Espanha 1-1 Itália (Fàbregas 64′; Di Natale 61′)
Numa partida onde ambos os seleccionadores surpreenderam na abordagem táctica ao encontro, Espanha e Itália empataram a uma bola (a “roja” continua sem vencer a “squadra azzurra” durante o tempo regulamentar em fases finais de grandes competições). Vicente del Bosque optou por escalonar um onze inicial sem a presença de uma referência no centro da área adversária, enquanto que Cesare Prandelli colocou De Rossi ao lado de Bonucci e Chiellini, num esquema de três centrais, apoiados por Maggio na direita e Giaccherini na esquerda (responsáveis por fechar o respectivo flanco, bem como dar profundidade aos mesmos quando a equipa tinha a posse de bola).
Aquele que foi o melhor jogo da competição até ao momento, teve um primeiro tempo agressivo e intenso, sem grandes desequilíbrios e oportunidades. O esquema imposto por Cesare Prandelli funcionou na perfeição, já que apesar das características bastante móveis dos membros do meio campo espanhol, este não conseguiu efectuar as habituais, e sucessivas trocas de bola, muito por culpa da brilhante ocupação dos espaços por intermédio dos membros mais recuados da selecção italiana. De Rossi, a actuar como central, bem como Pirlo, além do rigor posicional, procuraram sempre sair a jogar com a bola controlado, ou através de lançamentos para as costas de Arbeloa ou Jordi Alba, tendo inclusivamante pertencido aos italianos a melhor oportunidade de golo do primeiro tempo, quando Thiago Motta, já no minuto 45, cabeceou para uma boa intervenção de Casillas.
Na segunda parte, a Espanha entrou com outra atitude, procurando “encostar” os italianos à sua área, mas a melhor ocasião dos primeiros quinze minutos pertenceu de novo à “squadra azzurra”. Balotelli, após roubar a bola a Sérgio Ramos, demorou uma eternidade a visar a baliza de Casillas, quando tinha tudo para inaugurar o marcador. Substituído 3 minutos depois por Di Natale, o avançado da Udinese, à passagem do minuto 61, mostrou como se faz. Após um brilhante passe de Pirlo, surgiu isolado frente ao guardião espanhol, e não perdoou. No entanto, durou pouco a festa italiana, já que apenas 3 minutos depois, dando sequência a um grande passe de David Silva que “rasgou” a defensiva, Fàbregas na cara de Buffon marcou o golo do empate. Moralizada, a “roja” tentou então ir em busca do golo da vitória. Del Bosque colocou Navas e Torres, e “El Niño”, apesar de não ter abordado certos lances da melhor forma, mostrou que caso tivesse iniciado o encontro no onze inicial, o jogo teria sido diferente, pois com as suas movimentações, criou logo três boas oportunidades. Merece também ainda destaque, um remate de Di Natale ao minuto 76, no coração da área espanhola.
Destaques:
Pirlo – O melhor em campo. Essencial na ocupação dos espaços a nível defensivo, preponderante na saída com bola e na abertura de espaços na defensiva contrária. É dele a assistência para o golo italiano.
Cesare Prandelli – Mérito na forma como abordou o jogo. Com a pior Itália dos últimos 22 anos a nível individual, ensombrado por mais casos polémicos e resultados menos bons, montou uma verdadeira equipa, jogando de igual para igual com a toda poderosa Espanha. Saem deste jogo com outra confiança, mostrando que podem ombrear com qualquer equipa.
Di Natale – Entrou, passados 5 minutos marcou. É um verdadeiro goleador este avançado italiano, já com 34 anos.
Balotelli – Não fez um jogo brilhante, desperdiçou inclusivamente uma clara ocasião de golo, mas hoje vimos “Super Mario” em acções defensivas, correu atrás da bola, suou, lutou…pode ser um começo.
Vicente del Bosque – As soluções para o meio campo são inúmeras (Javi Martinez e Juan Mata nem saíram do banco), mas com o volume de jogo criado pelos seus médios, não pode iniciar o jogo sem uma referência atacante, seja ele Torres, Negredo ou Llorente.
Meio campo Espanha – Com Busquets, Xavi e Alonso o jogo torna-se muito afunilado. Não conseguiram efectuar os habituais “meinhos” com que presenteiam as selecções adversárias. Xavi esteve abaixo do esperado (mostrou que chega ao Europeu num nível abaixo do de Pirlo), Iniesta mostrou alguns pormenores de classe e Silva efectuou a assistência para o golo.
Fàbregas / Torres – Cesc iniciou o jogo como a falsa referência atacante do conjunto. Marcou o golo do empate, mas aquela não é a sua posição. Com a entrada de Torres, as oportunidades e os lances de perigo surgiram com maior naturalidade, o que comprova que “El Niño” é a opção mais válida para o lugar.