas três épocas e meia que se seguiram, Olmo participaria em 119 jogos, apontando 34 golos. Números mais que suficientes para despertar o interesse do RB Leipzig que não se importou de pagar €20m pelo médio.
Nascido em Rosário, Argentina, tal como Leo Messi, Mauro Icardi emigrou junto com a sua família para as canárias em 2001. Icardi chegaria a La Masia com 15 anos depois dos olheiros catalães terem observado alguns dos seus jogos nas camadas jovens do Union Deportiva Vecindario das ilhas canárias. Contudo, a estadia em Barcelona não foi de encontro às suas expectativas. O Barcelona utilizava um avançado móvel na frente (Eto’o / David Villa) e esse modelo era replicado nas equipas jovens, algo que não ia de encontro às características de Icardi que era um ponta de lança fixo, um verdadeiro número 9 (Curiosamente, Zlatan Ibrahimović na equipa principal iria sofrer do mesmo problema). Impulsionado pelo seu antigo agente, Abian Morano, Mauro Icardi rumou à Sampdoria a troco de apenas 300 mil euros. 33 Jogos e 11 golos depois, Icardi, com apena 20 anos, seguiu para o Inter de Milão. O resto é história, controvérsias à parte, o certo é que o jovem argentino tornou-se num dos maiores ícones dos nerazzurri apontando 124 golos em 219 jogos. Encontra-se neste momento emprestado ao PSG com futuro incerto.
Com apenas 25 anos, Hector Bellerin é um dos jogadores mais importantes do Arsenal. O vice capitão dos gunners estreou-se na equipa principal com apenas 17 anos, algo que, segundo o mesmo dificilmente aconteceria no Barcelona. De acordo com Bellerin, “um jogador quando faz 16 anos tem a possibilidade de assinar um contrato de trabalho, o que significa que pode ir para fora (…) Eu jogava nas camadas jovens do Barcelona, na La Masia, e quando fiz 16 anos pensei em continuar no Barça. Mas não sentia que o clube estivesse a demonstrar isso no papel. Não falo no sentido financeiro, mas sim em termos de definir um caminho até à equipa principal (…) Nesse mesmo ano, o Arsenal abordou-me, fui até Londres, visitei as instalações do clube e eles fizeram uma oferta”. Meio milhão de euros bastou para roubar da La Masia aquele que viria a se tornar um dos símbolos deste Arsenal. Com algumas lesões e dissabores pelo meio, Bellerin soma quase 200 jogos pelos gunners e ao que tudo indica poderá fazer num futuro próximo algo idêntico a Cesc Fábregas e retornar à Catalunha.
Desde que trocou as escolinhas do Valencia por La Masia, Alejandro Grimaldo foi tido como um dos jovens mais talentosos e promissores de Espanha. Contudo, segundo os diretores do Barça, o seu estilo de vida não seria dos mais corretos o que resultou em algumas violações do regulamento interno do clube, bem como algumas lesões musculares, um pouco à imagem do atual extremo dos catalães Ousmane Dembélé. A cumprir a sua quarta época na equipa “B” dos catalães, Grimaldo era juntamente com Samper um dos capitães da equipa e ansiava por uma oportunidade na equipa principal. Jordi Alba era o dono e senhor da lateral esquerda, sendo que Luis Enrique, treinador na época, utilizava como alternativa adaptações como Adriano (lateral direito) ou Mathieu (central) o que levava Grimaldo a ver a sua estreia na equipa principal cada vez mais distante. Com apenas 6 meses para o final do seu contrato e somando alguns arrufos com Luis Enrique, o Barcelona optou por vender o lateral esquerdo ao Benfica por €2.1m de modo a encaixar algum dinheiro. A mudança para Portugal não foi fácil para o defesa que continuou a acumular algumas lesões complicadas, contudo a partir de 2017, pegou de estaca na equipa das águias, tendo neste momento algumas das principais equipas da Europa em cima.
Além dos jogadores mencionados, poderíamos falar de outros como Kubo, Fabregas, Onana, Sandro, Pep Reina ou ainda Jonathan dos Santos. Em suma, seja porque motivo for, o Barcelona tem somado a cada ano perdas de jogadores com bastante potencial, sendo que neste momento Ansu Fati e Puig são os únicos sub-21 da formação no plantel principal. Bastante curto para aquilo que era a realidade do clube em anos anteriores.
Visão do Leitor: Frederico Pinto | @FNSP90


18 Comentários
Chico
Excetuando Icardi, Olmo e Traoré, nenhum tem qualidade para ser jogador do plantel principal do Barça. O problema é outro que não o desaproveitamento. Acho que vem mais da pioria da produção em La Masia ou então simples azar de não ter constantemente gerações de Messis e Busquets.
FNSP
É um conjunto de circunstâncias como a instabilidade ao nível de diretores responsáveis pelas equipas jovens e treinadores das mesmas. Mas principalmente a pressão para que o clube tenha resultados imediatos o que deixa pouco espaço para a aposta em jovens de valor.
Af2711
Em determinado poderiam ser bem potenciados no clube, ao invés do clube tentar contratações disparatadas que renderem tanto ou menos em relação de custo x benefício.
FNSP
Exato. Não deram sequer uma oportunidade ao Grimaldo para 6 meses depois de o venderem contratarem Digne que foi o que foi. Isto só um exemplo
E o que temos
E depois irem buscar o firpo e agora já se fala que vai ser despachado também
BoaMike
O problema do barcelona é que esta pressionado a vencer, nao ha tempo para experiencias, e um jovem com potencial e sem minutos pensa em alternativas… dai tantos terem saído.
Af2711
Mas foram os jovens (cada um no seu tempo) que colocaram o Barcelona no nível em que está.
Messi, Xavi, Iniesta, Busquets, Valdés, Pedro, Piqué e Alba (precisaram sair para ter minutos e serem reconhecidos) e Fàbregas chegou a ser útil naquele intervalo entre 2012-2014 em que o Barcelona ficou sem Champions. Na última época em que o clube voltou a vencer uma competição europeia, Rafinha, Sandro e Munir deram boa contribuição rodando o plantel.
É imprescindível terem jogadores que elevem o clube de nível, mas há também que pensar no futuro.
Gostava que Thiago voltasse.
SCP1906
Onana, Grimaldo e Bellerin tinham todos lugar no plantel do Barça (como suplentes). Eric Garcia nunca o vi jogar mas se tem lugar no plantel do City provavelmente também tinha no do Barça.
SCP1906
E, apesar de não serem mencionados no post, não esquecer Thiago e Rafinha. Resumindo, esta geração de La Masia não está nem perto do nível da anterior (diga-se que era praticamente impossível) mas tem jogadores de qualidade.
André Dias
Embora concorde com a ideia geral do texto, não concordo com a utilização de Traoré como exemplo.
O actual extremo do Wolves tem uma técnica afinada e fisicamente é monstruoso mas falta-lhe a componente mental que para mim é a mais importante para um jogador que se quer afirmar num clube com a dimensão e filosofia de jogo do Barcelona.
A sua falta de inteligência evidencia-se na má tomada de decisão em espaços reduzidos. Apesar de ter técnica para se libertar da marcação adversária, opta quase sempre por adiantar a bola para o espaço vazio para a poder ganhar em velocidade, ir à linha e cruzar. Revelou-se um flop na sua época de estreia em Inglaterra mas esta época NES colocou-o numa posição mais recuada (geralmente entregue a Doherty) e Traoré, podendo explorar o corredor da forma que mais gosta, esteve possivelmente ao melhor nível de toda a sua carreira.
Ou seja, Traoré tem imensa qualidade mas precisou de tempo (adaptação e desenvolvimento), minutos (no Barça estaria tapado) e do contexto certo (o futebol de transição do Wolves é perfeito para ele). A sua saída de Barcelona foi boa para todas as partes.
Mas repito, concordo com a ideia geral do post. O Barcelona tem de facto perdido imenso talento formado na La Masia, mesmo que nalguns casos tenha sido a melhor decisão.
BoaMike
Alguém que partilhe da mesma opinião que eu.
Traoré não é talhado para equipas em posse continua e que apresentam mais 60-65% de posse (hoje em dia, nao acontece tanto)
O extremo tem força e técnica mas precisa de mtos metros para fazer essa diferença .
Valderrama
A tomada de decisão é demasiado subvalorizada no futebol actual
SenyorPuyol
Dos citados, eu pessoalmente não traria nenhum neste momento actual. Talvez apenas Olmo, se Setién visse nele capacidade para jogar mais recuado do que onde costuma jogar. Mas eu assumo uma posição muito clara nestes casos, quem sai do Barça por opção, para mim não deve voltar (sim, eu opus-me ao regresso tanto de Piqué como de Cesc), se algum voltar e a partir do momento em que isso aconteça terão o meu apoio, mas até lá, estarei contra as respectivas contratações.
Em relação ao momento da saída, dos que aparecem no post e na imagem, considerava Grimaldo e Eric Garcia úteis para o futuro do clube, os restantes não os classificaria como “não aproveitar”. É que não me parece honesto ver um jogador que resultou fora e pensar “que desperdício” falando apenas do que foi a carreira até aí, pois não sabemos se ficando teria atingido esse potencial. O desperdício para mim deve ser avaliado se eram úteis e/ou importantes no momento em que saíram e num curto espaço temporal que se segue a esse momento.
Dando exemplos, será que Fàbregas teria atingido o nível que atingiu se tivesse ficado?
Bartra ou Montoya, não poderiam ter atingido um nível superior se tivessem saído mais cedo? E nesse caso, aparecer neste post?
São coisas que simplesmente não sei, por isso não vou dizer que X ou Y foi um desperdício nosso.
O Barcelona tem vários problemas em relação à formação.
– Desvirtuação do gabinete de desenvolvimento ainda durante o mandato Rosell.
– Falta de planeamento do plantel para ter buracos nos postos certos. Buracos esses para os quais os miúdos poderiam ser “mais valias” em vez de “apostas”.
– O pouco peso que se dá aos treinadores dos vários escalões, à imagem do que acontece com o da equipa principal.
Mas isto para mim afecta a qualidade média dos jovens que formamos. Em relação à “diáspora” dos últimos anos por parte dos miúdos que sim, pareciam acima da média, na sua maioria eu tenho-os culpado mais a eles que ao clube.
Cucurella e Pérez nem eram dos que mais destacavam na formação e esses sim, são saídas em que sou bastante crítico com a direcção porque me pareceu faltar-lhes ao respeito, mas lá está, não foram eles que decidiram sair.
De resto, não me recordo neste momento de outro caso em que culpe mais o clube que o jogador.
Apenas para citar alguns dos jogadores que saíram por vontade própria, Jordi Mboula, Eric Garcia, Sergio Gomez ou Xavi Simmons saíram para Monaco, City, Dortmund e PSG respectivamente. Todos bastante cotados dentro do próprio Barça, não obstante, todos saíram assim que tiveram oportunidade de assinar os contratos profissionais, tal como os citados Olmo e Bellerín.
É que estes jovens que saem a essas idades não podem alegar que “o Barça já não aposta nos jovens”. Valdés apenas chegou aos 10 jogos com a camisola do Barça aos 20, Puyol aos 21, Pedro Rodriguez, Bartra, Rafinha, Busquets, S. Roberto, Montoya, Tello, Cuenca, todos também entre os 20 e os 21 durante a era Pep, a que todos tomamos como referência da aposta na formação.
No meio de tudo sim, óbvio, há um Thiago, um Iniesta ou um Xavi que chegaram a essa marca aos 18/19 e Messi aos 17.
Mas Aleñá que sim foi optando por ficar ou Carles Pérez também alcançaram essa marca aos 20/21. Puig, ainda com 20 anos, neste momento leva 6 aparições. Miranda apareceu em 4 jogos a época passada ainda com 19 anos, Fati ainda tem 17.
O único que se pede aos miúdos é paciência, mas se as decisões que tomam aos 16/17 anos é a de sair, por muito que eu deteste esta direcção, não a posso culpar por esta questão.
O que sim posso fazer é exigir respeito para casos como Riqui Puig (que foi tendo inúmeras ofertas), Aleñá ou Collado, assim como exigia para Pérez e Cucurella.
Por fim, em relação ao último parágrafo, se consideramos Puig no plantel principal, então também se têm de considerar Peña, Araújo ou Collado por exemplo, que têm participado nos trabalhos da equipa principal e até convocatórias com tanta ou mais frequência que o Riqui.
Nazgul
O barça virou um clube como o real etc não tem paciência para formar jogadores, preferem vender jogadores da cantera por 5/10M e comprar craques formados por 50/100M, mas também temos de ser sinceros já la vai o tempo dos xavi iniesta e companhia, talvez o alena e os irmãos Alcântara foram mal aproveitados e preferiram comprar por fora!
Tiago Silva
O Barça poderia dar mais oportunidades aos seus miúdos sem dúvida, mas é um clube com um nível de exigência gigante e não é o melhor ambiente para desenvolver miúdos. Só mesmo aqueles muito bons é que estão prontos para passar da La Masia para a equipa principal, os outros deveriam evoluir com empréstimos ou opções de recompra, acho que essa é a melhor politica.
O Barça não está a aproveitar os seus valores, isso é uma realidade, mas não acho que seja a apostar logo neles que vão render. Têm que se desenvolver de forma sustentada e só depois entrar na equipa. A qualquer um dos envolvidos neste post, fez-lhe muito bem ter saído e jogado noutros clubes, foi ali que se desenvolveram, mas o Barça não os deveria ter libertado da forma como está a fazer.
Jay-Jay Okocha
Concordo a 100% ctg. Acho esses artigos irrelevantes. Basicamente é escolher jogadores formados no Barça que fizeram boas carreiras longe do clube com que intuito? O de afirmar que se ficassem no Barça teriam tido exatamente o mesmo percurso? Dou o exemplo de um Nolito que se eternizou no Barça B antes de dar o salto, teria tido outra carreira se tivesse saido cedo a semelhança de icardi, olmo ou fabregas. Nao estou a comparar talentos, apenas acho que esxolher um jogador num instante T e dizer que o clube que o formou desperdiçou nºao faz la muito sentido.
Abraço
Diogo Moura
Tirei um ponto interessante, não foi só a “não aposta” nos jogadores, mas sim as vendas ao desbarato.
Jogadores que hoje valem milhões e são peças basilares em boas equipas, saíram do Barça por tostões.
Em suma, a La Masia continua a formar bem, a direção é que depois não sabe o que fazer com os jovens.
Kacal
Pois e espaço para estes jovens? Na altura que alguns apareceram eram muito “verdes” e o Barça tinha jogadores de topo nas posições dele. Outros não vejo perfil mental para jogar num colosso como o Barça e outros seriam apenas problemas de balneário. Muitos destes jogadores tiveram que ter oportunidades de forma continuada e jogar num nível de exigência mais baixo para atingir o nível que atingiram e demoraram tempo a fazê-lo. Mas claro que jogadores como Thiago podiam e deviam ter sido aposta após saírem Iniesta e Xavi, por exemplo.