Arranca hoje o campeonato mais competitivo da América do Sul. Existem vários fatores de interesse para o público português, designadamente a presença de cinco treinadores portugueses (Abel Ferreira, Renato Paiva, Pepa, Leonardo Jardim, Pedro Caixinha), o regresso do Santos, com Neymar, ao convívio dos grandes, ou a entrada de alguns jogadores portugueses no campeonato como Cédric Soares, Nuno Moreira, Gonçalo Paciência e Sérgio Oliveira. Contudo, o Brasileirão é sempre uma competição que gera interesse em todo o mundo, pela sua imprevisibilidade, presenças dos clássicos ’12 grandes’ e muitos talentos que surgem anualmente na principal prova do país irmão. Começando pelos principais candidatos ao título, importa colocar num primeiro patamar dois conjuntos que parecem numa dimensão diferente, pelo menos a nível teórico: Palmeiras e Flamengo. A turma de Abel Ferreira, vice-campeã em 2024, perdeu, recentemente, a final do Paulistão, mas recheou o elenco de craques sonantes, como os reforços Paulinho, Vítor Roque, Facundo Torres, além de Micael e Emi Martínez, que têm sido titulares, e dos já cotados Estevão (presente até janeiro), Raphael Veiga e Richard Ríos. Também Bruno Fuchs e Lucas Evangelista rumaram ao Allianz Parque, sendo que os nomes da forte linha defensiva (Weverton, Gustavo Gómez, Murilo, Marcos Rocha, Vanderlan, Mayke e Piquerez) também prosseguem no elenco. É caso para dizer que não falta nada ao Verdão, mas a qualidade do futebol tem vindo a cair, com algum desgaste também já visível em Abel Ferreira e esse pode mesmo ser a principal contrariedade em 2025. Já o Flamengo segue a todo o vapor, com Filipe Luís ao leme. O antigo lateral esquerdo é por estes dias um dos treinadores mais respeitados no país, sendo até cogitado para a Canarinha, e o ano começou de feição, fruto das conquistas da Supertaça e do Carioca, frente aos rivais Botafogo e Fluminense, respetivamente. Ademais, o Mengão, que viu sair a figura Gabriel Barbosa para o Cruzeiro, além de David Luiz e Fabrício Bruno, continua com um plantel recheado de craques, com os internacionais brasileiros Pedro, Gerson, Wesley, Bruno Henrique, Everton Cebolinha e Léo Ortiz à cabeça, mas também Pulgar, De Arrascaeta, De La Cruz, Rossi, Léo Pereira, Luiz Araújo, o ex-Sporting Gonzalo Plata ou os veteranos Danilo Luiz e Alex Sandro. Parece, sem dúvida, o elenco mais apetrechado da prova, com o treinador mais elogiado do momento, a maior torcida, mas o favoritismo nem sempre tem funcionado no Maracanã.
Por outro lado, o campeão Botafogo mudou de treinador, com a aposta em Renato Paiva, que tem gerado alguma desconfiança na crítica, e perdeu alguns jogadores como Luiz Henrique, Tiquinho Soares, Óscar Romero, Tchê Tchê ou Júnior Santos, embora tenha feito apostas fortes, com mais de 60 milhões de euros gastos em Santiago Rodríguez, Jair, Nathan Fernandes, Artur, Rwan Cruz, Jeffinho, Mastriani, David Ricardo, Léo Linck e Elias Manoel, além do regresso de Patrick de Paula. Alguns dos esteios da glória de 2024 também continuam, como o guarda-redes John, os defesas Vitinho, Alex Telles, Barboza e Bastos; os médios Allan, Danilo Barbosa, Gregore e Marlon Freitas; e os atacantes Savarino, Igor Jesus e Matheus Martins. É, por isso, uma equipa forte, mas que surge num 2.º patamar de favoritismo. No mesmo patamar surgem quatro formações que podem dar luta e chegar ao título de campeão mais desejado: Corinthians, São Paulo, Atlético Mineiro e Internacional. O Timão não vencia nada desde 2019, mas arrumou com o Palmeiras na final do Paulista, com uma vitória fora, e voltou a sorrir. Memphis Depay e Yuri Alberto lideram um elenco bem apetrechado, com a ajuda de Carrillo, Rodrigo Garro, André Ramalho, Hugo Souza, Angileri, Coronado, Matheuzinho, Ángel Romero, Raniele, Gustavo Henrique, Félix Torres, Maycon, Talles Magno ou Breno Bidon, sendo uma equipa muito experiente, mas que ainda está a lidar com a eliminação nas pré-eliminatórias da Libertadores. O começo de Brasileirão será fundamental para a continuidade de Ramón Díaz, sabendo-se que a paciência no Brasil costuma ser escassa. Já o São Paulo apostou em Óscar como reforço sonante, além de contar com Calleri, Lucas Moura, Cédric, Arboleda, Rafael, Pablo Maia, Alisson, Luciano, Enzo Díaz, Alan Franco, Ferraresi, André Silva, Marcos Antônio ou Luiz Gustavo, enquanto o Internacional conta com um super Enner Valencia, decisivo na conquista do Gauchão e, apesar de ter vendido a coqueluche (Gabriel Carvalho), montou um plantel de qualidade a Roger Machado (Óscar Romero, Vitão, Alan Patrick, Fernando Reges, Bruno Henrique, Rochet, Vitinho, Rafael Santos Borré, Thiago Maia, Carbonero ou Wesley) e segurou Bernabei. Já o rival Grêmio, com Braithwaite, Villasanti, Tiago Volpi, Monsalve, Edenílson, Cuellar, Kannemann ou Cristaldo deve ter mais dificuldades em se sair bem na época. Por outro lado, o Atlético Mineiro, de Cuca, é sempre um candidato forte. Paulinho saiu, juntamente com Alisson, Zaracho e Battaglia, mas Hulk continua a comandar, juntamente com Arana, Everson, Lyanco, Scarpa, Junior Alonso e o reforços ex-Palmeiras, Gabriel Menino e Rony, além de Natanael, Vitor Hugo, Júnior Santos, Cuello e Iván Román. Note-se, ainda, que Fluminense, Fortaleza e Bahia podem incomodar na luta pelo top-6, embora tenham menos recursos.
De resto, olhando para os treinadores portugueses, cumpre analisar também Santos, Cruzeiro e o Sport, de Pepa. O conjunto do Recife subiu este ano à Série A, apostou em alguns portugueses (Sérgio Oliveira, Gonçalo Paciência e João Silva), mas irá lutar pela promoção em conjunto com Mirassol, Juventude, Vitória, Ceará, Bragantino e quiçá o Vasco, de Coutinho, Adson, Léo Jardim, Piton, Payet ou Nuno Moreira. Já o Santos, de Pedro Caixinha, está a despertar muita curiosidade, não só por Neymar, mas por ser um regresso ao convívio dos grandes e com nomes fortes, como Tiquinho Soares, Gabriel Verón, João Schmidt, Soteldo, Rollheiser, David Washington, Escobar ou os veteranos Gil, Rincón, Thaciano, Pituca ou Luan Peres. Espera-se uma época tranquila a meio da tabela, embora mais próximo da zona de descida do que do topo. Por fim, o Cruzeiro é uma incógnita. Leonardo Jardim traz expectativa, mas o Mineirão correu mal e há algumas dúvidas sobre a capacidade de intromissão no top-6. Ainda assim, há reforços conhecidos, como Gabigol, Villalba, Bolasie, Marquinhos, Christian, Eduardo, Fabrício Bruno, ou os veteranos Dudu e Fágner, que se juntou ao amigo Cássio, bem como a Matheus Pereira, Matheus Henrique, Lucas Romero, Kaio Jorge, Lucas Silva, João Marcelo ou William Furtado.
Por fim, alguns jogadores mais ‘fora da caixa’, que devem ficar na retina e que podem surpreender nesta edição, tais como o trio do Palmeiras: Benedetti, central de 18 anos; e os avançados Luighi, com a mesma idade, e Thalys, de 19 anos; Jonathan Jesus, parceiro de Fabrício Bruno na defesa da Raposa; Erick Pulga, avançado do Bahia, que foi o artilheiro da Série B; João Pedro, central do Corinthians; Wallace Yan, dianteiro do Flamengo, que se mostrou no Carioca; o extremo elétrico Amuzu, do Grêmio; Victor Gabriel, central do Internacional, assim como o talento Yago Noal; o criativo Bontempo, do Santos; Lukas Zuccarello, do Vasco; o lateral esquerdo Souza, do Santos; ou Christian Rivera, médio de 29 anos, que foi a contratação mais cara de Pepa e traz muita experiência do futebol mexicano.
Rodrigo Ferreira


7 Comentários
Jose Nunes
Estava aqui a ver a programação do canal 11 e parece que perdeu os direitos de transmissão! Então este ano o brasileirão só para os “Inácios”… :)
KingPin
Eu vejo lá jogos todos numa APP para o telemóvel. Até posso escolher os comentários em inglês que prefiro bastante. Adoro um comentador inglês que não sei o nome mas costuma comentar maioritariamente os jogos da liga e é isento, bem informado e um pouco cómico.
NCM
Boa noite. Podes dizer aqui qual é a app?
Antonio Clismo II
Imprevisível? Sem dúvida.
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Agora, de topo???
NCM
Depende da definição de topo. Se comprararmos aos melhores campeonatos europeus, dos quais Portugal não se inclui, não é um campeonaro de topo. O Brasileirão é um campeonato difícil com muitos jogos num país continental, onde o clima prejudica o futebol rápido e intenso. Um campeonato com vários grandes clubes onde um mau arranque pode até levar a uma deacida de divisão. Em Portugal e nos países europeus do top10 é impossível um grande descer de divisão e no Brasil tal pode acontecer. E actualmente, os grandes clubes conseguem segurar melhor os seus jogadores e por isso ter equipas mais competitivas. Vamos ver o Mundial de Clubes mas não acho que os clubes brasileiros façam muito pior do que os clubes portugueses, por exemplo.
fernando pimentel
Seguramente top 10 mundial como o nosso, Eridivisie e talvez o Championship por exemplo.
DM
Campeonato de topo?!
Noutras notícias do género a Dacia continua a vender super carros topo de gama