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Because it’s the Blackhawks Cup

Já passam das quatro da manhã quando Toews levanta, de novo, a Stanley Cup. É a sua segunda depois de, em 2010, com 22 anos, a ter levantado pela primeira vez tornando-se, na altura, o jogador mais jovem de sempre a integrar o Triple Gold Club (Stanley Cup, Conn Smythe e Jogos Olímpicos). Desta vez não venceu a Conn Smythe. Não, essa coube a Patrick Kane, numa nomeação aceitável mas, igualmente, questionável (Rask, Krejci, Bickell ou, até, Crawford poderiam perfeitamente ter levantado a taça).

Os Blackhawks venceram. Juntaram, assim, a Stanley Cup à Presidents Cup, numa clara mostra do poderio da equipa e, de quem, afinal, é realmente a melhor equipa. Fica complicado, para qualquer um, questionar a justiça da conquista dos Blackhawks. Esta foi, indubitavelmente, a melhor equipa da época. São agora 5, as Stanley Cups dos Blackhawks e a primeira equipa a bisar na Salary Cap Era e, quem sabe, estar a construir uma dynasty.
Não deixa de ser irónico, contudo, que os Blackhawks acabem campeões num jogo que até parecia decidido… para os de Boston. A um minuto e dezassete segundos do fim do jogo, os Blackhawks perdiam por 2-1. E, quando os Bruins ainda se recompunham de um empate tardio, os Blackhawks dão a machadada final por Bolland, 17 segundos depois do golo do Bickell. Assim, com 58 segundos para jogar, os Bruins ficaram em desvantagem. Irrecuperável. 17 segundos em que os Bruins foram de forçar o jogo 7, a perder o campeonato.
Mas o turning point da série remonta a alguns períodos atrás. Quando, no jogo 4, os Bruins deixaram empatar a série a 2, já era possível antever o desfecho final. Os Bruins já haviam “roubado” um jogo em Chicago e dificilmente isso voltaria a acontecer. Este jogo 4, em Boston, era fulcral. Depois de tirar um jogo na Madhouse, era importante para os Bruins aproveitarem o factor casa para se colocarem 3-1 na série e, por ventura, garantir a Stanley Cup. Tal não aconteceu e a vitória dos Blackhawks começou aqui a desenhar-se. O jogo até foi equilibrado em termos de resultado mas, na verdade, os Blackhawks foram mais dominantes e só três erros técnicos de Crawford foram garantindo o equilíbrio. Quenneville, neste jogo, estabeleceu aquele que foi o pormenor que deu a vitória aos Blackhawks. Depois de três jogos a jogar com Toews e Kane em linhas separadas, o treinador de Chicago voltou a juntá-los e desmontou por completo todo o sistema defensivo dos Bruins. Não mais os Bruins conseguiram equilibrar os matchups nem funcionar em bloco como lhes é característico. Defensivamente a equipa pareceu sempre demasiado esticada, com os jogadores muito longe uns dos outros e, por consequência, com Rask a ficar frequentemente isolado perante o ataque dos Blackhawks. E isto garantiu uma sequência de 3-0 para os Blackhawks que assim chegaram ao 4-2 final. Os Bruins, simplesmente, nunca se conseguiram ajustar a esta alteração táctica dos Blackhawks. E tiveram 3 jogos para isso. Kane, Toews e Bickell formaram assim uma linha “estupidamente” forte e dinâmica, uma das melhores linhas do hockey actual.
Para a história fica, ainda assim, uma guerreira equipa de Boston (como se pudesse ser de outra forma), com Rask a estabelecer-se como um novo ícone das balizas no gelo. O desporto dificilmente será uma questão de “ses”, mas… e se Bergeron não tivesse jogado o jogo 6 com um ombro deslocado, uma costela partida e um qualquer tendão resgado? Ou se Campbell não tivesse partido a perna em pleno gelo contra os Penguins? Ou se os Blackhawks têm juntado Toews e Kane desde o primeiro jogo? A verdade, essa, é que acabou por ser uma série memorável, com um jogo inaugural que se tornou o 5º maior de sempre, que começou de noite e acabou de dia. Afinal, o hóquei é isto. Because it’s the cup.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): João Pedro Cordeiro

7 Comentários

  • joao
    Posted Junho 26, 2013 at 11:57 pm

    Vi parte do jogo e foi engraçado. Depois achei impressionante as imagens da baixa de Chicago a celebrar e parece que na parada de campeões em 2010 estiveram 2 milhões de pessoas na rua. Respect…

  • Richie
    Posted Junho 27, 2013 at 8:21 am

    Love is an addiction. One love yeah

  • Anónimo
    Posted Junho 27, 2013 at 10:20 am

    Pessoalmente, aprecio bastante os desportos americanos, por isto mesmo! Toda a incerteza de quem irá ser o campeão se mantem até ao fim. Nao acompanho a nfl regularmente, mas tive oportunidade de ver um bocado do último jogo e foi espetacular.

    André Silva

    • Luís Duarte
      Posted Junho 27, 2013 at 11:50 am

      André Silva,

      Se quiseres podes acompanhar a NFL em Portugal através da ESPN América, transmitem sempre 5 jogos por jornada (1 na Quinta Feira à noite, 3 no Domingo e 1 à Segunda Feira à noite)…e já só faltam 2 mesinhos para a época começar finalmente..

  • Jo
    Posted Junho 27, 2013 at 5:40 pm

    A verdade é que os desposrtos americanos (basket, futebol americano e basebol) foram feitos para isso mesmo, para o espectáculo, para as receitas, as equipas são mais equilibradas, todas têm muitos adeptos no estádio ou pavilhão, podem dizer muita coisa dos americanos mas disto percebem eles. E já nem falo das mesmas modalidades mas das universidades e secundárias. O futebol é o desporto mundial, mas não se compara à organização e ao espectáculo à volta destas modalidades americanas…

    • Luís Duarte
      Posted Junho 27, 2013 at 7:48 pm

      Sem dúvida Jo, nisso os Americanos são de muitoooooooooooooooooooooooooooooo longe os melhores do Mundo…e nem precisamos de recorrer aos "4 grandes" (MBL, NFL, NHL e NBA), basta recorrermos ao desporto universitário, onde tens Universidades a encherem estádios de 60 e 70 mil pessoas…e jogos a renderem milhões de dolares, tanto que a título de exemplo, há universidades (repito Universidades) na América que têm orçamentos superiores ao Benfica e Porto por exemplo

  • Diego Nunes
    Posted Junho 28, 2013 at 1:17 pm

    Sem dúvida o troféu justo para a melhor equipa. A Stanley Cup não premia a equipa mais regular ao longo do ano(para isso serve a primeira fase regular) mas sim a equipa mais forte nas series a eliminar(Play Off). Os BlackHawks conseguiram alcançar a regularidade desejada e souberam nos momentos decisivos dar a machadada final,não só nesta série mas também contra os LA e Detroit.

    Sou adepto ferranho dos Blackhawks e vejo recompensado agora as muitas madrugadas passadas a ver os jogos deles, sempre com espectáculo garantido e indefinição até ao ultimo segundo tal como se caracterizam os mais famosos desportos americanos.

    Antes de começar esta final adivinhava-se uma missão muito difícil para a turma de Chicago, mas no entanto o equilíbrio iria prevalecer nela. De um lado estaria uma equipa de Chicago caracterizada pela sua excelente capacidade técnica aliada a muita juventude e do outro uma turma de Boston movida pelo crer ambição experiencia e que não tinha dado hipótese nenhuma na serie anterior aos tao amados Pittsburgh Penguins eliminando-os por 4-0 em jogos, extreminando-os por completo.

    Este equilíbrio confirmou-se logo no primeiro jogo em Chicago, pois estendeu-se até a 3ºOverTime e os Chicago só saíram vitoriosos deste jogo devido a um golo fruto de muita sorte. Os Bruins saíram derrotados mas haviam provado neste jogo que estavam melhores e que a ambição e experiência estavam a fazer a diferença para serem superiores e que aquela derrota havia sido um acidente de percurso. Tanto foi um acidente de percurso que os dois jogos seguintes levaram de vencida e viraram o resultado da serie para 2-1, mas mais importante é que uma dessas vitórias havia sido em Chicago e isso era uma vantagem muito importante desde que nao perdessem nenhum jogo seguinte em casa.

    Contudo no 4ºjogo os Bruins a jogar em casa viram-se completamente baralhados no gelo quando os Chicago se apresentam como uma equipa mais consistente, espectacularmente dinânimca e com uma 1ª linha com Toews e Kane juntos e Bickell na criação dos espaços. Provou ser uma linha demolidora e que fez que não mais os Bruins tivessem o controlo dos jogos deste Play Off final. Tanto que a serie virou para 4-2 e os Blackhawks festejam merecidamente este titulo.
    Destaques:
    Crawford esteve a um nível muito bom, apesar de ter falhado algumas vezes.
    Patrick Kane provou estar mais maduro e isso tornou-o preponderante para a conquista da equipa.
    Toews apesar de nao ser decisivo foi incisivo no seu papel de capitão.
    A dupla Seabrook-Duncan Keith a dupla de defesas esteve brilhante nesta serie final(Keith fez um ultimo jogo prefeito).
    David Bolland-apesar de não ser um jogador espectacular de alto nível, foi decisivo nesta série e os seus golos foram importantes.

    P.S.
    É com muito gosto que vejo uma publicação na VisãodeMercado sobre NHL. Sou fã de desporto e o futebol e NHL são aqueles que sigo com mais afeição. Consulto este site regularmente devido às suas publicações futebolísticas e via regularmente as publicações sobre NBA e perguntava-me a mim proprio para quando umas publicações regulares sobre NHL. Fico a espera nessa aposta para a proxima epoca;)Bom trabalho

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