O Benfica apresentou-se com uma outra atitude ainda não revelada esta temporada, perante um Sporting pouco imaginativo no ataque e muito tremido na defensiva.
O jogo começou em bom ritmo, com as duas equipas a pressionarem alto e a procurarem sair rápido para o ataque. A um primeiro remate de Valdes perto do poste, o Benfica respondeu com uma excelente jogada em que Cardozo surge com perigo e remate ao poste de Rui Patrício. O jogo estava aberto, no entanto, algo duro e faltoso, tendo descido de qualidade ao longo dos minutos. Aos 13 minutos, canto para o Benfica, com Cardozo a ganhar um ressalto e a inaugurar o marcador, perante a passividade dos jogadores leoninos. O golo encarnado foi o tónico que o Benfica precisava para segurar a partida, tendo gerido o encontro até ao intervalo, sem que os leões ameaçassem a baliza de Roberto.
Na segunda parte, quando o Sporting tentava responder à desvantagem, Cardozo marcou novamente, depois de uma tabelinha com Saviola. O paraguaio desferiu um remate colocado, mas ao alcance de Rui Patrício (ainda tocou na bola). O Benfica ficou mesmo mais perto do 3º golo, depois de uma transição ofensiva bastante rápida, que apanhou a defensiva leonina descompensada, mas Rui Patrício defendeu o remate de Fábio Coentrão. Pouco tempo depois (56´), Ruben Amorim perde a bola na defensiva para André Santos, com o jovem a isolar Liedson, que depois de tirar David Luiz da frente, falha incrivelmente o 2-1. Foi um momento decisivo na partida, pois caso o luso-brasileiro tivesse marcado, os leões poderiam ter ganhou mais confiança. Paulo Sérgio, aos 60´ fez entrar Postiga e Vukcevic, com melhores resultados, pois logo a seguir os leões começaram a rematar com mais perigo, perante a insegurança de Roberto. O Benfica espreitava o contra-ataque e aí Cardozo foi o rei do desperdício, com dois lances seguidos (rematou para fora perante a saída de Patrício e cabeceou por cima em boa posição para marcar). O final aproximou-se, apenas com mais um registo para o cabeceamento de Liedson para defesa de Roberto.
O Benfica, com o regresso da pressão alta da temporada passada, conseguiu dominar a equipa leonina, que apesar de ter terminado com 55% de posse de bola, raramente soube o que fazer à mesma, tendo abusado do passe para o lado e para trás.
Destaques:
Cardozo – Foi o homem do jogo, ao marcar os dois golos da partida, mas não foi só por isso que merece o destaque. Pressionou bastante os centrais do Sporting, obrigou-os a jogar mal, ganhou lances e batalhou bastante. Apesar dos dois golos marcados, ainda desperdiçou 3 claras ocasiões para marcar.
Fábio Coentrão – Boa exibição do esquerdino do Benfica, que hoje jogou no meio campo. Ajudou bastante César Peixoto e impediu João Pereira de atacar como o lateral leonino tanto gosta. Fez alguns cruzamentos perigosos e podia mesmo ter marcado um golo.
Carlos Martins – O médio encarnado fez uma boa partida frente à sua antiga equipa, sempre seguro no drible e no capitulo do passe. Juntamente com Javi Garcia, teve papel importante na luta do meio campo. Não teve foi espaço para aplicar o seu forte pontapé.
Luisao/David Luiz – Os centrais encarnados tiveram uma noite irrepreensível perante um Liedson diferente dos anos anteriores. Sempre duros sobre os adversários, mas com grande timing de corte.
Ruben Amorim – Entrou ao intervalo para o lugar de Aimar e foi importante para conter o meio campo do Sporting. Pela negativa, revelou alguma passividade num lance em que Liedson poderia ter marcado o 2-1.
Roberto – Voltou a não sofrer golos na Luz, fez algumas defesas, no entanto, voltou a tremer em dois lances em que poderia ter deitado tudo a perder.
Jorge Jesus – O Benfica hoje já mostrou o melhor que ficou da temporada passada e o treinador português revelou inteligência ao colocar Fábio Coentrão em cima de João Pereira, travando um dos principais impulsionadores do ataque leonino.
Jaime Valdes – O médio chileno foi o melhor dos leões, mas andou muito entre o bom (algumas jogadas de desequilíbrio) e o péssimo (muitos passes falhados).
Liedson – Voltou a mostrar que já não é o mesmo de anos anteriores e uma limitação ao ataque leonino. A capacidade de luta ainda esta lá, no entanto, a finalização, qualidade de passe e de criar desequilíbrios parece já ter desaparecido.
Matias Fernandez/Yannick Djalo – Praticamente inexistentes e sem nunca conseguirem criar desequilíbrios na defensiva encarnada.
Andre Santos/Maniche – O meio campo do Sporting trocou muito a bola, mas com muitos passes para trás e para o lado, sem nunca conseguir servir com qualidade a frente de ataque. Também estiveram pouco agressivos sobre a bola, apesar das muitas faltas cometidas. Os leões necessitam da dupla Pedro Mendes-Zapater.
Rui Patrício – Facilitou no 2º golo encarnado e noutro lance, mas não foi por ele que os leões perderam o jogo.
Evaldo/João Pereira – Os laterais leoninos mostraram hoje que os 6 milhões de Euros investidos pelo Sporting foram um claro exagero. Nunca conseguiram dar profundidade ao ataque, erraram muitos passes e recepções e foram completamente manietados pelos jogadores encarnados.
Daniel Carriço/Nuno Coelho – A dupla de centrais do Sporting esteve algo intranquila (especialmente Nuno André Coelho), com o capitão a ter pouca altura para o ataque encarnado e o ex-Porto a estar demasiado “verde” para um derby.

