Esta rubrica destina-se a jogadores nascidos em 2000. Os parâmetros de selecção são os feitos dos jogadores até ao momento e, principalmente, o seu potencial e o nível (patamares em termos de projecção Mundial) que poderão atingir no futuro.
Futebolisticamente falando, pode-se criticar a gestão do Brasil nos últimos anos – e por variados motivos. No entanto, no que concerne a gestação de talento, continua a ser um colosso difícil de contestar, fornecendo anualmente talentos em bruto para o futebol mundial. Em particular, têm surgido da sempre profícua escola canarinha extremos de altíssimo nível, que se assumem na Europa cada vez mais cedo. Richarlison, do Everton, é um desses casos, assim como os “madrilenos” Rodrygo e Vinicius Jr. (dois nomes que serão falados futuramente), e no Brasileirão há um jogador que, a breve trecho, reúne todas as condições para se juntar a esta excelente lista: Antony.
Lançado nos seniores do São Paulo desde a temporada passada, Antony conquistou protagonismo esta época. Titular em 11 dos 18 jogos realizados pela sua equipa no Campeonato Paulista, foi sem surpresas que o jovem sul americano também iniciou o Brasileirão no XI inicial. Um extremo que alinha preferencialmente no flanco direito (também pode jogar à esquerda, mas é um daqueles esquerdinos que gosta de partir do lado oposto para causar estragos em zona central – apesar de também ter capacidade para segurar a bola até à linha final), franzino (é um dos grandes motivos que justificam a frequência com que sofre falta), o camisa 39 encanta pela facilidade em controlar a bola e, acima de tudo, pelo requinte do seu drible. Fortíssimo nessa vertente (já possui um dos melhores registos do campeonato nacional, sendo, por larga margem, o jogador com melhor aproveitamento na sua equipa), é um pesadelo para os defensores contrários, devido a um poder de aceleração invulgar, ao qual adiciona um nível técnico evoluído (neste aspecto poderá vir a ser superior aos 3 compatriotas previamente mencionados).
Antony ainda apresenta lacunas a limar, contudo. O facto de “só ter” pé esquerdo retira-lhe imprevisibilidade (os adversários sabem que é com esse pé que executará 90% das acções), complicando também o remate e o cruzamento; simultaneamente, tendo em conta que é um atleta que gosta de procurar terrenos centrais, o registo de golos não é propriamente soberbo (é verdade que nunca se destacou pelo número de golos marcados – nem nos juniores – mas é um factor importante, sobretudo atendendo à quantidade de oportunidades que lhe passam pelos pés em todas as partidas) – apenas 1 em 22 jogos no Brasileirão.
O irreverente extremo de 19 anos já admitiu ver em Lucas Moura, outro produto das escolas do São Paulo, um exemplo a seguir e, curiosamente, há sérios pontos de contacto entre os dois, principalmente quando comparados com a mesma idade. Ambos com baixo centro de gravidade, velozes, também Lucas começou, inicialmente, por ter dificuldades em marcar golos – algo que viria a melhorar. Como Lucas, também Antony terá de adaptar ligeiramente o seu estilo, caso pretenda ter sucesso na Europa, mas, em termos meramente fundamentais, poucas dúvidas há em como o conseguirá.
António Hess


4 Comentários
Estigarribia
Jogador de grande qualidade este Antony. A primeira vez que ouvi falar nele foi durante este mercado de transferências quando foi falado no interesse do Sporting, mas, para ser sincero comigo mesmo, nunca acreditei que viesse nem com a parceria com o Manchester City. O futebol brasileiro tem produzido jogadores de grande qualidade: Éder Militão, Wendel (com todos os defeitos que tenha mas continua a ser um jogador de qualidade), Jean Pyerre, Talles Magno e agora, o ponto alto, Antony.
Saudações Leoninas
EzgjanAlioski10
Ainda ontem vi o jogo do São Paulo contra a Chape e o Antony marcou um golaço.
Não tenho dúvidas que é o jogador brasileiro com mais talento puro desta nova geração. Tem um pé esquerdo incrível, um controlo de bola fascinante (parece que tem cola nas chuteiras), o que lhe permite várias vezes livrar-se de 3 ou 4 jogadores sem espaço. Outra das coisas que me chama muito a atenção nele é a forma como muda a trajetória, graças ao seu baixo centro de gravidade.
Por outro lado, o facto de “só ter um pé” condiciona-o muito, para além disso, eu acho que o facto de ele ter um registo pobre de golos e sofrer muitas faltas, devesse a sua falta de objetividade, na minha opinião é este o seu maior defeito.
Para concluir, eu gostava de o ver a jogar num posição mais centralizada, no meio campo, um pouco como o Bernardo no City.
Shadow
Para mim, o jogador jovem mais fascinante do Brasileirão. Tem aquela Ginga de craque, condução tipica de jogador de futsal aliado a um grande pode de aceleração.
Ainda tem aspectos para evolui mas parece ter potencial mais que suficiente para vincar na Europa.
Uma passagem por um clube como o Benfica o beneficiaria muito porque ainda não está pronto para jogar em um tubarão top5 e o Benfica teria uma pérola em mãos.
PS: não sei é se já não é muito caro para os grandes.
Af2711
Antony tem tido um hype gigantesco dentro do São Paulo, assim como outros jovens jogadores (Igor Gomes, Toró, Liziero).
Ainda tem algumas lacunas e isso é normal, mas precisa tomar melhores decisões e deixar de lado os tiques de vedeta (fruto do paternalismo histórico do clube com as jovens promessas). Quando aprimorar estes aspectos e os fundamentos, sem dúvida poderá chegar num nível bem alto.