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Craques do futuro VIII: O avançado que tem todas as características para ser de topo (17.º)

Esta rubrica destina-se a jogadores nascidos em 1999. Os parâmetros de selecção são os feitos dos jogadores até ao momento e, principalmente, o seu potencial e o nível (patamares em termos de projecção Mundial) que poderão atingir no futuro. 

Apesar do limite populacional ser, em Portugal, francamente mais notório que noutras potências futebolísticas da Europa, poucas superam o nosso país ao nível da consistência. Além da presença em todas as fases finais de provas globais e continentais neste século, a selecção das “Quinas” alcançou, regra geral, resultados positivos, culminando na recente conquista do Europeu, em França.

Esta consistência, obviamente, que parece estar garantida para o futuro (o conjunto de Fernando Santos tem dado uma excelente resposta depois da pálida prestação no Mundial, unindo vitórias a boas exibições), deve-se a um factor crucial: o alto nível das camadas de formação. Portugal, que demorou demasiado tempo a retirar dividendos deste elemento, melhorou substancialmente na derradeira década, apresentando-se nesta fase como sério candidato ao título de melhor nação formadora da Europa.

Assim, não choca que todos os anos saiam atletas com talento incomum das principais escolas do futebol português, e o ano de 1999 é particularmente profícuo, como teremos oportunidade de acompanhar ao longo desta rubrica, surgindo já um nome de destaque: Rafael Leão, que se for capaz de se adaptar ao campeonato francês poderá estar na calha para se estrear com a camisola da selecção portuguesa a breve trecho.

Atendendo à disposição física e técnica do atleta formado no Sporting, existem motivos para crer que Leão, à falta de questões laterais (lesões, pouco profissionalismo…), se consagrará como um dos bons valores da sua geração. Robusto (além dos 188 cm, vem ganhando massa muscular, algo que serve de plus para a sua posição), competente a descobrir espaços livres e fortíssimo a irromper pela área (é notória a sua apetência pela mobilidade em detrimento da estaticidade), o camisa 7 do Lille sente-se em casa em momentos de ataque rápido, nos quais, fazendo uso da sua velocidade, se torna perigosíssimo (nos seniores do Sporting esta vertente não ficou plenamente demonstrada, mas tal deveu-se essencialmente às características específicas do campeonato português – no Lille, por exemplo, terá oportunidade para beneficiar melhor destr atributo). Em jeito de brincadeira, chegou a ser, inclusivamente, apontado como uma espécie de “Mbappé português” por publicações francesas e a comparação, embora naturalmente exagerada (o craque gaulês é apenas 7 meses mais velho que o lusitano), acaba por ajudar a compreender o estilo de jogo de Leão, que batalha nesta fase para merecer um lugar ao sol no LOSC.

Ora, se é certo que ainda foi pouco utilizado nesta época, também não deixa de ser verdade que o conjunto de Christophe Galtier dispões de boas e variadas posições para a frente de ataque. O Lille, até agora a sensação da temporada em França, conta com Bamba e Nicolas Pépé (até agora, 7 golos cada na Ligue 1), Jonathan Ikoné (apesar de vir alinhando a médio ofensivo, também é opção para a ala esquerda), Luiz Araújo (esteve em boa forma na recente partida contra o Dijon, marcando mesmo um golo) e Loic Rémy para a frente de ataque – nomes de peso e que, à excepção do último, têm dado conta do recado, daí a menor utilização de Rafael, que nos poucos minutos que esteve em campo deixou água na boca (grande pormenor no terceiro golo contra o Marselha).

No fim de contas, o caso de Leão é prototípico: um jogador com tremendo potencial, possuidor de atributos físicos e técnicos raros, mas cujas (más) decisões poderão vir a condenar uma carreira previsivelmente bem sucedida. Caso não tivesse rescindido com o Sporting, até é provável que fosse, nesta fase, indiscutível para Peseiro (sem Bas Dost sobram apenas Montero e Castaignos), mas, e embora o passo que deu pareça ter sido imprudente, o Lille é uma excelente montra. Depois da anarquia reinante no ano passado (o LOSC salvou-se da despromoção por pouco), esta época a equipa encontrou estabilidade, muito devido ao belíssimo trabalho de Galtier e, tendo em conta a aposta clara na juventude (só José Fonte e Rémy têm mais de 30 anos no XI mais comum), será uma questão de tempo até Rafael Leão receber uma chance para evidenciar os talentos que todos lhe reconhecem – e, a partir daí, esperar que agarre o lugar.

António Hess

10 Comentários

  • Amigos e bola
    Posted Outubro 22, 2018 at 10:29 pm

    Se Portugal é hoje uma das maiores fábricas de talento do mundo, muito se deve ao facto de formarmos talentos como o Rafael Leão.

    Acho-o tão bom jogador, tão craque. Tem tudo o que um craque precisa de ter. É alto mas tem técnica, é irreverente, imprevisível, tudo.

    O Lille terá de o saber potenciar. Têm aqui um diamante por delapidar.

    Presença obrigatória no play off dos sub-21. Muitíssimo superior ao Heriberto.

  • PAAG
    Posted Outubro 22, 2018 at 10:56 pm

    Se o Leão está neste top, presumo então que, então, também estarão mais uns 3 ou 4 portugueses.

    Diria que existirá, quiçá, um claro viés em relação ao jogador português neste top, o que também acaba por ser natural, dada a qualidade da geração.

    • Amigos e bola
      Posted Outubro 22, 2018 at 11:22 pm

      A geração de 99 portuguesa é só uma das maiores fortes e talentosas da Europa nos últimos anos. Os resultados falam por si.

  • coach407
    Posted Outubro 23, 2018 at 12:09 am

    Só precisa ser titular para chegar à seleção AA. E que reforço será. Mais um.

  • JoaoMiguel96
    Posted Outubro 23, 2018 at 1:15 am

    Tenho muita pena que tenha saído do Sporting. Tem um talento brutal e capacidade para vôos altíssimos. Fiquei surpreendido com a decisão de ir para o Lille, clube no qual a estabilidade também não tem sido o ponto forte.

    Não gostei da sua saída, nunca vou achar que saiu a bem ou que tinha razão, mas fez a sua escolha. Que tenha o melhor dos sucessos e que seja uma ótima adição ao panaroma português, no que toca aos craques da bola.

  • Tiago Silva
    Posted Outubro 23, 2018 at 7:02 am

    Não considero o Rafael Leão superior aos 2 anteriores mencionados nesta rúbrica, mas sem dúvida que tem características muito interessantes, é um jogador explosivo, sabe quando arrancar e tem muita técnica. O Lille é a equipa ideal para ele a meu ver, espero que agarre o ligar e esteja a lutar por um lugar na seleção de todos nós.

  • RomeuPaulo
    Posted Outubro 23, 2018 at 9:59 am

    Era muito importante para a seleção nacional que o Rafael Leão conseguisse vingar, com características diferentes das do André Silva.

    Começam a aparecer bons valores na formação para a posição de ponta de lança, do que vi, a geração de 99 tem ainda o José Gomes e o Pedro “Martelo” Correia, sendo que a de 2002 tem o Fábio Silva.

    Relativamente a esta lista, a geração portuguesa de 99 é muito forte, com Diogo Dalot, Diogo Leite, Rúben Vinagre, Florentino, Gedson, Domingos Quina, João Félix e Jota (não se incluía o Leão no top 5 português)

    Será que Portugal vai dominar esta lista?

  • Antonio Clismo
    Posted Outubro 23, 2018 at 10:16 am

    Nos últimos 6 meses praticamente não jogou.

    Como pode estar a ser equacionado à selecção principal?

    Neste momento nem no top20 está nos jogadores portugueses da sua posição.

    Deve e pode render muito mais, só precisa de Sair da sua bolha e trabalhar no duro.

  • Bardias
    Posted Outubro 23, 2018 at 11:47 am

    À parte de Rui Patricio, é o único jogador que me dá uma tristeza profunda, por ter saído do Sporting. E se o que diz o Sousa Sintra, é verdade (que ele queria ficar), então é uma facada no coração. Tinha tudo para explodir esta época na frente de ataque da equipa leonina. As verdadeiras cicatrizes daquele fatídico dia…
    SL

  • MiguelF
    Posted Outubro 23, 2018 at 11:49 am

    Tem tudo para ser um avançado de topo e apesar dos seus 1.88 m tem técnica, velocidade e imprevisibilidade.

    Está numa Liga onde se têm dado muito bem os jogadores portugueses e acredito que possa evoluir como se espera. Bem que Portugal precisa de avançados acima da média!

    Acho que hoje em dia seria titularissimo no Sporting com a lesão de Bas Dost mas fez a sua escolha.

    Saudações Desportistas

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