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Craque do Real Madrid acentua domínio espanhol

Chegou ao fim mais um campeonato da Europa de sub-19 que, mesmo organizado numa nação repleta de incerteza e pânico, conseguiu sempre boas enchentes, ajudando a esquecer temporariamente os graves problemas sócio-económicos que assolam o país. A vitória, essa, sorriu à Espanha, que bateu na final a Rússia, por 2-0 (golos de Mayoral e Nahuel), e que se revela de forma indubitável como a maior potência europeia do escalão, reunindo em si sete conquistas desde que a competição assumiu os contornos de sub-19 (2001/2002).
No entanto, a caminhada dos “nuestros hermanos” não foi fácil, chegando mesmo a perder durante a fase de grupos com a finalista vencida Rússia, mas foi sempre a selecção que manifestou uma maior qualidade em todos os momentos do jogo. Assente no tradicional 4-2-3-1 espanhol, a equipa de Luis de la Fuente conseguiu ultrapassar o grupo da morte – que se pautou sempre pelo equilíbrio e imprevisibilidade – com 4 pontos, tantos como os das eliminadas Holanda e Alemanha. Não menorizando o papel dos laterais Caricol e Borja ou dos centrais Vallejo e Meré, o dínamo da equipa esteve sempre na articulação entre o duplo pivot formado por Rodrigo Hernandéz (perfil físico e técnico à Busquets) e Merino, com liberdade para a coqueluche do Bétis, Dani Ceballos. Contudo, o abre latas da equipa, à semelhança de Bueno em 2006 ou Deulofeu em 2012, foi Marco Asensio que resolveu o jogo mais delicado da competição frente a musculada França.
Colectivamente, a grande desilusão da prova foi a Alemanha que acaba a época internacional com a sensação de falhanço. Não obstante ser a única selecção europeia a marcar presença em todas as provas jovens (Europeu sub-17, Europeu sub-19, Mundial sub-20 e Europeu sub-21), saiu de todas elas sem a tradicional conquista que habituou os adeptos da “Mannschaft”. Mesmo com nomes como Werner, Sané ou Tah, os Germânicos nunca se mostraram suficientemente consistentes para aspirarem ao título, sendo que a primeira goleada frente aos espanhóis hipotecou a passagem pelo critério da diferença de golos. Palavra para a Holanda de Bilal Ould-Chikh ,Van Amersfoort e Nouri que se viu privada de alguns dos seus principais elementos – em virtude da participação do Ajax nas pré-eliminatórias da Liga dos Campeões – e que, por isso, caiu precocemente no grupo B, constituído pelos dois finalistas, Rússia e Espanha, e Alemanha.
Do outro lado, isto é, no Grupo A, o nível de competitividade foi sempre mais baixo, aproveitando a França para selar o 1.º lugar do grupo com 3 vitórias, sendo a última obtida sobre a Grécia com recurso às segundas linhas da equipa. Um conjunto mais maturado fisicamente que os adversários, com maior poder de choque e mais facilidade em mudar de velocidade, mas que se revelou insuficiente para voos maiores. A grande figura Kingsley Coman, um dos elementos mais cotados da competição, pese embora alguns rasgos de génio e de ter sido o melhor jogador da sua equipa, não foi regular ao ponto de desequilibrar e de chegar perto sequer do impacto provocado pela maior figura da “Rojita”. Merecem ainda menção jogadores como Dembelé (mexeu sempre com o jogo e foi o melhor marcador da equipa não tendo o estatuto de titular absoluto), Kemen (número 6, capitão e com capacidade de passe às 3 distâncias) e Kilic (médio ofensivo de origem turca que já é peça importante no Auxerre). Também no grupo A, alguns jovens de conjuntos menos cotados confirmaram credenciais na competição, com enfoque para os austríacos Sascha Horvath (nº10 com baixo centro de gravidade que pode jogar a partir de uma ala) e Marko Kvasina (ponta de lança tradicional de alta estatura, forte no jogo aéreo e capaz entre os centrais), e para os ucranianos Kovalenko (presença na equipa A do Shakhtar Donetsk, tendo somado minutos na Supertaça Ucraniana) e Valeriy Luchkevych (jogador capaz de fazer o flanco direito cujas qualidades são apreciadas no Dnipro).
Por fim, e atendendo ao trajecto desta geração russa, o sucessor de Fabio Capello terá a certeza que não lhe faltará matéria-prima para trabalhar a equipa organizadora do Mundial de 2018. Campeões da europa de sub17 e vice-campeões da europa de sub19, entraram em ambas as competições com o estatuto de “underdog” e saíram delas como uma das melhores equipas em prova. Começando na baliza com Anton Mitryushkin (eleito melhor jogador do europeu sub-17), passando por Nikita Chernov (internacional A pela Rússia) e Georgi Melkadze (médio que já se estreou na equipa principal do Spartak de Moscovo) e acabando num dos melhores avançados da prova, Ramil Sheydaev, o futuro só poderá ser prolífico, atendendo também ao novo enquadramento legislativo que favorece o jogador russo, limitando a presença de estrangeiros no campeonato nacional.
Melhor jogador da provaMarco Asensio
Talentoso e com uma desenvoltura física evoluída, ocupou maioritariamente a posição de ala direito em 4-2-3-1 , privilegiando movimentos interiores com recurso ao seu pé esquerdo. Assume-se como um criativo de perfil vertical, suficientemente rápido para desequilibrar no passe e no drible, com uma tomada de decisão assinalável para a idade. Além disso, junta apetência para o golo, não esquecendo o papel preponderante nas bolas paradas da sua equipa. Na verdade, se o novo jogador do Real Madrid já era um alvo apetecível para imensas equipas, o seu desempenho na competição escancarou as portas para um empréstimo na próxima temporada, sendo certo que a fila de interessados não se afigura curta.
Melhor 11 em 3-5-2:
GR – Anton Mitryushkin (Rússia)
DC – Jesús Vallejo (Espanha)
DC – Nikita Chernov (Rússia)
DC – Albert Roussos (Grécia)
MDC – Rodrigo Hernández (Espanha)
MC – Dani Ceballos (Espanha)
MC – Olivier Kemen (França)
MD – Marco Asensio (Espanha)
ME – Sascha Horvath (Áustria)
PL – Borja Mayoral (Espanha)
PL – Ramil Sheydaev (Rússia)

VM Scouting: João Magalhães e Rui Valente

33 Comentários

  • Rodolfo Trindade
    Posted Julho 20, 2015 at 9:38 am

    Ceballos joga tanto.

    Asensio foi uma excelente contratação, dúvido é que tenha espaço.

  • Tiago Alves
    Posted Julho 19, 2015 at 8:56 pm

    O Sporting precisa de um guarda redes? Que siga este Russo que fez uma exibição tremenda neste europeu. Já me tinha chamado a atenção nos sub17.

    Vender Patrício. Ficar com Boeck,Mitrouskin e José Sá. O melhor que jogue.

  • Anónimo
    Posted Julho 19, 2015 at 8:44 pm

    Excelente artigo, como já é apanágio destes dois escritores/leitores do VM.

    Queria apenas salientar alguns jogadores que julgo também poderem ter um futuro interessante: Lucas Hernandez, lateral francês, muito forte a defender, aguerrido, sem medo, fecha bem por dentro e depois ofensivamente revelou qualidade em progressão, sendo que pode melhorar a técnica de cruzamento. O Guardião francês, Florian Escales revelou boa presença entre os postes e nas saídas. Sempre seguro, mostrou-se ainda muito hábil no jogo de pés, algo que é muito importante no futebol actual.
    Nesse 11 que propõem, apenas colocaria o francês Diallo no lugar do Roussos. É um central a quem antevejo um futuro muito interessante. Tem um perfil físico muito interessante – veloz e possante -, tem à vontade na saída de bola e é forte nos duelos, tanto aéreos como pelo chão. Pode melhorar a nível do posicionamento e no capítulo do desarme, visto ter sido ultrapassado algumas vezes por ir à queima aos lances. Contudo, acho que este pormenor é corrigível e apenas revelador de alguma confiança em excesso do jovem central francês.

    Saudações,

    Crow

    • João Magalhães
      Posted Julho 19, 2015 at 11:17 pm

      Sim, como já tinha dito num comentário, a Áustria está a aparecer com boas gerações e com uma filosofia de jogo igual nos vários escalões. Esta selecção Austríaca merecia ter passado e mesmo contra a França bateu-se muito bem e merecia mais. A Grécia, em caso de dúvida, tinha algum apoio por parte das equipas de arbitragem, porque era claramente a pior equipa da prova.

    • Anónimo
      Posted Julho 19, 2015 at 10:15 pm

      Sim, foi emprestado. Eu percebi a inclusão do Roussos, foi dos menos maus da Grécia, que apesar de ter passado às meias-finais foi, talvez, a equipa mais fraca em termos individuais que vi no Europeu. Quer Ucrânia, quer Áustria apresentam jogadores mais interessantes, nomeadamente aqueles que vocês referiram.

      Saudações,

      Crow

    • João Magalhães
      Posted Julho 19, 2015 at 9:50 pm

      Agradeço e concordo com a tua análise. O Diallo tem tudo para crescer e ser um defesa, ainda para mais tendo o Jardim como treinador. Julgo que foi emprestado para a Bélgica já que era difícil pegar de estaca no Mónaco, ainda para mais numa equipa que é quase sub23. A inclusão do Roussos pela vez dele é mais pela necessidade de ter um jogador Grego no melhor onze, uma vez que foram às semi-finais. Também podia entrar o Orfanidis, mas o sector do meio campo está muito lotado.

  • LuisRafaelSCP
    Posted Julho 19, 2015 at 8:38 pm

    A Espanha é uma justa vencedora, sendo claramente superior à concorrência. Esta geração não tem nenhum "desequilibrador" como o Deulofeu, mas tem outros elementos a nível de posse de bola que prometem.

    Os meus principais destaques dos dois jogos que vi da Espanh, vão para o Mayoral e para o Asensio. Elementos claramente acima da média…

  • João Dias
    Posted Julho 19, 2015 at 8:32 pm

    Depois de terem superado uma seleção como Portugal na fase de apuramento só podia dar nisto.

    Esta geração de Espanha não é nenhuma geração do outro mundo, há bem melhores mas estas seleções espanholas primam pela consistência e são muito difíceis de bater.

    Sobre Portugal, espero que a geração João Carvalho, Renato Sanches, Rúben Neves (se o quiserem reencaixar na sua seleção), Pedro Delgado, etc nos dê o apuramento para o Euro sub-19 e para o Mundial sub-20.
    Mas desta vez, com um Hélio Sousa e não com um Edgar Borges.

    • João Dias
      Posted Julho 19, 2015 at 10:11 pm

      João,

      Eu refiro-me à qualidade técnica da geração de 95 portuguesa quando estava nos sub-19. Sem dúvida superior a esta espanhola.

    • João Magalhães
      Posted Julho 19, 2015 at 9:53 pm

      É difícil comparar a de 95 a 96, porque se reparares num ano, entre o euro sub19 e mundial sub20, os jogadores evoluíram imenso, ainda para mais porque foi um ano em que entraram no futebol profissional das equipas de reservas. O meio campo desta Espanha tem muito futebol..

    • Luís Caixinha
      Posted Julho 19, 2015 at 9:33 pm

      Não esquecer que pelo menos até sub 21 as diferenças de idade ainda se fazem notar na qualidade das equipas..

    • João Dias
      Posted Julho 19, 2015 at 8:44 pm

      Mais, a geração de 95 portuguesa é bem mais dotada tecnicamente que esta geração de 96 espanhola.

    • João Luís Bastos
      Posted Julho 19, 2015 at 8:37 pm

      Mas dizes isso porque visto os jogos ou porque fica bem? Esta geração Espanhola fosse Portuguesa e estavam todos loucos com a qualidade essencialmente dos 3 do meio campo + Asensio..

  • Valcx
    Posted Julho 19, 2015 at 8:25 pm

    Este Asensio no Barcelona e daqui a uns anos assumia o estatuto de melhor jogador de Espanha, no Real vai ser emprestado umas 20 vezes, ou andar a aquecer o banco como o Jesé ou o Canales.

    • E Jorge
      Posted Julho 20, 2015 at 12:10 am

      Piqué fez-se jogador em Manchester quando mal jogava??? Ou quando foi emprestado pelo Man. United por uma temporada ao Zaragoza? Piqué era banco em Manchester quando o Guardiola foi a sua busca…Piqué cresceu no Barcelona, o Fábregas sim pode-se dizer que cresceu no Arsenal. É só veres que o Piqué nem Euro 2008 ganhou porque naquela altura ainda estava nos U21 e foi graças ao Guardiola que conheceu a equipa principal. Enquanto que o Fábregas da mesma idade já estava na seleção desde 2006…

    • Galileu Galilei
      Posted Julho 19, 2015 at 10:41 pm

      Pique cresceu em Manchester, e Fábregas no Arsenal. Não se fizeram jogadores n Barcelona.

    • Anónimo
      Posted Julho 19, 2015 at 10:39 pm

      Fora dessas guerras real vs barça, a verdade é que o Deulofeu quando naquele europeu sub.17 aparece, todo o mundo pensou que estava para breve, a sua afirmação no Barça, algo que por enquanto, cm minha pena minha ainda n acnteceu.
      filipini

    • E Jorge
      Posted Julho 19, 2015 at 9:21 pm

      Calma lá Diogo Ribeiro, esta tua do Deulofeu é para???? Queres mesmo comparar quantos jogadores o Barcelona já lançou vs o Real Madrid? É que nem tem por onde começar,nem por onde comparar. Falar do Deulofeu e esquecer de Messi,Iniesta,Fabregas,Piqué,Thiago Alcantara,Puyol,Xavi,Guardiola…Pura cegueira
      PS: O Deulofeu só tem apenas 21 anos. De lembrar que o Xavi só tornou-se titular absoluto e craque mundialmente reconhecido com 25 anos…

    • Diogo Ribeiro
      Posted Julho 19, 2015 at 8:34 pm

      Nao… Quem vai receber no Barcelona esse estatuto é o Deulofeu…
      oh wait ?

    • karabatic13
      Posted Julho 19, 2015 at 8:32 pm

      O Deulofeu tb era isso tudo

  • João Luís Bastos
    Posted Julho 19, 2015 at 8:24 pm

    Só venho aqui deixar isto do Ceballos: https://www.youtube.com/watch?v=nGxk-wY9884

    Pura magia…Fiquei deliciado com ele e tive a curiosidade de pesquisar na net.

    De resto, excelente acompanhamento da competição e bom resumo do que se passou. Concordo completamente com o 11. O 9 da Rússia é muito bom avançado..

    • Tiago Alves
      Posted Julho 19, 2015 at 8:42 pm

      Que craque. Tanto futebol que os médios Espanhóis têm..

      No onze do vm só metia o Melkadze, de resto tou de acordo.

  • João Oliveira
    Posted Julho 19, 2015 at 8:21 pm

    Vi dois jogos da Espanha e foi justo. Grande selecção a mostrar que têm grande futuro. Qualidade a todos os níveis e em quase todas as posições. Só não gostei dos laterais..

  • Invict
    Posted Julho 19, 2015 at 8:20 pm

    Só vi este jogo, mas gostei imenso do asensio. Muito bom futebol no pé esquerdo dele. O trinco tambem alto tinha muita pinta. Tragam no para o SLB.

  • Anónimo
    Posted Julho 19, 2015 at 8:19 pm

    Ceballos craque. Muito mais jogador que o Oliver, por exemplo, atencao a ele na BBVA

    LC

    • Rodolfo Trindade
      Posted Julho 20, 2015 at 9:37 am

      Vadillo não teve uma lesão complicada? Pode ser que este ano volte a mostrar toda a sua qualidade.

    • João Magalhães
      Posted Julho 19, 2015 at 11:46 pm

      O Ceballos foi uma das revelações da Liga Adelante com apenas 18 anos. A nível de rendimento as diferenças foram residuais face ao Óliver no mesmo europeu da categoria, mas acho que o Ceballos tem mais qualidade de passe longo e capacidade para cair nas linhas, e o Óliver tem mais finta curta, se bem que o Ceballos não é propriamente fraco nesse campo. Para o ano estará na BBVA com o Bétis e vamos ver o que ele vai produzir. Bétis que vai contar com o Van der Vaart e os velhinhos Molina e Rúben Castro que continuam a fazer golos como lixo.

      Já agora, um caso de um jogador que prometia imenso do Bétis e que desapareceu do mapa pelas lesões foi o Vadillo, que era rapidíssimo e ganhava a linha com muita facilidade. Outro jogador que pode ressuscitar.

    • Pedro, o Polvo
      Posted Julho 19, 2015 at 11:06 pm

      Não conheço o jogador, mas afirmar que é "muito mais jogador que o Oliver", ou é para chamar a atenção ou então é de alguém que está descontextualizado da realidade do futebol .. Peço desculpa pela frontalidade LC, mas é a verdade.

      Um também dou uns toques nas bolas com os meus amigos de vez em quando, e eles dizem que tenho bons pés. No entanto, não é por provar o meu valor num jogo de amigos que vou ser melhor do que alguém que já provou o seu valor vezes sem conta, profissionalmente, num contexto competitivo elevado.

      Deixando aquela analogia, em forma de brincadeira, de lado, o que quero dizer é que um jogador pode parecer que é muito bom enfrentando adversários de um calibre competitivo baixo, mas se aumentarmos a "parada", logo vamos reconhecer o seu real valor. Não é correcto avaliar jogos de torneios "infantis" e admitir que os jogadores automaticamente vão render numa La Liga, por exemplo.

      Cumprimentos

    • Anónimo
      Posted Julho 19, 2015 at 10:35 pm

      Blá blá, teorias da hora, o Oliver quando tinha a idade dele também era a última bolacha, sendo que para mim o Óliver tem algo a mais que este Ceballos.

      Joan

    • Tiago Alves
      Posted Julho 19, 2015 at 9:51 pm

      Sim, o Ceballos tem mais potencial que o Oliver. E é bem capaz de ser mais jogador do que ele.

    • Luís Caixinha
      Posted Julho 19, 2015 at 9:31 pm

      Será que não é possível respeitar uma opinião? Se alguém diz que este é bom vem logo alguém dizer que o outro é que é melhor..

    • Anónimo
      Posted Julho 19, 2015 at 9:04 pm

      Se é muito mais jogador que o Oliver tou a imaginar que seja um Zidane… Que exagero na minha opinião

      Vitor Abreu

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