Num país com elevado interesse em provas de automobilismo, com histórias infindáveis de provas nacionais e internacionais, com competidores desde os mais consagrados a amadores apaixonados, 2 dos 3 mais emblemáticos circuitos citadinos de Portugal…já não existem. Na Princesa do Ave, a cidade de Vila do Conde, no ano de 1931 ouviram-se, pela primeira vez, os motores pelas ruas da cidade. Os anos passaram, ficaram histórias de mais de 70000 espectadores a assistir “in loco”, de filas intermináveis provocadas por apaixonados pela velocidade que lá acorriam, ou de barcos a servirem de meio de transporte para jornalistas até à outra margem do rio, com o intuito de evitar as inúmeras horas que iriam ser perdidas no trânsito. Em 2003, com as obras efectuadas em Vila do Conde…tudo acabou. No mesmo ano de 1931 teve início o denominado “Circuito de Vila Real”, onde o apogeu se verificou durante as décadas de 60 e 70 com a participação de pilotos consagrados como Stirling Moss (considerado por muitos o maior piloto da história que nunca conquistou um título de F1, tendo sido quatro vezes vice campeão mundial). Interrompido em 1991, com uma tentativa de regresso pelo meio…para já sem sucesso. Resta-nos então o “sobrevivente”, o Circuito da Boavista. Com a primeira prova a ser realizada em 1931, sofre uma remodelação na década de 50, altura na qual recebeu a Fórmula 1. Posteriormente extinto, foi recuperado no ano de 2005, recebendo desde 2007 as provas do WTCC. Em ano de eleições autárquicas, desconhecendo-se as prioridades dos candidatos, muito dificilmente algum deles terá uma paixão superior à de Rui Rio pelas provas de velocidade, pelo que poderá este circuito estar também em risco? VM – Por mais incómodos que possam causar a moradores e por mais motivos que se possam arranjar para acabar com as provas citadinas (sejam eles ambientais ou económicos), a realidade é que este tipo de competições por norma cativa muito mais as pessoas, bem como transmite grande visibilidade às regiões onde decorrem. Caso seja alcançado um equilíbrio entre as possibilidades das entidades organizadores, patrocínios, direitos/deveres dos cidadãos, todos terão a ganhar com este tipo de provas. Existem também inúmeras declarações de diversos pilotos com afirmações bastante positivas, quando questionados acerca dos circuitos citadinos. Internacionalmente, e respeitando as diferenças óbvias no que às competições diz respeito, temos como maior exemplo actual o Grande Prémio do Mónaco em Fórmula 1, que se desenrola nas ruas do principado, sendo provavelmente a prova mais emblemática do campeonato mundial na actualidade. Outros casos como Valência e Singapura, bem como Albert Park, em Melbourne, na Austrália, são também exemplos de provas que decorrem em circuitos citadinos, que fizeram ou fazem parte do calendário da FIA para o campeonato mundial de F1. Na opinião do leitor, qual o futuro dos circuitos citadinos em Portugal? Tem uma opinião favorável ou desfavorável? Imagina um campeonato mundial de F1 sem passagem pelo Mónaco?
A. Carvalho



10 Comentários
Paulo Almeida
com o Rui Rio a presidente o circuito da Boavista não corria perigo, agora com as eleições não sei se vai ter continuidade, duvido muito.
Fábio Teixeira
Havia o Red Bull Air Racing aqui no Porto, foi "transferido" para Lisboa e acabou. Era um autêntico espetáculo. Agora pelo menos ainda há o Circuito da Boavista (não com a mesma espetacularidade do RBAR), mas sempre é um incentivo às pessoas virem visitar o Norte e termos alguma espécie de caso em que o desporto e a cultura se juntam às pessoas.
Xamiças
Fui ver o RBAR, estava lá gente que nunca mais acabava. Parece estranho dizer isto, mas não foi fácil arranjar lugar para ver os aviões mesmo eles andando lá em cima, para se imaginar a quantidade de gente que estas coisas trazem.
Fábio Teixeira
Eu também fui ver, duas vezes aliás, e era um autêntico espétaculo. Muitas, mas mesmo muitas pessoas a ver.
Suarez
É bem que o Circuito da Boavista se mantenha, pra em do automobilismo nacional.
Anónimo
Venho fazer de advogado do Diabo. O Circuito da Boavista veio transformar num caos a cidade de Matosinhos devido aos desvios causados. Ainda para mais, sendo "vizinho" do hospital da cidade, deparei-me várias vezes com ambulâncias em serviço, paradas devido às filas de carros. Se querem continuar com o espectáculo (que concordo que traz muita gente e dinamiza a economia) que façam um planeamento exemplar das alternativas a dar ao trânsito.
Samuel
Axadrezado
De certa forma estou de acordo. A iniciativa das corridas é muito interessante, traz visibilidade à cidade do Porto mas é necessário um melhor planeamento. Eu que vivo nas imediações do circuito (não em Matosinhos mas numa rua perpendicular à Boavista, perto do Parque da Cidade) também me vi muito constrangido por causa das interrupções ao trânsito.
Pedro
Eu moro em Matosinhos e o Circuito da Boavista é um verdadeiro pesadelo, para mim e para quem mora nas imediações. Se eu pudesse fazia férias nestes 15 dias! Os promotores olham para a zona oeste da cidade do Porto e Matosinhos como um local de férias e entretenimento, o que não é verdade! Por isso, concordo com o advogado do Diabo acima! É tudo muito bonito mas as pessoas não podem ser tão penalizadas!
Luís Duarte
Relativamente à Fórmula 1 seria impensável não terem o mítico grande prémio do Mónaco…só acho que a Fórmula 1 falta uma única coisa, era ter também uma corrida de velocidade pura numa das Ovais dos Estados Unidos, creio que iriam ganhar imensos apoiantes se tivessem um dos grandes prémios numa Oval
Rui Miguel Ribeiro
Concordo com a totalidade do post. Os circuitos citadinos são fascinantes, são um íman para o público, e para um país de rastos como o nosso seria uma bomba de ar para as cidades/regiões que os promovessem.
O circuito de Vila do Conde fazia 2 corridas por ano e era um autêntico oceano de gente que aí afluía. Penso que com cuidado, os inconvenientes (inevitáveis) poderiam ser reduzidos a níveis toleráveis.
F1 sem o Mónaco seria uma aberração.