Esta rubrica destina-se a jogadores nascidos em 1999. Os parâmetros de selecção são os feitos dos jogadores até ao momento e, principalmente, o seu potencial e o nível (patamares em termos de projecção Mundial) que poderão atingir no futuro.
Após alguns anos de uma impressionante seca a nível de pontas de lança, o Brasil pode voltar a sorrir. O país que deu ao Mundo Romário, Adriano e Ronaldo e que, por falta de opções credíveis, foi, por exemplo, obrigado a convocar Jô e Fred para o Mundial 2014, vê agora um notável conjunto de jovens atacantes surgir no horizonte. Entre eles, além dos mais óbvios (Gabriel Jesus e, eventualmente, Pedro), há um que, pelo que tem demonstrado, merece ser seguido com total atenção: Matheus Cunha.
Contratado pelo RB Leipzig ao Sion, após uma época bem conseguida (com 18 anos, nunca tendo feito qualquer jogo sénior e na primeira época na Europa, apontou 10 golos em 33 jogos na Suíça) por 15 M€, Matheus é o género de atleta que a Red Bull procura, não surpreendendo que os germânicos tenham avançado com um valor tão elevado para a sua compra (é a 6.ª contratação mais cara da história do clube, superando Werner, Bruma ou Upamecano). Com enorme margem de evolução (cresceu imenso com o avançar do tempo em Sion, sendo credível que o resultado seja replicado em Leipzig) e com os “pés bem assentes na terra”, o avançado brasileiro vai paulatinamente evidenciado os seus predicados no RBL, correspondendo às expectativas quando tem oportunidades (só tem jogado a espaços na Bundesliga – 0 jogos a titular, 79 minutos em 5 desafios – mas na Liga Europa tem aproveitado a titularidade, seguindo com 2 golos em 3 partidas na fase de grupos).
Numa fase em que, mais que nunca, se subleva a componente mental na construcção de um jogador de topo, a maturidade de Matheus pode ser um factor crucial. Poucos são os futebolistas capazes de se adaptarem a uma realidade completamente diferente em pouco tempo – ainda para mais se forem, como Cunha, “teenagers” – mas o avançado paraibano não teve qualquer problema, ajustando-se ao estilo europeu e desenvolvendo, até, armas para o facilitar. O facto de ter sido o máximo artilheiro do Sion e de ter, practicamente desde o dia 1, convencido o seu treinador a conceder-lhe um lugar no XI são provas disso mesmo, bem como a forma com que encarou a mudança para Leipzig: calmamente, sem arrogância ou soberba.
Claro que “ter cabeça” não chega, mas o jovem brasileiro, fazendo justiça à sua nação, também acrescenta um nível técnico acima da média. Apesar de, no papel, alinhar a ponta de lança, é comum vê-lo percorrer uma imensidão de território, indo muitas vezes buscar a bola ao meio-campo, ou flectindo para as alas, escapando à marcação e desequilibrando, com as suas movimentações, as defensivas contrárias. Um portento físico (muito veloz, inclusivamente com a bola controlada, além de que, tendo 184 cm, também se dá bem no jogo aéreo) e tremendo no drible, Cunha acrescenta ainda um importantíssimo instinto matador, procurando a baliza com avidez e rematando com frequência assinalável (tem um “pontapé canhão”, que usa com precisão), algo que lhe permite obter bons registos, embora provavelmente nunca venha a ser jogador para 30 golos por época.
Integrado numa das melhores equipas do Mundo a gerir jovens talentos, pese a concorrência (Timo Werner, que curiosamente tem características similares, é intocável no XI do Leipzig), Matheus terá tempo e espaço para se impor, não sendo de todo surpreendente que, num futuro próximo, venha a conquistar também o seu lugar na selecção brasileira – a mesma que tem, finalmente, opções em quantidade e qualidade para a frente de ataque.
António Hess


2 Comentários
João Lains
Acredito que há muitos nomes importantes que vão ficar de fora. Faltam 13 e há Havertz, Donnarumma, Kluivert, Guendouzi, Dalot, De Ligt, Brahim Díaz, Félix, Cuisance, Chalobah, Quina, Elmas, Gedson, Pellegrini, Mount, Reiss Nelson, Chakvetadze, Konaté (que é companheiro deste Matheus), Jota e por aí fora…
Tiago Silva
Não o conhecia porque não acompanho o campeonato suíço, mas este ano está a surpreender! Espero que tenha mais minutos e no Leipzig poderá crescer muito mais e tornar-se num dos melhores jogadores da Bundesliga.