Portugal – Um resultado saboroso para uma geração que de sub-17 parece ter pouco, só mesmo a idade. Grande maturidade a todos os níveis e da maioria dos jogadores e mérito para Hélio, que montou uma equipa bem organizada e em que as individualidades dão o melhor contributo para o colectivo. Apesar de tudo não foi um jogo brilhante de Portugal, mas o peso de ser uma final e o facto de do outro lado estar um adversário mais forte do que os anteriores também dificultaram a tarefa. José Gomes fez o seu jogo menos conseguido, sofrendo de marcação individual que condicionou as suas acções. Ainda assim, muita qualidade de costas para a baliza e um Europeu em que deu provas de todo o seu talento. Domingos Quina acabou por ser um dos destaques de Portugal, assumindo desde trás, transportando e entregando uma energia muito positiva. Descontando a presença de Dju, completamente inofensivo, sobra ainda João Filipe no ataque, que fez uma exibição na senda das anteriores e espalhou qualidade técnica, embora nem sempre tenha decidido bem. No meio campo, excelente complementaridade entre Florentino (discreto mas eficaz, com bom sentido posicional e qualidade no passe) e Gedson, com um raio de acção muito amplo. Se do meio campo para a frente há uma maioria benfiquista, no sector mais recuado é tudo portista exceptuando Rúben Vinagre. O lateral do Mónaco fez uma óptima exibição, integrando-se bem no ataque e privilegiando a flexão para dentro, mas tem problemas defensivos que deverá corrigir. Do outro lado, Dalot também ofereceu muita profundidade mas pecou na definição dos lances, sendo de realçar o belo golo que marcou. A dupla de centrais composta por Diogo Leite e Diogo Queirós esteve impecável e não permitiu veleidades a Abel Ruiz, sendo que ambos têm uma excelente capacidade de antecipação e uma qualidade bastante razoável na saída de bola. Na baliza, Diogo Costa não foi muito testado mas acaba por não ter uma participação feliz no golo espanhol.
De uma assentada Portugal quebrou um jejum que durava desde 2003 e afastou a malapata dos penaltis, que impediu algumas conquistas nos últimos anos.
A seleção nacional de sub-17 sagrou-se campeã europeia pela sexta vez, ao derrotar a Espanha nos penaltis (5-4), depois do 1-1 nos 80 minutos. Portugal culmina assim uma caminhada de grande nível (15-1 em golos, 4 vitórias e 2 empates) com o tão desejado título, que permite afastar a “maldição” que teimava em durar (Portugal não ganhava uma competição em qualquer escalão desde 2003). A nível individual, destaque para José Gomes, que leva para casa o prémio de melhor marcador com 7 golos. Esta campanha dos sub-17 pode dar início a um ano de sonho para os lusos, que terão ainda presença no Euro sub-19 e de seniores e a participação nos JO.
Hélio Sousa alinhou com Diogo Costa, Diogo Dalot, Diogo Queirós (Cap.), Diogo Leite, Rúben Vinagre; Florentino, Gedson Fernandes, Domingos Quina (Rafael Leão, 78´), João Filipe, Mesaque Dju (Miguel Luís, 55´) e José Gomes neste último encontro. Foi um bom jogo de final, com as habituais cautelas de parte a parte mas Portugal quase sempre com maior iniciativa de jogo. As oportunidades escassearam, mas antes do golo de Dalot (cruzamento de Vinagre, toque de Gomes e uma bomba do lateral) Quina já tinha atirado à trave e a Espanha respondeu logo a seguir com um lance perigoso. A vantagem de Portugal durou pouco e, na sequência de um canto, os espanhóis restabeleceram a igualdade por intermédio de Brahim Diaz, o craque da equipa (talento fantástico, com criatividade e uma técnica individual notável). Na segunda parte, ambos os conjuntos acusaram o nervosismo e cometeram muitos erros. A Espanha esteve mais perto da baliza portuguesa, mas continuou a ser a equipa nacional a ter mais iniciativa de jogo. Ainda assim, o empate não seria desfeito e o jogo foi para penalties, onde toda a gente marcou menos o capitão Morlanes, que entregou o título a Portugal.


