Estamos perante um dos defesos menos movimentados da última década, e passado três semanas desde a final do mundial, o argumento que o mercado de transferências este ano estaria um pouco mais atrasado devido à competição, nesta fase já deixa de fazer sentido, mesmo a crise internacional não será um argumento muito válido, pois em 2009 a realidade financeira internacional já era preocupante e realizaram-se algumas das maiores transferências da história, como foram a aquisição de Ronaldo pelo Real Madrid e Ibrahimovic pelo Barça, a que se juntaram algumas outras como as sonantes aquisições de Felipe Melo e Diego por parte da Juventus, entre muitas outras. Como tal, e na minha óptica o que verdadeiramente está a condicionar o mercado, é a reduzida intervenção no mesmo por parte de clubes que por norma são particularmente activos nesta fase, como o Inter, Real e Chelsea, sendo que a explicação para essa mudança de atitude, está directamente ligada com as elevadas cargas salariais que estes mesmos clubes estão sujeitos, a prova disso é a diferente política de contratações por parte destes 3 colossos em relação ao seu passado recente.
Real Madrid – Contratou até ao momento Di Maria, Canales, Pedro Léon e Khedira, que em 5 anos irão auferir perto do que por exemplo Ronaldo recebe em apenas um ano. Os merengues com esta mudança de atitude, condicionaram indirectamente os clubes portugueses, baixando o valor de mercado de jogadores como Meireles e Veloso, que pisando os terrenos do titular da selecção alemã Khedira, que foi contratado por apenas 12 milhões, indirectamente acabou por reduzir o valor do passe dos dois médios portugueses. Por último, e o que pesou mesmo na pouca agitação do mercado, foi a contratação de jogadores a clubes que pouco mexem no mesmo, ao contrário do que aconteceu a época passada, que com a contratação de Benzema ao Lyon, permitiu ao clube francês utilizar essa receita para investir forte no mercado, como foram o caso das contratações de Lisandro, Cissokho e Michel Bastos.
Inter – Apesar de ser o actual campeão europeu, seria de esperar que o clube italiano intervisse no mercado ao nível do que nos habituou nos últimos anos, recordo que a época passada, por exemplo a ex-equipa de Mourinho contratou Lúcio, Sneijder, Milito, Motta, Arnautinovic e Eto´o, e até ao momento não efectuou nenhuma contratação. Considerando que o presidente Moratti afirmou no inicio do defeso que o Inter iria apostar forte no defeso, tendo mesmo 100 milhões de euros para gastar em transferências, acaba por ser um pouco decepcionante, ainda para mais quando vários jogadores da espinha dorsal da equipa já estão na casa dos 30 anos, e alguns analistas acreditavam que este defeso serviria para rejuvenescer o plantel.
Chelsea – Com as saídas de Belleti, Ballack, Deco e Joe Cole, a juntar à idade de R.Carvalho, Lampard e Drobga, era espectável que o clube londrino fizesse um investimento forte neste defeso, no sentido de colmatar as saídas e dar mais alguma juventude à equipa, contudo, até ao momento apenas contratou Benayoun. Nos próximos dias a equipa de Ancelotti vai apresentar certamente mais um médio, que poderá ser Ramires ou Meireles, no entanto, é manifestamente pouco, e essa quase nula injecção de dinheiro no mercado acaba por ser um factor condicionante do mesmo.
Man City – Fez o seu papel e investiu forte, em jogadores como Yaya Touré e David Silva, o problema é que Barcelona e Valencia estão numa fase financeira complicada, e por norma não costumam capitalizar esse dinheiro em novas transferências, como acontece com os clubes de top franceses e de meia tabela de Inglaterra que utilizam as receitas das vendas de activos para investir em novos jogadores.
Acredito que as próximas duas semanas poderão trazer algumas novidades, mas as mesmas estão directa ou indirectamente ligadas pela intervenção no mercado de equipas como o Chelsea, Man City, Real e Inter.
Que razões encontra para todo este quase nulo investimento por parte das principais equipas? Satisfação pelos seus plantéis? Falta de capacidade financeira? Ou estaremos por e simplesmente a assistir a uma nova realidade, com os clubes cada vez mais controlados e sem políticas de aquisições em quantidade?