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Craques do Futuro IX: Um extremo sul americano com ‘pinta’ de europeu (15.º)

Esta rubrica destina-se a jogadores nascidos em 2000. Os parâmetros de selecção são os feitos dos jogadores até ao momento e, principalmente, o seu potencial e o nível (patamares em termos de projecção Mundial) que poderão atingir no futuro.

Nos últimos anos, vários clubes alemães tornaram-se referências na produção e desenvolvimento de jogadores de elite. Além do caso óbvio do RB Leipzig, que fundou praticamente uma ideia de futebol baseada nesse princípio, conjuntos como Borussia Dortmund, Schalke 04, Hoffenheim, Borussia Mönchengladbach, Eintracht Frankfurt e Bayer Leverkusen têm sabido gerir os jovens promissores nos seus quadros, dando-lhes margem para crescer e, eventualmente, atingirem outro patamar competitivo.

Foi a pensar nisso que o Leverkusen contratou, no Verão de 2018, Paulinho ao Vasco da Gama, pela avultada quantia de 18 Milhões de Euros. Os “farmacêuticos”, que já contavam com um elenco talentoso, sobretudo no ataque (poucas equipas se podiam gabar de terem Kai Havertz, Julian Brandt, Lucas Alario, Bellarabi e Volland), adiantaram-se à concorrência, na aquisição de um elemento extremamente promissor e que já revelava capacidade para se destacar a curto-médio prazo. Assim, depois de duas temporadas entre os seniores do Vasco (ele que só este ano teria idade ‘de sénior’), aterrava em Leverkusen, pronto a mostrar valor.

A temporada de estreia na Europa, contudo, esteve longe de satisfazer – mas por motivos compreensíveis. Além da fortíssima concorrência que enfrentou (e os nomes mencionados já se haviam ambientado ao clube e ao estilo de jogo germânico), deparou-se ainda com uma mudança de treinador durante a época, e o Bayer, tendo ambições legítimas no campeonato (a turma de Peter Bosz lutava pelo acesso à Liga dos Campeões, que alcançaria), naturalmente recorreu com maior frequência aos jogadores consagrados.

Mesmo assim, o jovem brasileiro fechou 2018/19 com 21 partidas disputadas (marcou ainda 1 golo), e no recente Torneio de Toulon, que a sua selecção venceu, tornou a demonstrar porque motivo é um dos jogadores mais entusiasmantes do seu ano. Embora só tenha realizado 3 partidas a titular (curiosamente as mais decisivas – último jogo da fase de grupos, meia final e final), apontou 3 golos, sendo talvez a principal figura de uma equipa que contava com Douglas Luiz, Matheus Henrique, Pedrinho, Antony, Matheus Cunha e Wendel. Esta época, com a saída de Brandt, abriu-se nova vaga no Leverkusen, sendo expectável que comece a somar mais minutos no decurso da temporada (ainda não foi titular em nenhuma ocasião em 2019/20, mas com o acumular de partidas é possível que venha a sê-lo com alguma frequência).

Atendendo ao perfil físico e técnico do camisa 7 do Bayer, parece uma questão de tempo até ‘explodir’ definitivamente no futebol alemão. Com atributos físicos invulgares (não é comum vermos sair do Brasil um extremo com a sua composição muscular – aliás, pelo seu estilo de jogo, até parece ‘europeu’), que o tornam num alvo difícil de travar sem recorrer à falta (quando arranca é provável que consiga ir até ao fim), aos quais aparentemente acrescenta uma mentalidade forte (tem sido elogiado nesse aspecto pelos vários treinadores que o encontraram – e o próprio já admitiu ver em Cristiano Ronaldo um exemplo a seguir), Paulinho possui ainda um bom manancial técnico. É certo que, neste capítulo, não estará (nem nunca virá a estar) ao nível de Vinícius Jr., Rodrygo ou Antony, extremos ‘canarinhos’ com quem já partilhou balneários nas selecções jovens, mas olhando para as suas características, nem sequer precisa. Rápido, versátil (pode alinhar em qualquer uma das alas ofensivas e no meio), com facilidade de remate (soma vários golos de belo efeito, com remates à entrada da área), o craque formado no Vasco tem as armas para brilhar ao mais alto nível – falta ter tempo e espaço para fazer uso delas.

António Hess

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António Hess
Author: António Hess

2 Comentários

  • Natan Fox
    Posted Novembro 12, 2019 at 1:42 pm

    O Brasil virou o país dos “extremos”! Paramos de produzir bons 9, e agora produzimos vários jogadores de lado com grande talento.

  • Antonio Clismo
    Posted Novembro 12, 2019 at 2:58 pm

    Uma pena Portugal ter deixado de produzir extremos de primeira qualidade. Do país de Futre, Figo, Ronaldo, Quaresma, etc deixámos de produzir talento para essas posições.

    Só no escalão de sub21 temos Trincão, Neto ou Jota e nenhum deles é opção regular nas suas equipas.

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