A história diz-nos que a criatividade e o sentido apurado de jogo (entendem-no como ninguém), andam de mãos dadas com o futebol que corre nas veias dos brasileiros, aliados à movimentação única que lhes é conferida e dilatada pelas horas que passam aos pontapés a um trapo, em qualquer favela, em qualquer areal de terras de Vera Cruz. A história mostra-nos também que as selecções brasileiras sempre foram especialmente abrilhantadas por um jogador-estrela, aquele elemento capaz de fazer os milhões de seguidores da canarinha tocarem o céu a cada suspiro proporcionado. Pois é aqui que a realidade se vem alterando no panorama do futebol brasileiro ao mais alto nível: carece de um jogador de dimensão mundial.
O tempo corrói carreiras, danifica reputações e, aqueles que outrora eram ídolos, são agora remotas lembranças da magia que emprestavam ao escrete em grandes competições. Jogadores como Ronaldinho, Ronaldo, Rivaldo já não estão presentes, e a selecção brasileira, mesmo que não precise deles para ser uma das mais competentes e brilhantes do mundo, é parca em jogadores que tenham realmente impacto, não só no panorama desportivo, como no mediático-social. Não há, por estes dias, um jogador que arraste multidões, como acontece com Messi pela Argentina, ou Ronaldo, por Portugal. Aliás, podemos mesmo ir mais longe: exceptuando os dois casos citados, não há mais algum jogador que mova e influencie tanto como estes.
A era é nova no futebol canarinho, pela mão de Mano Menezes mas, e atendendo à ultima convocatória do seu seleccionador, rapidamente constatamos que o que afirmamos está certo. Os nomes mais sonantes são o de Robinho, cada vez mais afastado do centro das grandes decisões, Daniel Alves, que é um dos melhores laterais da actualidade, mas que não tem o brilho das grandes estrelas, Ronaldinho Gaúcho, um retornado ao futebol local por já não ter condições para jogar fora, ou até David Luiz, que por esta hora goza de enorme reputação no Brasil com a sua transferência para o Chelsea, nos últimos anos uma das defesas mais compactas a nível europeu. A estes poderíamos juntar Alexandre Pato, Milão, que pode realmente ser essa figura que o Brasil não tem. Mas para isso, necessita de sair do futebol sombrio que se tornou o Calcio. Precisa de se mostrar mais ao mundo e, para isso acontecer, só há dois campeonatos no universo que lhe podem proporcionar isso. Por último, é preciso não deixar cair no despiciendo o quão importante pode ser o ainda menino Neymar. Em Inglaterra suspira-se por ele e, diz-se à boca pequena, a única dúvida sobre a sua viagem transatlântica prende-se apenas sobre o dia em que ela irá acontecer. Terá ele condições para ser a próxima grande figura? Pelo cenário montado, tudo indica que sim. Mas também o eram Diego e Robinho, ainda no Santos, e hoje são figuras secundários de um xadrez português com sotaque.
Qual o melhor jogador brasileiro da actualidade? Terá o Brasil algum jogador entre os melhores 30 do Mundo? Recordamos que Pato e Robinho nem sempre são titulares no AC Milan. Como é que analisa esta nova realidade com que o escrete se depara?
António B.


