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Copa América ou… Copinha?

Findos os principais campeonatos, o adepto de futebol começa a salivar de excitação em anos de Europeus e Mundiais. A Copa América não foge à regra deste autêntico esfregar de mãos, sempre pronta a servir aos apaixonados, ávidos de bom futebol, madrugadas espectaculares e a oportunidade de continuar a observar alguns dos melhores jogadores do Mundo. Apesar da expectativa estar nos píncaros, foram necessárias duas rondas na fase de grupos para que o futebol pobre desaparecesse e se começassem a assistir a alguns bons jogos. Os gigantes Brasil e Argentina desiludiram nas duas partidas iniciais, deixando algum sabor de adrenalina e fulgor sul-americanos a cargo de Venezuela (uma das suas melhores provas de sempre até aqui), Colômbia, Perú e, aqui e ali, ao Uruguai. Claro está que, se Brasil e Argentina jogassem com a mesma vontade dos uruguaios, passeariam até à final. No entanto, as duas selecções assinariam a passagem aos quartos-de-final no último jogo da fase de grupos, ambas perante rivais muito modestos: a Argentina cilindrou uma Costa Rica ‘B’, e o Brasil um frágil Equador.

Entretanto, as duas foram eliminadas nos quartos-de-final, fazendo da sua presença umas das piores de sempre na história da prova. Mas porque prima, este ano, a Copa América, pela falta de qualidade e interesse? Nem Brasil, nem Argentina, nem Uruguai (apesar de uma enorme garra no último encontro) honraram devidamente a fama de campeões mundiais. Juntos possuem nove conquistas de Mundiais. Seria de nos fazer inveja, não? Pelo observado na edição actual, temos poucas razões para invejar os sul-americanos. O interesse antes da prova já não era muito e, com tudo o que se vai passando na Argentina, um dos países mais ricos daquela Confederação e que ambicionava poder organizar um grande torneio, agora diminuiu. Além da fraca organização do evento, são notórios os relvados cheios de areia, cães da polícia no campo, estádios sem cobertura adequada perante um frio polar…tudo isto a juntar a horários impróprios para os europeus, para nós. E, o pior de tudo, o rendimento que craques consagrados e que almejam o Olimpo sul-americano mostraram na fase de grupos. Pompa e circunstãncia de sobra e respeito a menos pelos adeptos. Quem está preocupado em admirar o último penteado do Neymar ou a cara de choro de Messi?

Ficam, apesar de tudo, os destaques até então nesta edição:

Vargas (Perú) – O capitão peruano, juntamente com Guerrero, tem sido o destaque de uma selecção que tem vindo a supreender pela forma como tem gerido os seus jogos. O craque da Fiorentina tem sabido pautar toda uma equipa, sempre à espreita de uma nesga de oportunidade para comprometer aspirações alheias. Resultado: meias da Copa.

Marcelo Estigarribia (Paraguai) – Desconhecido para a maioria do público, o jogador do Le Mans tem sido uma agradável surpresa nesta Copa América. Sobre o flanco esquerdo, rápido e com facilidade em criar desequilíbrios, tem brilhado numa selecção mais preocupada com os aspectos defensivos.

Neymar (Brasil) – O talentoso jogador da canarinha não tem provado a sua qualidade nesta competição (muito menos justificado os 50 milhões de euros que pretendem pagar por ele). Talvez acusando o fardo de ter de “carregar” a sua selecção às costas, o jogador do Santos exagerou nas acções individuais e poucos lances definiu com qualidade.

Alexis Sanchéz (Chile) – Tal como Neymar (também é cobiçado pelos principais colossos mundiais), o chileno não teve uma prestação à altura das suas qualidades. Pouco objectivo e inconsequente, procurou resolver tudo sozinho, numa selecção que pratica um futebol de encher o olho.

Aguero (Argentina) – Suplente nos 3 jogos da fase de grupos, são também 3 os golos que apontou na caminhada argentina. Razão mais do que suficiente para marcar presença neste destaque, números que fazem dele o artilheiro da competição.

Joel Campbell (Costa Rica) – Na ausência dos seus principais jogadores, a Costa Rica revelou um habilidoso e rapídissimo jogador. Com transferência já acertada para o Arsenal de Inglaterra, poderá ser novamente observado no próximo Mundial de sub-20.

Salomón Rondón (Venezuela) – Talvez o jogador com mais “nome” na surpreendente selecção da Venezuela. Incansável na frente de ataque, faz uso do seu poder físico para criar dificuldades aos adversários e procurar manter a posse de bola.

A.Borges

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