Leões vão conseguir contar com o treinador em Braga?
Em comunicado, o Sporting anunciou que vai recorrer para Tribunal Arbitral do Desporto [TAD] sobre o castigo aplicado ao treinador, pela expulsão frente ao Famalicão. Segundo os Leões, o CD não quer saber das provas, sendo que este recurso para o TAD não tem efeitos suspensivos, o que obriga o técnico a cumprir na íntegra o castigo de 15 dias. Eis o comunicado oficial do Sporting: “A Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD lamenta que o caminho seguido pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, relativamente ao tema infra referido, seja o da não transparência, optando por decidir não tendo como base a evidência da prova. Estando ao seu alcance a obtenção da mesma, resulta incompreensível entender o desprezo pela verdade dos factos.
A propósito do indeferimento do recurso apresentado pelo seu treinador Rúben Amorim relativamente à sanção de suspensão por 15 dias que lhe foi aplicada na sequência da sua expulsão no jogo entre as equipas da Sporting CP SAD e da Famalicão SAD, informamos que
– o treinador Rúben Amorim não utilizou as palavras que lhe são imputadas no relatório do árbitro e, sobretudo, não as dirigiu à equipa de arbitragem;
– o elemento da equipa de arbitragem que o ouviu e entendeu dar indicação de expulsão encontrava-se de costas, conforme registos em vídeo que o comprovam;
– no recurso apresentado, foi requerida a inquirição como testemunhas dos senhores Rui Costa (árbitro principal), Nuno Manso (árbitro assistente n.º 1) e João Malheiro Pinto (4.º árbitro), bem como a junção aos autos da gravação registada pelo sistema de comunicação da equipa de arbitragem no momento da expulsão do treinador;
– o Conselho de Disciplina, incompreensivelmente, rejeitou a junção da gravação e rejeitou a inquirição dos senhores árbitros, optando somente por lhes perguntar, por escrito e sem fornecer qualquer elemento adicional, se confirmavam as palavras que haviam reproduzido no relatório – o que os mesmos, como seria de esperar, fizeram.
A Sporting CP SAD assinala que a presunção de veracidade de que goza o relatório do árbitro, constituindo uma inversão excepcional ao princípio da presunção de inocência, só se mostra admissível na medida em que se permita aos arguidos toda a latitude na demonstração de eventuais erros de apreciação vertidos nos relatórios, e na medida em que o Conselho de Disciplina não se demita do seu dever indeclinável de investigar os factos, procurar a verdade e avaliar a existência de fundamento para a aplicação de uma sanção disciplinar.
A rejeição de meios de prova obviamente pertinentes, úteis e indispensáveis à aclaração da verdade dos factos não serve o interesse da justiça disciplinar nem da verdade desportiva.
A Justiça desportiva tem obviamente de ser célere; mas tem de ser Justa, não se pode satisfazer com o papel de justiça formal.
É absolutamente incompreensível que, estando em causa palavras alegadamente proferidas e que, com toda a probabilidade, terão sido gravadas pelo sistema de comunicação da equipa de arbitragem, se rejeite e inviabilize a utilização desse meio de prova e a audição, com contraditório, dos autores do relatório.
Conclui-se assim, e à semelhança de casos recentes, que este Conselho de Disciplina despreza a verdade dos factos, preferindo sancionar os agentes desportivos de forma cega e acrítica, demitindo-se das suas verdadeiras funções.
A Sporting CP SAD apoiará o treinador Rúben Amorim na impugnação judicial da sanção aplicada e mantida pelo Conselho de Disciplina.”


10 Comentários
MiguelCosta
Ou seja, se entendi bem, o mesmo CD que não quis ouvir o Fábio Veríssimo, quando o próprio teria admitido que o amarelo ao Palhinha tinha sido exagerado e supostamente estaria disponível para admitir o erro, agora segue com extrema confiança as palavras do árbitro e recusa-se a ouvir outras supostas provas. Maravilhoso. Umas vezes fazem uma coisa, outras fazem outra, o engraçado é que em ambas quem se lixa é sempre o mesmo.
Venham de lá dizer que os sportinguistas são chorões e isto e aquilo, é para o lado que durmo melhor. Começo a desconfiar é que o CD quer de alguma forma “castigar” o clube por causa do caso Palhinha. Um caso que tem 1 e 1 só culpado, que é o próprio CD. Não tivessem posto outros interesses à frente ou não tivessem sido injustos (isto sou eu a assumir que n foi intencional), teriam ouvido o árbitro e retiravam o cartão e não andava o campeonato português com um jogador sem cumprir castigo ao 5º amarelo.
Pipi Romagnoli
Isto, foram eles que promoveram esta confusão toda por se terem armado em espertos no caso do amarelo com o Boavista e agora temos de andar a ouvir bocas por causa de um jogador que não cumpriu castigo já depois desse caso, pura e simplesmente por incompetência e má intenção do CD. Sl
Estigarribia
Nesta situação era importante ouvir áudio, se o houver, para se ver quem está a mentir. Quer dizer o árbitro auxiliar disse que o Rúben disse que Rui Costa conseguiu o que queria e o Rúben diz que não disse nada disso. Agora a pergunta que vale 10 milhões de euros: quem está a mentir?
Saudações Leoninas
JoaoMiguel96
Portanto, o CD rejeita a gravação que pode provar que o árbitro está certo para puder arrumar? Então mas se eles acreditam que o árbitro está certo então é porque a gravação bate certo, né? Ou eu estou muito confuso?
Das duas uma: ou a gravação dá razão ao Amorim e portanto ele é castigado indevidamente, o que mostra que há corrupção no CD, ou então a gravação mostra que o árbitro estava certo e o caso fica arrumado.
Isto cheira tão mal. Fede por todos os lados.
BrunoAlves16
Não sejamos anjinhos, 99,9% de chance de ser a primeira opção.
Ainda assim não gosto de ver o Sporting fazer alarde destas matérias. Foco total no campo e tratar destes assuntos no maior recato.
JoaoMiguel96
É óbvio que é a primeira, senão o Sporting nem protestava.
Percebo essa ideia, mas acho que temos que fazer barulho aqui. Não podemos comer e calar.
Ricardo Miguel
tudo o que o Sporting disser sobre este assunto sera automaticamente contra-atacado com o caso Palhinha, mas a forma como um e outro caso foram geridos diz muito da desgovernanca deste cd.
Aqui o relatório do arbitro, cuja palavra deve ser papal, foi a chave para o castigo, mas o relatório e o assumir do erro no amarelo ao Palhinha ja nao serviram para nada.
E agora nem sequer aceitam divulgar as partes envolvidas os elementos que supostamente serviram de prova. Fazem o que querem sem que haja qualquer accountability ou repercussões.
E depois acontecem coisas estranhas, como o facto deste bandeirola estar em tribunal por ter agredido uma adepta do sporting após um jogo e continuar a arbitrar jogos do clube, e a inexplicável ausência de castigo para sc e ps depois daquilo que foi a maior vergonha dos últimos tempos nos relvados portugueses.
A minha desconfiança em relação a este cd e ja tal que nem ponho de parte que a rapidez da decisão e o timming do castigo esteja relacionado com estas 3 jornadas nestes 15 dias.
nada disto se compreende.
MiguelCosta
Como é óbvio. Achar que é coincidência o castigo sair tão rápido e calhar nesta altura, é de quem começou a ver futebol português ontem. Daqui a bocado aparecem os engraçadinhos com o caso Palhinha e nem se vão aperceber da dualidade de critérios/decisões, mas concordo em tudo com o que dizes.
E nem sequer sabia dessa história do bandeirola. Supostamente até foi esse o bandeirola que fez a queixa ao árbitro principal ou estou a fazer confusão? O futebol português é adorável, repleto de coincidências.
No entretanto, e bem sei que devem ser processos mais demorados, continuo à espera do tempo de suspensão que o Miguel Cardoso e o SC/P.Sérgio vão levar.
Douglas
O problema do nosso conselho de justiça é os adeptos não o considerarem credível pelos pesos e medidas diferentes que estão à vista de todos. É tão ridículo o Palhinha ainda não ter cumprido um jogo de castigo como algumas das decisões tomadas. Se fosse aceite por todos e se as decisões fossem tomadas rapidamente iria ajudar a melhorar o nosso futebol. Infelizmente isso não interessa a todos.
Factualista
“Se fosse aceite por todos” – se calhar, primeiro, convém que as punições sejam de facto justas e baseadas em provas concretas. Se existem dúvidas, recorre-se.
Isso sim é democracia, não é “aceitar por todos” uma decisão.