Portugal – num ambiente hostil, na casa de uma das melhores equipas da actualidade, mais uma demonstração de valor. Muito mérito como anulou o adversário, como superou a saída do seu Capitão, como resistiu ao desgaste, muita coesão e muito sacrifício. Muito se falará do campeão europeu que apenas um jogo ganhou, mas a verdade é que não perdeu qualquer um, e na fase a eliminar apenas a Polónia conseguiu meter a bola na baliza portuguesa. Defensivamente o conjunto de Fernando Santos esteve quase impecável, embora inicialmente a zona central do meio campo tivesse claras dificuldades para parar os médios franceses. A partir do momento em que a equipa encaixou na França, praticamente anulou a equipa gaulesa. O jogo ofensivo foi novamente curto, e baseado em lances individuais ou passes longos, mas foi exactamente uma dessas bolas que materializou o golo da vitória.
Rui Patrício – portentoso! Éder resolveu, mas quem adiou tudo até ao prolongamento foi o guardião. Mostrou elasticidade perante Griezmann, e reflexos e colocação num punhado de ocasiões em que manteve o nulo. Na área foi tudo dele, mesmo perante contactos físicos, dando uma tranquilidade essencial nas altura de maior sufoco.
Éder – o herói! Por falar em detractores e heróis improváveis, eis Éder. Gozado e enxovalhado, acabou por ser o Homem do momento. Importante para ganhar bolas de cabeça e sacar faltas, foi após a sua entrada que Portugal se conseguiu estender no campo. Foi por ali fora cheio de fé, rodeado de franceses, e a bola só parou no fundo da baliza de Lloris.
Cedric – defensivamente cumpriu, e até tentou alguns cruzamentos, se bem que a presença na área contrária era inexistente. Sofreu perante Coman, mas manteve o registo lutador, e os danos no mínimo.
Pepe – levou um nó de Gignac, mas para lá desse lance esteve imperial. Ganhou lances de todo o tipo, pelo ar ou pelo chão, e foi mais uma vez patrão.
Fonte – em boa hora o Engenheiro o repescou. Sempre atento, foi limpando tudo o que aparecia, usando o corpo sempre que necessário perante os possantes gauleses.
Guerreiro – um dos melhores em campo, a que apenas terá faltado o golo. Colmatou a baixa estatura com posicionamento exemplar, ganhou os duelos individuais, e foi dos poucos a levar a bola para frente com critério.
William – entrou mal, levando com dois ou três franceses embalados, mas quando a equipa estabilizou, foi um pêndulo defensivo, cortando os espaços na entrada da área. Funcionou muitas vezes como terceiro central, mostrando habilidade para estar no sítio em que a bola caía.
Adrien – o elo mais fraco de hoje. Nunca se conseguiu impor perante as locomotivas francesas, perdendo as divididas no corpo a corpo.
João Mário – enquanto médio ala esteve mais preocupado em defender, ainda que deixasse o meio muito exposto. Também ele teve dificuldade quando os franceses usaram o corpo, perdendo muitos lances. Foi subindo de produção, e conseguiu manter a posse de bola, especialmente quando passou para o meio.
Renato Sanches – ainda tentou as suas arrancadas, mas os franceses já o tinham marcado, e nunca o deixaram embalar. Também ele sofreu com a estampa atlética dos azuis, perdendo bastantes lances quando estes recorriam ao corpo.
Ronaldo – duas entradas ao joelho, e CR7 fora de jogo. A França pareceu empenhada em intimidar o português desde cedo, e a sua saída parecia o selo de vitória. Funcionou bem como treinador adjunto.
Nani – um dos melhores em campo. Esteve muito tempo na frente, a lutar pelo ar com as torres francesas, mas quando passou para a ala e pôde ter bola no pé, explanou o seu futebol. Combinou bem com Quaresma, e voltou a sacrificar-se em tarefas de cobertura.
Quaresma – não decidiu, nem sequer esteve particularmente eficaz, mas foi dos poucos a conseguir ter a bola no pé e permitir a subida dos colegas durante os noventa minutos. No prolongamento, com mais espaço, conseguiu gizar algumas jogadas com Nani.
França – Desta vez o factor casa, ao contrário de 1984 e 1998, não fez a diferença. Os franceses entraram como favoritos, mas saíram vergados à alma lusitana. A França dominou territorialmente, teve mais bola, e as melhores oportunidades, mas o domínio nunca foi avassalador. A equipa gaulesa fez uso do físico dos seus jogadores, ganhando constantemente as bolas altas e os lances divididos, mas o seu jogo colectivo foi bem manietado por Portugal. Houve pouca exploração dos flancos com superioridade, e poucas vezes conseguiram colocar gente na área, ou perto, livre de marcação. As principais peças ofensivas foram bem anuladas, com Payet desaparecido, e Griezmann a aparecer a espaços, e o jogo atacante baseou-se muito na velocidade de alguns jogadores, como Sissoko, e depois Coman. O jogador do Newcastle foi o melhor da França, galgando terreno quando ganhava velocidade sem que alguém o conseguisse parar, mas as incursões francesas foram esbarrando na muralha portuguesa. Matiudi e Pogba dominaram a zona central, mas também não fizeram a diferença na frente, enquanto que os laterais raramente conseguiram situações em que pudessem finalizar jogadas. Giroud foi bem anulado, enquanto que Gignac (menos forte no movimento sem bola, mas muito bem a encostar e receber) quase foi herói. A estrela Griezmann quase marcou de cabeça, mas no primeiro lance Patrício estragou a festa, e no segundo falhou o alvo. De resto, esteve sempre fora de jogo, mérito da estratégia defensiva portuguesa.


