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Braga e o Sheik salvador

O Sporting de Braga troca o dinheiro e a influência de uma empresa portuguesa em dificuldades pelo dinheiro e influência dos donos do futebol mundial. A Olivedesportos pela Qatar Sports. Joaquim Oliveira por Nasser al-Khelaifi. O patrão aflito pelo Sheik salvador.

Não há surpresas nestes desenvolvimentos, que acompanham a tendência europeia de alienar as marcas desportivas numa tentativa de alavancar objectivos de sucesso local com financiamento global e orientação bem influenciada. Também não deve causar repugnância, passada a surpresa inicial, pois os fluxos de dinheiro no futebol sempre foram bastante “democráticos” e abrangentes: será uma das atividades económicas mais abertas a todo o tipo de financiadores, desde os “bicheiros” do Brasil às mafias do sul da Europa. No fim da linha, o que vale é quando a bola entra na baliza.

Nos clubes portugueses já circula há muito tempo o capital de japoneses, chineses, italianos, malteses ou brasileiros, entre outros, pelo que a abertura aos vizinhos do principal patrocinador do Benfica deve ser recebida com naturalidade. A Qatar Airways também já patrocina ou patrocinou grandes clubes europeus (Barcelona, Roma, Bayern de Munique), para lá do Paris Saint Germain, pelo que este negócio pode ser visto como um “upgrade” para o prestígio internacional do Sporting de Braga – pesando os prós e contras da associação a um país desaconselhável sob tantos pontos de vista.

O mais significativo deste golpe de mercado é, definitivamente, a confirmação da morte anunciada da Olivedesportos como grande sustentáculo dos anos dourados do futebol nacional, assinando aqui um derradeiro “excelente negócio”, porque os amigos são para as ocasiões.

A história lembrará o que fez de bem ao futebol nacional o visionário que se revelou no Mundial do México, há quase 40 anos, a carpinteirar num campo de treino esburacado os reclames dos primeiros “sponsors” da Federação.

Joaquim Oliveira foi o grande patrão do futebol português, um autêntico Sheik nababo, um caso de estudo dos benefícios e malefícios da concentração dos direitos televisivos. Durante três décadas, com a Olivedesportos a engordar e os clubes a minguar, funcionou como um banco sempre disponível para crédito a dirigentes perdulários e “agarrados”, apenas a troco da extensão por cada vez mais e mais anos de contrato e dependência. Até ao dia em que o Benfica, qual placa giratória do futebol nacional, cortou o circuito ao criar a sua própria televisão, determinando o fim da concentração dos direitos e empobrecendo a oferta dos canais, o que determinou o declínio da Sport Tv e dos seus acionistas, por um lado, e a necessidade de as SAD emergentes procurarem outras fontes de financiamento, como consequência.

Agora, bem atenta à imposição política de nova concentração dos direitos da Liga Portugal, entra em força no futebol português a família beIN Sports, a empresa acusada de ter pago um bónus de 100 milhões de dólares aos dirigentes da FIFA pela atribuição da organização do Mundial de 2022 aos trolhas da mão de obra escrava…

É fazer as contas!

João Querido Manha

18 Comentários

  • Marco
    Posted Outubro 10, 2022 at 7:13 pm

    “Oliverdesportos como grande sustentáculo dos anos dourados do futebol nacional”…

    é esperar que tenha sido uma ironia propositada

  • Neville Longbottom
    Posted Outubro 10, 2022 at 7:00 pm

    Não sou especialista neste tipo de legislação (se o Braga como acionista maioritario salvaguarda alguma componente da decisão ou por ser um SAD é diferente, mas o Braga não vendeu ações certo? Não entrou um euro no clube. Houve um proprietário que vendeu a sua participação a outro.

    Assim sendo não havia nada que o Braga pudesse fazer. Até podia ser o Putin a comprar…

    Enquanto o Braga tiver a maioria da sua SAD estão salvaguardados. E espero que se mantenha assim.

    • Neville Longbottom
      Posted Outubro 10, 2022 at 8:20 pm

      Já vi que não é maioritário.

      Sorry, my bad.

      Mas o essencial do comentário mantém-se.

  • Antonio Clismo
    Posted Outubro 10, 2022 at 6:09 pm

    Nada contra a participação de investidores estrangeiros no futebol português.

    Aliás, numa liga em que 2/3 dos seus atletas são estrangeiros porque não ter também 2/3 de equipas técnicas estrangeiras, 2/3 das direções estrangeiras, 2/3 dos investidores estrangeiros e também porque não, 2/3 dos árbitros e restantes dirigentes de todos os órgãos sociais da FPF e da Liga de Clubes.

    Por mim os clubes portugueses até podiam fechar portas e vinham para cá os clubes estrangeiros jogar, sei lá, juntar 3 ou 4 clubes da Galiza com 3 ou 4 clubes de Marrocos e outros de Cabo Verde e da Guiné e está feito.

    É triste a FPF não saber o que quer, não há planificação, não existem programas a 3 anos, programas a 5 anos ou programas a 10 anos. Nas mais variadas vertentes, seja ao nível de jogo, nível de treinadores e dirigentes, arbitragem, agentes e restantes empresários, direitos televisivos, patrocinadores, match-fixing, doping, sustentabilidade financeira e formação e desenvolvimento de jogadores…

    Quando a única preocupação dos dirigentes (seja na FPF, Liga ou mesmo a nível político no Ministério e Secretaria de Estado) é como garantir as suas reeleições para mais mandatos do que fazer reformas estruturais e projectar o futuro sustentável do futebol em Portugal… então, está tudo dito.

    • Antonio Clismo
      Posted Outubro 10, 2022 at 6:27 pm

      Os clubes aproveitam-se das falhas e omissões das leis e regulamentações que existem e graves falhas de escrutínio para falharem constantemente nas mais variadas áreas, seja a nível financeiro, estructural, ligação à comunidade, nível de jogo e (para mim) o mais importante, gestão danosa descurando e colocando a formação e desenvolvimento de jovens jogadores completamente de lado.

      É gravíssimo clubes como o Arouca nem conseguirem ter 8 portugueses num plantel de quase 30 jogadores. Surreal e absurdo. Ainda para mais quando jogam num estádio municipal (pago pelos contribuintes portugueses) sem pagar quase nada.. E há muitos mais Aroucas por aí e a situação está a piorar de ano para ano. Não sou fã de limites de extra-comunitários (embora as principais ligas estão a apertar cada vez com isso, nas ligas de Espanha, Itália, França, etc vão começar a limitar cada vez mais o número de extra-comunitários), mas sou fã de regras que potenciem a aposta nos jovens jogadores formados no país, quanto mais não seja, premiar os clubes que mais apostam em jovens jogadores.

      Para mim uma regra a ser imposta já no próximo ano era aumentar o mínimo de 8 jogadores formados localmente num plantel de 30 jogadores, para 10 (na época 2023/2024), 11 (na época 2024/2025) e por fim ter 12 jogadores formados localmente (na época 2025/2026) sempre num plantel de 28/ 30 jogadores.

      Os direitos de formação também deveriam ser relaxados para jogadores com menos de 21 anos no que toca a transferências entre-clubes. Um jogador (não profissional) até aos 21 anos deverá ter o poder de escolher o clube que lhe possa dar mais garantias de evolução sem o clube receptor ser obrigado a pagar dezenas de milhares de euros de direitos de formação, imediatamente.

      Pelo futuro dos jogadores portugueses e pelo futuro da sustentabilidade financeira das competições em Portugal.

  • lipe
    Posted Outubro 10, 2022 at 5:46 pm

    Independentemente das intenções dos qataris, é uma associação que me dá a volta ao estômago e da qual dificilmente conseguirei gostar. Preferia ter o clube a lutar para não descer com 5 mil pessoas no estádio do que a lutar pelo título, de estádio cheio, financiado por esta gente.

    Hoje são 22%, amanhã será o quê?

    • MM
      Posted Outubro 11, 2022 at 2:13 pm

      Faço a mesma leitura, nao é assim que quero o meu braga a crescer.

      Alias, gostava de ver o clube a comprar asap % que lhe falta para ser maioritario na SAD.

      De resto, nao acredito que apostem no crescimento do braga…para que? Vao é usar nos como barriga de aluguer e afins

      • Skatz
        Posted Outubro 11, 2022 at 8:52 pm

        Já somos 3, dia triste para o clube. Um país onde homosexualidade é crime mas escravidão feminina das serventes é legal não pode nunca estar ligado ao nosso clube, cujos valores de igualdade e inclusão são o oposto dos desse país. Podem trazer rios de dinheiro, a mim pouco me importa, o que o clube representa e que quero passar aos meus filhos é bem mais importante que qualquer título oi taça. Repito: dia muito triste ver o meu Braga a ceder aos petrodolares manchados.

  • Daervar
    Posted Outubro 10, 2022 at 5:38 pm

    Entre o sheik e o Oliveira, vamos mesmo falar de máfia ou é tudo nascido depois de 1990?

  • Joga_Bonito
    Posted Outubro 10, 2022 at 4:55 pm

    Sou contra isto por princípio como já expliquei em outros posts. Mesmo que aparecesse um destes sheiks para o meu Benfica e prometesse fazer dele uma equipa tipo PSG, sou contra isto por princípios morais.

    Quanto ao impacto em questão no Braga tudo dependerá de qual o objectivo disto: fazer do Braga uma barriga de aluguer, um clube do carrocel Mendes ou um clube-formação para o PSG.

  • Kafka
    Posted Outubro 10, 2022 at 4:49 pm

    E só tenho pena é de em vez de ser só o Braga, não fazerem tb com o Guimarães e despejarem o dinheiro suficiente para o Guimarães passar a ser o 5o grande….. 5 candidatos ao título todos os anos, era espectacular para Portugal… Mas é difícil o Guimarães arranjar alguém interessado em despejar todos os anos 150/200 milhões eur no clube, é pena

    • Xyeh
      Posted Outubro 10, 2022 at 5:53 pm

      5/6 candidatos todos os anos era fantástico. Boavista ou Rio Ave como 6º grande?

      • Kafka
        Posted Outubro 10, 2022 at 6:52 pm

        Por mim quantos mais grandes melhores, haver 6/7 equipamento com o dinheiro do Benfica, Porto e Sporting era brutal

        Mas a ter de escolher um desses 2, escolheria o Boavista tenho a sensação que tem mais adeptos, logo teria mais base para ter o estádio cheio ou pelo menos pôr 25 mil facilmente todos os jogos..

        Agora por uma questão de geografia, talvez o Marítimo ou uma equipa do Algarve seria o ideal para 6° grande

        Mas era espectacular para o campeonato que um Sheik qualquer viesse cá despejar 200 milhões eur por ano em 3 clubes para os pôr ao nível dos 3 grandes

  • Kafka
    Posted Outubro 10, 2022 at 4:46 pm

    Era giro q no mínimo despejassem o dinheiro suficiente para o Braga passar a ser um grande e passar a lutar com os outros 3 pelo campeonato

    Portugal só tinha a ganhar em passarmos a ter 4 grandes

  • troza
    Posted Outubro 10, 2022 at 4:42 pm

    “(…) Oliverdesportos como grande sustentáculo dos anos dourados do futebol nacional (…)”

    E que bem dourados foram esses anos. Melhor frase, mesmo de forma não intencional, não poderia haver.

  • Marcio Ricardo
    Posted Outubro 10, 2022 at 4:35 pm

    Parabéns ao blog por trazer alguém como João Querido Manha para as suas hostes. Mais um grande texto ao nível do que sempre nos habituou.

    Penso que este movimento é um upgrade ao Braga e só não é uma ameaça aos três grandes porque não creio que estes investidores queiram fazer do clube minhoto uma potência. Posso estar enganado, mas acho que vai servir mais para desenvolver jogadores com potencial para jogar no clube mãe, o PSG.

    Quanto à Olivedesportos, bendita hora que o Benfica criou a BTV.

  • JFN
    Posted Outubro 10, 2022 at 4:31 pm

    Será que a seguir a isto se concretiza o movimento do Todd Boehly pelo Estoril?

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