No momento em que chegámos ao final da pré-época e se aproxima o início da competição em Portugal, é importante reflectir sobre as escolhas dos diferentes clubes no que diz respeito aos locais de estágio (em relação ao clima, contexto e condições de trabalho) e evolução da preparação, pois podem parecer questões secundárias à primeira vista, mas tornam-se extremamente importantes no desenrolar da temporada (é necessária uma boa preparação física de base para suportar as exigências da competição).
A situação do clima é fácil de analisar – maior calor permite treinos menos intensos mas mais variados, enquanto que climas mais frios condicionam o ritmo do treino, mas permitem maior intensidade de cargas. O futebol é uma modalidade com uma competição muito prolongada, tornando-se fulcral controlar o surgimento dos picos de forma, uma vez que esses são inevitavelmente limitados no tempo e seguidos de um período de menor fulgor físico, que pode comprometer toda uma época desportiva. Os erros cometidos nesta fase de preparação podem ser, mais ou menos graves, e ter maiores ou menores consequências, a título de exemplo negativo podemos enunciar as pré-épocas do Benfica de Jorge Jesus, em que a equipa exibe um pico de forma num determinado período da temporada, mas após essa fase acaba por baixar para níveis comprometedores. Naturalmente que esta questão não deriva apenas da preparação da época mas também da gestão do plantel, no entanto se for mais cuidada durante esta fase, não seria possível garantir um período mais alargado de boa forma, ao invés de um período curto de grande forma?
Analisemos então as escolhas feitas pelos três principais clubes nacionais nesta temporada, que devem ter em linha de conta o clima, a tranquilidade do local, as condições materiais disponíveis e o nível dos adversários disponíveis no país/localidade, sem esquecer as questões económicas. Por exemplo, o FC Porto optou por Prangins, na Suíça (mas por norma estagia em Marienfeld, na Alemanha, que é uma pequena localidade pacata, com excelentes condições de treino, que permite a máxima concentração aos jogadores no trabalho de pré-época, isolando-os das particularidades da silly season). O Benfica opta por locais com uma comunidade emigrante alargada, de forma a retirar proveitos financeiros, mas também proporcionar aos atletas um ambiente de constante apoio, o que para além de ajudar a moralizar a equipa, aumentando os níveis de confiança, proporciona também um panorama mais próximo do que vai acompanhar o conjunto de Jesus ao longo da época. Já o Sporting optou por Espanha, não tanto pelo local (estágio de apenas 5 dias). mas principalmente pelas características dos adversários a defrontar (Charlton e Sheffield Wednesday). Não se tratando de equipas tecnicamente evoluídas, o estilo de jogo tipicamente inglês (que é ainda mais visível no Championship), obriga a manter níveis de concentração elevadíssimos em todos os momentos do jogo, isto porque, fruto do jogo directo, o tempo que transita da perda de posse de bola para a tentativa de finalização do oponente é muito curto. Perante isto, qual a equipa em Portugal que melhor planeou a pré-época? Qual o factor que consideram mais importante? Os adversários e a sua sequência ou o clima do local de estágio (locais mais frios ou mais quentes)?
Pedro Nogueira
Pedro Nogueira


