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Beira-Mar: Já de pés bem assentes na Liga, será a altura certa para partir para vôos mais altos?

A cumprir a terceira época consecutiva no principal escalão do futebol português, longe vão os tempos em que o Sport Clube Beira-Mar, outrora apelidado de clube “elevador”, devido ao oscilar entre a 1º Liga e a Liga de Honra, mal se conseguia aguentar por mais de uma época no mesmo escalão. Quiçá, tal como o magnata Iraniano Majid Pishyar referiu, este será o ano de mudança, o ano em que o clube de Aveiro se irá impor em definitivo como um clube bem estruturado e consolidado na nossa Liga e partir para vôos mais altos no que toca a aspirações na tabela classificativa. Já com a pré-época a decorrer, Ulisses Morais teve de lidar com a perda de elementos base, que caracterizavam e pautavam o estilo de jogo do Beira-Mar na época transacta (e não só), Artur (Chornomorets), Yohan Tavares (Standard de Liège) e Zhang (este ainda permanece uma incógnita, uma vez que na época passada se encontrava emprestado pelo Mafra). Contudo, os “auri-negros” têm-se reforçado tanto em quantidade como em qualidade e nesta pré-época aparecem com uma nova cara.
– A baliza continuará a ser entregue ao já “trintão” Rui Rêgo que, para quem o acompanhou desde a sua chegada ao Beira-Mar, tem sido um autêntico “guardião” da baliza aveirense embora na época passada tenha custado alguns pontos importantes. Bruno Jorge, ex-Moreirense, apresenta-se como uma alternativa viável, com 27 anos terá de espreitar todas as oportunidades que forem surgindo, da melhor forma possível. Já Jonas Mendes, internacional pela Guiné Bissau, um jovem guarda-redes de 22 anos e 1.91 metros, será na mente do técnico, o actual 3º guardião da baliza. 
– No que toca ao centro da defesa, Hugo (um velho conhecido do futebol português), que conta já com 35 anos, continuará a ser o pilar, o capitão. Embora a idade comece a pesar, o seu posicionamento, “matreirice” e espírito de entre-ajuda para com os colegas, compensa a falta de velocidade. A seu lado terá o ex-Nantes, Vincent Sasso, Francês, que veio com o intuito de colmatar a perda de Yohan (e que substituto!). Alto, rápido e com um estilo de jogo “forte”, ainda com 21 anos, será sem sombra de dúvidas um jogador a seguir. Numa segunda linha surge Jaime (que também pode jogar a médio defensivo), um jovem jogador, “produto” da escola beiramarense e Bura (ex- FC Porto), também por sua vez um jogador novo, 23 anos, alto e que pode perfeitamente substituir todos os jogadores referidos até agora. No lado esquerdo uma agradável surpresa, o recém-contratado Hélder Lopes (23 anos, proveniente do Tondela) que, neste momento vai dificultar a vida a Joãozinho (que já na época passada se mostrou e bem, atraindo clubes como Hannover, Dnipro e Palermo). Na direita a escolha deverá recair em Pedro Moreira, a cumprir a sua quarta época em Aveiro, é um jogador regular, humilde e que não compromete. Para seu substituto/concorrente ao lugar terá Nuno Lopes (irmão de Miguel Lopes), com 25 anos que, embora não tão regular no que toca ao sector defensivo, é bastante interventivo no capítulo ofensivo. 
– A trinco (caso Ulisses Morais opte por um esquema em que seja necessário um trinco), após a saída de Nuno Coelho (estava emprestado pelo Benfica), surge Ricardo Dias, produto da formação do Beira-Mar que regressou a época passada a Aveiro, após passagem pelo FC Porto e Santa Clara (internacional sub-20, que pode jogar a médio também) e o recém-chegado francês, Fleurival (que passou pelo Boavista na época 2007/2008, joga igualmente bem a médio). Quanto ao “miolo” do terreno, durante a pré-época, Ulisses Morais apostou então em Fleurival e Cedric Collet, ex-Reims, um jogador possante e com bom toque de bola/visão de jogo (28 anos) mas, noutro sentido, surge André Sousa, que esteve a época passada emprestado ao S. Covilhã, 22 anos, que com o seu espírito batalhador e “garra” que evidenciou esta pré-época, será um caso sério a curto/médio prazo. Rúben Ribeiro, ex-Penafiel também aparenta ser uma boa contratação, português, 25 anos, “bom de bola”, promete complicar as escolhas do “mister” Aveirense. Nazmi Faiz, “Kaká da Malásia” (a primeira contratação de um jogador proveniente da Malásia, para a Europa) como é conhecido, com os seus 17 anos dificilmente entrará nas contas de Ulisses Morais, excepto na Taça da Liga e, também, Taça de Portugal. Este é sem dúvida o sector que dará mais dores de cabeça ao treinador, uma vez que conta com várias opções, todas de qualidade (o que não acontecia a época passada). Um nº 10, criativo, nesta fase ainda era bem-vindo… o regresso de Rui Sampaio a Aveiro era visto com bons olhos, embora não seja exactamente o médio que falta ao Beira-Mar sendo que Zhang, um jogador polivalente e esforçado, era uma boa ajuda. 
– A extremos/médio ofensivo (caso Ulisses Morais continue a optar pelo 4-2-3-1), Serginho cumpre todas as posições, tem vindo a subir de forma desde o ano passado e, nesta altura, deverá tirar o lugar a Nildo (que joga pelo lado esquerdo, rápido, mas por vezes trapalhão). Balboa continua a ser dono e senhor do lado direito e já prometeu que este será o seu ano de afirmação. Recém-contratado, aparece Felipe Desco, 23 anos, ex – Flamengo SP, também extremo. 
– Quanto ao ataque, um sector bastante fraco (dos piores ataques na época passada). Neste momento Abel Camará que, quase garantidamente, será o preferido para o lugar tem a concorrência de Rafael Batatinha (22 anos, ex-Tondela, melhor marcador da II divisão), um jogador lutador, “raçudo” e com técnica, embora ainda não tenha evidenciado todo o seu potencial; e Saleh Javier, que já facturou nesta pré-época, é um jogador de 18 anos e vem por empréstimo do Al-Ahli. 
Destaques:  Um plantel jovem e recheado de jogadores portugueses (mas com uma aposta quase nula nos elementos da “casa”, Jaime, Artur e Ricardo Dias, embora em moldes diferentes, foram as excepções nos últimos anos). Falta reforçar o meio campo (um médio criativo) e principalmente encontrar alguém que seja garantia de golos (a eficácia ofensiva continua a ser a grande lacuna dos aveirenses). Conseguirá o Beira-Mar fazer mais e melhor que na época passada? Será de facto este o ano de afirmação de Javier Balboa? Ulisses Morais mostra ter o perfil adequado para levar o Beira-Mar a outros vôos? Ainda há espaço para novos reforços? O “problema” de formação do Beira-Mar, ou seja, a não aposta em jogadores da sua escola, é similar aos restantes clubes da Liga?

André Raio

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