Esta rubrica destina-se a jogadores nascidos em 2000. Os parâmetros de selecção são os feitos dos jogadores até ao momento e, principalmente, o seu potencial e o nível (patamares em termos de projecção Mundial) que poderão atingir no futuro.
No futebol, há certas tendências que se mantêm inalteradas ao longo do tempo. Assim, exceptuando alguns casos estranhos, os maiores clubes têm mantido esse estatuto, as principais nações continuam a dominar (ou, pelo menos, a lutar) as grandes competições, e o Brasil continua a não ter par no que toca ao surgimento de futebolistas prodigiosos de cariz ofensivo. A verdade é que, pese o menor fulgor da selecção canarinha nos últimos anos (desde 2002 só por uma vez atingiu as meias finais de um Mundial… e foi humilhada), tal não se deve à ausência de talento – afinal, anualmente, saltam para a ribalta vários craques, saídos das escolas de formação brasileiras.
Ora, nesse capítulo, o ano 2000 é particularmente notável, já que viu nascer, além de Antony e Paulinho, já abordados nessa rubrica, Tetê (extremo direito que o Shakhtar contratou ao Grêmio por 15 Milhões de Euros), Lincoln (prodígio do Flamengo de Jorge Jesus e que já evidenciou o seu potencial durante esta época), Marcos Antônio (outro jogador resgatado pelo Shakhtar, curiosamente ao Estoril, e que vai tendo oportunidades no emblema ucraniano) e, claro, Vinícius Júnior, um dos elementos com maior potencial do Mundo.
Contratado pelo Real Madrid ainda antes de completar os 18 anos (contudo, só se pôde juntar aos madrilenos quando atingiu a maioridade), pela impressionante quantia de 45 Milhões de Euros (os Merengues, receando falhar a compra de um ‘novo Neymar’ não se têm coibido em avançar com milhões por jovens em formação), o camisa 25 conseguiu, na época de estreia no futebol europeu, fazer o que parecia impossível (ou, pelo menos, improvável): conquistar o seu lugar. Depois de algumas exibições em cheio na equipa B, e de ter sido chamado para realizar alguns minutos pela A por Julen Lopetegui, foi com Santiago Solari no comando técnico que se tornou em aposta e num caso sério. Apesar do Real ter deixado a desejar, como um todo, Vinicíus tornou-se num elemento decisivo, destacando-se pela capacidade em desequilibrar e, regra geral, em levar a sua equipa adiante, mesmo quando parecia ser o único a querê-lo. A lesão sofrida a 5 de Março, aquando da chocante eliminação dos blancos na Champions, aos pés do Ajax, colocou travão na afirmação plena do jovem brasileiro (naquela fase era indiscutível no XI), e a subsequente chegada de Zinedine Zidane retirou-lhe espaço (o francês parece ser mais fã de Rodrygo, por exemplo), mas é crível que, considerando as características que possui, rapidamente recupere o seu posto (para já, vem de 2 jogos seguidos a titular, e com bom rendimento).
Um destro capaz de alinhar em qualquer uma das alas ofensivas, Vinícius Júnior fascina pela velocidade e explosividade que imprime no jogo. Passar-lhe a bola, de resto, é garantia de a ter rapidamente no ataque, onde o extremo, graças a um perfil destemido, arranca sem receios para cima do defensor contrário. Não tendo na técnica o seu maior trunfo, o ex-Flamengo consegue, ainda assim, deter um controlo de bola acima da média (e isso é particularmente notável quando considerada a velocidade a que a transporta) e uma habilidade impressionante para surgir em zonas de perigo. Talvez ainda não tenha atingido aquele ponto em que decide sempre bem (também não é, de todo, fácil fazê-lo após uma arrancada de 20 metros ou mais, sendo que até tem uma boa percentagem de acerto no passe), contudo, o que é certo é que se revela decisivo no último terço – e tem números que o provam (o ano passado, mesmo com a lesão, apontou 4 golos pela turma principal dos merengues e esta época, mesmo não tendo muitos minutos, já vai com 2).
Top dos craques do futuro:
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7 Comentários
Muska
Hoje já está na moda gostar mais do Rodrygo, mas eu continuo a preferir o Vinícius. É um jogador completamente desconcertante no drible, tal como descrito leva a bola e mantém-na controlada a velocidades alucinantes, mas peca ainda na finalização dos lances o que é algo que claramente que com experiência e trabalho vai melhorar.
O Vinícius faz lembrar o início de carreira do Sterling onde se lhe apontavam as mesmas virtudes e defeitos, mas acho o Vinícius ainda mais dotado que o inglês, e hoje o Sterling farta-se de marcar.
Adoro o Vinícius como jogador e também como pessoa, é humilde, trabalhador e focado. Tem tudo para ser titular na seleção e no Real muitos anos
Rodrigo Ferreira
Tem características físicas muito boas, mas ainda falta ser aprimorado na decisão e na capacidade de finalização. Pode ser um jogador de topo, mas tem por onde crescer e não sei se será no Real que o irá conseguir. Estranhamente entrou a todo o gás, mas depois lesionou-se e com Zidane caiu muito das opções. Rodrygo parece-me num patamar já mais evoluído e agrada mais a Zidane.
André Dias
Vinicius e Rodrygo são mais que simples jogadores, são o símbolo da mudança de paradigma.
O sul americano promissor costumava ter um preço acessível. Utilizava o campeonato português como porta de entrada na Europa e fazia de SLB/FCP/SCP uma rampa de lançamento para palcos maiores, geralmente protagonizando uma transferência choruda.
Com a inflação do mercado, os clubes sul americanos decidiram defender melhor os seus interesses e começaram também a esticar-se nas negociações, excluindo o clube intermédio, e neste momento os maiores talentos sul americanos saem directamente para os tubarões europeus.
Pagar 45M por um jogador não está ao alcance dos nossos clubes. Pagar esse valor por um miúdo de 17 anos então é algo completamente absurdo. Actualmente é muito complicado contratar jogadores promissores de qualidade na América do Sul porque são “roubados” cada vez mais cedo.
É altura de deixarmos velhos hábitos de lado e esquecermos o mercado sul americano. Os clubes portugueses têm obrigatoriamente que se virar para outros mercados. Que se invista em scouting e se explore Escandinávia, Balcãs, Leste da Ásia (Coreia do Sul e Japão) e África Ocidental (Gana, Senegal, Costa do Marfim, Nigéria, etc), por exemplo. Há muito talento por descobrir em mercados alternativos, e a preços bastante simpáticos para a realidade portuguesa.
Tiago Silva
O Vinicius é um dos jogadores mais explosivos da atualidade, é impressionante quando arranca, sempre com a bola colada ao pé. Mas ainda falha muito na finalização e não é muito forte a jogar em ataque organizado, é um jogador que precisa de espaço para jogar, portanto é muito melhor num futebol de transições. Vamos ver como corre a sua carreira.
Antonio Clismo
Vinicius Jr não tem uma boa relação com o golo. Aliás falha muito em frente à baliza. Não tem nem de perto nem de longe a frieza finalizadora do Rodrygo.
Penso que a carreira dele não vai ser muito por aí além.
fanatic
Só nao concordo com a parte de jogar bem em qualquer uma das alas. Alias para mim um dos principais problemas do plantel do Real é que todos os seus extremos, excepto Bale, jogam muito melhor na ala esquerda (Hazard, Vinicius, Asensio e Rodrygo) do que na ala direita
Rodrigo Ferreira
Rodrygo faz bem a direita também.