
Numa conferência aberta como a de Este, são poucas as equipas que não têm à partida esperanças de chegar à fase final. Charlotte conseguiu levar Miami ao sétimo jogo, mas ficou por aí, Milwaukee quebrou depois de uma temporada vitoriosa. Os Hornets entram neste ano com um grupo semelhante ao do ano anterior, ainda que tenham perdido alguns elementos. Resta saber qual a consequência das saídas, e se as alternativas servem para, no mínimo, manter o nível. Os Bucks já perderam um jogador crucial por lesão, e trocaram um dos (supostamente) mais valiosos suplentes, pelo que as possibilidades de fazer melhor que o ano anterior não são famosas.
Charlotte Hornets
Os Hornets tiveram de pagar de modo a manter o núcleo de jogadores que os levou a 48 vitórias o ano passado. Assim, Nic Batum e Marvin Williams receberam extensões e continuam ao lado de Kemba Walker, com o intuito de no mínimo repetir a temporada transacta, o que no entanto pode não ser fácil. Mas como não se pode pagar a todos, Charlotte viu sair Jeremy Lin, Al Jefferson e Courtney Lee, limitando o leque de opções disponíveis. Lin como que renasceu em Charlotte enquanto suplente de luxo, sendo considerado para o prémio de sexto jogador, e aproveitou novo fôlego para ter mais tempo e protagonismo em Brooklyn. Para o seu lugar (re)entrou Ramon Sessions, uma espécie de trota-mundos, que nunca ficou mais de dois anos na mesma equipa. Al Jefferson sempre foi o elo mais fraco de uma equipa defensivamente forte, mas os seus dotes ofensivos compensavam a inércia na defesa. Os Hornets vão sentir a sua falta no ataque, até porque o seu substituto não parece ter muito para dar. Roy Hibbert está muito longe do monstro físico que impunha uma presença intimidante perto do cesto, e ofensivamente é um factor nulo. Vindo a preço de saldo, a esperança é que ele possa relançar a sua carreira, e fazer algo próximo do que demonstrou em Indiana. A força de Charlotte depende muito do que Kemba Walker coloque em campo; o base é o líder da equipa, tanto em organização como em pontuação. Não sendo um distribuidor por excelência, melhorou com a vinda de Batum, um jogador cuja qualidade vai para lá do faz com a bola na mão. O versátil francês é inteligente como poucos, sendo do tipo de jogadores que eleva o jogo dos colegas. Marvin Williams, uma espécie de flop do draft, também encontrou vida nova com os Hornets, desempenhando o papel de PF moderno que joga longe do cesto, sendo hoje um indiscutível. E se este conjunto tem opções ofensivas variadas, a sua maior força continua a ser a defesa. E isto contando com o facto daquele que é o melhor defensor individual, Michael Kidd-Gilchrist, ter perdido vários jogos nos últimos anos por lesão. O treinador Steve Clifford tem dois problemas a resolver. Um prende-se com a posição de poste, pois necessita de tirar real rendimento de Hibbert (algo que não tem acontecido), Kaminsky ou Cody Zeller. Quanto ao primeiro, os melhores dias já lá vão e teimam em não voltar, sendo que os outros dois ainda têm muito a provar. O outro problema é a profundidade do banco, que já não contará com Lin, tendo Jeremy Lamb (finalmente) de assumir outra preponderância, bem como o veterano Belinelli. Basicamente Charlotte apresenta-se muito igual ao ano passado, tendo por isso iguais aspirações. Os seus melhores jogadores terão atingido o seu auge, pelo que não será por eles que o rendimento vai subir, cabendo essa tarefa aos elementos que substituem os que abandonaram. O cinco inicial vai ter uma tarefa dura, mas numa Conferência nivelada por baixo, pode bem chegar.
Objectivo: repetir 2016/17
Força: defesa
Fraqueza: banco de suplentes
Milwaukee Bucks
A vida é dura em Milwaukee. Quando tudo parecia encaminhado para o sucesso, com uma época vitoriosa e a contratação de Greg Monroe, eis que o ano seguinte é um completo desastre. De repente, as peças deixaram de encaixar, e a equipa deixou de funcionar. E como se não fosse suficiente, a temporada actual abre com a notícia de que Khris Middleton iria perder seis meses consequência de uma cirurgia. Terá sido esta notícia o suficiente para enterrar de vez as esperanças dos Bucks? A resposta pode bem estar na troca que decorreu, em que Michael Carter-Williams saiu para Chicago em troca de Tony Snell. MCW sempre foi um corpo estranho na equipa, e a sua dificuldade em acertar o lançamento exterior fragilizava um conjunto já de si não muito forte nesse aspecto, mas não será por Snell que os Bucks vão suprimir a ausência de Middleton. Ou seja, esta troca pouco traz de valor em termos competitivos, apenas retirando da equação um jogador que parecia estar a mais e não fazia parte do futuro. Outra interrogação a responder é a do papel de Monroe, que de epicentro da equipa passou a suplente. Nem os Bucks quererão gastar tanto com um sexto jogador, nem este quererá remeter-se a tal papel, pelo que um negócio pode estar no horizonte. Quanto à equipa em si, tem bastante talento, começando pelo atlético Giannis Antetokounmpo, cuja adaptação a PG foi um sucesso, e que com a sua estatura é um pesadelo para os adversários. Jabari Parker tem perfil de topo, pelas suas capacidades técnicas e de liderança, Miles Plumlee mostrou qualidade em Phoenix (qualidade essa que os Bucks esperam ver, ou não lhe tinham oferecido o contrato que ofereceram) e John Henson é um ressaltador capaz de alguns flashes no ataque. Mirza Teletovic e Matthew Dellavedova entraram para colmatar a tal dificuldade da equipa em acertar o tiro exterior. É difícil perceber o real objectivo deste conjunto, pois no papel parecem ter qualidade suficiente para lutar pelo playoff no Este, mas por outro têm demasiados problemas para resolver. O grupo é dos mais altos e atléticos que existem na NBA, e tanto Antetokounmpo como Parker têm tudo para chegarem ao topo. Mas os dois elementos têm ainda muito a provar, especialmente em termos de liderança, pelo o rendimento em alturas de pressão é uma incógnita. Greg Monroe é outra dúvida, tendo ele capacidade para ser uma referência, parece estar desenquadrado, restando perceber qual o seu papel este ano e quantos minutos vai acumular. A própria Direcção mostra andar à procura do caminho certo, como provam as recentes trocas, que transformaram Brandon Knight em Carter-Williams, e este numa segunda escolha dos Bulls. O mais expectável é uma temporada na linha da anterior, e com uns Bucks mais activos fora que dentro de campo.
Objectivo: colocar as peças para atacar o draft de 2017
Força: estatura e atleticismo
Fraqueza: falta de referências
Nuno R.

